30/05/17

TRADICIONALISTAS PORTUGUESES - Desde a primeira hora


Dos blogs tradicionalistas em Portugal o blog ASCENDENS foi provavelmente aquele que se pautou por uma visão mais ontológica (filosofia do ser), em qualquer coisa tratada, servindo-se dos factos históricos como palco didático; e agora em 2017 cumprimos uma década de existência. Dizemos que Portugal tem essência, e não faltam as publicações que tratam Portugal como o Reino que é (bem visível até D. Miguel), hoje ocupado (como todos os Reinos cristãos). Estamos nas antípodas do sensualismo filosófico (do qual Le Roy é o mais extremo). Somos Tradicionalistas apenas, por isso  Realistas (filosoficamente), e que desde sempre difundimos os grandes heróis da Tradição Católica portuguesa (frente às revoltas liberais do séc. XIX), testemunhos vivos da ortodoxia católica e são patriotismo, e não teóricos nem activistas. Também não nos cansaremos de dar aos nossos leitores uma selecção de maravilhas, como esta:

"As suposições que os astrónomos imaginaram não são necessariamente verdadeiras; ainda que estas hipóteses pareçam salvar os fenómenos (salvare apparentias), não se deve afirmar que são verdadeiras, pois quiçá poderíamos explicar os movimentos aparentes das estrelas por algum outro procedimento que os homens ainda não conheceram."
(S. Tomás de Aquino - summa theologica, I, q.32, a. 1. ad 2)

NA SERRA ALTA - Um Caso Modernista

 
[Edouard Le Roy] "(...) era teólogo, nunca terá redigido algo censurável segundo as sentenças da Pascendi, era considerado modernista, a sua obra está no Index, faleceu em 1954 aos 84 anos."
(na serra alta - J. Antunes)

IMAGEM PEREGRINA - MARAVILHAS NA DIOCESE DA GUARDA - 1950 (II)

(continuação da I parte)
 
Gouveia
Transcrevo do título "O nobre exemplo de Gouveia - Uma procissão de 2 horas, sob uma chuva torrencial":

