15/04/19

NOTRE DAME de PARIS - A QUEDA

Foi mais uma tristeza vinda da capital da França. O incêndio que hoje deflagrou em Notre Dame de Paris deixou quase todos entristecidos. Houve festejos por parte de muçulmanos, nas redes sociais.

A Catedral de Notre Dame, símbolo da França, em parte também da Cristandade, estava num processo de grande restauro, quando o terrível incêndio deu origem. O cume da perplexidade de quem assistiu ao histórico espetáculo foi o da queda da torre central (agulha), que erguia sobre todo o edifício um cruxifixo.


É impossível não meditar no acontecimento coincidente com o início da Semana Santa.


Rezemos pela França.

14/04/19

Mons. TISSIER DE MALLERAIS - A RECUPERAÇÃO

Aviso: o artigo está em "suspenso" e requer a posterior leitura da respectiva caixa de comentários.

Ontem, dia 13 de Abril de 2019, um dos antigos padres da FSSX expulso por recusar obediência ao Papa (enquanto se mantivesse em opiniões heréticas), o conhecido Padre Basílio Méramo escreveu uma carta aberta a Mons. Tissier de Mallerais (um dos quatro bispos sagrados por Mons. Marcel Lefebvre).

Mons. Tissier de Maillerais terá baixado a guarda à Gaudium et spes e à promulgação do decreto da Liberdade Religiosa, dizendo que Mons. Lefebvre no Concílio assinou favoravelmente. Por obrigação de consciência, o Padre Basílio Méramo escreve para recordar ao bispo não fazer daquela assinatura de presença uma assinatura de aprovação. O mesmo padre recorda os procedimentos devidos nestes casos: Mons. Tissier deverá fazer uma declaração pública (tanto quanto o foram as afirmações erradas) e o mais rápido possível (para evitar maiores danos às almas). Recorda ainda que, na audiência de Paulo VI a Mons. Lefebvre, o Papa censurou-o por não ter aceite aqueles documentos.

Traduzimos do castelhano a carta a Mons. Tissier de Mallerais:


Estimado Monsenhor Tissier de Mallerais,

com total respeito que merece a sua dignidade episcopal, vejo-me obrigado perante Deus, a Igreja e o Senhor (motivo pelo qual torno pública a presente), a recordar-lhe o grave erro em que incorreu, seja por descuido, miopia, desconhecimento ou pressão (pouco importa), por ter confundido de Mons. Lefebvre a assinatura de presença (e da sua representação como procurador de outro bispo) com a assinatura pró promulgação dos decretos da Liberdade Religiosa e Gaudium et spes, que como se sabe bem, Mons. Lefebvre sempre negou, ademais de ter votado contra eles.

Após uma revisão e reflexão mais profunda, dei-me conta de ter sido talvez condescendente ou quiçá pouco claro e contundente. Para evitar cair em pena supletória no purgatório, por deixar de fazê-lo, vejo-me hoje obrigado, também para que, corrigindo-lhe o erro, evitar que o Senhor também caia nela.

Isto é de ser feito o mais prontamente possível, com uma declaração pública e manifesta. De contrário, terá de sujeitar-se ao juízo da Ira Divina à qual será submetido no momento da morte, a qual nos pode chegar a qualquer momento.

Tenha como prova, ou melhor como contra prova, a facto do próprio Paulo VI em audiência como Mons. Lefebvre, a 11 de setembro de 1976, censurou-o de não ter aceitado esses documentos. Então, fica claro que se Monsenhor Lefebvre tivesse assinado como o Senhor afirma categoricamente nestes termos: "Resulta destes factos irrecusáveis que Mons. Lefebvre, como Mons. de Castro Mayer, depois de ter votado até ao final contra a liberdade religiosa, assina finalmente a promulgação da declaração Dignitatis humanae", nada teria o Papa para censura-lo. Esta reprovação de Paulo VI é prova irrecusável e irrefutável de que Mons. Lefebvre jamais assinou a promulgação da Liberdade Religiosa.

"Errare humanum est, perseverare autem diabolicum" Não esqueça!

Que a graça e a luz divina o fortifiquem e iluminem para que obre em consequência. Por isto, coloco-o de forma muito especial nas minhas pobres orações.

Basílio Méramo.


Esperemos que Mons. Tissier tenha a coragem necessária, e também uma boa recuperação da recente intervenção cirúrgica. Reze agora uma Avé-Maria por Mons. Tissier.

(fonte: Radio Cristiandad)

09/04/19

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 32 (I)

O PUNHAL DOS CORCUNDAS

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N.º 32
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Ostendam gentibus nuditatem tuam


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HISTÓRIA DO MAÇO FÉRREO ANTI-MAÇÓNICO


Creio que haverá muita gente persuadida de que o Maço Férreo, este desperdiçado dos Mações, só teve por assunto desmascarar esses infames, que tão infelizmente nos regiam. Apesar de que o erro não é substancial, pois tanto vale dizer deu-te na cabeça, como na cabeça te deu, convém que estas coisas apareçam agora no seu verdadeiro ponto de vista.

