29/07/16
28/07/16
Vídeo - BIOGRAFIA DE OLIVEIRA SALAZAR
![]() |
| Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Cerejeira, e seu amigo de longa data Oliveira Salazar. |
Este é das melhores biografias de Salazar, em vídeo. Este documentário faz parte de um programa televisivo, chamado "Os Grandes Portugueses de Sempre": para cada português famoso na história foi feito um documentário televisivo, e a população ia votando segundo a preferência. Depois de várias semanas, os portugueses elegeram Salazar como "o maior português de sempre".
(segue-se o documentário, dividido em 5 partes - há que esperar ao final de cada para, automaticamente, aparecer a seguinte)
(segue-se o documentário, dividido em 5 partes - há que esperar ao final de cada para, automaticamente, aparecer a seguinte)
FRASES DE SALAZAR
"Ensinai aos vosso filhos o trabalho, ensinais às vossas filhas a modéstia, ensinais a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos".
"Portugal poderá ser, se nós quisermos, uma grande e próspera Nação [Reino]. E sê-lo-á."
"Quem não é patriota não pode ser considerado português."
"Pois é necessário que gritemos tão alto a verdade, que demos tal relevo à verdade, que os surdos a ouçam e os próprios cegos a vejam."
"Portugal é sobretudo uma entidade moral."
"Vós pensais nos vossos filhos, eu penso nos filhos de todos vós."
"Instrução aos mais capazes, lugar aos mais competentes, trabalho a todos, essencialmente."
"Sei muito bem o que quero e para onde vou."
"Portugal nasceu à sombra da Igreja, e a religião católica foi desde o começo elemento formativo da alma da Nação [Reino] e traço dominante do carácter português."
"Sempre me senti vocacionado para ser Ministro de um Rei absoluto."
"Sempre me senti vocacionado para ser Ministro de um Rei absoluto."
"Não têm que agradecer-me ter aceitado o encargo, porque representa para mim tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não faria a ninguém. Faço-o ao meu País como dever de consciência, friamente, serenamente cumprindo."
"Nunca tive olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesse se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre."
"Não há nada mais inútil que discutir política com políticos."
"Há que regular a máquina do Estado com tal precisão que os ministros estejam impossibilitados pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos."
"Os partidos fizeram-se para servir clientelas."
"O subsídio sem o trabalho compensador desmoraliza os indivíduos, torna-os indolentes, comodistas, completamente inúteis à vida de uma sociedade."
"Não temos medo do comunismo, porque temos uma doutrina e somos uma força."
"Não temos medo do comunismo, porque temos uma doutrina e somos uma força."
"Tão serenamente viveria no luxo de um palácio, como na obscuridade de uma prisão."
"Todos não somos demais para continuar Portugal."
"Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente."
27/07/16
LÍNGUA PORTUGUESA: DEPOIS DA GALIZA, SEGUE A FRANÇA
Antes foi a Galiza (Espanha), agora é a França:
"Os ministros da Educação de Portugal e de França assinaram, esta
segunda-feira, uma declaração conjunta onde o estado francês assume a
inclusão do ensino do português nas escolas públicas francesas, logo a
partir do primeiro ano." (Fonte: Boas Notícias)
O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 27 (I)
O PUNHAL DOS CORCUNDAS
_______o_______
Nº. 27
----------o----------
Ostendam gentibus nuditatem tuam
. ____________...o::»»»»o««««::o..._____________ .
O Juramento das Constituições
ou
O Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca
ou
O Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca
Que tormento não seria para a Igreja Lusitana, se ao volver seus olhos, ainda mal enxutos, para a desastrosa época de suas maiores calamidades, não visse nem sequer um Bispo desterrado e perseguido? Que inveja lhe não causaria a Igreja Galicana, que fiel companheira do Trono de S. Luís, não se esquivou de se unir com ele na mesma queda, na mesma sepultura? Que inveja lhe não meteria a própria Igreja da Espanha, que na pessoa do Bispo de Wich conta um Mártir, e na do Arcebispo de Valência, e do Bispo de Pamplona, e de outros mais sucessores dos Apóstolos, uma turba numerosa e brilhante de heróicos e denodados Confessores? Bendito seja o Pai das misericórdias, que no mais desfeito da tempestade revolucionária, que deu de golpe sobre as nossas cabeças, suscitou a primeira Dignidade deste Reino para se medir como ela, para afrontar as suas ondas, e zombar do seu poder ilegítimo e usurpado, a quem a maior parte da Nação dobrava os joelhos, e queimava incenso, que só eram devidos às Monarquia legítima, e ao Trono do Senhor D. Afonso Henriques.
Há muito que nas hediondas cavernas do Maçonismo se decidiu o extermínio do Eminentíssimo Cardeal Patriarca de Lisboa, como passo indispensável para que o sistema progredisse franca e desempeçadamente. Pareceu duríssimo a quem vinha desbaratar as superstições e o próprio fanatismo, e que se julgava omnipotente nas suas resoluções e medidas, que um Fidalgo, e um Eclesiástico, e um Governador do Reino, títulos estes que só de per si eram crimes imperdoáveis, se atrevesse a impugnar, ainda que fosse em matérias espirituais, os desprezíveis e ridículos palhaços da comédia de 24 de Agosto. É de pasmar que disfarçassem o caso tão largo tempo, e que não despregassem toda a sua fúria contra quem avisava corajosamente o seu rebanho das fraudes e impostura maçónicas. Não tardou muito tempo que assomasse o pretexto, e foram as memorandas Bases da Constituição "Lusitana" [aspas nossas], que eram conhecidamente as bases da tolerância religiosa, da liberdade da imprensa, e de um absoluto indiferentismo.