"Badalaram as onze da noite.
A escuridão é espessa, impenetrável.
Do Céu cai chuva copiosa, que inunda as estradas e os campos.
Que fará Gouveia que se aproxima? De longe, ao subir a rampa que leva de Vinhó a Gouveia, dir-se-ia, que a vila-fábrica, tão agitada sempre no tumulto das suas máquinas, da sua população trabalhadora, dormia calma, alheia à visita que iria receber. Breve se dissipou a ilusão. um grupo de morteiros mostrou que Gouveia velava, e pouco depois, Gouveia surgia, na agitação tumultuosa da sua ansiedade e do seu fervor. Ali, aos balcões, ao limiar do seu casario, Gouveia está em peso, com suas autoridades, com seus patrões, com os seus operários, com o seu comércio, com os seus lares. E lá dentro, apenas luzes, muitas luzes, flores muitas flores, arcos, legendas, uma decoração e uma iluminação eufórica.
A empresa que fornece a luz electrica declarou que ninguém pagaria a luz daquela noite, que podia toda a gente gostar a que quisesse. Essa seria a homenagem da empresa a Nossa Senhora! E Gouveia foi toda uma mancha branca a esgarçar a treva daquela noite tão escura no espaço como branca nas almas. Chovia, chovia sempre. Mas as manifestações continuavam, cheias de ardor, com fé e entusiasmo, como se a luz do luar de uma noite calma e acolhedora, caísse, doce e meiga, sobre Gouveia. E lá vai a Senhora na sua berlinda, para que a chuva copiosa a não molhe. E a chuva não cessa, nem os cantos, nem as aclamações. Cresce a chuva não cessa, nem os cantos, nem as aclamações. Cresce a chuva e cresce o entusiasmo, num desafio dinâmico. Mas um momento, a chuca, como querendo dar ao fervor das almas o último desafio, desatou a cair a potes, em catapultas. Dir-se-ía que as fontes do céu se haviam rompido e uma tromba de água contínua desabava sobre a terra.
A estrada fez-se ribeiro e todos caminhavam encharcando os pés e as cabeças. Quem recua?
Ninguém. Quando a chuva é mais abundante, verdadeira cascata, um grupo de homens, com aplauso da multidão, faz parar a berlinda, arranca dela a imagem, coloca-a sobre os ombros, e, com cânticos mais ardentes e aplausos, prossegue a procissão, sob a mesma fúria da chuva, que logo abrandou ....
E foi assim, sob chuva copiosa, que a Virgem Peregrina prosseguiu durante duas horas, pelas ruas da vila, cuja população a seguir, sem afrouxar no seu ardor e na suas manifestações. Não cremos que prova de Fé, mais viva, mais impressionante se tenha dado ou venha a dar-se no decurso da peregrinação de Nossa Senhora em qualquer outra parte do mundo.
Poderia esperar-se que, chegando à igreja, a turba debandasse a tomar roupa seca, enxuta. Pois não. A igreja encheu-se de lés a lés e, com o padre Marcos no púlpito, a rezar, a pregar, a cantar, a turba ficou a pé firme até de manhã.
Quando o sol começa a espreitar Gouveia por entre nuvens que forravam o céu, Gouveia estava aos pés de Cristo: - uma comunhão, que se avalia feita por mais de um milhar de pessoas. O capuchinho Vilas Boas preparara as almas e as almas responderam ao apelo do Céu. Todos os actos do programa da manhã correram com devoção e brilho. A nota destacante da jornada foi a Missa Campal. Não é fácil descrever essa magnificente manifestação. Umas vinte mil pessoas se juntaram naquele vasto campo, que sobe da avenida para o Senhor do Calvário, ao alto do que se erguia o altar do Sacrifício.
Momento a momento, a turba engrossa e todo o amplíssimo recinto se enche completamente de uma multidão copiosa e ondulante. Erguem-se bandeiras ao céu, trovejam as aclamações, rasgam-se cânticos de piedade. A multidão reza, canta e espera.
Ao lado, um friso comovente de doentinhos: crianças, adultos, velhos - gama impressionante de todas as misérias. Mas a turba não cessa de rezar nem de cantar. E a missa começa, dialogada, através de altos falantes no meio de uma ordem e compostura edificantes. Poucas vezes temos visto a massa da população, que em verdade estava ali Gouveia em peso: uma lição a colher e guardar para tanta coisa que é preciso que se faça com urgência. (...)
E foi depois a consagração da vila e do Concelho a Nossa Senhora, feita pelo ilustre Presidente da Câmara (...), entregando no coração de Nossa Senhora os destinos de todo o Concelho, para quem pediu as melhores graças e bênçãos. E logo se procedeu à bênção dos doentinhos (...)
A meio da piedosa cerimónia, correu um alvoroço pela multidão. Uma criança doente teria recuperado a saúde. Não obtivemos mais notícias do acontecimento.
Mas para tornar grande e histórica aquela jornada gloriosa, não precisava Gouveia de outro milagre que o da sua presença em apoteose aclamadora, naquela montanha sagrada. (...)
Se é verdade que português igual a católico, com igual verdade, português igual a devoto de Maria, até porque, nessa devoção bem compreendida, está toda a economia da Redenção. (...)
O cântico do adeus, com a revoada de lenços que se agitavam em sentimento comunicativo, explica bem as lágrimas que de tantos olhos caiam em catadupas. E já a Senhora descia a rampa para Rio Torto e ainda, lá cima, os lenços, em adejo ardente, se agitavam em saudade.
 