Quando o sistema começou a bambalear pela inépcia e maldade dos que o traçaram e dirigiam, acudiu o Patrão da Larcha, deitou a mão ao leme, ofício que lhe era natural, e tratando de escapar ao naufrágio, meteu-se a Periodiqueiro, e de parelhas com outros Natuas Argelinos e Mouros fez sair o Independente, nome mil vezes bem posto, que segundo mostrou a experiência tudo o que saía de tais penas era independente de noções de Lógica, de princípios religiosos, e muito acima de todas as leis repressivas de liberdade da imprensa, que se fizeram só para a vil canalha dos Cristãos e dos Realistas. Ora os tais novos Redactores bem quiseram cobrir com ramalhos esta como peça de artilheria, para que os malditos Corcundas nem soubessem donde lhes vinha o mal, nem presumissem que os tracalhazes ou postilhonas da Majestade se aviltavam a ponto de exercerem as humildes funções de Periodiquistas; porém como os ramalhos eram delgaditos, e a sua folhagem não dava para cobrir peças de quarenta e oito, rompe-se logo o tal segredo, e já desde o N.º 2º eu sabia quem eram os Redactores. Prosseguia a obra mui felizmente, quase tomava a dianteira ao Diário do Governo, e trazia bocadinhos de ouro sobre alguns assuntos Cristãos, e nomeadamente sobre a tolerância. Caso estupendo! Maravilha peregrina! Sem lhe valer a égide dos mais claros nomes da História Constitucional houve Padresinho tão audaz, que os moeu sobre o artigo tolerância, e o fazia com tal arte, sagacidade, e força de raciocínio, que julguei escusado sair nessa ocasião com o meu fato à rua. Chegou-se ao N.º 45, sem que eu me resolvesse ainda a encetar a peleja; mas tanto que li no Suplemento ao dito N.º as palavras seguintes:
"Qual será a razão por que se não lança mão das rendas de tantos Conventos inúteis, e até prejudiciais à regeneração que Portugal tem empreendido, e à nossa felicidade geral? Qual será a razão por que a Comissão de reforma eclesiástica não apresenta um plano de reunião (ao menos quando não seja de extinção total) desses inimigos declarados da Nação Portuguesa? Qual há de ser a razão por que os Frades Bernardos hão de conservar trinta, ou quarenta, ou mais Conventos de ambos os sexos com rendas exorbitantíssimas para sustentar viciosos inimigos do bem público? Porque não se hão de fazer sair daqueles clubs os homens que quiserem vir para o século, reunir todos os mais em uma ou duas casas, onde exercitem o seu instinto como monges, e não como perseguidores da humanidade? E porque se não há de praticar este plano como todas as religiões monacais, tendo todas o mesmo interesse em transtornar o nosso actual sistema, e empregar as rendas das casas suprimidas em favor dos juros da dívida pública? Qual há de ser a razão por que as ordens militares não hão de ficar reduzidas a simples honorífico, e aplicar tudo o que é útil e rendoso a bem dos juros da dívida pública? Por ventura esses bens e essas rendas não são da Nação Portuguesa? Acaso pode considerar-se nelas algum privilégio maior que o interesse público? Acaso pode considerar-se nelas algum privilégio maior que o interesse público? Não posso, confesso ingenuamente, acomodar-me a que se não adopte este plano: quem deixará de emprestar os seus cabedais a uma Nação tão decidida pelo sistema constitucional, e que tem em si tais recursos, e tão sólidas garantias?...…. Demais, ara que se conservam ainda tantas prebendas e conezias nas catedrais de Portugal? Pois para que o culto divino se pratique será necessário que haja centos de Cónegos, e que estes tenham três, quatro, e seis mil cruzados de renda para ir cantar, entretanto que um empregado público percebe um ordenado que lhe não chega para três meses do ano? Não bastariam seis ou oito beneficiados, a quem se dessem duzentos ou trezentos mil réis, e não mais? Para que servirá que tantos Prelados diocesanos tenham quarenta, sessenta, e cem mil cruzados de renda? Não bastaria dar a cada um doze ou quinze mil cruzados? Não bastaria dar a cada um doze ou quinze mil cruzados, e aplicar toda a mais rendas aos juros da dívida pública, e desse empréstimo! Que aplicação mais útil, e mais santa? A mim parece-me, e não me engano certamente, que tudo isto se fazia em meia folha de papel; e que em resultado teríamos não só o indispensável empréstimo dos capitalistas e Portugueses, mas até dos estrangeiros; porque realmente nenhuns os podem empregar com mais segurança, nem com tanta vantagem; e a Nação Portuguesa estabelecia o seu crédito, e teria logo dinheiro para fazer face às suas indispensáveis despesas, e diminuía o número de seus inimigos. Quais serão os perigos que se receiam de lançar mão deste plano e destas rendas, que presentemente estão gozando as ordens religiosas e corporações eclesiásticas? Porventura não são rendas nacionais? Porventura haverá entre nós alguma coisa que não seja da Nação Portuguesa? Não têm eles gozado até agora com detrimento, e o maior prejuízo da mesma Nação? Que bens vêm à Nação Portuguesa da conservação de tais estabelecimentos, trono a repetir? Dar-se-há caso que ainda se julgue necessário, para se adoptar este plano, recorrer à Cúria Romana? Não se acha já determinado que a Nação Portuguesa é livre e independente, e que não pode ser património de alguma casa ou família? Como o há de ser então da Cúria Romana? É preciso acabar um dia com estas imposturas, e reconhecer por uma vez que as nossas Côrtes estão autorizadas para todo o género de reformas, e que esta é a mais interessante a bem da causa pública, e que sem ela chegar a efeito, todas as mais operações são secundárias. É preciso reconhecer a nossa independência, e tomar um caracter firme e decidido pelo bem geral; caia embora o raio onde cair; esta é a tábua da nossa salvação, que não depende do arbítrio ou vontade estrangeira, depende unicamente do convencimento destas verdades, até agora ocultas nas trevas da ignorância, mantida pelo fanatismo político, que se apoderou com arte dos governos para escravizar a humanidade: essa época porém passou, graças à mão virtuosa e liberal, que soube aproveitar o momento para nos salvar do naufrágio, a que um governo perverso e despótico nos havia conduzido. - Ass. um verdadeiro Constitucional."
Senti reverdecerem todas as minhas feridas, vi tão claramente enunciado o projecto da destruição do Catolicismo neste Reino, que peguei logo da pena, e mui determinado a expatriar-me se fosse necessário arrostei com o Mestre dos Naufrágios, e mandei apra a Gazeta Universal o que se publicou em o N.º 67, e é, sem mais nem menos, o que se segue:
"Senhor Redactor da Gazeta Universal - Que bulas terá o Redactor do Independente para nos empurrar à carga cerrada artigos impolíticos, desbocados, e em manifesta oposição às Bases da Constituição? - Mandam-lhos inserir, e o pobre figura só de Moço de Feitos. - Seja assim muito embora, mas enquanto o Soberano Congresso não decidir que o tal Independente é órgão da verdade, o zenith do bom gosto, o Sete-Estrelo da erudição, e o non plus ultra da sabedoria, hei de lhe ir à mala com quanta pólvora houver no meu armazém. Assentemos uma peça de calibre três: é quanto basta; que o mais chama-se gastar cera com ruim defunto… Fogo à espoleta… Aí sabe-o."

