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09/09/12

"VIOLÊNCIA" - OUTRA PALAVRA MUTILADA (I)

O erro é crescente, cada vez mais oficializado e divulgado pelos meios de comunicação, adquirido nas escolas e universidades, etc. Um "meio ambiente", um ar pestilento que corroí principalmente o que não é material: o uso das palavras bem o são, e bem o mostram.

Há anos, era eu estudante lá mais para o sul de Portugal, reparei num desentendimento entre o passado e o presente: uma má correspondência entre palavras e conceitos, e também "mentalidades". Cheguei a afirmar haver um problema na filosofia, e na teologia, o qual consiste no uso muito movível das palavras (conceitos), nestas disciplinas. Afirmei haver uma guerra de conceitos, que teria de ser resolvida, ou o desentendimento não pararia. Modernista como era, com as vistas trocadas, mas sem oposição consciente ao bem, cheguei a achar que a solução estaria na "reforma" o passado, para o fazer cabível no presente, e assim podermos construir o futuro: eis uma observação inicialmente verdadeira e boa, à que se seguiu uma falsa solução.

Hoje, depois de vários anos decorridos, nem duvido que não se pode ter a intenção de adaptar o passado à imagem do presente, muito menos sabendo tão pouco do passado. Aliás, o ignorante costuma achar que o antigamente é apenas pouco distante, à medida da sua curta vista, e a mesmo tempo vê o passado mais distante como algo irreal e mítico, tanto quanto a sua imaginação possa. Contudo, nem mesmo conhecendo razoavelmente o passado o poderíamos adaptar ao presente, tão somente porque o passado é inalterável, claro! Por isto, e lá vêm a ignorância e mais a arrogância descontraída, muitos se negam a conhecer bem o passado para melhor fazer o presente pelos princípios que não passam (o mesmo a respeito dos conceitos, das ideias, das crenças, das palavras etc...)

No outro dia aconteceu que determinada conversa emperrava, porque o meu interlocutor usava num outro sentido da palavra violência. Interessante?! Para ele a "violência" é algo necessariamente mau, brutal, e rima muito bem com violência doméstica, como se fossem duas coisas inseparáveis. Assustado com este crime dos meios de comunicação, que são os primeiros a divulgar incansavelmente estes maus usos, prontifiquei-me a explicar o sentido da palavra "violência".

Assim, fiz uma recolha desta palavra em textos e contextos ao longo dos tempos, mas acabei por superar em quantidade o necessário para apresentar àquele tal interlocutor.Como o material é muito, publicá-lo-hei em vários artigos:


Anticorpos fazem violência ao câncer

VIOLÊNCIA
recolha

Sermões do P. António Vieira da Companhia de Jesus Pregador de Sua Magestade”, Tomo XII. LISBOA, 1699:

(pág. 61) “ Sim; é tão grande a violência numa criatura racional o calar, que chega a fazer em poucos dias o que não pode fazer a morte em minutos anos (…). E qual será a razão? É porque a morte é violência da vida animal, e o silêncio é violência da vida racional. Pela vida nos distinguimos dos mortos, pela fala nos diferenciamos dos brutos;”

(pág. 68) “Os tormentos tidos por tormentos podem-se sofrer; porque são violências da vontade; mas tormentos dados por alívio não se podem tolerar, porque são contradições do entendimento. Que me dêem a mim Cruz como Cruz, tormento é, mas pode-se sofrer; porém que me dêem fel como água, é tormento que se não pode tolerar: tais são os tormentos da Religião, que vos darão fel e haveis de crer que é água: o gosto há-de dizer que amarga, e o entendimento há-de dizer que é doce. Pode haver maior violência? Pois isto é o que padece na Cruz da Religião.”

(pág. 79) “Nesta grande tragédia do maior dos nascidos fazem o primeiro, e segundo papel dois homens, que também nasceram grandes: hum Herodes, outro Filipe: um Rei, outro seu irmão: um sem honra, outro sem consciência: um casado, mas sem mulher; outro com mulher, mas não casado. E de toda esta violência, de todo este escândalo, de todo este vitupério de um, e de outro, não foram duas mulheres a causa, senão uma só, e a mesma, a infamante Herodias.”

(pag. 265) “Este filho pois, pródigo parto da Lusitânia, que Deus tinha destinado a tão gloriosos fins, para livrar assim da mesma Mãe, como das unhas do Dragão, de que não podia escapar, depois de sair à luz do mundo; diz o Texto, que foi arrebatado com violência, raptus est; porque o arrebatou do caminho, que levava para a Pátria, a violência da tempestade. E diz mais, que foi levado a Deus, e ao seu trono, ad Deum et ad thronum ejus; porque a mesma violência dos ventos o levou à Itália, e a Roma, onde Deus tem seu trono na terra.”

(pag. 333) “Assim foram também cativos todos, os que sem violência forem vendidos como escravos de seus inimigos, tomados em justas guerras; “

(Continuação. II parte)

16/09/12

"VIOLÊNCIA" - OUTRA PALAVRA MUTILADA (III)

(continuação da II parte)

Violência que se há de fazer à enfermidade

“Agiológio Dominicano, Vida dos Santos, Beatos, Maryres, …” Tomo: Abril/Junho. LISBOA, 1710

(pág. 8) “Em prémio destas dores o regalava Deus muitas vezes, fazendo que esquecido de todas as coisas criadas, se deliciasse entre as doçuras do Paraíso. Era tal o ímpeto do seu espírito, nestas ocasiões, que lhe era necessário fazer violência ao corpo, para se não elevar; especialmente quando se achava em público ou celebrava o Santo Sacrifício da Missa,”

(pág. 100) “Quando as Religiosas de Procena souberam o que passava, lhe mandaram pedir perdão da desobediência, conhecendo que não há força na terra que possa resistir à violência da Oração feita por uma alma amante de Deus.”