[em continuação veremos com em Celorico Nossa Senhora recebe as Chaves da vila]
(continuação, III parte)

BARBÁRIE COMUNISTA (IX)

(continuação da VIII parte)















(a continuar)

29/05/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDVI

NA SERRA ALTA - Modernismo Multi-aplicado

S. Pio X
"A respeito do conceito "modernismo", ao sério exame académico não escapa o geral e progressivo fenómeno do desentendimento público. O sentido próprio da palavra "modernismo" tem sua raiz académica no séc. XIX, e é ontologicamente definível como erro relativo ao Ser (eis o âmago irredutível). Na medida em que esse ontológico pressuposto é tomado e aplicado a qualquer área do saber, ou da arte, assim produz sequentes conclusões; foi aplicado na literatura, artes plásticas, sociologia, etc.. No final do século XIX Tyrrell aplicou-o directamente à Teologia, e o alarme soou na Igreja. Em 1907, S. Pio X condenou-o com o nome de "modernismo" através da Encíclica Pascendi, na qual caracteriza-o segundo o que mais urgia combater na Igreja: possibilitar identificá-lo rapidamente entre o clero, para travá-lo na Teologia e Filosofia. (...) Portanto, não há uma variedade de "modernismos", trata-se antes do mesmo erro em peregrinação, produzindo efeitos diversos, tomando múltiplas caras, tantas quanto sejam as realidades onde aplicado. (...)
A condenação do modernismo não se confina àquela ocasião e contexto histórico, nem apenas àqueles vários erros provocados no campo teológico; a condenação papal é para sempre, e dada ao erro "modernismo" concretamente. (...)
O pouco interesse ontológico dos Tradicionalistas pelo modernismo, e o desprezo que os restantes querem dar, produz novo e delicado fenómeno: ignorando o conceito [ontologicamente], manter-lhe o nome recheando-o com características de algum grupo de pessoas, às quais se decida chamar "modernistas"".
(na serra alta - J. Antunes)

25/05/17

A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA - TESTEMUNHO


Caros leitores,
Há anos, para combater as teses da "Irmã Lúcia falsa", referi num artigo ter uma prova que me foi dada (nos anos 90). Nunca referi qual tal prova, pois está em causa certa pessoa.
Estamos em 2017, um Cardeal veio agora insistir com a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (como Nossa Senhora tinha pedido em Fátima), e achei por bem contar-vos:

Sim, aquela Irmã Lúcia velhinha era a verdadeira, não era uma "actriz contratada por Roma" (como dizem os da teoria conspiratória). A Irmã Lúcia disse que a Consagração da Rússia não tinha sido feita como Nossa Senhora pediu (referindo-se à consagração que o Papa João Paulo II tinha feito). Quem mo disse? Disse-o alguém que tinha autorização eclesiástica para com ela falar (facto que é do domínio público). E como o sei? Nos anos 90 era eu aluno dessa pessoa, justamente no ano em que certo evento (do domínio público) ocorreu e a envolveu no assunto que vos trago. Que mais vos posso dizer? Posso contar que tudo o que ouvi foi dito num grupo de uns 10 jovens, tal pessoa sofreu algum tipo de pressão forte (andando inquieto e nervoso por um período de tempo), e outras coisas.

Agora peço aos leitores que usem o importante da informação (que a Rússia não foi consagrada como Nossa Senhora pediu, e que a Irmã Lúcia era a verdadeira), e que esqueçam a pessoa que propositadamente tento omitir. É o nosso trato. Ok?

Como disse que a Irmã Lúcia é a verdadeira, quero também dizer-vos que, segundo dados bem objectivos, tenho o livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria" (do Carmelo de Coimbra) como pouco fiável para análises mais literais, e outras coisas. Neste momento estamos a finalizar um artigo que faz a análise de uma passagem deste livro, artigo demorado por necessidade de encontrar a melhor forma de apresentar o conteúdo.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDV

IMAGEM PEREGRINA - MARAVILHAS NA DIOCESE DA GUARDA - 1950 (I)

Sé da Guarda
A Imagem de Nossa Senhora de Fátima em 1950 andou peregrina pelas dioceses de Portugal, visitando as paróquias respectivas. Por todo o lado houve milagres, que junto a esta imagem começaram pelo menos desde 1947 (antes da sua primeira viagem peregrina ao estrangeiro), e não os deixou de fazer na Diocese da Guarda, que é o que vos venho contar.
 