Se o Eminentíssimo Cardeal Patriarca rejeitasse aderir aos pontos, que a sabedoria do século trata de meras temporalidades, como por exemplo a Soberania do Povo, pode ser que tivessem, ao menos para os que ainda seguem tais doutrinas, sequer uma sombra de justiça; porém o digam sucessor dos Apóstolos olhou somente para a causa de Deus, só esta lhe mereceu cuidados, e por mais que ele desejasse dar ao César o que era seu, nem os tempos, nem o ascenso, que parecia geral, permitiam que ele obrasse de outra maneira. Bem conheceu o Eminentíssimo Cardeal Patriarca o iminente perigo a que se expunha, assaz conhecida lhe era a audácia maçónica para deixar de ver e sondar as alturas do precipício em que seria despenhado. Perder honras, direitos de cidadão, e a própria Dignidade Patriarcal era o que se ante-olhava de menos grave e penoso. Outro tanto só havia feito ao mui alto e poderoso Senhor D. João VI, pois faziam e desfaziam leis, deitavam os fundamentos do edifício constitucional sem que ElRei fosse ouvido, nem prestasse o seu consentimento. Devia pois lembrar tudo o que é mais negro e horrível na história dos crimes; e sem um denodo que arrostasse com a morte, e não esmorecesse a vista de um patíbulo, nunca se chegaria a dar passo heróico, que a Graça Divina inspirou ao digno sucessor de outro Cunha, que foi um assombro de lealdade, e primeiro móvel da restauração de 1640. Um facto que pertence à História Eclesiástica da Igreja Lusitana, donde passará para os fastos da Igreja Universal, merece ser tratado conforme está pedindo a gravidade da matéria, e por isso convém trazer à memória tudo o que se passou no Salão das Necessidades no tocante ao extermínio da mais alta Dignidade deste Reino.
Tão ardilosamente foi contado no Diário das Cortes este processo, que por ele nunca se poderá liquidar quais foram os artigos controvertidos; tal era o empenho dos regeneradores por cobrirem de névoa um sucesso que logo à primeira vista nos apresentava uma viva cópia dos Atanásios e dos Crisóstomos. É justo que deixemos falar um pouco a Sua Eminência [Cardeal Patriarca D. Carlos I], até para nos roborarmos, e para nos enchermos da constância que o animava, e que ainda hoje é muito precisa para se contar a sangue frio a que extremo se abalançou a perversidade maçónica:
Já era sobejamente conhecido de Sua Eminência o espírito dos regeneradores. O Catecismo de Volney impresso, e divulgado em Lisboa assaz descobriu que grandes proveitos aguardavam a Fé Católica, e a Igreja Lusitana. Era necessário que Sua Eminência estivesse possuído das mais lastimosa cegueira, para que não visse quais seriam os partos da imprensa já solta e desembaraçada, se ainda em quanto preza se arrojava a vomitar os mais refinados venenos de heresia e de incredulidade. Que outro espírito senão o maçónico, e o da mais remota impiedade, foi o dominante nas sessões de 13, 16, e 21 de Fevereiro? Ouvia-se na primeira um Eclesiástico, um súbdito de Sua Eminência, que alardeando de Liberal rompia nesta sentença: "Nós tratamos de estabelecer o livre exercício dos direitos do cidadão, que é homem e cidadão antes de ser religioso; e assim devemos abstrair da Religião." Tratava-se nessa hora de trevas da censura dos livros, e um corifeu dos regeneradores ergue a voz para nos recomendar que se faça abstracção do Cristianismo! E o Cristianismo deverá ficar patente e descoberto às feridas de centenas de Pedreiros Livres, que andavam já mortos por divulgarem os seus erros? Tudo se remediava, na frase de um Médico assistente no Congresso: "pois a verdade (dizia ele muito contente e senhor de si) é o símbolo da Religião Cristã, e por isso mesmo ela por si só é capaz de destruir todos os erros." Aquecendo-se a disputa, falou ex cathedra pestilentiae o Pseudo-Patriarca, que havia que regular os destinos da Igreja Lusitana! Ainda se levantou um sócio a tachar de ociosa a declaração de que a censura dos livros maus depois de saírem à luz, correrem de mão em mão, e terem feito males irreparáveis, uma vez que esse direito era inauferível do Episcopado, nem era decente que Legisladores Cristãos mostrassem conceder À Igreja o que há muito era seu, e que só lhe poderá ser disputado pelos que exigem os prasmes de Tibério, de Calígula, e de Nero, porque os Apóstolos ferissem legalmente as más doutrinas dos Nicolaitas, dos discípulos de Simão Mago, e de outras Seitas filosóficas do I século; foi tudo perdido, e a por extremo audaz sabença maçónica obteve ser declarada solenemente protectora do Catolicismo!!! (*) Não foi menos curiosa a disputa sobre desassisada, herética, e ímpia exclusão da palavra única entre os mais títulos que se davam no artigo 17 à verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Seria preciso não ter a mínima dose de senso comum, e estar cego de todo, para que não se depreendesse neste artigo a maior Liberdade da Constituição "Portuguesa" [aspas nossas], que desta arte fugia do parecer e ditame de seus Mestres, que mais astutos ou manhosos tinham excluído abertamente do território Hespanhol [entenda-se "península Ibérica] toda a crença religiosa, que não fosse o Catolicismo.
Debalde os representantes de uma grande parte da Nação, pois chegaram a vinte e dois, onde é muito singular a falta dos Bispos assistentes no Congresso, protestaram (nota de D. Fr. Fort.: não deixa de ser muito notável, e digno de passar à posterioridade, que nesses mesmos, que protestavam contra a exclusão da palavra única, aparecessem os que depois tacharam de alucinado o Eminentíssimo Cardeal Patriarca!!) que os seu voto era ajuntar-se a palavra única ao artigo 17 das Bases; as malditas Bases, que já vinham preparadas desde a cidade regeneradora, e que já tinham o passe do Grande Oriente Lusitano, sucedesse o que sucedesse, haviam de ir por diante, ainda que fosse necessário alagar em sangue a Capital do Reino.