(pág. 125) “De tal sorte se elevava em Deus, especialmente no Ofício Divino, que se era necessário dizer-lhe alguma coisa no Coro, devia preceder puxarem por ela com empenhada violência, para a fazerem entrar em si.”

(pág. 203) Da carta que o Rei D. Sebastião enviou ao Papa S. Pio V: “Damos infinitas graças ao poderoso Deus, que foi servido aceitar as piedosas lágrimas de Vossa Santidade, e os contínuos jejuns em idade tão pesada; pois por sua grande misericórdia, ouviu as suas fervorosas súplicas e enternecidos suspiros que fizeram violência ao Céu.”

(pág. 222) “Com efeito, sem mais justiça nem razão que a sua vontade e ambição, lançou os Religiosos fóra do Mosteiro por violência, prometendo edificar-lhe outro.”

(pág. 223) “Muitas vezes era sua alma arrebatada com tal violência que, levando juntamente o corpo, o viam suspenso no ar em maravilhosos extasses.”

(pág. 253) “A devoção para com o Senhor Sacramentado foi imponderável. Na sua Divina presença, como no seu centro, é que as vorazes chamas do amor de Deus que a consumiam, minoravam de alguma sorte a sua santa e amável violência.”

(pág. 254) “Um Cavalheiro ameaçou-a que visto não querer condescender a seu apetite, alcançaria a violência, o que não podia conseguir o interesse ou o rendimento. Respondeu ela que o braço de Deus era mais valente que todos os atrevimentos humanos;”

(pág. 273) “Publicou-se um édito contra os Ministros da Fé Católica, e sobre estavam já presos os que andavam pelas outras Cidades. Disse-lhe o Vice-Rei, que era seu afeiçoado, se ausentasse ou escondesse enquanto passava esta primeira violência: porém ele desejava tanto firmar com o seu sangue as verdades da sua pregação que agradecendo a amizade não aceitou o conselho.”

12/09/12

"VIOLÊNCIA" - OUTRA PALAVRA MUTILADA (II)

Continuação da I parte

A má violência pode passar por Bem quando os valores estão já invertidos

“Polyanthea Medicinal…”, João Curvo Semmedo.
LISBOA, 1716

(pág. 95) “João Kentmano 4. No livro das pedras que se criam no corpo humano, refere que em Liptia morrera um homem por violência de dores de cabeça, que o haviam assaltado, por haver comido umas amoras;”

(pág. 147) “A segunda reposta é; porque o Chá é um remédio que obra sem fazer violência à natureza, nem enfraquecendo o estomago, como fazem os vomitórios, as sangrias, as purgas, as pirolas e apozemas.”

(pág. 369) “ e a razão é; porque o Quitílio tira só a cólera, e os soros, que com a sua quentura, e acrimónia abrem as veias, e adelgaçam o sangue, para que corra com mais violência; e esta virtude não tem a têm as sangrias, “

(pág. 623) “; mas quando o fastio for tão invencível que por mais violência que o doente se faça não possa levar comida alguma para baixo,”

(continuação, aqui)

11/12/11

MUNDIALIZAÇÃO ANTI-MACHO


Agradeço ao amigo "Funguito" a notícia que destacou e enviou:

"Estudo
Violência doméstica sobre homens revelada em estudo

Portugal é o único de oito países europeus em que a violência feminina é superior à masculina.

"No primeiro estudo europeu a inquirir homens e mulheres, entre 18 e 64 anos, sobre vários tipos de violência ocorridos na relação com os parceiros "íntimos" heterossexuais no último ano, Portugal destaca-se como o único país, em oito, no qual as mulheres apresentam, em todos os tipos de violência, uma vitimização mais alta que os homens.

Numa amostra que inclui Espanha, Suécia, Bélgica, Grécia, Hungria, Alemanha e Reino Unido, os estereótipos habitualmente associados às relações heterossexuais são estilhaçados pela evidência surpreendente de uma victimização masculina mais elevada (por vezes mais do dobro) em vários países e em categorias como coacção sexual e agressão física grave e que resulta em lesões."
 [D.N.]

NPP – O fenómeno, em Portugal, é realçado pela comunicação, sobretudo pela comunicação impressa: vítima mulher, primeira página, caixa alta; vítima homem, página interior, caixa baixa e texto em corpo 8."

09/06/14

VIOLÊNCIA FÍSICA e a SOCIEDADE PROGRAMADA - Vídeo



A mesma situação mas trocando os papeis, dá resultados assustadores. Se uma mulher exerce HOJE violência sobre um homem, corremos o risco de ver tolos aplaudi-la. Contudo se HOJE um homem exercer essa violência para com uma mulher, é altamente reprovado e ameaçado pela sociedade.

É estranho .... não ?! .... uhmmm



15/04/11

PETIÇÃO PÚBLICA - EM DEFESA DA FESTA BRAVA

 Leia e assine esta petição pública



"Em Defesa da Festa Brava
Em Defesa da História, da Terra e dos Homens
Em Defesa dos Animais e da Natureza

Chamo-me Francisco Moita Flores. Sou escritor. Sou pai de três filhos, avô de três netos. E, neste momento da minha vida pessoal, por decisão do Povo de Santarém, sou Presidente de Câmara.

