28/06/17

FRASES DO MÊS

Imagine a imagem invertida, sff. Obrigado.
"Não há ditadura por causa do ditador, mas por causa daquele que lhe obedece"
(Eduardo Vera-Cruz Pinto, em discussão nacional - TV Assembleia SP)

"Quem não sabe ser fiel no pouco, o muito doutras coisas lhe terá vindo."
(na serra alta - J. Antunes)

Ditados populares portugueses:

"Vassoura nova é que varre bem"

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"

"O que os olhos não vêem o coração não sente"

"Não é com vinagre que se apanham moscas"

"Não se fala em corda em casa de enforcado"

"Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo"

"Em casa de papudos não se fala em papos"

"O pior surdo é o que não quer ouvir"

"Quem o seu cão quer matar chama-lhe raivoso"

"Muito esquece a quem não sabe"

"A boca ambiciosa só se fecha com terra de sepultura"

"Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele"

"As aparências enganam"

"Muito custa a um pobre viver, e a um rico morrer."

"O bom filho à casa torna"

"Onde há fumo, há fogo"

"Quem não tem vergonha todo o mundo é seu"

"Quem vê caras não vê corações"

"Vai muito do dizer ao fazer"

24/06/17

O DRAMA - A Associação CAUSA TRADICIONALISTA

Algo propagado nas redes sociais pela associação cultural "Causa Tradicionalista":

Ohh gente misteriosa, dizeis "liberalismo-absolutismo-maçonaria-democrático" depois de no nosso programa "Conversas de Café" usarmos "iluminismo-liberalismo-maçonaria"!

Como colocais "liberalismo" na mesma linha de "absolutismo" se aqueles que em Portugal aceitaram ser chamados "absolutistas" estavam declaradamente nos antípodas ideológicos dos liberais?

E pelo que pugnais vós afinal? Pelo "poder de decisão dos povos"!?. Mas isto não era da propaganda liberal?

Perante tanta confusão... decidam-se! Ou quente, ou frio.

NA SERRA ALTA - FIDELISSIMOS


"De todas as maravilhas que a Santa Igreja encontrou na fértil ceara dos Reinos Cristãos, a FIDELIDADE achou-se em maior constância e brilho em Portugal; característica esta nossa, tão própria e admirável que o Príncipe dos Apóstolos fez com ela coroa lusa (*). Assim, perante os Reinos Cristãos, e o mundo, Deus preparou Portugal para exemplo de Fidelidade, e da grande fidelidade que é a Fé. (...)  Embora Portugal seja de si mesmo desconhecido, não se entenderia o motivo de tal virtude demorar 600 anos em tornar-se oficiosa aos olhos do mundo, caso não fosse a muita discrição pública outra característica nossa, que nos tem protegido providencialmente tantas e tantas vezes. (...) para que cá os humildes possam assegurar-se que a Fé não é incompactível com a Fidelidade aos legítimos (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXIII

23/06/17

OS BONS PRINCÌPIOS E A ESTRANHA PASTORINHA (I)


Submetamos a alguns dos nossos princípios uma passagem atribuída à Irmã Lúcia, do livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria". Tentativa arrojada esta, como verão, e contracorrente; a alguns leitores desagradará que desmontemos tal trecho, o submetamos, e voltemos depois a ordena-lo fazendo conclusão não coincidente com o seu sentir.
A passagem em questão:

"Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu."
Antes de mais, segundo dados que posteriormente daremos, não garantimos que estas sejam realmente palavras da Irmã Lúcia, nem asseveramos que a Irmã Lúcia não tenha dito algo parecido (anteriormente, já nos tinha parecido haver motivos para colocar algumas reservas ao livro de onde transcrevemos).