Eis aqui em suma o que se passou e decidiu no Congresso relativamente aos artigos contestados; e só por estes indícios, ainda que lhe não sobejassem provas a centos e milhares, de quais eram os intentos da cáfila maçónica preponderante no Congresso, deveria ele ter feito o que fez, de que tanta glória resultou para a Igreja Lusitana, assim como foi uma repreensão de quantos deviam seguir e não seguiram o seu exemplo (nota de D. Fr. Fort.: com toda a razão se lastimava o incomparável Arcebispo de Braga D. Fr. Caetano Brandão de que os Bispos actuais não se correspondessem, e tratassem mutuamente dos interesses da Igreja, comunicando uns aos outros tudo o que acorresse de mais difícil na execução dos deveres Episcopais, e ajudando-se alternativamente com suas luzes e conselhos. Porventura que se a Igreja Lusitana guardasse este uso dos tempos antigos, não se veria em tantas perplexidades e ocasiões de maus passos, como esses em que se viu durante o sistema constitucional. É bem triste cousa que divulgando-se na Capital duma Diocese um escrito ímpio, ninguém saísse a campo, e que só à falta de homens aparecessem uns, como eu, a sustentar a causa da verdade, que lucraria muito e brilharia mais, se os seus defensores natos acudissem à guerra, e dirigissem o combate!!)
Já agora convém seguir todos os passos desta assinalada victoria sobre os furores do Maçonismo, para os confortar com a audácia e tirania dos seus perseguidores; que muito boa é a causa que vai arrancar os seus mais frondosos louros às próprias mãos dos seus mais encarniçados inimigos. Eu já o disse, e direi milhões de vezes, que a inabalável constância do Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca, no que respeita às Bases da Constituição, e o mais que varonil, ou antes sobre humano esforço, que desenvolveu a mui alta e poderosa Rainha a Senhora D. Carlota Joaquina, são os únicos sucessos que, durante a perseguição trienal, podem servir de grande alívio, e dar muitas e bem fundadas esperanças aos corações Portugueses e Católicos; e visto que para a multidão, a cujo proveito se endereçam privativamente estes Punhais, valeram sempre mais os exemplos que os raciocínios, levarei de tal modo esta discussão, que os Portugueses menos instruídos possam conhecer perfeitamente que as Bases Constitucionais eram péssimas e abomináveis, por isso mesmo que deram causa aos ilegais e arbitrários procedimentos que se usaram com a primeira Dignidade Eclesiástica do Reino.
Verificado solenemente na Igreja de S. Domingos de Lisboa que o Eminentíssimo Cardeal patriarca tinha que opor aos artigos 10 e 17 das Bases, subiu a estranheza maçónica ao maior auge; e meditando só estragos e ruínas, assentou que um desterro era pena insuficiente para castigar o sucessor dos Apóstolos, que pugnava pelos seus mais incontáveis direitos, e pelo voto da maioria da Nação, visto que só era do interesse dos Pedreiros que a Religião Católica não fosse única em Portugal. Há muito que eu invejava à Nação Espanhola o terem possuído neste século de infâmias e de cobardia um D: Pedro de Quevedo e Quintano, Bispo de Orense, que ao jurar a Constituição Espanhola pôs a restrição de salvos os direitos de ElRei Fernando VII; mas ficamos já bem indemnizados nesta parte com o ainda mais heróico procedimento de um Cardeal Português, cujas restrições foram dirigidas a mais alto e mais importante objecto, e foram seguidas de muito mais rigorosas demonstrações da parte dos nossos reformadores. Quem diria poucos meses antes a homens, que se tinham feito Governadores do Reino, e exercitavam um poder que não era seu, que ainda gozariam de tamanha prepotência, que desterrassem um Fidalgo de primeira grandeza, um Príncipe da Igreja, e um Cardeal da Santa Igreja Romana! Se houve coração Português que não estremecesse de tão desmedido arrojo, saiba que degenerou inteiramente, e que nunca mais se deve arrogar um nome que só pertence a homens probos, honrados, e Católicos!! Nunca os fastos da nossa história haviam apresentado um sucesso desta natureza. Ainda que não era coisa estranha que um Cardeal fosse julgado e sentenciado, como pareceu aos sábios do Congresso, pois não era outra coisa D. Miguel da Silva, quando foi desnaturalizado deste Reino pelo Senhor D. João III, ou que os Bispos fossem castigados, como foi o Bispo de Évora D. Garcia de Meneses, e o próprio Bispo Inquisidor Geral D. Francisco de Castro, não apareceu com tudo no extenso período de seiscentos anos um caso assim, revestido de circunstâncias todas notáveis, e todas horrorosas.