Nasci num monte alentejano entre Moura e Amareleja. Cresci repartido entre a cidade e o campo. Estudei na escola primária desse monte, depois numa vila, depois nas cidades do país, depois em cidades de outros países. Aprendi a vida convivendo com manadas de vacas, imensos rebanhos de ovelhas, cavalos, mulas, porcos, cabras, com o rio Ardila e tinha uma cadela que se chamava Maravilha. Durante 15 anos servi a Polícia Judiciária. Fui testemunha e actor do sofrimento mais pungente, de tragédias inimagináveis, de lágrimas feitas de tanta dor que não havia consolo. Conheci, vivi, convivi com o luto e a morte durante este tempo. Tempo demais para não sermos tocados por esse mundo invisível de dor e pranto. E este rasto de sofrimento e morte, de miséria e desespero, de violência e brutalidade em contraste com as memórias de outros tempos de menino converteu-me ao franciscanismo. S. Francisco, o irmão de todos os rios, irmãos de todos os pássaros, irmão do sol e da vida, irmão dos animais, das árvores, dos homens, das crianças, ensinou-me o caminho ético e moral para educar os meus filhos e amar os meus netos e a gente que em mim deposita confiança para governar.

Aprendi nos campos alentejanos a ser aficionado. Uma pulsão emotiva que não sabia explicar. O touro bravo, fera negra, símbolo da morte e do medo, olhava-nos arrogante e valente. Aprendi a admirá-lo. E descobri em Knossos, nos frescos deixados pela civilização cretense, que essa admiração era velha. Em Esparta e na civilização grega. Reencontrei-a em Roma e na civilização romana. Depois nos enormes frescos de Miguel Ângelo, nos poemas de Garcia Lorca, na pintura de Picasso, nas páginas de Hemingway e de tantos outros poetas, escritores, pintores, escultores que percebi que o irmão touro bravo integrava o psicodrama essencial do Homem. A sua inquietude perante a morte e a necessidade de a vencer para aspirar à imortalidade. Numa arena, em cada combate, vence a vida ou vence a morte. Não há meio termo. Esta dimensão trágica do simbólico enredo taurino está presente em todas as manifestações populares, nomeadamente, nas largadas, que arrebatam milhões de entusiastas que procuram apostar a vida, nem que seja numa corrida medrosa com o touro a quinhentos metros de distância. E o ritual cumpre-se pelo exorcismo da negação evitabilidade finitude.

O crescimento das cidades, e das culturas urbanas, produziu novos mitos. Novas falas, como lhe chama Roland Barthes. Produziu novos ritos sociabilitários, novos discursos simbólicos, novos afectos e importantes discursos sobre o mundo e os nossos destinos colectivos. Representou grandes ganhos revolucionários, culturais e civilizacionais e bem se pode dizer que, hoje, o mundo é comandado pelas cidades. Porém, também desvarios, radicalismos, intolerância e a irrupção de um pensamento que destrói a memória, que expropria e marginaliza os ritos, os mitos, os valores, os símbolos que durante séculos consolidaram Portugal, lhe deram identidade e o afirmaram como Língua, como Povo, como Pátria, como Território. As culturas urbanas radicais desprezaram os campos e desprezam os seus costumes, gostos, atitudes psico-afectivas. Consideram-nos ganga, ruído, ‘pimba', decadência face ao brilho multicolorido das cidades. Como disse a grande poetisa Sophia de Mello Breyner, são pessoas sensíveis que detestam ver matar galinhas, mas adoram canja de galinha! Culturas, ou microculturas radicais que surpreendidos pela devastação que provocaram, desertificando os campos, envelhecendo-os, matando-os, matando a agricultura, as aldeias, as vilas, a vida da pastorícia, das florestas - tudo submetido à ordem e aos valores da cidade - descobriram que valia a pena lutar por adereços. Não pelos campos ou pela multiplicação dos animais como estratégia de recuperação do mundo agrícola, muito menos por respeito pelos homens que desprezam e tratam como meros servos, mas para apaziguar consciências consumistas que na irracionalidade do consumismo despedaçaram qualquer outro valor, ideia, ou respeito pelos outros, seja pelos Homens, seja pela Natureza, seja pelos Animais.



Os diferentes nichos que surgem pelo país, em defesa do lince, em defesa do lobo, em defesa da água, contra a festa brava, na maior parte dos casos apenas olha a árvore e recusa-se a ver a floresta. São, na sua maioria, contra qualquer vínculo que afirme o respeito pelos Direitos do Homem casados e em sintonia com os Direitos da Terra. Não quero, nem é possível discutir os argumentos contra a Festa Brava. São do território da fé e jamais chegaríamos ao fim. Não é possível argumentar contra visões fundamentalistas, transformadas em beatério de confrades laicos. Que gozam as graças de meios de comunicação que adoram ruído e conflito e acreditam piamente nas verdades gritadas por aguerridos beatos, quais velhas inquisidoras. Na verdade, limpando a hipocrisia, a nenhum interessa os direitos dos animais, nem os direitos dos homens. Gritam o folclore politicamente correcto e giro! E fazem abaixo assinados, procurando destruir sem compreender, protestar quando a verdadeira essência do seu protesto são as suas próprias consciências. Nem é o sofrimento do animal, como eles dizem, que os move. Pois se o fosse, estariam aos gritos em todos os locais em que se ‘fabricam' com hormonas, frangos, vacas, ovelhas para alimentar a cidade. Estariam às portas dos grandes matadouros escutando os urros de milhares de animais que adivinham o cheiro da morte. Estariam nas barricadas contra as guerras que matam homens e crianças, na linha da frente da luta pelo renascimento do campo e das culturas rurais, na linha da frente contra a violência doméstica. Não! Nada disto. Apenas contra a pretensa violência contra os touros bravos. Nem pelo outro argumento comodista e repetido de que não são contra o abate dos animais mas sim contra o espectáculo que, no caso português, nem os abate. Maior hipocrisia não existe. Nem paciência para discutir a fé de angustiados.