Atenção primeira a cada um dos pontos seguintes, contendo princípios antigos que defendemos, para melhor ir depois ao assunto (as notas serão colocadas  na caixa de comentários, e poderão ali aparecer outros complementos posteriormente):
- Cremos terem essência própria cada um dos Reinos Católicos (que a Cristandade coloca por ordem: Sacro Império, França, Inglaterra, Castela, Portugal, Catalunha etc.). [1]
- É público que falamos de Portugal pelo Reino Católico que É, o qual ESTÁ hoje ocupado por meio de uma República (antes por meio de uma "monarquia" constitucional, desde de 1834, a 1910 - no séc. XVII a nossa Monarquia tinha ela mesma ficado ocupada pelos ilegítimos reis Filipe). Reino de Portugal por vontade de Deus, com permissão de Deus hoje ocupado (à imagem do que sucede com os restantes Reinos Cristãos). Portanto, quanto ao SER: Portugal é um Reino; quanto ao ESTAR: Portugal está ocupado; e é justamente sob estas distinções que os nossos antigos não confundiram a rebelião com o dever de restituição daquilo que é devido. [2]

- Sabe-se que estamos firmemente com aquela verdade segundo a qual, nos referidos reinos cristãos, uma "lei" que fira aquilo que Deus ordena é violação, ofensa grave, coisa ilegítima (neste nível de consideração não pode haver licitude que seja ilegítima, ou legitimidade que seja ilícita), não seria verdadeira lei.  Tal não seria também coisa de Portugal, portanto, nem dos reinos cristãos, sim contra Portugal, ou contra qualquer um dos reinos cristãos onde aquilo fosse, contra a Europa, conta a cristandade e a Cristandade, [3] contra a Igreja. [4]
- Quem tomar para si estas verdades só poderá dizer: "afinal, Portugal não aprovou leis abortistas, nem aprova, nem aprovará".  E diz bem. É a Lei de Deus e a natural (ambas do mesmo Divino Autor) aquelas que, uma vez tomadas honestamente pelo Rei, ao Reino se aplicam, e estendem, desdobrando-se em várias leis e ordenações, à medida que a realidade clame, aqui e a li. [5]
- Temos usado a designação "República-em-Portugal", que o vulgo por enganado costuma chamar "República Portuguesa". Não pode essa tal república falar verdadeiramente em nome de Portugal [6] (atenção: não sugerimos ignorar ao ponto de ignorar os impostos etc... - assunto que não cabe aqui agora). Com ou sem culpabilidade (que a ignorância não culpável também não culpa), foram os republicanos os responsáveis pelas suas leis abortistas, para impô-las aos portugueses.

O leitor que não aceita estes princípios, provavelmente não lhe adiantará continuar a leitura.
Vamos agora submeter aos mesmos princípios aquelas palavras atribuídas à Irmã Lúcia:

1 - "Se Portugal não aprovar o aborto, ficará a salvo." - Portugal não aprova, não aprovou, nem aprovará (já vimos como). Adaptando: "Portugal não aprovará o aborto, e por isso ficará a salvo".

2 - "se o aprovar [ao aborto], terá muito que sofrer." - como não o aprova, mas como houve "aprovação" republicana, adaptemos: "quem o "aprovar", terá muito que sofrer".

3 - "Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável;" - Assim é.

4 - "mas pelo pecado da Nação paga todo o povo." - Sim, o princípio está certo, embora requeira trocar "nação" por "Portugal". Acontece tal pecado não é da Nação (como já vimos), é contra Portugal e a culpa recai em quem "aprovou" tal ataque aos portugueses: a "República-em-Portugal". Não há que adaptar que não seja necessário, e por isso apenas suprimamos esta parte.

5 - "Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." - esta explicação não é necessária agora, mas será depois comentada. Por isso também não há daqui coisa que adaptar.

["Adaptando: "Porque os falsos governantes que forjam as "leis" iníquas fazem-no usando o nome do povo que " ... > vestígio do nosso texto primitivo]
Montando as partes:

"Portugal não aprova o aborto, e fica a salvo; mas quem em Portugal o quer aprovar terá muito que sofrer; pois, pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável."

Aqueles que dizem "vamos exercer o nosso direito de voto" terão contas a prestar [7], isso sim, porque tal "direito" lhes veio do conjunto republicano de leis que os obriga às leis abortistas. É a esses que cabe ter muito que sofrer pelo negócio de usufruírem de falsos direitos em troca de dar falsa legitimidade à República. Como nós, todos aqueles que se têm negado a dar força de legitimidade à República-em-Portugal", não cabe sofrer nem muito nem pouco como seu povo; somos PORTUGUESES verdadeiros e suportamos o peso que hoje isso representa e exige.