Julgastes, infames Pedreiros, no delírio da vossa presunção, que um Patriarca de Lisboa fosse remetido entre grades, como um facinoroso e um réu de lesa Majestade, para o deserto do Buçaco, acharia em todos os lugares do seu trânsito os povos enfurecidos contra ele, e renovando aqueles insultos de que a vossa perversa e assalariada hoste, que se comunha dos novos Marcelheses, fiel às vossas instruções, cobriu nos lugares mais frequentados de Lisboa o então herói e defensor da verdade o Bispo de Olba [?]? Foram errados os vosso juízos; uma perseguição, um desterro padecido em obséquio da verdade faziam a Sua Eminência cada vez mais respeitável; nem ele poderia ser alvo de desprezos e afrontas num Reino Católico. Sua Eminência nunca pareceu tão digno das bênçãos do Céu, e dos aplausos da terra, como no meio desse trem simples, e dessa escolta de soldados que o seguiam. No maior auge do luzimento das funções Pontificais, e no meio de um cotejo o mais pomposo e magnífico podia ele imitar em Lisboa o que se pratica na própria cabeça do Mundo Cristão; porém no seu caminho para o desterro fazia lembrar o Príncipe dos Pastores, que no meio de guardas e soldadesca Romana foi preso e levado ao último suplício. Ainda me não posso lembrar sem estremecimento da opressão, e como espécie de agonia, porque eu tive de passar quando Sua Eminência se demorou em Coimbra, e vi que não me era possível nem ao menos fitar os meus olhos no sembalante de um tão abalizado Confessor da Fé... Espias maçónicas rondavam de noite e de dia em trono da residência do Prelado... Se a espécie de cortejo invisível, que o acompanhava nessa hora, foi imenso, por constar dos Anjos do Céu e de todos os corações amantes da justiça, Religião, e virtude, não se pode dizer outro tanto da rigorosa solidão, em que ele passou os dias até chegar ao santo deserto, que pareceu alegrar-se de mais esta honra, que deve pertencer aos lugares sinalados pelas vitórias do Cristianismo. Enquanto deixamos a vítima resignada com todo o género de sacrifícios, e amadurecendo as suas heróicas resoluções aos pés da Santa Cruz, que se antolha a cada passo debaixo desses silenciosos e copadas arvoredos, onde não chegam os túmulos da vida secular, voltemos, ainda que nos cause horror, a observar o que se exala desses corações, onde não existem a paz e tranquilidade, que sobejam no coração de Sua Eminência, e pasmemos de que o fanatismo da seita maçónica se exalasse de tal maneira, que julgassem fazer-se temíveis, quando apenas se faziam odiosos, e que se persuadissem de que o sistema se arreigava pelos mesmo golpes da autoridade, que já de longe o minavam e destruíam.
(continuação, II parte)
![]() |
| D. Carlos I, VI Cardeal Patriarca de Lisboa (1819 - 1825) |
Se o Eminentíssimo Cardeal Patriarca rejeitasse aderir aos pontos, que a sabedoria do século trata de meras temporalidades, como por exemplo a Soberania do Povo, pode ser que tivessem, ao menos para os que ainda seguem tais doutrinas, sequer uma sombra de justiça; porém o digam sucessor dos Apóstolos olhou somente para a causa de Deus, só esta lhe mereceu cuidados, e por mais que ele desejasse dar ao César o que era seu, nem os tempos, nem o ascenso, que parecia geral, permitiam que ele obrasse de outra maneira. Bem conheceu o Eminentíssimo Cardeal Patriarca o iminente perigo a que se expunha, assaz conhecida lhe era a audácia maçónica para deixar de ver e sondar as alturas do precipício em que seria despenhado. Perder honras, direitos de cidadão, e a própria Dignidade Patriarcal era o que se ante-olhava de menos grave e penoso. Outro tanto só havia feito ao mui alto e poderoso Senhor D. João VI, pois faziam e desfaziam leis, deitavam os fundamentos do edifício constitucional sem que ElRei fosse ouvido, nem prestasse o seu consentimento. Devia pois lembrar tudo o que é mais negro e horrível na história dos crimes; e sem um denodo que arrostasse com a morte, e não esmorecesse a vista de um patíbulo, nunca se chegaria a dar passo heróico, que a Graça Divina inspirou ao digno sucessor de outro Cunha, que foi um assombro de lealdade, e primeiro móvel da restauração de 1640. Um facto que pertence à História Eclesiástica da Igreja Lusitana, donde passará para os fastos da Igreja Universal, merece ser tratado conforme está pedindo a gravidade da matéria, e por isso convém trazer à memória tudo o que se passou no Salão das Necessidades no tocante ao extermínio da mais alta Dignidade deste Reino.
Tão ardilosamente foi contado no Diário das Cortes este processo, que por ele nunca se poderá liquidar quais foram os artigos controvertidos; tal era o empenho dos regeneradores por cobrirem de névoa um sucesso que logo à primeira vista nos apresentava uma viva cópia dos Atanásios e dos Crisóstomos. É justo que deixemos falar um pouco a Sua Eminência [Cardeal Patriarca D. Carlos I], até para nos roborarmos, e para nos enchermos da constância que o animava, e que ainda hoje é muito precisa para se contar a sangue frio a que extremo se abalançou a perversidade maçónica:
"Como somos esposáveis (diz ele na sua excelente Pastoral dirigida de Baiona de França em data de 8 de Setembro de 1821) a Deus e aos homens, ainda que a nossa consciência nos não argua a este respeito na presença Divina, é justo, e mui próprio do nosso Ministério, justificar-nos diante dos homens. Na verdade não nos tem sido tão sensíveis às mortificações que temos sofrido, como a sinistra ideia que se tem feito do nosso carácter. Sim, amados filhos, a todos é patente o facto que deu causa ou ocasião a ver-nos separados daqueles que muito amamos em Jesus Cristo: o nosso procedimento em nada se afastou da regra dos nossos deveres, nem envolveu contradição alguma. Quando comunicámos às Autoridades Eclesiásticas as ordens que recebemos para elas darem o juramento sobre as Bases da nova Constituição, não interpusemos o nosso parecer sobre se deviam ou não pretá-lo: não mandámos que se desse (como inadvertidamente se tem publicado), nem de maneira alguma quisemos influir na opinião do nosso Clero; antes deixámos inteiramente a cada um praticar o que a sua consciência lhe ditasse, mandando-lhe junto a cópia do Aviso que tínhamos recebido, para que por ele viessem no conhecimento não ser de nós que a dita ordem tinha emanado, e da qual só éramos executores; facto que se pode verificar pelas participações que às Autoridades competentes fizemos.Nesta exposição sucinta do acontecido há muito mais do que era necessário para a justificação do Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca; mas para maior glória de Sua Eminência, e vergonha eterna dos cobardes que desfalecem e capitulam à vista da tormenta, nas próprias resoluções do Congresso, nas paróquias medidas violentas que ali tomaram sobre este novo e desusado crime, se pode ver claramente que o chamado Réu seria um desertor da Fé se obrasse de outra maneira.