Cheguei à idade onde já não há paciência para ser insultado por uma horda de analfabetos. Embora respeite os seus gritos, pois creio nesta terra da liberdade sem excepção de ninguém. Até daqueles que assiste o direito ao disparate. Cheguei á idade da tolerância mas também ao tempo onde, mais do que nunca, acredito que só é possível salvar os Direitos do Homem se com eles salvarmos os Direitos da Terra. É a minha crença profunda. E sei que o combate passa por afirmar a defesa dos símbolos, dos valores, dos ritos, das cargas simbólicas que consolidaram a nossa secular matriz identitária. E esse combate feito de muitas frentes de luta, tem numa delas os ‘talibãs' que em nome dos direitos dos animais procuram destruir os animais, a economia que os sustenta e os animais sustentam, além da cultura a eles imanentes. Por isso mesmo decidi lançar este abaixo assinado que vos envio. Já que a moda é o abaixo assinado, assinemos. Em defesa da Festa Brava, em defesa da Festa, em defesa dos valores da Terra, da Vida e dos ritos exorcizadores da Morte, em defesa dos animais, dos touros, dos cavalos, dos pastores e dos campinos, da economia agrícola e animal associada à Festa e ao espectáculo, em nome do progresso com Memória, em nome do desenvolvimento sem perder o sentido da História.

Proponho-vos chegarmos a CEM MIL assinaturas até Julho de 2011. CEM MIL! Convido-vos a todos. Aos meus irmãos homens, às minhas irmãs mulheres, que afirmem por este abaixo assinado fora, este combate pela cidadania e pelos direitos da Terra para que ninguém se amedronte perante a gritaria histérica de alguns. Convido-vos com a serenidade da razão a subscrever este abaixo assinado e definitivamente mostrar ao país que não nos submetemos à ditadura do ‘hamburger' urbano e que somos muitos, disponíveis para lutar, resistir e assumir Portugal na sua unidade complexa e diversa. Sem intolerância, em nome da Liberdade, mas também em nome dos direitos naturais sagrados que nos tornaram portugueses, filhos de Portugal, netos de almocreves, cavaleiros, campinos, guardadores de rebanhos, de escritores e de poetas, de guerreiros e camponeses, nascidos do mesmo ventre de terra à qual um dia regressaremos.



Santarém, 25 de Agosto de 2010
Francisco Moita Flores

Os signatários"


ASSINAR AQUI (depois ao fundo da página)

26/12/14

PAPA FRANCISCO - A POPULARIDADE QUE APENAS ENCANTA AOS QUE NÃO SE CONVERTEM

Nestes 15 dias ouvi e vi 3 testemunhos de gente que nada quer com a Igreja, e uma delas a detesta, e todas aplaudem o Papa Francisco. Um é maçom, e segue passo a passo os feitos do Papa (tal como nunca fizera com outros), diz também que a maçonaria aplaude este Papa e tem estado muito atenta. Outra das três pessoas diz-se católico, não quer saber sequer dos Mandamentos, mas canta vivas ao Papa Francisco! A outra das três pessoas escreve isto:

"Goste ou não se goste de religião, sejam de confissões diferentes ou ateus... Há que confessar:
- Este Papa é algo de diferente para melhor, muito melhor.
E quem se fica por criticar os milhares de milhões da igreja, pense nos milhares de milhões que despendem com marcas, hobbies, tabaco, alcool, com a satisfação do ego. O Francisco está a saber utilizar bem o cargo para o bem e por isso o meu Bom Natal ao Papa Francisco com toda a sinceridade."

(Isto é um comentário à notícia publicada no Diário de Notícias):


Papa "demolidor" avisa a hierarquia de que a sua revolução é para fazer

No encontro natalício com os membros da Cúria Romana, o governo central da Igreja, Francisco criticou as doenças que a afetam

"Francisco já mostrou que é um papa de ruturas e que quer reconduzir a Igreja à letra viva dos Evangelhos, mas talvez os bispos, os cardeais e os padres da Cúria romana - na prática, o governo do Vaticano - não estivessem à espera de lhe ouvir palavras tão duras como as que ele lhes dirigiu na segunda-feira, durante o seu habitual encontro natalício. Em vez de uma saudação tradicional alusiva à quadra, Francisco aproveitou o momento para criticar "o carreirismo", "o Alzheimer espiritual", "os boatos" e os anseios de "poder" e de "vã glória", entre outros, que grassam dentro da própria Cúria.

No seu discurso, recebido na sala com um aplauso morno e raros sorrisos, mas certamente do agrado da grande congregação dos que dentro e fora da Igreja apoiam a sua linha de renovação da instituição, o papa exortou os membros da hierarquia a abandonar o rosto "severo" e enumerou um conjunto de 15 "doenças e tentações" que a afetam." (DN)

Volto agora ao tal maçon, para mostrar que publicações tem ele no seu facebook, desde Junho:

- Notícia da morte de Jaime Gralheiro, que entre outras coisas foi "um Homem de Abril".
- "Nossos Heróis São os Professores, e Não os Jogadores" - Cartaz brasileiro
- Imagem com a diferença entre "chefe" e "líder"
- Cartaz "Não estou envelhecendo, estou-me a tornar um clássico".
- Cartoon: "Bom dia, menina. O Chefe de família está? - "Nesta família não há chefes, nós somos uma cooperativa". Comentário: "Nada como mantermos esta filosofia de pé!"
- Cartaz com o Papa Francisco, onde se lê: "Não existem mães solteiras, existem mães. Porque mã não é um estado civil."
- Imagem que representa um auto da Inquisição no Terreiro do Paço, do qual diz: "... interessante desenho de um tempo horroroso! O Tempo totalitário da imposição de um doentio cristianismo de igreja, herdado de um cristianismo de império, e por assim surgido assim ter continuado a querer ser, na sua hierarquia. Acho (estarei errado?) que M. Ferrer [autor do desenho] quis, com este desenho, responder a minha frase sou cristao não sou cristão de igreja. E quis responder precisamente (estarei errado?) por me ter assumido Maçon. Fraternalmente explico a M. Ferrer: Quando refiro o cristianismo refiro o cristianismo primitivo, essenico, que se reencontrou nos construtores de catedrais, nos templários, nos Franciscanos, nas primeiras cisoes "protestantes", como a revolta de Lutero... Claro que, por isso, me horrorizam as caças as bruxas, a destruição dos Cataros, as inquisições, a destruição da cultura feminina, ou as cruzadas ( por contraditório que tal seja face ao respeito que tenho aos templários e ao seu papel no mundo com a expansão e a primeira globalização)! Mas não me afasto da necessidade de uma visão espiritual no mundo, que o BigBang não destruiu pelo contrário reforçou...  Assim, agradeço a Manuel Ferrer a oportunidade que me deu de melhor esclarecer o meu cristianismo, que na maçonaria me conduz a rejeitar visões limitadoras quanto a mesma, ou visões estritamente "cabalísticas" da mesma, ao mesmo tempo que me orientam para uma maçonaria onde a lua e o sol se encontrem no mesmo templo - a nossa alma!
-  Vídeo sobre a ditadura militar no Brasil
- Apelo ao socialismo e ao partido PS
- Cartaz: "Sozinhos somos forte, juntos somos imbatíveis"
- Relativamente a um comentário do Bispo D. Manuel martins, diz "Todos os homens de bem e lúcidos pensam assim!", e seguem então as palavras do Bispo: "Se o ex-primeiro-ministro estivesse detido no Porto, iria visitá-lo à cadeia. O modo como foi detido foi excessivo. A forma como se vai buscar uma pessoa, como se dá aparato, é uma ofensa à dignidade com aquele espalhafato todo. Não se faz a ele, nem a ninguém. O julgamento já está feito, mesmo sem tribunal".
- Fotografias sobre debate da "violência doméstica", com o texto: "O debate sobre a violência doméstica na EPAR"
- Fotografias sobre o ERASMUS, com o texto: "E da parte da tarde mais alunos da EPAR para o nosso projecto no ERASMUS o ESPARMOVE"
- Cartaz: "Vai dar tudo certo ;) ", comentado: "O Muro de Berlim acaba de cair na totalidade com o início da reconciliação entre EUA e Cuba via a diplomática do papa Francisco! É bom estar a viver estes tempos."
- Cartaz:
Seguido do texto: "Na sua raiz iniciatica cristã, essenica, ou cristã de Roma, dos construtores de estrada a e depois de templos, os maçons, a maioria enfim ainda não se libertou do machismo medievalista (entre os dominantes os protegidos por Roma). Constato que cada vez mais esses maçons vivem longe da realidade, a profana e a esotérica inventando sobre fantasias dos burgueses ansiosos de títulos do século XIX mais títulos e falsos saberes que a nada conduzem. Dai que a busca da Igualdade esteja tão esquecida e a entrega pela Fraternidade tão limitado. Mas o mais grave e o afastamento da Mulher. Já o escrevi n vezes recordando a presença do Sol e da Lua nos templos maçônicos sendo que quanto a lua que se hoje se apresenta refletindo o Sol a ser verdade a nossa Antiguidade então seremos forçados a dizer tão somente que Sol e Lua brilham só que diversamente. Eis porque não me situo nas ditas Grande Lojas e prefiro seguir as ditas Selvagens que procuram construir a Igualdade e a Fraternidade reforçando assim a Liberdade!"
- Cartaz com o Papa Francisco (feito pelos Padres e Irmãos Paulinos) com uma mensagem o Papa: "Quando se vive preso ao dinheiro, ao orgulho ou ao poder, é impossível ser feliz.". A acompanhar o Cartaz, vem um texto: "Estou mesmo muito preocupado !Quem ler a Sábado só pode, aliás, estar muito preocupado pois ela reflete uma igreja católica ultraconservadora anti papa Francisco fanaticamente passadista setaria. Se e assim então meus caros camaradas da Esquerda estamos no fio da navalha e qualquer erro nosso será o retorno ao fascismo feito de revanche de ódios não resolvidos e gerados com o 25 de Abril e mostrando o poder que os alexandrinhos teem em Portugal. Não há segundo a Sábado círculos de debate entre os crentes católicos sobre o Sínodo da Família há sim aquele doentio silêncio do tipo mergulha e deixa passar a onda. Tudo ao contrário do tempo em qu do rei Dinis decidiu não acatar as ordens do papa e do rei francês para assassinar os Templários. Porque na época o rei Dinis e seus sucessores souberam não só dizer não ao papa como mantendo a ordem sob outra denominação usaram o seu Saber para a expansão teocratica portuguesa. Hoje ao contrário vemos segundo a Sábado uma igreja quase anti papa pelas mas razões pela defesa do errático catecismo que sustenta as elites do mundo ( e de Portugal) neste Asiático luxo de sustentar minorias com muitos filhos e as grandes maiorias sem os ter por não terem as condições econômicas para tal."
-Imagem do Pai Natal dançando com as renas, e adicionada do seguinte texto: "Não posso deixar de vos desejar um Natal Feliz ! Ora, na Tradição no Natal gastam se reservas do Verão anterior com a certeza de que todos na comunidade aproveitarão dessas reservas quer as tenham quer não! Enfim tempos em que haviam almoços grátis em que Vizinhos ou eram Família ou como o fossem em que neo liberais era coisa desconhecida e o que fosse parecido, desprezada.Tempos ainda em que Maria convencia Jesus Cristo ao seu primeiro milagre - a transformação de água em vinho de elevada qualidade (e não Mateus Rose) permitindo a continuação da Festa (e claro da razoável bebedeira...).Este passado Natal será o Natal exemplar de um Futuro que nos será imposto pela degradação do Ambiente a impor cautela na Produção e no Consumo um Natal sem luxos mas com prazeres! Por esse Natal - Boas Festas!"
- Cartaz em favor de Dilma Rousseff
- Imagem acompanhada do texto: "E porque será Oh opusdeistas que o papa Francisco e o seu discurso morreram nas tv's portuguesas neste Natal! Que tal perguntar ao sr Carlos Alexandre?"
- Algumas imagens de "natal"
- "Feliz NBatal, Ano Novo Muito Próspero, Amigo Socrates"
- Notícia: "Papa Francisco pede na Missa do Galo empatia e bondade perante a adversidade - Globo  - DN"
- Notícia: "Decida do desemprego em Portugal", com o texto: "A bandalheira da propaganda neo liberal nem os seus patrões convence" [chamam de "neo-liberal" a algo que não é sequer propriamente liberal].
- Cartão de Natal de Obama
- Foto de medalha maçónica com a inscrição "Gloria Dei Este Celare Verbum":