1.º Monitório ao Constitucional enxertado no Suplemento ao N.º 45 do Independente.

Não serei temerário, Senhor Constitucional enxertado, se enxergar em V. m. um irmão gémeo do tolerantismo. Epiménides, que está arrebentando por ver em Lisboa Sinagogas, Mesquitas, Pagodes, e Procissões de Trolhas, como verdadeiras fontes da riqueza e prosperidade nacional… Ora V. m. feito eco dos Garats, dos Barnaves, e dos Robespierres, assentando lá para si que em falando desde o alto da sua trípode ninguém mais há de abrir boca!.. Não há de ser assim. Eu tenho língua para falar, mãos desembaraçadas para escrever, e armas de sobejo para combater os seus delírios. Ninguém o pode livrar das minhas mãos. Ainda que eu visse o cutelo já pendente sobre minha cabeça, ou quase lavrado o decreto da minha expatriação, nem assim mesmo poderia calar-me. Sou necessitado a desviar e repelir o injusto agressor, que tendo porventura gozado nos Mosteiros deste Rino todas as distinções e benefícios da mais carinhosa hospitalidade, se converte agora em um raivoso tigre disposto a atassalhar o crédito de quem nunca o ofendeu, e a usurpar os bens que nem lhe pertencem, nem jamais deveria pertencer-lhe… Ah! liberdade, liberdade! (exclamava a infeliz Madama Roland, pouco antes de entregar a cabeça ao ferro da guilhotina) quantos crimes se fazem  mais declarada guerra ao Catolicismo, e para levarem ao cabo os demandos fins dessa hidrópica sede de ouro que os atormenta! Falemos claro.