Com tudo se na procuração que passámos para darmos o mandado juramento pusemos nos artigos 10 e 17 algumas distinções ou declarações, não foi porque ignorássemos o que nestes mesmos artigos é da competência da Soberania temporal; mas sim porque nunca nos parecerá repreensível, antes o termos sempre como muito conforme ao nosso Ministério Espiritual, mostra nossos desejos, e aplicar nossas diligências a benefício de tudo o que pode concorrer para o esplendor, pureza, e manutenção da Religião que professamos, única em que pode haver salvação, aquela que os Soberanos temporais, como filhos mais nobres da Igreja, têm obrigação de observar fielmente, e respeitar com todo o acatamento; aquela mesma que, a exemplo dos primeiros Imperadores Cristãos, e dos Reis que mais se distinguiram em piedade e sólida virtude, devem propagar, por meio de zelosos e caritativos Ministérios, em todos os seus Estados e Domínios. Quem poderá logo razoavelmente repreender ou criminar um procedimento que se funda na Santa Escritura e Tradição constante? Um procedimento justificado com o exemplo de tantos Santos Padres, que tomaram a defesa da Religião na presença dos mesmos Imperadores Gentios? Não se diga também que o nosso espírito se alucinou a este respeito; porque serias reflexões, e maduros conselhos nos têm em tão críticas e extraordinárias circunstâncias até agora acompanhado. Sabemos que no concurso de diversos sentimentos a consciência deve inclinar-se ao mais seguro; e não ignoramos que o mesmo que em muitos casos é lícito a um particular, deixará de ser conveniente ou permitido a um Pastor; podendo no presente caso apoiar-nos a sentença do Apóstolo: Omnia mihi licent, sed non omnia expediunt."
Já era sobejamente conhecido de Sua Eminência o espírito dos regeneradores. O Catecismo de Volney impresso, e divulgado em Lisboa assaz descobriu que grandes proveitos aguardavam a Fé Católica, e a Igreja Lusitana. Era necessário que Sua Eminência estivesse possuído das mais lastimosa cegueira, para que não visse quais seriam os partos da imprensa já solta e desembaraçada, se ainda em quanto preza se arrojava a vomitar os mais refinados venenos de heresia e de incredulidade. Que outro espírito senão o maçónico, e o da mais remota impiedade, foi o dominante nas sessões de 13, 16, e 21 de Fevereiro? Ouvia-se na primeira um Eclesiástico, um súbdito de Sua Eminência, que alardeando de Liberal rompia nesta sentença: "Nós tratamos de estabelecer o livre exercício dos direitos do cidadão, que é homem e cidadão antes de ser religioso; e assim devemos abstrair da Religião." Tratava-se nessa hora de trevas da censura dos livros, e um corifeu dos regeneradores ergue a voz para nos recomendar que se faça abstracção do Cristianismo! E o Cristianismo deverá ficar patente e descoberto às feridas de centenas de Pedreiros Livres, que andavam já mortos por divulgarem os seus erros? Tudo se remediava, na frase de um Médico assistente no Congresso: "pois a verdade (dizia ele muito contente e senhor de si) é o símbolo da Religião Cristã, e por isso mesmo ela por si só é capaz de destruir todos os erros." Aquecendo-se a disputa, falou ex cathedra pestilentiae o Pseudo-Patriarca, que havia que regular os destinos da Igreja Lusitana! Ainda se levantou um sócio a tachar de ociosa a declaração de que a censura dos livros maus depois de saírem à luz, correrem de mão em mão, e terem feito males irreparáveis, uma vez que esse direito era inauferível do Episcopado, nem era decente que Legisladores Cristãos mostrassem conceder À Igreja o que há muito era seu, e que só lhe poderá ser disputado pelos que exigem os prasmes de Tibério, de Calígula, e de Nero, porque os Apóstolos ferissem legalmente as más doutrinas dos Nicolaitas, dos discípulos de Simão Mago, e de outras Seitas filosóficas do I século; foi tudo perdido, e a por extremo audaz sabença maçónica obteve ser declarada solenemente protectora do Catolicismo!!! (*) Não foi menos curiosa a disputa sobre desassisada, herética, e ímpia exclusão da palavra única entre os mais títulos que se davam no artigo 17 à verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Seria preciso não ter a mínima dose de senso comum, e estar cego de todo, para que não se depreendesse neste artigo a maior Liberdade da Constituição "Portuguesa" [aspas nossas], que desta arte fugia do parecer e ditame de seus Mestres, que mais astutos ou manhosos tinham excluído abertamente do território Hespanhol [entenda-se "península Ibérica] toda a crença religiosa, que não fosse o Catolicismo.
Debalde os representantes de uma grande parte da Nação, pois chegaram a vinte e dois, onde é muito singular a falta dos Bispos assistentes no Congresso, protestaram (nota de D. Fr. Fort.: não deixa de ser muito notável, e digno de passar à posterioridade, que nesses mesmos, que protestavam contra a exclusão da palavra única, aparecessem os que depois tacharam de alucinado o Eminentíssimo Cardeal Patriarca!!) que os seu voto era ajuntar-se a palavra única ao artigo 17 das Bases; as malditas Bases, que já vinham preparadas desde a cidade regeneradora, e que já tinham o passe do Grande Oriente Lusitano, sucedesse o que sucedesse, haviam de ir por diante, ainda que fosse necessário alagar em sangue a Capital do Reino.