O texto: "Agora entendi onde falhei - vivo a Esquerda e deito me a Esquerda esperando o mesmo da minha companheira e indo ao contrário de conselhos que vêem da Direita ... Bem, não tem resultado mas tenciono continuar nesta linha pois a liberdade da minha companheira e a minha liberdade o respeito da minha companheira o meu respeito. Não resulta? Parece me que pouco tem resultado na verdade nos últimos 35 anos ( passados os 5 da "revolução) dai que continuamos todos sem saber o que será o "ideal" ... Já que separações e divórcios acontecem em todos os meios"

(...)

- Saltando para a última publicação, eis a notícia "Angela Merkel ganha título "Pessoa do Ano" por resistir à "agressão russa"", com o texto do maçom: "Como vocês sabem houve e como houve agressão russa. Estes proto fascistas são o cúmulo do ridículos. Gente feia porca e má do pode dar aliás notícias ridículas.
---

Veja-se, portanto, que já a maçonaria se converteu aos encantos do Papa Francisco, sem que hajam conversões realmente ao catolicismo.

30/03/18

A SEMANA SANTA - Sto. AFONSO DE LIGÓRIO VII (Sábado Santo)

(ver anterior: Sexta Feira de tarde)


SÁBADO SANTO
Sétima dor de Maria Santíssima
Sepultura de Jesus

Involvit sindome, et posuit eum in monumento - "Amortalhou-o no sudário, e depositou-o no sepulcro" (Marc. 15, 46).

Sumário - Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de o ter acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao filho e ao sepulcro, e volta para casa, deixando o coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de maria, encerremos o nosso coração no santo Tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no céu. Para isso é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as cousas da terra.

I. Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflicta mãe deve despedir-se dele, ó Deus! o pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Esta foi a última espada que traspassou o coração aflicto de Maria.

para melhor considerá-la, voltemos ao Calvário e observemos atentamente a aflicta Mãe, que ainda tem abraçado seu Jesus morto e se consome de dor ao beijar-lhe as chagas. Os santos discípulos, temendo que ela expirasse pela veemência da dor, animaram-se a tirar-lhe do regaço o depósito sagrado, para o sepultarem. Com violência respeitosa tiraram-lho dos braços, e embalsamando-o com aromas, envolveram-no em um sudário adrede preparado. - Eis que já o levam à sepultura; já se põe em movimento o cortejo fúnebre. Os discípulos carregam o corpo exânime; inúmeros anjos do céu o acompanham; as santas mulheres o seguem e juntamente com elas vai a Mãe aflictíssima, acompanhando o Filho à sepultura.

Chegados que foram ao lugar destinado, a divina Mãe acomoda nele com suas próprias mãos o corpo sacrossanto; e, oh! com quanta violência se sepultaria ali viva com seu Jesus! Quando depois levantaram a pedra para fechar o sepulcro, afigurava-se-me que os discípulos do Salvador se voltaram para a Virgem com estas palavras: Eis, Senhora, deve-se fechar o sepulcro: tende paciência, vede pela última vez o vosso Filho e despedi-vos dele. - Ah! meu querido Filho (assim deve ter falado então a aflicta Mãe), não te hei então de tornar a ver? Recebe, pois, nesta última vez que te vejo, recebe o último adeus de mim, tua afectuosa Mãe.

II. Finalmente, os discípulos levantam a pedra e encerram no santo sepulcro o corpo de Jesus, aquele grande tesouro, a que não há igual nem na terra nem no céu. Diz São Boaventura, que a divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra. E assim dando o seu último adeus ao Filho e ao sepulcro, volta para sua casa, mas deixa o seu coração sepultado com Jesus.

Sim, porque Jesus é todo o seu tesouro, e, como disse Jesus: Ubi thesaurus vester est, ibi et cor vestrum erit - "Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração". E nós onde teremos sepultado o nosso coração? talvez nas criatura? no lodo? E porque não o teremos sepultado com Jesus, o qual bem que subido ao céu, contudo quis ficar, não morto, mas vivo, no Santíssimo Sacramento do altar, precisamente para ter consigo e possuir os nossos corações? Imitemos, pois, Maria; encerremos os nossos corações no santo Tabernáculo, para não mais o tornarmos a tomar. Entretanto, colocando-nos em espírito com a dolorosa Mãe junto ao sepulcro de Jesus, unamos os nosso afectos com os de Maria e digamos com amor:

Ó meu Jesus sepultado! beijo a pedra que Vos encerra. Mas ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido convosco no céu, para Vos louvar e amar eternamente. Eu Vo-lo peço pela vossa paixão, e pela dor que sentiu a vossa querida Mãe, quando Vos acompanhou ao sepulcro. (*I 251.)


MEDITAÇÃO PARA A TARDE
Soledade de Maria Santíssima depois da sepultura de Jesus


Posuit me desolatam, total die maerore confectam - "Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia" (Thren. 1, 13).