A opulência de certos Mosteiros é o seu maior crime, assim como a influência dos Jesuítas nos Gabinetes dos Príncipes foi o seu mais grave delito, que assim o afirma o Patriarca de Ferney, talvez para V. m. texto irrefragável.. Foi jurada (eu o sei) nas hediondas e lobregas cavernas do Maçonismo a extinção das ordens religiosas, que oferecem um abundante pasto à insaciável cobiça dos Veneráveis e Rosa-Cruzes. - Este Senhores (que infelicidade para o género humano!) carecem ainda dos meios necessários para consolidarem a facção dos Trolhas nas quatro partes do mundo. Quisesse V. m., Senhor Constitucional sans culote, dizer a verdade, que por certo conviria comigo. Ora V. m. bem mostra haver folheado o Amigo do Povo (é o de lá, que saiu da forja de Marat) e outras emanações impuras da cáfila de Ateus, que desmoralizou, inundou de sangue, e cobriu de cadávers a desditosa França… Ter V. m. o descaramento de chamar aos Frades inimigos do bem público, e anunciar a lembrança de reduzir Ordens inteiras a um só Convento… Meu amigo vamos a contas: quanto deu ou dá V. m. para o Erário nacional? Quem sabe se V. m. chegando lá quereria meter-lhe os braços até ao cotovelo!.. Veio já tarde com esses pérfidos conselhos, que depois de turbarem o socego de muitas famílias respeitáveis acabariam por atear neste Reino as vorazes chamas da discórdia e da guerra civil.

Não é incompactível a existência dos Frades com a felicidade dos Povos; e se lhe concedêssemos que a extinção, por que V. m. tanto suspira, chegasse a aliviar momentaneamente o Povo, não tardaria dez anos que o Povo não gritasse contra quem os iludira, e os expusera a terem de passar por encargos mil vezes maiores e mais pesados que os antigos. Os Mosteiros são uns como fiadores nacionais, que acodem à pátria quando ela se vê ameaçada de inimigos. Quebrando estes fiadores quem há de receber e hospedar as tropas? O Povo. Quem há de pagar novos e exorbitantes Povo. Quem há de pagar dez e vinte vezes mais do que pagava no tempo em que havia dízimos e Frades? Quem há de morrer de fome, estancados todos os mananciais de beneficência ordinários nos claustros? O Povo. Quem há de suprir a falta desses úteis cidadãos, que pela judiciosa e económica administração de suas rendas contribuíam eficacissimamente para o bem comum, a que eles atentavam mais que ao seu particular? Ninguém. - Ah! Povo, Povo, o mais leal e o mais heroico do universo, guarda-te destes perversos conselheiros, que trazem por fora a capa de ovelhas mansas, que parece não viverem nem respirarem senão para te constituírem rico e venturoso em suas promessas; mas lá por dentro são uns lobos esfaimados, que depois de tragarem os bens dos Mosteiros, se conseguissem os seus desejos, haviam de empolgar os teus, e reduzir-te aos últimos apertos da indigência e da miséria…

Que terá V. m. que dizer a isto? Já sei…. Fora Corcunda, Servil, agente dos Mandões! - Bravo que Dialectica! Faria inveja a Descartes, se este sábio tivesse o gosto de o ouvir. - Ou há de gritar: fora fanático, supersticioso, intolerante. - Bravo, que eloquência! Se o grande Cícero a tivesse aprendido deste calibre por certo que se livraria das unhas do Triumviro Marco António. Fora graças, concluo eu, antes quero todos esses nomes, depois que um grande Mestre me ensinou os seus verdadeiros e exactos sinónimos, do que os hábitos de Avis, Torre e Espada, Garroteia, Tosão de Ouro, e da saudosa Coroa de Ferro…

De V. m. Etc.
O Maço Férreo Anti-Maçónico

Margens do Mondego
2 de Março de 1822

(continuação, II parte)

05/04/19

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDLXXIV

LIXEIRADA MAÇÓNICA-LIBERAL PELA DEMOLIÇÃO DO PATRIARCADO DE LISBOA (IV)

(continuação da III parte)


N. 696 
Decreto das "Côrtes", para se instaurar, formar e manter a Capela Real, depois de extinta a Patriarcal.


As Côrtes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, antendendo a que depois de extinta a Santa Igreja Patriarcal, pertence somente a ElRei a instauração e formação da Capela Real, Decretam o seguinte:

1º Para se instaurar, formar e manter a Capela Real, fica estabelecida a consignação anual de dezasseis contos de reis, paga pelo Tesouro Público, e entregue à livre disposição d'ElRei, principiando a vencer desde o dia, em que, depois de extinta a Santa Igreja Patriarcal, Sua Majestade fizer constar às "Côrtes", que têm formado a sua Capela.

2º Todas as quantias e rendimento, que até ao presente se achavam aplicadas para a manutenção e costeamento da Capela Real, farão parte dos rendimento nacionais, e serão fiscalizados e arrecadados pelo Tesouro, procedem-se para este fim aos exames e diligências necessárias.

3º Ficam revogadas quaisquer disposições contrárias às do presente Decreto.

Paço das Cortes em 19 de Agosto de 1822. Agostinho José Freire, Presidente. Francisco Xavier Soares de Azevedo, Deputado Secretário. João Baptista Felgueiras, Deputado Secretário. = 2.º na. tom. VII. pag. 180 = Na Colecção de Legislaç. N. 221 a Carta de Lei de 2 de Agosto de 1822, com o teor deste Decreto, a qual Carta foi registada no Liv. Iº das Cartas e Alvarás da Secretaria dos Negócios da Fazenda a fol. 79 vers. em 22 do dito mês; publicada e registada na Chancelaria Mór da Côrte e Reino em 27 do memo mês, e no Liv. das Leis a fol. 119 vers..