Sirvo-me do livro que a própria Diocese da Guarda publicou em 1950, e transcrevo:
 
"(...) O universalismo de Fátima recebera a sua perfeita e definitiva consagração.
O Velho Duarte Pacheco tinha de inspiração divina a nossa epopeia marítima, a expansão da civilização cristã pelo mundo, que o nosso génio, filho da nossa fé, criou e engendrou. Não pode ter outra explicação o universalismo de Fátima.
Para que este novo universalismo?
Apenas, e está nisso a sua grandeza e a nossa responsabilidade, para completar a obra do primeiro."
O magno problema da hora presente não é só a conversão da Rússia, é também o da conversão do Mundo. Apostasia da Rússia começada com Fócio, no século VIII, consumou-se no séc. XX por influência do Ocidente. O comunismo é filho de Marx, Marx é filho de Hegel e ambos são filhos de Lutero. O comunismo é a última etapa, a derradeira consequência religiosa, política, económica e social do protestantismo. Da Rússia, disse Ventura Raulica que só se converteria com uma grande revolução. Essa revolução não foi a que Lenine desencadeou com os seus sequazes, naquele trágico mês de Novembro de 1917. O comunismo mesmo, não é uma revolução no sentido original do termo; é antes uma deformação, uma degradação colossal, que pretende envolver todo o mundo. A "revolução", regresso ao princípio, só pode vir do espírito, importa a recuperação do que se perdeu, da personalidade cristã da Europa [independentemente do restante] (...) da personalidade histórica do Ocidente." [o comunismo deve ser visto em todo o seu desdobramento e desenvolvimento, e não apenas o partidarismo e doutrinas nas suas formas clássicas].
 
Isto era do prólogo. Vamos ver o que aconteceu em Vila Nova de Tazem, que em 1950 tinha um total de 2942 habitantes. Nas aldeias que vão aparecendo os católicos são 100% da população.
 