Mas enfim, em Portugal mais legítimo é o poder temporal-territorial de um Bispo que o de um republicano; a Igreja em Portugal esteve sempre declaradamente contra o aborto. Nem sequer o aborto foi aprovado em Portugal ... continuou a ser crime nas leis republicanas, mas, em dadas condições tal crime é despenalizado (despenalizar um crime em dadas condições é diferente de legalizar o crime ou removê-lo dessa classe). Por fim, não foram os governantes republicanos a votar a despenalização: um referendo popular, cuja pergunta tinha várias deficiências, levou com uma abstenção de 56% (a maioria), e tendo havido um anterior, em 1998 o "não"ganhou.

(a continuar)

21/06/17

ASCENDENS - INFORMAÇÃO DE ÚLTIMA HORA


A 20 de Junho (2017) a página FSSPX-Portugal (Facebook) fez uma pequena postagem a respeito do trecho "Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." atribuindo-o à Irmã Lúcia. (partimos de indícios que a pequena postagem é independente da FSSPX).
O blog ASCENDENS informa que:

- em certo site, o autor do blog ASCENDENS tinha já comentado aquele trecho, expondo-lhe falhas e problema;

- depois, dia 25 de Maio (2017), iniciámos no blog ASCENDENS a redacção de uma análise ao mesmo trecho (redacção mantida só na memória interna do blog);

- a delicadeza da matéria, a vastidão de conteúdos desacostumados dos católicos em geral, a dificuldade de tornar tudo resumido e claro acabou por ir demorando a conclusão, e a nossa análise manteve-se "na gaveta";

- ontem ponderámos desistir da conclusão e publicação desse trabalho, mas, tornou-se evidente a maior necessidade em completá-lo, e publicá-lo;

- publicaremos então a parte já adiantada como "I parte", e ficará a "II parte" para depois (o artigo tem notas de rodapé na caixa de mensagens);

- para que esta informação tenha tempo de ser conhecida, publicaremos a tal I parte depois de passar um dia da publicação deste artigo que agora ledes.

16/06/17

NA SERRA ALTA - INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

S. Teotónio, primeiro Santo do Reino de Portugal, apoiante do Venerável  D. Afonso Henriques
"Pela independência daquilo que já era nosso, D. Afonso Henriques lutou - Rei que foi elevado a Venerável pela Santa Igreja, foi a ele dada milagrosa visão, teve o apoio de São Teotónio na independência. Pela independência de Portugal, lutou D. João I - deu-lhe Deus um General santo, o Santo Condestável D. Nuno Alvares pereira. Pela independência do Trono de Portugal, lutou D. João IV - rei que coroou a Imaculada Conceição Rainha e Padroeira de Portugal, e que a devolução do Trono à legitimidade foi por Deus anunciado à Venerável Leonor Rodrigues. Toda esta independência contrasta com aquela dos liberais, que, depois da horrível victória de 1834: declara independência prática às leis de sucessão, usurpando o Trono; declara independência prática à Tradição e lei nossa, declarando o constitucionalismo; declara independência do poder temporal eclesiástico, nomeando um grupo de clérigos como representantes da Igreja portuguesa para com eles negociar a extinção da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa; sem querer deixar o nome católico declara independência, para proceder à remoção dos Bispos resistentes (nomeando outros) e encerrar todos os Conventos. A primeira é a boa independência, que melhor deveríamos chamar "obrigação"; a segunda é uma má independência, que consiste na obtenção concupiscível de poder, domínio,  de ambições privadas,  desafogo de ódios, que os revolucionários costumam, desde os mais rudes aos mais sofisticados. Não parece que "independência" seja o melhor nome para aqueles nossos bons feitos, mas sim "obediência", "dever", "justiça", "patriotismo", "honra dos legítimos superiores", "heroísmo".
(na serra alta - J. Antunes)

13/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXII

13 de Junho - Sto. ANTÒNIO DE LISBOA E A CULTURA PORTUGUESA MEDIEVAL


A tamanha popularidade de Sto. António de Lisboa (ou Pádua) tem sobressaído tanto que muito se tem esquecido a sua cultura ê formação anteriores ao ingresso na Ordem Franciscana. Mas é justamente pelo seu santo percurso e feitos que suas bases anteriores se fazem evidenciar. Eis um autêntico intelectual da Idade Média.
 
Como todos sabem, Sto. António era da Paróquia da Sé de Lisboa, e morava a poucos metros da Sé; facto não de pouca influência, como veremos.
 