Quando a Comissão Eclesiástica de Reforma deu o seu Parecer na Sessão de 14 de Fevereiro de 1822, 2º na. tom. V. pag. 190, sobre o Projecto para a imetra das Bulas para a extinção da Patriarcal, entre os objectos, sobre que opinou, foi no § 6, pag. 691, a respeito da instrução, ou formação da Capela Real.
Na Sessão de 6 de Agosto de 1822, 2º na. tom.VII pag. 63, entrou em discussão o dito § 6, pag. 64, foi aprovado tal qua estava, substituindo tão somente a quantia de 16 contos em lugar de 24 contos de consignação anual para a referida Capela, como parecia à Comissão; e desta forma só expediu o Decreto supra.
No Diar. do Gov. de 1822 N. 184 pag. 1351 e 1352, e N. 208.
Igualmente na mesma Sessão de 6 de Agosto, 2º na. rom. VII pag. 64, se tratou do § 8, 2º na. tom. V pag. 192, do mesmo Parecer da Comissão, para o Governo fazer apresentar ao Congresso uma relação fiel dos Vasos Sagrados, Paramentos, Tesouros e mais alfaias da Patriarcal, para sobre ela se prover como convém à decorosa manutenção e esplendor do Culto Divino, tanto da Capela Real, como da futura Sé Arquiepiscopal de Lisboa, etc.. O qual § 8, dita pag. 64, foi aprovado até às palavras Sé Arquiepiscopal, e se expediu a Ordem seguinte:

Para José da Silva Carvalho

Ill.mº e Ex.mº Senhor, "As "Côrtes" Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, desejando preparar as disposições necessárias para a pronta execução das Bulas, que se trata de obter, para a extinção da Santa Igreja Patriarcal e restabelecimento da antiga Metrópole Arquiepiscopal de Lisboa: Ordenam que seja transmitida a este Soberano Congresso uma relação fiel dos vasos Sagrados, Paramentos, Tesouros e mais Alfaias da mesma Santa Igreja Patriarcal, para se prover, como convém, à decência, manutenção e esplendor do Culto Divino, assim da Capela Real, como da futura Sé Arquiepiscopal. O que V. Excelência levará ao conhecimento de Sua Majestade.
Deus guarde a V. Excelência. Paço das Côrtes em 19 de Agosto de 1822. João Baptista Felgueiras". "2º na. tom. VII pag. 182 (A Portaria do Gov. de 21 de Agosto 1822, ao Colégio Patriarcal, para dar à excução a Ordem supra, no Diar. do Gov. de 1822 N 205". No Diar. do Gov. de 1822 N. 184 pag. 1351 e 1352.)

(a continuar)

03/04/19

O NASCIMENTO DO BLOG ASCENDENS


Entre os 740 registos offline do blog ASCENDENS encontra-se um bastante significativo, redigido a 31/08/2011:

"Desde 2006 que tenho acompanhado de longe o percurso do blogue a Casa de Sarto. Em 2007 fundei o blogue ASCENDENS perante a inércia da blogosfera portuguesa que se anunciava como tradicionalista (defensores da perspectiva de Mons. Marcel Lefebvre) à circular emitida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa [D. José Policarpo] sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI. Existia nesta altura outro blogue bastante interessante chamado Gazeta da Restauração que lançou uma campanha de angariação …"

O MASTIGÓFORO - ("Frades")