"Rio Torto [922 habitantes] esperava a pé firme, à entrada do ramal que se lhe abre da estrada nacional. Toda a povoação está a postos. Música e foguetes e ornamentações. Um grupo de ciclistas, com arcos erguidos nos aparelhos que montam, vão ao encontro da Senhora, que ao chegar recebe uma ovação estrondosa.
Estalam os foguetes, toca a música [banda filarmónica], soam os vivas, ribombam as aclamações. Depois faz-se silêncio. E logo se abre a recitação do Coro Falado, ali mesmo na estrada, espécie de diálogo entre o pároco e a freguesia, diálogo que exprime a consagração a Nossa Senhora. O Sr. D. Domingos préga, renovam-se as manifestações e o cortejo prossegue a sua marcha com o cântico do adeus, e, como em toda a parte, com agitação dos lenços, em gesto de saudosa despedida.
Vem agora Lagarinhos [963 habitantes], toda enfeitada com festões de verdura e flores, a estrada atapetada de ervas odorantes, arcos e bandeiras. Em frente da igreja, junto da Casa do Anjo da Guarda e da magnífica casa destinada a residência paroquial pela ilustre família da Ponte Pedrinha, ergue-se, sobre quarto postes, ornados de festões, um interessante docel, sorte de cúpula imensa tecida de flores. É debaixo dele que fica Nossa Senhora. Manifestações ruidosas, cânticos, foguetes, flores em catapultas, e por fim a consagração a Nossas Senhora.
O Sr. D. Domingos agradece à freguesia o cuidado e interesse que tem pelos Seminários, e presta uma homenagem de merecida justiça à ilustre família da Ponte Pedrinha, pela caridade que tem com os Seminários e a oferta da linda casa, que expressamente fez construir para residência do pároco, mostrando assim o grande interesse que lhe merecem as almas e a sua salvação. Recebe as esmolas destinadas à aquisição da imagem que vai ser colocada na Sé da Guarda, e no meio de novas e estrondosas aclamações, a imagem segue para Pinhanços [905 habitantes], que está profusamente ornamentada, e onde as manifestações foram por igual ardentes e fervorosas.
Após um curto descanso do Sr. Bispo, em casa do nosso presado amigo Sr. Álvaro Corte-Real, fez-se a consagração da freguesia.
Depois, foi Santa Comba, Tourais Paranhos, onde multidões enormes saudaram Nossa Senhora, com manifestações ruidosas. Esta já noite quando a imagem, depois de receber as homenagens da gente de Girabolhos, que veio ao seu encontro, chegou a Tazem.
Ali um formigueiro humano a esperava. Viera gente de todas as freguesias do arciprestado. Cada uma delas tem o seu lugar marcado na estrada, que vai a Vila Nova.
Todas mandaram grossas deputações, todas numa ordem perfeita.
No lugar de Tazem, a 2 Km de Vila Nova, estrondeiam as primeiras manifestações, que não cessaram mais em todo o longo trajecto; antes cresceram à medida que da vila se aproximava o cortejo. A meio caminho, a imagem desce da berlinda e é conduzida no andor, por pessoas gradas da vila. Logo duas pombas descem a beijar-lhe os pés e a aninhar-se para não mais saírem [um dos muitos "milagres das pombas"]. Os cânticos, as aclamações sucedem-se, os morteiros rasgam o espaço.
Vila Nova, toda vestida de festa, nas ruas e nas almas. Nas ruas, as decorações são abundantes e variadas; nas almas, a pregação preparatória levara à confissão milhares de pessoas.
A noite caíra há muito. As iluminações nas ruas, nos arcos, nas janelas, são feéricas.
A procissão avança e ao chegar à ampla avenida que leva à Igreja, do alto da torre elegante que a completa, solta-se um rico bouquet de foguetes silenciosos, que enchem o espaço de luzes variadas, em distribuição artística.
Ali as manifestações tomaram ainda mais alma. Estão ali muitos milhares de pessoas. Vila Nova e arredores. A Imagem colocada no vestíbulo da igreja, e vão começar os actos de adoração. O Santíssimo é exposto em frente do templo, cujo corpo será a avenida fronteiriça, único templo capaz de conter a multidão enorme, que se aglomera diante de Nossa Senhora a rezar e a cantar. E foi na verdade, ali, que se fizeram as primeiras horas de adoração.
Mas o tempo arrefecera, a multidão minguou, e as horas de adoração por freguesias, a partir das duas da madrugada, fizeram-se dentro da igreja, sempre apinhada, a despeito das suas vastas dimensões.
Madrugada feita, começaram as missas, nas quais comungaram 3000 pessoas. Seguiu-se a missa das crianças, em que tomaram parte grupos de todas as freguesias do arciprestado, missa da A.C. e zeladoras do S. C., pelo Sr. Bispo, e mais tarde a missa campal, que revestiu singular grandeza e solenidade.
A vasta avenida recebeu copiosa multidão, que ouviu missa dialogada e escutou a palavra ardente e paternal do Sr. D. Domingos que tem sido incansável e por toda a parte deixa a semente fecunda da sua palavra oportuna e evangélica.
A cena da despedida, teve em Vila Nova um acento de notável grandeza e emoção; toda a numerosa multidão, que se juntara em Vila Nova, para saudar Nossa Senhora, se congregou à hora da partida para lhe dar o último adeus.
Levada em triunfo até à frente do hospital, ali entrou na berlinda e seguiu para Cativelos. E viu-se como em poucas partes, grande numero de pessoas, correr atrás dela, em corridas vertiginosas, alheias ao perigo que corriam com os numerosos carros que a seguiam.
E nem todos desistiram, que quando se procedia à consagração em Cativelos, grupos densos de pessoas chegavam para um último adeus. Em Cativelos, a mesma decoração, as mesmas flores, os mesmos vivas. E terminadas as manifestações, toda a freguesia seguiu rua abaixo, até à estrada, em que a berlinda tomou marcha nova e desapareceu na curva da estrada, ante os olhos lacrimosos da multidão a cantar o adeus e a agitar os lenços.
Nespereira e Arcozelo juntaram-se na boca dos respectivos ramais da estrada, em local decorado, com plantas e colchas. Mais adiante, uma casa de cantoneiro, lindamente adornada e com a estrada em largo espaço, decorada de plantas, e os moradores, à porta, de mãos postas em oração. Um vistoso arco de flores, à entrada da quinta do falecido Dr. Mendes Oliveira e, finalmente Vila Cortez, a que se juntou Vila Ruiva. Grandes aclamações, filas de rosas, vasos de flores sobre a ponte, arcos, bandeiras, flores, muitas flores.
Veio depois Nabais e Nabainhos, com grandes manifestações e adorno da rua."