Sé de Lisboa
Na obra escrita de Sto. António são verdadeiro tesouro da Literatura na História universal, transparece um sólido e vivo saber dos assuntos, que a santidade elevou. O conhecimento profundo dos Padre da Igreja, os escritos clássicos, a Sagrada Escritura, as ciências naturais (Botânica, Mineralogia, Anatomia, Zoologia), as humanidades, o Direito e o discurso são em demasia para um simples franciscano recém chegado. Esta bagagem, evidentemente, é de cunho português, e foi levada dos vários locais insignes do seu Reino natal.
 
Mosteiro de S. Vicente de Fora - Lisboa
Sto. António de Lisboa é o primeiro Professor da Ordem Franciscana, e foi esta a que em tempos mais foi promovida em Portugal: basta olhar as inúmeras igrejas franciscanas portuguesas, em Portugal e além mar, o quanto de talha têm, e outras riquezas inumeráveis para Deus, que fazia a vida cotidiana dos franciscanos parecer ainda mais justamente pobre.
 
Igreja de S. Francisco - Porto (Portugal)
Igreja de S. Francisco - Salvador (Brasil)
O nosso santo foi sempre aluno modelo, e tudo pôde reter das aulas e sermões que ouviu por cá. Frequentou a escola da Catedral de Lisboa. O seu carácter instável, facilitou-lhe não prender-se às comodidades da segurança e vida, passando assim por vários locais religiosos movido por santa busca. Depois do mosteiro dos Cónegos Regrantes de S. Vicente de Fora (Lisboa), decidiu-se pelo auge do intelecto religioso ingressando no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde foi ordenado Sacerdote (teria entre 25 a 30 anos de idade). Ouvindo falar dos martírios de franciscanos portugueses, ficou de tal forma motivado que decidiu imitá-los procurando o martírio, e juntou-se à Ordem.
 
Mosteiro de Sta. Cruz de Coimbra
Em Portugal, desde sempre, teve a formação eclesiástica de topo. Hoje são conhecidas as obras existentes nesse tempo das bibliotecas por onde passou (de 1207 a 1220). Confirmou-se recentemente que os livros referidos em seus sermões existiam à época nos respectivos mosteiros.
 
Os sermões de Sto. António são de toda a variedade de riquezas, muito bem fundamentados na Sagrada Escritura, e chove neles graça tanta que, certo dia, depois do Papa Gregório IX o ter ouvido chamou-lhe "Arca do Testamento, arsenal das Sagradas Escrituras!".
 
Mas tremam aqueles os menos informados e levados pelo escrúpulo, que enviariam à fogueira tudo o que tocou o paganismo... Sto. António de Lisboa, intelecto medieval, Doutor da Igreja, faz inúmeras referências a: Cícero, Catão, Dioscórides, Eliano, Escibónio, Euquério de Lião, Festo Solino, Lilão de Alexandria, Aristóteles, Tibulo, Sérvio, Publíbio Siro, Juvenal, Plínio o Antigo, Sócrates, Varrão, Séneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano, Terêncio, Donato.
 
Como é um pouco nossa inclinação no blog ASCENDENS, coincide que tb. Sto. António costumava partir do  étimo e do conhecimento da História Natural.

Outra característica em Sto. António de Lisboa é a abundante crítica, advertência, e condenações ao alto Clero e Regentes; ataca também a simonia, hipocrisia, perversão, os privados da luz da vida e da ciência por serem como cães mudos, os efeminados, etc. (1), e chega ao campo da profecia. Desengane-se quem que difundir a Idade Média como imaculada e recortada de tantos acontecimentos vergonhosos! A este respeito diz assim o nosso Doutor:
 
"E haverá grande matança na terra do Edom, isto é, nos clérigos que se mancharam com o sangue da luxúria e com a terra da pecúnia [dinheiro e poder]. E com eles cairão os unicórnios, os imperadores e reis deste mundo; e os touros, os bispos mitrados que têm na cabeça dois cornos como se fossem touros. Todos estes que não fizerem penitência dos pecados, cairão com os poderosos, que são os príncipes e potestades deste século, no inferno, lugar dos mortos" (Tesouros da Literatura e da História. Santo António de Lisboa. Obras Completas. Sermões Dominicais e festivos - Henrique Pinto Roma, Porto, Lello & Irmão Editores, 1997, Vol. II, pág. 439)
 