Frades - Quem não lê a sua história pelo Ateu Gibbon, e por outros da mesma laia, conhece perfeitamente, que a Igreja de Deus não é encarecida, quando ao trocar na instituição de diferentes Ordens Religiosas, lhe chama os Subsídios com que a Providência sustentou, e roborou a Igreja militante, e mais é, que nestas ideias esteve a Europa durante muitos Séculos, e o nosso Portugal foi o último Reino que as perdeu. É tão líquido o ser a perseguição dos frades no séc. XVIII obra da pseudo-filosofia, e do Maçonismo, como é dois, e dois serem quatro, e todo aquele, que se põe a desenhar em público de frades, e a aclamar, de que servem os frades? … é dos tais - Fenum habet in cornu. Guardar dele, que é emissário das Lojas para seduzir o povo. Abençoado povo, que lhe deu pelas ventas, chegando a pedir ao ínfimo Congresso, que se conservassem alguns Mosteiros; para cuja extinção já se tinham concedido Bulas à instância dos mesmos frades!!! O povo nesta parte mais atilado, e providente, que muitos Sabichões, quando viu a Quaresma destruída, e o Patriarca de Lisboa desterrado, começou logo a dizer mal da festa, e no segredo de suas habitações começou a jurar pela pele aos tais heróis do Maçonismo. Forte honra têm dado estes Senhores, sem o quererem, ou pensarem, ao Estado Religioso! Já não era pequena o fazermos companhia aos Mestres dos Cristãos, Nosso Senhor JESUS CRISTO, que de antemão nos confortou com a certeza das perseguições, e promessa dos seus auxílios; mas eis-outra de nós fazerem, ou suporem essenciais ao Cristianismo, por sair de tais bocas, é das que mais nos exaltam aos olhos da Sabedoria humana, se ela deixando a sua habitual cegueira, quiser ponderar, e reflectir um só instante nos pasmosos acontecimentos do Séc. XVIII. Que uma Enciclopédia viva, e ambulante, que o oráculo de Ferney tivesse medo dos frades, e que reputasse a sua extinção como o seguro, e único meio para destruir o Catolicismo!!! Por uma parte a gritarem não havia frades no primeiro Século da Igreja, que era o tempo do maior luzimento da Esposa de JESUS CRISTO, donde se vê que são trastes inúteis, e supérfluos, de que se deve prescindir, todas as vezes, que seja necessário acudir às precisões do Estado; e por outra parte morram, acabem os frades, pois mostra a experiência, que onde os houver, terá o povo maior aferro às verdades Cristãs!!! Não é nada, se a escura Seita das Luzes quis medrar, ou deitar de si o próprio clarão das lavaredas infernais, começou por minar tudo, e assestar quantas baterias houvesse, a fim de conseguir, e levar ao cabo a Supressão da Companhia de Jesus, que foi a primeira vítima dos ensaios Maçónicos. E que mal fariam esses Padres? Tenho ouvido dizer muitas, e muitas vezes aos homens antigos, e ditosos restos do nosso Portugal velho. "Ai! que a expulsão dos Frades da Companhia foi a destruição deste Reino! Pregavam, ensinavam, confessavam, e tudo faziam pelo amor de Deus, até saiam pelas ruas a catequizar os meninos, que andavam tão contentes… e caiam tão bons Cristãos! Desde que eles se foram tudo desandou, e foi de mal em pior; quem os dera cá outra vez!!" O certo é que não tenho achado um só ancião probo, e religioso, que não tenha achado um só ancião probo, e religioso, que não tenha estes sentimentos, donde se vê, que Jesuíta quer dizer um frade, que se obriga a ser útil às Sociedades, Civil, e Cristã, que anda milhares de léguas para converter almas, e que não tem outro intento mais, que propagar o Evangelho…. Ora tudo isto no Calepino dos Mações, é crime imperdoável, e de Lesas-Ideias liberais, que onde entrarem os Jesuítas não progridem, e é certo, e inevitável o triunfo do Servilismo. Querem dizer, que onde houver Cristãos haverá sentimentos de verdadeira Lealdade ao Trono… e eis-aqui o mal, que os Pedreiros querem destruir com todas as suas forças. Eu benzi-me quando vi, que o Ex-Arcebispo das Malinas nos seus últimos escritos deplora a infelicidade dos Reinos, onde entrarem Jesuítas, porque necessariamente hão de enterrar as Ideias Liberais. Coitadinhas é pena! deixam vivíssimas saudades em toda a parte onde chegam a entrar, ou dominar!! E o pior é, que ainda há tolinhos Portugueses, que de boa fé não querem os Jesuítas! Pois fazem uma grande África, em darem as mãos ao frenético Voltaire, que enrouquecida de gritar à quadrilha "Frades abaixo, e primeiro os Jesuítas, que são os mais zelosos propagadores da Superstição Cristícola". Ah! sosseguem os proprietários dos bens que foram dos Jesuítas, que de certo ninguém se lembrará de lhes querer tirar o que possuem… Se voltassem para nós esses dignos filhos de Santo Inácio, vinham mais atrás dos bens espirituais, que de outros quaisquer, e como já mostrou a experiência, que onde houver Jesuítas, iriam indefectivelmente de pernas ao a os malditos pedreiros, o Trono se firmará cada vez mais, e os Altares ficaram seguros das invasões, e profanações Constitucionais….

Pouco se me dá que fossem extintos em Portugal, ou quem fosse o primeiro móvel da sua extinção; o caso é, que os Próprios Irmãos da Seita, congratulando-se da boa obra, que tinham feito, deixam cair a seguinte protestação "Cést proprement la Philosophie qui, par la bouche des Magistrats, a porté l'arret contre les Jesuites." É propriamente a Filosofia, que pela boca dos Magistrados deu a Sentença contra os Jesuítas (Alambert Destruition des Jesuites, pag. 192) Se me instarem, que eu perturbo os gloriosos mares dos que figuraram nestes assuntos, e dou a entender, que os autores da extinção neste Reino eram Pedreiros Livres, respondo que não é agora ocasião de se apurar essa verdade; e que não é agora ocasião de se apurar essa verdade; e que me contento de esbarrar os meus arguentes com outra autoridade clássica do mesmo Geómetra. "As classes do Parlamento", diz ele, "julgam servir a Religião, porém servem a razão (isto é a impiedade, e a maçonaria) sem o pensarem. São os executores da alta justiça em pró da Filosofia, de quem cumprem as ordens sem o saberem" (Correspondance de Voltaire et de d'Alambert lettre 100). Tenham pois os nossos Ministros carta de inocentes, e passemos a outra coisa, visto que ainda terei muito que dizer sobre um sujeito, em que os nossos desperdiçadores tanto falaram, e asnearam. A velha, porém muito bem arraigada árvore do Monarquismo viu-se, e desejou-se, da primeira vez usaram de machados velhos para a cortarem, e da segunda apareceu sim em campo uma falange Macedónica, porém tanto abaixo da comandada pelo filho do Macedo, ou Filipe de Macedónia, quanto vai das trevas à Luz….. Por ora tudo são graças, mas o negócio tomará ainda um aspecto sério, e terrível, que faça esmorecer os Juízes Leigos, que presumiram acabar de todo com as Ordens Religiosas…..