[em continuação veremos como em Gouveia houve uma procissão de duas horas sobe chuva e frio]

(a continuar)

24/05/17

SEM VERDADE NÃO HÁ ENTENDIMENTO

Há demasiada falta de realismo nos meios conservadores católico, e até tradicionalistas ao referirem o lado que lhes desagrada (e não refiro nada do lado que lhes desagrada, porque aí o tipo de problema é outro). Sem verdade, não há entendimento; sem realidade nas premissas os juízos de nada servirão.

 
Agora, a respeito das comemorações do 13 de Maio de 2017, Roberto de Mattei escreveu:
"A difusão da prática dos primeiros sábados do mês nunca foi promovida pelas autoridades eclesiásticas (...). Mas, acima de tudo, desde cinquenta anos atrás, os clérigos não prégam mais o espírito de sacrifício e de penitência, tão intimamente ligado à espiritualidade dos dois pastorinhos (...)"

Como estas palavras foram dadas pelo autor a um meio de comunicação social italiano (Roma), podemos considerar que Roberto de Mattei dirigia-se apenas àquele público restrito a respeito das autoridades eclesiásticas locais, ou pelo menos italianas; porque é impossível assegurar que em toda a Igreja as autoridades locais nunca tenham veiculado a devoção dos cinco primeiros sábados.
 
Com base em comentários que usuários fizeram ao artigo, constata-se que este "nunca foi promovida" é imediatamente interpretado como se o autor se estivesse a referir a toda a Igreja. Dando o benefício da dúvida, informemos os desinformados: é certo que maioritariamente a devoção dos cinco primeiros sábados não é veiculada nas paróquias, mas é falso que em toda a Igreja nunca tenha sido veiculada oficiosamente.
 
Em Portugal, a devoção dos cinco primeiros sábados é praticada, tal como o é a das primeiras quintas-feiras (dada por Nosso Senhor a Alexandrina da Costa). Muito? pouco? em todas as paróquias? Não posso medir; certamente que antes mais, hoje em poucas paróquias, antes muitas. Relativamente a Fátima, é certo que em Portugal aquilo que poderíamos chamar de "tradição popular religiosa" manteve-se mais sobre o fenómeno aquém fronteiras (ficando a parecer que em Tuy Nossa Senhora foi dar um recado fora de casa). Nos escritos difundidos das aparições de Fátima a aprovação eclesiástica não parece ter colocado restrições à parte dos cinco primeiros sábados, e por isto mesmo podemos encontrar esta matéria divulgada ao longo de décadas.
 