Evidentemente, louva e aponta o modelo eclesiástico: pobre no meio das riquezas, vida digna, de ciência, mansidão, justo, muito caridoso, pastores que brilham pela palavra e pelo exemplo, boa face de Cristo, amigos dos pobres, oração etc.. "Eis que o teu Rei vem a ti, para teu benefício... Manso, para ser amado. Não para ser temido pela potência... São duas as virtudes próprias dum Rei: a justiça e a piedade. Assim o teu Rei é justo, enquanto distribui a justiça a cada um segundo as suas obras". (Sermões, Vol I pág. 262-263)
 
Quanto ao Direito ele não pode afastar-se do que é o Direito Natural e Divino, visto que a Justiça plena só de Deus pode vir. Nada de novo, mas muito frisado por Santo António. O Direito assenta na Justiça (não ao contrário), e "a paz será obra da justiça e o Culto será o silêncio e a segurança sempiterna (Isaías). A obra da justiça, a obra daqueles que pela graça já se encontram justificados, é a paz"; "chama-se modéstia por guardar modo em tudo. Nota que a modéstia consiste sobretudo na paz do espírito e na honestidade do corpo".

O Papa Pio XII elevou a Santo António de Lisboa, "a boca de ouro", a Doutor da Igreja pela Bula Exulta, Lusitania felix (Exulta, ó feliz Lusitânia).

Há que lembrar que este artigo foca o lado intelectual do nosso Doutor, e não couberam outras grandes coisas já tratadas, ou que virão.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXI

NA SERRA ALTA - Leonardo Castellani

Pe. Leonardo Castellani
"Pelo contrário, sofredoras das perseguições lançadas por católicos liberais, a respeito do desaparecimento público do Sacro Império as alas resistentes convergem. (...) Um D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, ou um Pe. Agostinho de Macedo bem conheciam aquilo que no séc. XX também o Pe. Leonardo Castellani defendeu: o desaparecimento público do Sacro Império é anterior a 1834. (...) Daqui podemos tirar que o Constitucionalismo contradiz as monarquias tradicionais [monarquias na sua forma clássica, não aquelas que o pensamento espanhol inventou por raciocínios baseados em certos aspectos do passado], e que Portugal foi o último a ficar ocultado socialmente [ocupado]; era o ano de 1834."
 (na serra alta - J. Antunes)

12/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDX

INVESTIDURA SOLENE DO X PRÍNCIPE DA BEIRA

 
O Senhor D. Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira, foi neste 3 de Junho investido na Real Confraria de Santa Maria de Braga, na Catedral Primaz das Espanhas (Braga). 

  


A confraria nasceu em 1996, por ocasião do Baptizado de Sua Alteza, por vontade de seus Pais e do Arcebispo Primaz das Espanhas, e para memória perene deste Divino Sacramento sob especial protecção de Santa Maria de Braga (que se venera na respectiva catedral).


Nesta Sé de Braga encontram-se sepultados os pais de D. Afonso Henriques (na Capela dos Fundadores), tal como o avô do Santo Condestável que há dias comemorámos. Um acontecimento às portas do dia do Anjo de Portugal que solenemente comemorámos ontem.

08/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDIX

"VIRTUTIS DISCIPULOS"

Desde sempre o blog ASCENDENS tem salientado a importância das palavras e conceitos hodiernamente. Neste campo, a instabilidade, relativismo, e falsos critérios reflectem-se dificultam ao falante a expressão, a justa transmissão de doutrinas, os conhecimentos e experiências. Em 2011 dedicámos algumas publicações ao fenómeno (o caso de "violência", e "bons-costumes", etc...)
O Canal VIRTUTIS DISCIPULUS tem a recomendação e apoio do blog ASCENDENS. Eis um canal de Youtube fundado a 22 de Junho de 2013, e que assim se apresenta:

"Virtutis Discipulus é vehículo de communicação de fundamentais Lecturas de Scientia. Estas Lecturas, de início muito versadas em sciência de nossa língua, expõem muitas aberrações presumidas por nosso povo. Boa evolução só pode ser feita com Scientia."
 
... verdadeira evolução só na verdade; de outra forma é "mutação"
 
O Virtutis vai com 63 vídeos publicados de curtas e bem organizadas lições. Embora em poucas coisas secundárias (pronúncia do latim, etc.) não, o fundamental condiz com a nossa postura.