Eis aqui em suma o que se passou e decidiu no Congresso relativamente aos artigos contestados; e só por estes indícios, ainda que lhe não sobejassem provas a centos e milhares, de quais eram os intentos da cáfila maçónica preponderante no Congresso, deveria ele ter feito o que fez, de que tanta glória resultou para a Igreja Lusitana, assim como foi uma repreensão de quantos deviam seguir e não seguiram o seu exemplo (nota de D. Fr. Fort.: com toda a razão se lastimava o incomparável Arcebispo de Braga D. Fr. Caetano Brandão de que os Bispos actuais não se correspondessem, e tratassem mutuamente dos interesses da Igreja, comunicando uns aos outros tudo o que acorresse de mais difícil na execução dos deveres Episcopais, e ajudando-se alternativamente com suas luzes e conselhos. Porventura que se a Igreja Lusitana guardasse este uso dos tempos antigos, não se veria em tantas perplexidades e ocasiões de maus passos, como esses em que se viu durante o sistema constitucional. É bem triste cousa que divulgando-se na Capital duma Diocese um escrito ímpio, ninguém saísse a campo, e que só à falta de homens aparecessem uns, como eu, a sustentar a causa da verdade, que lucraria muito e brilharia mais, se os seus defensores natos acudissem à guerra, e dirigissem o combate!!)
Já agora convém seguir todos os passos desta assinalada victoria sobre os furores do Maçonismo, para os confortar com a audácia e tirania dos seus perseguidores; que muito boa é a causa que vai arrancar os seus mais frondosos louros às próprias mãos dos seus mais encarniçados inimigos. Eu já o disse, e direi milhões de vezes, que a inabalável constância do Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca, no que respeita às Bases da Constituição, e o mais que varonil, ou antes sobre humano esforço, que desenvolveu a mui alta e poderosa Rainha a Senhora D. Carlota Joaquina, são os únicos sucessos que, durante a perseguição trienal, podem servir de grande alívio, e dar muitas e bem fundadas esperanças aos corações Portugueses e Católicos; e visto que para a multidão, a cujo proveito se endereçam privativamente estes Punhais, valeram sempre mais os exemplos que os raciocínios, levarei de tal modo esta discussão, que os Portugueses menos instruídos possam conhecer perfeitamente que as Bases Constitucionais eram péssimas e abomináveis, por isso mesmo que deram causa aos ilegais e arbitrários procedimentos que se usaram com a primeira Dignidade Eclesiástica do Reino.
Verificado solenemente na Igreja de S. Domingos de Lisboa que o Eminentíssimo Cardeal patriarca tinha que opor aos artigos 10 e 17 das Bases, subiu a estranheza maçónica ao maior auge; e meditando só estragos e ruínas, assentou que um desterro era pena insuficiente para castigar o sucessor dos Apóstolos, que pugnava pelos seus mais incontáveis direitos, e pelo voto da maioria da Nação, visto que só era do interesse dos Pedreiros que a Religião Católica não fosse única em Portugal. Há muito que eu invejava à Nação Espanhola o terem possuído neste século de infâmias e de cobardia um D: Pedro de Quevedo e Quintano, Bispo de Orense, que ao jurar a Constituição Espanhola pôs a restrição de salvos os direitos de ElRei Fernando VII; mas ficamos já bem indemnizados nesta parte com o ainda mais heróico procedimento de um Cardeal Português, cujas restrições foram dirigidas a mais alto e mais importante objecto, e foram seguidas de muito mais rigorosas demonstrações da parte dos nossos reformadores. Quem diria poucos meses antes a homens, que se tinham feito Governadores do Reino, e exercitavam um poder que não era seu, que ainda gozariam de tamanha prepotência, que desterrassem um Fidalgo de primeira grandeza, um Príncipe da Igreja, e um Cardeal da Santa Igreja Romana! Se houve coração Português que não estremecesse de tão desmedido arrojo, saiba que degenerou inteiramente, e que nunca mais se deve arrogar um nome que só pertence a homens probos, honrados, e Católicos!! Nunca os fastos da nossa história haviam apresentado um sucesso desta natureza. Ainda que não era coisa estranha que um Cardeal fosse julgado e sentenciado, como pareceu aos sábios do Congresso, pois não era outra coisa D. Miguel da Silva, quando foi desnaturalizado deste Reino pelo Senhor D. João III, ou que os Bispos fossem castigados, como foi o Bispo de Évora D. Garcia de Meneses, e o próprio Bispo Inquisidor Geral D. Francisco de Castro, não apareceu com tudo no extenso período de seiscentos anos um caso assim, revestido de circunstâncias todas notáveis, e todas horrorosas.
Julgastes, infames Pedreiros, no delírio da vossa presunção, que um Patriarca de Lisboa fosse remetido entre grades, como um facinoroso e um réu de lesa Majestade, para o deserto do Buçaco, acharia em todos os lugares do seu trânsito os povos enfurecidos contra ele, e renovando aqueles insultos de que a vossa perversa e assalariada hoste, que se comunha dos novos Marcelheses, fiel às vossas instruções, cobriu nos lugares mais frequentados de Lisboa o então herói e defensor da verdade o Bispo de Olba [?]? Foram errados os vosso juízos; uma perseguição, um desterro padecido em obséquio da verdade faziam a Sua Eminência cada vez mais respeitável; nem ele poderia ser alvo de desprezos e afrontas num Reino Católico. Sua Eminência nunca pareceu tão digno das bênçãos do Céu, e dos aplausos da terra, como no meio desse trem simples, e dessa escolta de soldados que o seguiam. No maior auge do luzimento das funções Pontificais, e no meio de um cotejo o mais pomposo e magnífico podia ele imitar em Lisboa o que se pratica na própria cabeça do Mundo Cristão; porém no seu caminho para o desterro fazia lembrar o Príncipe dos Pastores, que no meio de guardas e soldadesca Romana foi preso e levado ao último suplício. Ainda me não posso lembrar sem estremecimento da opressão, e como espécie de agonia, porque eu tive de passar quando Sua Eminência se demorou em Coimbra, e vi que não me era possível nem ao menos fitar os meus olhos no sembalante de um tão abalizado Confessor da Fé... Espias maçónicas rondavam de noite e de dia em trono da residência do Prelado... Se a espécie de cortejo invisível, que o acompanhava nessa hora, foi imenso, por constar dos Anjos do Céu e de todos os corações amantes da justiça, Religião, e virtude, não se pode dizer outro tanto da rigorosa solidão, em que ele passou os dias até chegar ao santo deserto, que pareceu alegrar-se de mais esta honra, que deve pertencer aos lugares sinalados pelas vitórias do Cristianismo. Enquanto deixamos a vítima resignada com todo o género de sacrifícios, e amadurecendo as suas heróicas resoluções aos pés da Santa Cruz, que se antolha a cada passo debaixo desses silenciosos e copadas arvoredos, onde não chegam os túmulos da vida secular, voltemos, ainda que nos cause horror, a observar o que se exala desses corações, onde não existem a paz e tranquilidade, que sobejam no coração de Sua Eminência, e pasmemos de que o fanatismo da seita maçónica se exalasse de tal maneira, que julgassem fazer-se temíveis, quando apenas se faziam odiosos, e que se persuadissem de que o sistema se arreigava pelos mesmo golpes da autoridade, que já de longe o minavam e destruíam.