O Santuário de Fátima sempre foi incumbido eclesiasticamente da difusão oficial das matérias relativas às aparições de Nossa Senhora em Fátima, e a devoção aos cinco primeiros sábados constaram durante 100 anos. A 13 de Março de 2007 o Santuário faz um comunicado, no qual se lê:
 
"No contexto da celebração dos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora, o Santuário de Fátima entendeu divulgar com maior perseverança a devoção dos Cinco Primeiros Sábados, devoção confiada à vidente Lúcia em Espanha, aprovada pelo Bispo de Leiria a 13 de Setembro de 1939, em Fátima.
Assim, e desde o passado mês de Fevereiro, o Santuário tem vindo a levar a efeito, nos primeiros sábados de cada mês, um programa especial de incentivo à devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Trata-se de uma jornada aberta à participação de todos os fiéis, com momentos de oração, uma palestra sobre a devoção ao Imaculado Coração de Maria nas aparições de Tui e Pontevedra (Espanha), a participação numa Eucaristia, a recitação do Rosário e a Adoração ao Santíssimo. Sendo que uma das condições para o cumprimento desta devoção é a prática do sacramento da Reconciliação, os fiéis são convidados a confessarem-se. (...) Alguns dos participantes deslocaram-se a Fátima por curiosidade, outros para acompanhar outras pessoas que entenderam participar. Muitos já conhecem, praticam e divulgam esta devoção. (...) Em declarações à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, no final do Encontro, João Lourenço, natural da Diocese de Portalegre–Castelo Branco, com trinta anos de idade, revela que conhece já há alguns anos esta devoção ao Imaculado Coração de Maria, que procura cumprir há um ano, embora venha “visitar Nossa Senhora de Fátima, de quem gosto muito, desde o ano 2000”. (...)"
 
Portanto, o comunicado é 10 anos antes daquilo que Roberto de Mattei escreveu, certamente não a respeito de toda a Igreja, mas sim de Roma, ou Itália (que é esta a abrangência do jornal Il Tempo onde vem o artigo).

Haja clareza.

(NOTA: neste artigo não se pretende fazer apologias, senão trazer dados necessários que andam em falta).

21/05/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDIV

NA SERRA ALTA - A Verdade Na Mão dos Errados e dos Certos

Estas seriam mãos certas
"Do séc. XIX para cá S. Tomás de Aquino tem também sido mal usado, e disso têm passado erros! Liberais interpretaram-no, modernistas interpretaram-no, ambos interpretaram diferentemente em certos pontos, não coincidindo com aquilo que sempre foi de Tradição. Autores que hoje conhecemos por infeliz sucesso argumentaram-se também com S. Tomás. Mais que na interpretação, o problema maior tem sido o da aplicação: por mais que livrescamente conheça a S. Tomás, a cabeça não liberta da herança liberal (cultural) acaba por não estar longe do todo, aplica indevidamente à realidade um daqueles fragmentos, a visão que têm da realidade não é suficientemente compactível com as altas verdades daquele santo Doutor. Já diferentemente ocorrem em lugares remotos de Portugal, onde uma velhinha ainda tem na prática, nos costumes, na estrutura de pensamento os traços de uma milenar herança verdadeiramente católica; "Suma Teológica"? Não, nunca ouviu tal nome. (...) Conhecimento e sabedoria também não são a mesma coisa, (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

09/05/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDIII

YAZIDIS SAIRAM DE PORTUGAL

A respeito da crise mundial agravada pela invasão islâmica, temos simpática notícia em Portugal. Melhor dizendo ... não é propriamente islâmica ... Escutemos o Diário de Notícias (4 de Maio):

Refugiados Yazidis Nem Uma Semana Ficaram em Portugal


(Saman Ali, na foto com o cartaz, é o único yazidi que faz questão em estudar e trabalhar em Portugal)
 
Saman Ali, um dos 24 yazidis que chegaram a Portugal há um mês, escreveu uma carta aberta ao Presidente da República, publicada esta quarta-feira pelo Expresso, onde pede ajuda para ficar e revela que é o único do grupo que ainda está em território nacional. Os outros 23 já abandonaram ilegalmente Guimarães, onde tinham sido acolhidos. [... hoje o que dizem ser "legítimo" procede de lei não legítima, e vice-versa - neste caso: 23 "refugiados" que não se querem refugiar estão a ir contra a lei do país estrangeiro, onde não pertencem, e do qual querem sair!]
 