Sumário
- Ah, que noite de dor foi para Maria a que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! A desolada Mãe volve os olhos em torno de si, e já não vê o seu Jesus, mas representam-se-lhe diante dos olhos todas as recordações da bela vida e da desapiedada morte do filho. Como se não pudesse crer em seus próprios olhos: Filho, dize-me onde está o teu dilecto?... Minha alma, roga a Santíssima Virgem, que te admita a chorar consigo. Ela chora por amor, e tu, chora pela dor dos teus pecados.

I. Diz São Boaventura que, depois da sepultura de Jesus, as mulheres piedosas velaram a Bemaventurada Virgem com um manto lúgubre, que lhe cobria todo o rosto. Acrescenta São Bernardo, que na volta do sepulcro para a sua casa a pobre Mãe andava tão aflicta e triste, que comovia muitos a chorarem, ainda que involuntariamente: Multos etiam envitos ad lacrimas provocabat. De modo que, por onde passava, todos aqueles que a encontravam, não podia conter as lágrimas. Os santos discípulos e as mulheres que a acompanhavam quase que choravam mais as penas de Maria do que a perda de seu Senhor.

Quando a Virgem passou por diante da Cruz, banhada ainda com o sangue do seu Jesus, foi a primeira a adorá-la. Ó santa Cruz, disse então, eu te beijo e te adoro, já que não és mais madeiro infame, mas trono de amor e altar de misericórdia, consagrado com o sangue do Cordeiro divino, que em ti foi imolado pela salvação do mundo. - Deixa depois a Cruz e volta à casa. Chegada ali, a aflicta Mãe volve os olhos em torno, e não vê o seu Jesus; em vez da presença do querido Filho, apresentam-se-lhe aos olhos todas as recordações da sua bela vida e da sua desapiedada morte.

Recorda-se dos braços dados ao Filho no presépio de Belém, da conversação com ele por trinta anos na casa de Nasareth; recorda-se dos mútuos afectos, dos olhares cheios de amor, das palavras de vida eterna saídas daquelas boca divina. E depois se lhe representa a cena funesta presenciada naquele mesmo dia; veem-lhe à memória os cravos, os espinhos, as carnes dilaceradas do Filho, as chagas profundas, os ossos descarnados, a boca aberta, os olhos escurecidos. E com tão funesta recordação, quem poderá dizer qual tenha sido a dor, a desolação de Maria?

II. Ah, que noite de dor foi para a Bemaventurada Virgem aquela que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! Voltando-se a dolorosa Mãe para São João, perguntou-lhe com voz triste: Ah! filho, onde está teu mestre? Depois perguntou à Madalena: Filha, dize-me onde está o teu dilecto? Ó Deus! quem no-lo tirou?... Chora Maria, e todos os que estão com ela choram também. E tu, minha alma, não choras? - Ah! volta-te a Maria, e roga-lhe que te admita consigo a chorar. ela chora por amor, e tu, chora pela dor de teus pecados: Fac tecum lugeam.

Minha aflicta Mãe, não vos quero deixar só a chorar; não, quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Eis a graça que hoje vos peço: alcançai-me uma memória contínua, junto com uma terna devoção para com a paixão de Jesus e a vossa; afim de que todos os dias que me restam de vida não me sirvam senão para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Espero que, na hora de minha morte, essas dores me darão confiança e força para não desesperar à vista das ofensas que tenho feito ao meu Senhor. Elas devem impetrar-me o perdão, a perseverança e o paraíso.

E Vós, † "ó meu Senhor Jesus Cristo, que para resgatar o mundo quisestes nascer, receber a circuncisão, ser condenado pelos judeus, traído por judas com um ósculo, acorrentado, levado para o sacrifício como inocente cordeiro, arrastado com tanta ignomínia diante de Anás, Caifás, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, flagelado, esbofeteado, carregado de opróbrios, coberto de escarros, coroado de espinhos, ferido com uma cana, vendado, despojado de vossos vestidos, pregado e levantado na cruz entre dois ladrões, abeberado de fel e vinagre e traspassado por uma lança; suplico-Vos por vossa santa cruz e morte, livrai-me do inferno e dignai-Vos levar-me para onde levastes o bom ladrão crucificado convosco, ó meu Jesus, que viveis e reinais com os Padre e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Assim seja." ¹ (*I 252.)

(¹ Ajuntando-se 5 Padre-nossos, Ave-Marias, Gloria Patri a esta oração, pode-se ganhar uma indulgência de 300 dias uma vez por dia.)

14/07/14

EPICÉDIO (I)


EPICÉDIO 
AO
SENTIDÍSSIMO FALECIMENTO
Do Insigne Português
 O Reverendo Padre
JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO,
composto e dedicado
á nação portuguesa
por Guadêncio Maria Martins

"Mais ainda que caiu, a fama ergueu
Tanto seu claro nome, que desconta
A dor que nos deixou, e a grande afronta,
Que Febo, e o mundo todo recebeu." (Bernardes)


Epicedio

Pesada condição da humanidade!..
Nasceu para morrer!.. tal é o encargo,
Que oprime sempre os míseros humanos!..
Eis o fruto fatal da rebeldia,
que no Éden formoso rebentara!
Grandezas, possessões, ciência de tudo
Quando do mundo a face desfrutamos,
Mas da vida no acaso é débil sumo
Exposto ao furacão de irados ventos!
As vidas dos heróis não poupa a morte,
E do sábio também finda a carreira!
Onde Mário e Pompeu, onde Alexandre,
Onde César e Tito, onde Trajano?
D'antiguidade a Nuncia apenas hoje
Seus nomes, e façanhas nos transmite!
Quem se equipara a estes na grandeza?
Mas na morte, que a todos prostera e vence,
Igualam a qualquer de seus escravos.
De um Domósthenes a mágica eloquência
Não pode suspender seus golpes ervado,
Nem de um Túlio a moral filosofia
Lhe embarga os passos, ou suspende o braço!
Emitindo lições de moral pura
(Com que Platão depois ilustra o mundo)
Morre um Sócrates sábio e virtuoso.
De seus golpes fatais humano esforço
Jamais pode impedir a atroz violência!
Assim de um fero golpe a morte rouba
Um sábio, que de Lysia fôra ornato!
Já se eclipsou à vista dos humanos
Hum Sábio Português, um Douto Génio,
Que imortal ficará em seus escritos!..
Assim posso dizer, pois que a lisonja
Não pode já tentar seus mortais restos...
Sim, terminou o ínclito Macedo
Os seus dias mortais, da vida o curso;
Mas expira, mostrando ao mundo inteiro
Quais os deveres são dos sábios todos!