(continuação, II parte)
26/07/16
NA SERRA ALTA - O MODERNISMO
![]() |
| Cristo Rei (Lisboa) |
"Que outro nome daria ao modernismo? Daria o nome de "Crise Ontológica", porque o primeiro nome é vago e fácil vítima da tendência do próprio modernista: conserva-lhe a palavra e progride-lhe o conteúdo (podendo até chegar à total desfiguração, ou inversão); já a segunda designação, de tão directa e irredutível tem ela mesma valor ontológico (é quase à prova de modernismo). Sim, o modernismo é a Crise Ontológica: negado ou ignorado o Ser toda a heresia é admissível. Por fim, a negação do Ser é já uma negação indirecta ao próprio Cristo!"
(na serra alta - J. Antunes)
PORTUGUESES E ESPANHA - O REI REQUIÁRIO
![]() |
| Rei Requiário |
Vou meter-me com os franceses: Requiário é o primeiro rei com reino cristão, no orbe latino! Calma.... calma.... darei uma fatia de bolo a cada um... A conversão do reino dos suevos (aqui em Portugal), e de seu rei Requiário, data de 499 d.C (antes de Clovis). Parte dos portugueses de hoje são este mesmo povo. O reino suevo foi ocupado, e a sua monarquia dissolvida; o reino dos francos foi por isso o segundo, contudo o primeiro que, como reino durou, enquanto que dos suevos apenas permaneceu o povo (mesmo que sempre tenham mantido uma nobreza rural, uma identidade familiar unificadora).
E os "Estados Unidos de Castela" (a actual Espanha), porque erguem estátuas a Requiário!? Direi:
a) porque lhe reconhecem o valor; b) porque, como dirá um amigo brasileiro, o castelhano tende a achar que: tudo o que é teu e é bom, é dele... tudo o que é teu e é mau, é mesmo teu... e tudo o que é mau e dele, do qual não se consegue livrar, é "complexamente bom"; c) finalmente, porque há alguns motivos sérios: independentemente dos povos, e donos das terras, o território pertencia-lhes politicamente (nisto há dúvidas). Neste último ponto perdem alguma razão, visto que um dos motivos pelo qual a Santa Igreja reconheceu tão facilmente o Reino de Portugal foi a existência, e a permanência dos povos e senhores anteriores, que nunca tinham podido ou querido eleger um monarca comum, os quais nunca integraram ou aprovaram reis de fora [fica isto bastante resumido].
a) porque lhe reconhecem o valor; b) porque, como dirá um amigo brasileiro, o castelhano tende a achar que: tudo o que é teu e é bom, é dele... tudo o que é teu e é mau, é mesmo teu... e tudo o que é mau e dele, do qual não se consegue livrar, é "complexamente bom"; c) finalmente, porque há alguns motivos sérios: independentemente dos povos, e donos das terras, o território pertencia-lhes politicamente (nisto há dúvidas). Neste último ponto perdem alguma razão, visto que um dos motivos pelo qual a Santa Igreja reconheceu tão facilmente o Reino de Portugal foi a existência, e a permanência dos povos e senhores anteriores, que nunca tinham podido ou querido eleger um monarca comum, os quais nunca integraram ou aprovaram reis de fora [fica isto bastante resumido].
A história, é linda!
No título disse "Portugueses", porque somos nós, a população, os filhos dos filhos dos filhos, a descendência, a identidade; e disse apenas "Espanha", e não "espanhóis", por se tratar somente duma demarcação política, que alguém lhe apeteceu inventar...
Alguma vez rezou pela alma deste nosso ilustre e antiquíssimo Rei? Experimente... (reze por ele uma Avé-Maria, agora mesmo).
No título disse "Portugueses", porque somos nós, a população, os filhos dos filhos dos filhos, a descendência, a identidade; e disse apenas "Espanha", e não "espanhóis", por se tratar somente duma demarcação política, que alguém lhe apeteceu inventar...
Alguma vez rezou pela alma deste nosso ilustre e antiquíssimo Rei? Experimente... (reze por ele uma Avé-Maria, agora mesmo).
25/07/16
DIA DE SANTIAGO É GLÓRIA DE PORTUGAL
![]() |
| Aparição de Nosso Senhor ao Venerável D. Afonso Henriques (fundador de Portugal) na batalha de Ourique |
Hoje, dia 25 de Julho, comemora-se a batalha de Ourique (1139), na qual derrotámos os muçulmanos, recuperando as nossas terras, e onde Nosso Senhor apareceu a D. Afonso Henriques, anunciando a FUNDAÇÃO do Reino de Portugal, e seus desígnios. Isto acontece em dia de Santiago, igualmente ligado à reconquista da Península Ibérica.
![]() |
| Santiago "matamouros" |
Pergunto-me com que iguais ou maiores glórias Santiago foi assim honrado em seu próprio dia!