(índice da obra)

02/04/19

O MASTIGÓFORO - ("Filosofia")

Pigault Le Brun

Filosofia
- A sua definição obvia - Amor da sabedoria, encerra o seu maior elogio, e neste sentido até o Cristianismo se pode chamar a verdadeira filosofia. Que arma esta, quando tem a fortuna de ser manejada pelos Filósofos S. Justino Mártir, São Clemente de Alexandria, Orígenes e Atenágoras, ou chegando-me para os nossos dias, quando aparece um de Luc examinando as montanhas do Universo, e pulverizando as absurdas hipóteses dos modernos sobre a formação do globo terráqueo!! Porém que triste e apoucada é a Filosofia no sentido Maçónico! Tem sido a mola real de todas as conspirações e rebeliões dos séc. XVIII e XIX, e a comitiva do homem de Ferney, em todos os seus tiros ao Cristianismo, teve sempre como divisa a Filosofia - e não é por aí um punhado de escritores, é uma nuvem deles pouco menor que o exército de Xerxes, que defende a Tese: A FILOSOFIA FOI A PRINCIPA AUTORA DA REVOLUÇÃO FRANCESA. Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele. Ser Filósofo no sentido que lhe impingem os Mações seus camaradas, é ter uma carta patente para zombar dos Mistérios Divinos, e propagar o funesto princípio de que a nossa razão, é o Juiz Supremo e único a quem devemos atender, e respeitar! Ser filósofo à moda de Alfieri, que para isso foi citado cum laude nas conferências das necessidades, é ver em todos os reis uns déspotas, e uns tiranos, e em todos os povos, uns infelizes manietados ao carro da servidão, e da arbitrariedade! Nunca me admirei que tais Filósofos, tendo como sempre tem, péssimos costumes (senão haja vista ao que o coitado Alfieri escreve de si, e dos últimos anos do bêbado Thomaz Paine) mordam o freio e queiram sacudir o peso de todas as obrigações Cristãs, e sociais o que me admira, é que tais homens contem ainda neste reino sequazes, e defensores! Estejam porém certos e descansados, que por mais que trabalhem, e forcejem tudo será perdido. Virão ao mundo filósofos de primeira ordem quais foram Pitágoras, Sócrates, Platão, e Aristóteles, formaram seitas fizeram seus prosélitos, porém não consta que chegassem a atrair para o seu partido, uma Cidade, uma povoação notável! Saem por esse mundo fora doze pescadores, sem valias, sem Distintivos honoríficos, sem dinheiros, ou qualquer outro dos meios humanos, prégam, e convertem o mundo ! A filosofia opõem-se de dia, e de noite aos seus progressos, e auxiliada com o poderio dos Césares não depõem as armas por espaço de 400 anos, porém cede a final, e não contra senão perdas, e derrotas. Se torna a levantar cabeça no séc. XVI, e a aparecer em nossos dias tão medonha como se ostentara nos primeiros séculos, há de ser igualmente rechaçada, e agora no ponto em que escrevo, eu posso afirmar sem temeridade, que já perdeu os seus últimos entrincheiramentos, e que tarde recobrará forças para segundar este derradeiro ataque…. É um rizo vê-la agora descansar ora nos Sarcasmos e facecias do monstro Pigault Le Brun, ora nos delírios de Volney, ora nas visões Astronómicas de Dupuis, e por outra parte é coisa bem de lastimar, que vendo-se acossada de todas as nações da Europa, e querendo ter abrigo neste reino, achasse um grande número de papalvos e sandeus que se alegrarão da sua visita, e já se congratulavam dos seus triunfos!! Depois que a Filosofia está convencida de perturbadora da ordem social, de ser o inverso da Cínica desprezadora dos bens e riquezas do mundo, e de ser inimiga do Cristianismo, é loucura embutirem-nos ainda as suas prendas e quererem persuadir-nos que toda a pessoa, que conhecer os gafanhotos, e as borboletas, as plantas Diganias ou Reyptogamias e as pedras calcárias está habituada para governar o mundo! Recairei para outra vez nos planos conservadores ou mantenedores da Filosofia no trono das ciências; que vinham com pés de lã para se introduzirem neste reino como se lhe ignorássemos as suas habilidades na revolução Francesa!