Do que serve o saber, se se não rege
Pela justiça, por dever, por honra?
Muito soube Voltaire, doutro foi Loke,
Spinosa, Mably, Volney souberam;
Mas que uso fizeram dos talentos
Que do seu Criador tinham aceito?
Contra o mesmo Senhor, que lhos prestara
Ingratos estas armas revoltaram!
Esta a Religião o comum alvo
A que seus féros golpes dirigiam:
Os Tronos derrubar era seu norte,
E no mundo firmar, sem Reis, nem Culto,
Uma falaz, quimérica igualdade,
Que só tinha lugar nas fantasias
Formadas por um cérebro escandecido!

Mas que estrada, ou que trilho segue e piza
O Sábio Português, que pranteamos?
Ele do imortal a essência prova,
E seu culto defende, arreiga, exalta.
Fiel a Deus, e ao Rei, ele os defende
De sofismas de ateus, d'ímpias doutrinas.
O Sábio é devedor à Pátria sua
Dos talentos, que um Deus lhe prodigára:
Macedo assim o entende, assim pratíca
E da Pátria c'o amor termina a vida.
Ele a defende com valor de Sábio,
Refutando as doutrinas perigosas,
Que o mundo assolam com ferino estrago.
Pugnava pela Lei, pela Justiça,
E se pode afirmar co' a são verdade,
Que a lide durou quanto a sua vida.
Ciente em tudo que saber-se pode,
E que foram do Sábio o património,
Ele maneja as armas da ciência
Com viva intrepidez, com arte, e génio;
Douto quando falava ante os Altares
Do Deus Vivo, imortal, Omnipotente;
Douto quando da história apresentava
Os sucessos gerais no mundo todo;
Douto quando da lira ao som cadente
Dos peitos lusos o valor cantava!..
Newton, Meditação, Obras do Génio,
Intactas volverão do tempo o curso,
E seu nome imortal será c'locado
Dos sábios no catálogo brilhante.
Os serviços, que fez à Pátria sua
Nunca hão de esquecer. Nunca deslembrarão
Os feitos dos heróis à Pátria grata,
Quando seus dias estes tem votado
À honra nacional, à Pátria glória.
Quis um Deus imortal, que onde brilharam
Os Vieiras, os P'reirasm e os Almeidas,
Macedo alardasse alta ciência.
Fez seus inimigos espumar raivosos,
Que da Pátria o transtorno demandavam,
Despojando seu Rei da C'roa e Ceptro,
Que a Justiça, e a Nação reconheciam.
Sempre em lide co' a seita abominável,
Que na queda do Altar, e Trono aguarda,
Ele soube manter, ovante sempre,
Da Verdade, e razão os justos Fóros.
Oxalá menos breve a Parca rude
Lhe não cortasse o fio d'essa vida
Tão cara a Portugal, tão cara ao Trono!
É do Sábio o trabalho tão precioso
Á Pátria, a quem dedica o doutro estudo,
Quanto o hábil general na guerra
Dirigindo os ataques e batalhas:
Ele faz convergir os sentimentos
Para o trilho da Lei e da Justiça;
Tira a máscara vil à impostura,
Que desfigura sempre a sã verdade;
Faz amar, o que é digno só de amar-se,
E obtém aborrecer-se o vício rude.
Sem ser com rijo alfange, ou ferro e fogo,
Com violência, com força, ou com cadeias,
Ele separa e vence com brandura
Somente da razão co' as dóceis armas;
Persuade, dirige, e sempre rende
Um coração, uma alma bem formada.
Nós o perdemos; Lysia se lastima
De tão douto escritor co' a dura ausência!
Mas se a morte o roubo de nossa vista,
Seu profícuo saber nos resta ainda
Difundido, espalhado em seus escritos.
Estes são só os bens, que um sábio deixa!
Do avaro as riquezas poucos eram,
Mas do sábio é herdeiro todo o mundo!
Os bens do avarento muitas vezes
Só vão alimentar torpezas, vícios;
Os do sábio produzem almas rectas,
Dão vassalos fiéis aos reis piedosos,
Garantindo a moral à sociedade!...
Ó Sábio Português, ó doutro génio,
Não posso terminar, sem que recorde
Eloquentes lições, que hás dispensado
Do lugar onde a nítida Verdade
Somente há de apar'cer, pura, e brilhante!
Ah! Em extasis Santos muitas vezes
Fazias transportar pio auditório!...
Tão sensível se faz a perda tua
Quanto mérito mais se te descobre!..
Não posso supitar a mágoa, a pena,
Que o triste coração me dilacera...
Mas é Deus, que o mandou, é Deus, que a vida
Tira, ou conserva, como bem lhe agrada:
Ao homem penetrar não se permite
Os arcanos de um Deus incompreensível!
Ele a vida nos dá, e a vida tira,
E seu paterno amos em tudo mostra.
Santa resignação com seus decretos
É proveitoso, salutar princípio.
Embora minha voz eu solte, e brade,
É inútil falar a cinza, a sombras!
Mas à memória tua, ó douto génio,
Eu consagro este metro luctuoso,
Tributo humilde, mas de uma alma grata.

(continuação, II parte)

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