 
Da I lição: "...faço isto (...) porque me apercebi, depois de vários anos, da importância de saber a origem greco-latina, e por vezes árabe, das palavras. Porque estamos a ser vítimas num processo de degeneração tal que nos está a dificultar imenso, cada vez mais, a tarefa de saber o verdadeiro significado das palavras que utilizamos, assim como a capacidade de as relacionar em sim. Ou seja, em vez de termos um conhecimento uno, estamos a fragmenta-lo."

Da III lição: "... refiro-me ao maior desastre que ocorreu sobre a língua portuguesa, que foi o da reforma ortográfica de 1911; em que foram tornadas efectivas "simplificações" com base em propostas já do séc. XIX. Isto acontece após a queda da "monarquia" em vontade de combater o analfabetismo, "reformando" a Educação: a forma ortográfica de 1911! Em vez de se educar a população, cedeu-se possivelmente às irregularidades já existentes nos diferentes dialectos; vence a ortografia puramente fonética sobre a ortografia etimológica. Opta-se assim por julgar que ocultar a raiz das palavras é simplificar. Evidentemente, isto foi muito contestado pelos linguistas, que conheciam verdadeiramente a língua, que sabiam o que este desastre implicava."
 
Da IV lição: " ... método fácil de se apreender cada vocábulo, e seus derivados, e saber assim o que se está a querer dizer. Pois só dessa forma se poderá saber falar. Custa saber que não é assim que professam as palavras às crianças, que as apreendem isoladas e ficam assim sujeitas à dissociação dessas mesmas palavras.

01/06/17

IDADE MÉDIA EXAGERADA - ESCRAVATURA DETURPADA


É bom mostrar que a Idade Média não foi aquilo que há mais de meio século tem andado em forte circulação. Contudo, o que deveria ter sido uma actitude de reposição dos factos não raras vezes transformou-se no exagero oposto: certos meios mostram a Idade Média tão excelente que apagam importantes factos históricos, e inventam ou exageram outros que lhes convenham. Estas tendências são mais fáceis nas regiões do planeta que não tiveram "Idade Média"; mas como as Américas são muito populosas, estas opiniões tornam-se gradualmente presentes nos países das mesmas línguas.
 
No ano que passou, certo pensador católico das Américas argumentava que os cristãos não tinham contacto com a escravatura na Idade Média. Então, leia-se:

"Com tanto horror os nossos Bispos olharam o Judaísmo que, sob pena de excomunhão não permitiam aos Agricultores Católicos que os Judeus lhes bendissessem os primeiros frutos (Can. 45 de Elvira); nem sequer comer com os Judeus, sob pena de excomunhão (Id. Can. 50; e Cán. 6 de Constança). Para evitar todo o perigo de subversão [não porque a escravatura fosse proibida], proibiu-se [civilmente] aos judeus terem mulheres, concubinas, e escravas que fossem cristãs; e além disso terem algum ofício de República [cargo público] (III Concílio de Toledo, Cán. 14, e IV de Toledo Cán. 65). No IV Concílio de Toledo (Cán. 58) proibiu-se aos Fiéis, Clérigos e Leigos, aceitarem suborno de Judeus para prestar favor e auxílio à sua perfídia ["perfídia" no sentido próprio]. Os infractores deveriam ser expulsos da Igreja. Os cristãos recém convertidos que fizessem o comércio com Judeus pertinazes, deveriam entregar-se (acaso como Escravos) aos Cristãos, e os não convertidos [apenas] açoitados em castigo (Id. Cán. 62). Em juízo não se admitiam por testemunhas os que do Cristianismo apostataram ao Judaísmo; porque aos homens não se pode ser fiel quem não o foi a Deus (Id. Cán. 64). Também não se lhes permitia ter Escravos Cristãos [podiam ter escravos de outra religião em território cristão] (Id. Cán. 66, e 7 do X Concílio de Toledo). (Analisis de las antiguidades eclesiásticas de España - I Tomo, Pe. Fr. Manuel Villodas; Valladolid, 1840)
 
Repetimos vezes sem conta que, o próprio conceito de "escravatura" hoje veiculado não é o mesmo que antes do séc. XVIII (e até o XIX) nos Reinos cristãos, e que o conceito actual (deturpação) veio na sequência da crítica dos opositores da Igreja (os novos pensadores); a qual deturpação foi-se estendendo (ao mesmo tempo que, entre aqueles que aplaudiam, surgiu a prática da mesma escravatura destituída de verdadeiro sentido cristão). Como os leitores já tiveram oportunidade de ler aqui, o sentido próprio de "escravatura" radica no "estado" da pessoa (ou melhor, da falta dele) e não em qualquer forma de tratamento.