(índice da obra)

O MASTIGÓFORO - F ("Fanatismo")

letra
F


Fanatismo - Que palavrão este para me encher longas páginas, se eu pretendesse recensear as coisas, e os objectos a que os Mações têm posto o Sobre-escrito "Fanatismo". Ora o fanatismo denota um zelo de religião, porém cégo, e desmarcado, e também se diz figuradamente de todo o excesso, ou demasia em algum sentimento bom e louvável, como por exemplo, o Senhor da Trofa, que se precipitou da ponte de Coimbra abaixo para se livrar dos rendimentos, que lhe seria necessário fazer ao Rei de Castelhano, que ali passava, foi rigorosamente um Fanático de Realismo. O Regimento Transmontano, que se deixou cortar até aos último soldado na guerra da Grande Aliança, foi um fanático de brio, e coragem militar; porém agora já se não trata desses fanatismos, apareceu outro de maior monta, que os Pedreiros, como inimigos de todas as crenças, definem assim.

"Fanatismo é a crença de qualquer religião que seja, é o apego à crença de seus pais, é a convicção da necessidade de um culto público, é a observância dos seus  ritos, e cerimónias, é o respeito aos seus Símbolos. Tudo isto é fanatismo. Quem estiver iscado dele é um inimigo da pátria, e deve ser exterminado."

Ora esta definição traçada por quem pertenceu quarenta anos à Seita dos Filosófico-Pedreiral, não é para desprezar, nem para ficar no tinteiro (Não há nenhum remédio senão conformar-se o homem à linguagem recebida - são palavras de Mr. de Laharpe Tomo 13 pág. 379. "Sabe-se que há muito tempo a palavra Religião foi riscada da Língua Francesa. Todos os povos do mundo que até agora tinham uma religião, já não tem senão fanatismo. É para notar, o que não escapará aos historiadores, que quando os Filósofos sem calções traziam diariamente à Barra da Convenção os vasos sagrados, e os ornamentos do culto, não se lembraram nunca de dizer, os despojos da Religião, os despojos do Culto, guardavam-se de o dizer; eram sempre os despojos do fanatismo. Que coisas vão metidas nesta expressão para quem estiver em circunstâncias de reflectir… Eu escrevia em 1791. Que homem honrado se esquivará de pertencer à Religião de Fenelon? Conto pôr agora em uma nova edição." Que homem honrado se esquivará de ser fanático como era Fenelon?); porém deve-se acrescentar, que por fanatismo entendem os Mações com muita especialidade a Santa Religião de Jesus Cristo. Desde o tempo que a Maçonaria se entronizou neste Reino (que já vai há um par de anos) era fanatismo ouvir Missa todos os dias, quando a Igreja nossa Mãe quisera que fizéssemos ainda coisas melhores durante o Sacrifício! era fanatismo rezar estações com os braços em cruz, não obstante ser esta a prática dos fieis dos primeiros Séculos, segundo nos consta dos escritos de Tertuliano; era fanatismo confessar-se a miúdo, como se os fiéis assaz cuidadosos de remediarem logo as feridas do corpo, não devessem mostrar ainda maior emprenho por acudirem às feridas da alma; era fanatismo rezar cada um as suas contas, e fazer um bocado de oração, ou vocal, ou mental, como se um homem, dias e dias esquecido de um Deus, que o criou, e o enche de benefícios, não fôra uma espécie de monstro!! E se há 20 ou 30 anos já havia tantos fanatismos, vejam lá o que subiria a conta de 24 de Agosto de 1820 por diante!! Os Sacramentos do Corpo, e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo já era vilipendiado de tal maneira, que dentro em poucos meses não seria possível levá-lo aos enfermos, sem que víssemos apedrejado a ponto de que o seu Ministro era chamado, e por quem ensinava meninos. "O Azemel, ou Almocreve das almotolias"" Enfim tudo era fanatismo, e pouco tardaria, que o Sacerdote pelos exercícios da confissão, e pregação fosse arguido de fanatizar os povos, e como tal, ou espingardeado, ou posto pela barra fora, como praticaram os Mestres Franceses.

Fanatismo - E cuidavam os maçons que eu tinha acabado. Não senhor, ainda falta o eminentemente ridículo Fanatismo Pedreiral. São uns maníacos de nova espécie, que deitando-se de uma ponte abaixo, todos se afligem, e se enraivam de que lhe não façamos a destinta hora de os acompanhar-mos nos seus saltos (para o inferno). Ainda não houve seita mais fanática de momices, de toleimas e de ritos os mais provocantes de riso e mofa… Que é senão um fanático de pedra e cal, e um tresloucado, quem estima o seu Candeeiro triangular acima dos que se fabricaram para o Templo de Salomão, uma trolha a um ceptro, e uma espada do Irmão vigilante a um diadema Imperial!!

(Índice da obra)

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