Houve casos de familiares que nem uma semana ficaram no nosso país, soube o DN junto a fontes policiais que estão a acompanhar estes movimentos. A responsabilidade pela sua permanência é das entidades de acolhimento ["a responsabilidade pela sua permanência"... responsabilidade de permanência!... permanência...], neste caso a Câmara Municipal de Guimarães [... é para isto mesmo que existem câmaras municipais - note-se que Guimarães é a cidade "berço da nação portuguesa", e agora não deverá ter sido escolhida pelo seu clima "quente", certamente...], mas que não podia impedir a sua partida, uma vez que Têm liberdade de circulação. Estão obrigadas a informar os refugiados que perdem todos os seus direitos de protecção quando saem do país (...).

"Lamento que isto aconteça. Sinto-me frustrada e receio que isto possa desincentivar quem tem trabalhado tanto, como eu, para conseguir que estes refugiados viessem para Portugal", reage a eurodeputada Ana Gomes [a comunista Ana Gomes tenta apagar o Cristianismo dos símbolos pátrios, como se vê, logo Guimarães é o eleito para sementeira]. (...) A eurodeputada pretendia trazer para Portugal cerca de 400 yazidis que estavam na Grécia e em Itália [portanto, não vieram da região da antiga Assíria, mas sim da Itália, e da Grécia onde têm antiga comunidade RELIGIOSA, que desde 1990 se desdobrou para a Alemanha].  "Acho que não devemos desistir de fazer o que está certo e devemos continuar a aceitar acolher estas pessoas. Não podemos é ter ilusões de que, caso abandonem Portugal, vão ter de voltar outra vez quando forem detectados noutros países. É um sistema perverso", afiança. [Ó Ana Gomes, senhora euroderrubada, diga lá se durante décadas não tem combatido o Cristianismo com a promoção das ideias opostas e forças que lhe sejam opostas, sonhando em remover o necessário e indelével vínculo de Portugal com a Santa Igreja Católica e o Catolicismo tradicional?; tenta um "novo Portugal", uma nova "portugalidade"? Mas porque motivo se empenha tanto? Sabe muito bem, que os yazidi são o que resta do MITRAISMO (religião do deus Mithra, com o qual os ATEUS atacam o Cristianismo, dizendo ser Cristo uma invenção decalcada de Mitra, e que tal é vergonhosa prova). Olhe o que está a tentar colocar na cidade berço de Portugal tão empenhadamente... QUATROCENTOS. Sabe também que os yazidis são indesejados dos "extremistas islâmicos", e que a guerra que a senhora euroderrotada faz não é contra o cristianismo liberal, mas sim contra aquele o de sempre, ou seja, contra o tradicional (que professa a mesma doutrina milenar na forma que sempre foi entendida e transmitida), pois a esta chama-lhe EXTREMISTA também. A sua guerra, Senhora eurotranstornada é o mais refinado modernismo: conservando ainda as formas, progride-lhes o conteúdo, deixando-lhes a unidade (SER) cada ver mais colapsada. Eis o ensinamento dos pensadores da nova-esquerda... Rua... rua que não é portuguesa].
 
Na sua missiva, Ali, o professor universitário de biologia - que se destacou logo à chegada exibindo um cartaz a dizer "Obrigado Portugal. Adoro-te" - pede a Marcelo para acelerar o seu processo de asilo, pois quer estudar, trabalhar e ficar no nosso país "o resto da vida". Contactada a Presidência, fonte oficial disse que "não foi recebida" em Belém esta carta. (...)

Nos últimos dois meses, conforme o DN já noticiou, duplicou o número de refugiados a deixar o nosso país. Os dados recolhidos pelo DN registavam, na última semana de abril 474 fugas, de um total de 1255 recolocados até essa data. Uma taxa de quase 40% de chamados "movimentos secundários" e uma das mais elevadas da Europa. (...)

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