Depois de nos lerem, é lamentável que pensadores católicos da actualidade, os quais  estão comprometidos pelas obras que publicaram, pelas palestras que deram, pela ligação a movimentos onde dão voz, pelo público que os segue e repete, continuem teimosamente a tentar contrariar-nos, de longe, sem uma única refutação aos argumentos, ou às fontes. A respeito destes, fica difícil acreditar que valorizem o mandamento de "honrar pai e mãe, e outros legítimos superiores", ou que consideram os nossos antigos reis Pais na Pátria, e que não os "destituam" de "graça de estado". Estes pensadores, não descontentando a herança liberal, abandonam a razão, as fontes históricas, e o debate científico.

Aos teimosos pensadores há que perguntar, pelo menos uma vez: se demonstramos que o vosso conceito de "escravatura" não é o que os cristãos tiveram até existir iluminismo, porque difundis que estamos a defender a "escravatura" (vosso conceito)!? Não é verdade que vós também defendeis uma ideia contra-corrente de "Idade Média", e achais injusto que vos digam "que horror... defender a selvajaria da Idade Média, não é de cristãos"? Há que fazer desenhos?..........

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDVII


D. José

IMAGEM PEREGRINA - MARAVILHAS NA DIOCESE DA GUARDA - 1950 (III)

(continuação da II parte)
 
 
Entre tanta nobreza de alma e piedade nas acções encontramos em Celorico da Beira um das várias entregas de Chave a Nossa Senhora, durante esta peregrinação pela Diocese da Guarda, no ano de 1050. Escolho Celorico como poderia ter escolhido outra terra. Mas, antes de irmos ver como passou, olhemos ao Concelho de Celorico da Beira os dados populacionais daquele ano, e outros.

Eram ao todo 16732 habitantes em 1950; em 1960 baixaram para 14930, eram depois 11386 em 1970, e vieram a decrescer sempre até aos 7693 no ano de 2011 (porque os dados que tenho param aqui). Tomando as fontes dos anos anteriores, constata-se que a década de 50 teve o máximo histórico de população no Concelho, mas que não eram muito menos nas décadas anteriores. Na década de 50, dos 16732 habitantes apenas 1345 tinham mais de 65 anos (hoje são mais de 2268); entre os 25 a 65 anos havia 7125 habitantes (hoje 3758), eram 2765 dos 15 aos 24 (hoje menos de 729), e dos até aos 14 anos eram 5521 (hoje menos de 938).
 
Vamos a Celorico da Beira ver das Chaves:
 
"À entrada, junto ao arco triunfal, o Ex.mº Presidente da Câmara, com todos os vereadores, Juiz da Comarca, com todo o funcionalismo de Justiça, Professores e crianças das escolas, todo o Clero do Arciprestado, todos os organismos da A.C., muitas centenas de raparigas empunhando ramos de brancas flores, e a massa incontável de muitos milhares de pessoas de todas as qualidade e condições.
No meio de cânticos repassados de entusiasmo, aparece a Virgem Peregrina. Uma salva de vinte e um tiros saúda a Excelsa Rainha.
Feito, a custo, silêncio, S. Ex.ª o Sr. Presidente da Câmara saúda em nome da Vila a Excelsa Visitante, e entrega-lhe uma rica Chave de prata e com ela esta Vila com todos os seus moradores. Momento indescritível. Chuva de flores, não cessa de cair sobre a veneranda Imagem da Virgem, a cujos pés se aninham as simpáticas pombinhas [milagre das pombas], que levantam vôo, para logo voltarem a acolher-se junto ao manto da Imaculada.
Põe-se em marcha o grandioso cortejo em direcção ao monumento, que a piedade e a devoção dos filhos de Celorico levantou a tão carinhosa Mãe. O primeiro turno é formado pelas primeiras Autoridades, seguindo-se centenas de turnos durante o caminho para a igreja de Santa Maria, sob cujas abóbodas de maravilha passou o resto da noite.
Era uma hora quando a Imagem foi colocada em alto trono de luzes e flores.
Começa a adoração solene. No altar do Trono, é Exposto o Santíssimo Sacramento, o Rei Imortal dos Séculos, à direita a Rainha Imaculada, e grande, incontável multidão, cantando, rezando e chorando. (...) Assim se passa a noite mais no Céu do que na Terra.
Às 8 horas, celebra a Santa Missa o venerando Prelado. Muitos sacerdotes distribuem a Sagrada Comunhão a mais de três mil comungantes.
(....) Às doze horas, reorganiza-se de novo a procissão para o monumento, onde é celebrada a Missa dos doentinhos. S. Ex.ª Rev.mª fala à imensa multidão, lembrando-lhe a mensagem que a Virgem de Fátima trouxe aos portugueses e ao mundo inteiro. Canta-se, reza-se e chora-se.
Em volta do monumento, os doentinhos esperando a bênção do Santíssimo, Passados momentos, a Hóstia Sacrossanta eleva-se no ostensório para os abençoar; é o silêncio e a oração repossada de esperança e resignação cristã.
A Virgem Peregrina, alçada em alto trono de flores, lá fica até à despedida por ser cantada, louvada e engrandecida pela incontável multidão presa ao doce sorriso dos seus lábios de Mãe. E à tarde, lá vai a caminho de Vale de Azares, ficando nos corações e levando-nos no seu terno coração.
As autoridade do concelho de Celorico, acompanhadas da população, vão até ao terminus do concelho fazer entrega às autoridades do concelho de Trancoso do precioso Tesouro. Celorico da Beira acabara de escrever a página mais bela da sua história.

[veremos depois como em Almeida as casas foram ornadas à antiga]

(a continuar)

REVISTA FLAMA - A OBRA PRIMA DE JOÃO XXIII (II)

(continuação da I parte)
 
Já vimos a publicação da revista FLAMA sobre a morte de João XXIII, e no mesmo número veremos agora o artigo "A Obra Prima de João XXIII". Assim se dizia na época:
 
A OBRA PRIMA DE JOÃO XXIII
 
"... João XXIII assina a Bula "Humanae Salutis", convocatória do Concílio Vaticano II. Até ao último momento, o Concílio foi a máxima preocupação do Santo Padre. Assistir à segunda parte da grande Assembleia Ecuménica era o mais caro desejo do Papa da Unidade."
"A 25 de Janeiro de 1959, João XXIII anunciou ao mundo a sua intenção de reunir um Concílio Ecuménico. Havia 92 anos que não se realizava um Concílio e, em toda a história da Igreja, foi este o vigésimo primeiro convocado. A natureza dos problemas incluídos no programa de trabalhos e as soluções que através dele poderiam ser obtidas fez com que a ideia fosse acolhida com o agrado de todos: as igrejas ortodoxas russas e outros cristãos separados compareceram como "observadores" na primeira faze de trabalhos.
 
«Vaticano II» passava a ser o Concílio que prepararia a Unidade [...unidade!?]. O Concílio «Vaticano» II ficará na história como o Concílio de João XXIII. Foi ele que, só com Deus, o desejou e lhe indicou as finalidades - a última das quais era preparar o caminho para a união dos irmãos separados. Foi ele quem lhe imprimiu o ritmo de um trabalho cuidadoso, efectuado com fervor. Foi ele quem - ao formular as intenções da oração da Semana da Unidade - substituiu as palavras «regresso» e «submissão» por «reconciliação», e quem procurou que o Concílio tornasse vivo e sensível o Cristo de mãos abertas que chama cada homem pelo seu nome.
 
A autêntica e completa caridade iluminou a obra-prima de João XXIII, o Papa da unidade: «Nós vivemos todos pelo espírito, pelo coração e pelos lábios. Bastaria que insistíssemos mais, sobretudo nos dois primeiros, para que os obstáculos que separam os povos desaparecessem.»
 
E a solicitude pastoral de João XXIII - em cujo coração cabiam todos os homens do Mundo [Francisco, "o Papa do Povo"] - levou-o a sair do Vaticano cercado de centena e meia de vezes, sobretudo para visitas a vários bairros e igrejas de Roma, mas também para viagens mais longas, como a da sua peregrinação aos Santuários de Loreto e de Assis. [hoje é mais Assis].

(a continuar)

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