23/07/16
ASCENDENS NA RÚSSIA
Por curiosidade, revelamos aos leitores que a Rússia alcançou o IV lugar no número de visitantes do blog ASCENDENS.
Interessante... Curioso...
Segundo sei, há vários leitores nossos de língua portuguesa na Rússia, tanto portugueses como brasileiros. E a todos esses, boa continuação e obrigado pela vossa companhia. Coragem! ;)
MONSTRO SOCIALISTA - EM PORTUGAL
Ora aqui está o programa do Partido Socialista Português nos seus primórdios; bem revelador... De onde tirei este fóssil?! Por acaso, foi numa pasta, online, do anterior Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, António Reis. Por favor, leiam com atenção para não tropeçarem nos disparates:
"Fins - O Partido Socialista tem por fins cooperar com os partidos socialistas de todo o mundo, na reforma das sociedades humanas sob os princípios da radical socialização das riquezas das ciências e da autoridade, promovendo em Portugal todo o progresso que possa conduzir a este fim, ao passo que se apodera, pouco a pouco, dos elementos de predomínio social que lhe torne possível tomar completo os elementos de força para assegurar, por sua parte, o triunfo da revolução socialista mundial.
"Fins - O Partido Socialista tem por fins cooperar com os partidos socialistas de todo o mundo, na reforma das sociedades humanas sob os princípios da radical socialização das riquezas das ciências e da autoridade, promovendo em Portugal todo o progresso que possa conduzir a este fim, ao passo que se apodera, pouco a pouco, dos elementos de predomínio social que lhe torne possível tomar completo os elementos de força para assegurar, por sua parte, o triunfo da revolução socialista mundial.
Determinada, deste modo, a sua posição na política militante, o Partido Socialista Português declara que não constitui uma escola, nem é exclusivo duma classe, embora na luta de classes baseie a sua acção. Procede e procederá sempre sem conclusões dogmáticas, dentro do progresso da sociologia positiva.
Objectivos - Abolição do Estado em todas as suas formas históricas- Estabelecimento da República Social.
Bases: 1ª - Reorganização dos municípios sob o ponto de vista da sua completa autonomia e livre agregação de todos os seus elementos; 2ª - Federação mundial, tendo por centro uma assembleia composta de representantes directos dos municípios; subordinados aos seus eleitores; 3ª - Substituição de qualquer forma de governo e de estado por uma administração dos negócios públicos, eleita pela assembleia federal e a ela subordinada; 4ª - Sufrágio universal, directo, com igualdade de direitos e de deveres para todos os indivíduos tanto dum como doutro sexo; 5ª Revogabilidade de todos os mandatos, por contra eleição de iniciativa de qualquer eleitor; 6ª - Princípio de legislação directa pelo povo em substituição do regímen parlamentar. Consequentemente: - direito de iniciativa, sobre questões públicas a todos os eleitores; direito suspensivo a todos os municípios, sobre as resoluções da assembleia federal; direito suspensivo às corporações municipais, sobre quaisquer deliberações do conselho municipal; plebiscito, pelo sufrágio universal, directo, sobre tudo quando tenha incidido o direito suspensivo; Recurso de iniciativa dos eleitores, para o sufrágio universal; voto obrigatório; 7ª - Nenhuma intervenção, nem subvenção, da sociedade, a qualquer género de culto; 8ª - Educação de todas as crianças por conta pública e ao mesmo grau de instrução. Cursos profissionais e superiores, sem privilégios, nem prerrogativas, de grau ou de sexo; educação de todos os indivíduos do sexo masculino para formarem milícias municipais, sob a inspecção de delegados eleitos pelo sufrágio universal; 9ª - Reorganização do regímen das riquezas sob o ponto de vista da sua socialização; 10ª - Substituição da moeda mercadoria pela de crédito social; 11ª - Organização, social e colectiva, da produção e dos mercados; 12ª - Igualdade de direitos de consumação, adquiridos pelo trabalho; Crianças doentes e adultos inválidos a cargo da sociedade, sempre que for reclamado.
EM SÍNTESE: - Radical socialização das riquezas, da sociedade da autoridade; Máxima expansão dos indivíduos dentro do respeito ao direito dos outros.
EM SÍNTESE: - Radical socialização das riquezas, da sociedade da autoridade; Máxima expansão dos indivíduos dentro do respeito ao direito dos outros.
Acção Imediata - 1ª Defender, auxiliar e desenvolver as associações de classes cujo programa aceita e pensa como parte do seu programa de acção imediata; 2ª - Defender, auxiliar e desenvolver qualquer género de associação cujo fim se prenda com o programa socialista; 3ª - Promover todas as reformas que alarguem a esfera de acção e preponderância populares; 4ª - Organizar e instruir a classe trabalhadora; 5ª - Lutar pela posse do poder administrativo e político, como meio de propaganda e de acção reformista; De vincular a preponderância do povo; de contrabalançar de observar por fim a força e acção do Estado em todas as suas manifestações; 6ª - Cumprir as deliberações tomadas nos congressos internacionais dos partidos socialistas, a quem se considera ligado pelos laços da mais inquebrável solidariedade moral e material; 7ª - Cumprir as deliberações tomadas nos seus congressos."
Vale a pena saltarmos algumas páginas até à definição que estes socialistas dão a "ditadura", ficando talvez claro o motivo pelo qual hoje alguns ingénuos usam certos argumentos contra o que julgam ser o "absolutismo":
"Ditadura - Esta palavra exprime uma fórmula adversa ao "parlamentarismo", a aquela consiste num "acto" ou conjunto de "actos de força", de que um homem público, civil ou militar, cercado por outros, toma a iniciativa dissolvendo o parlamento e decretando leis e medidas a seu arbítrio. Esta fórmula torna-se tão repugnante quanto mais os povos vão progredindo mentalmente e nega por completo o princípio da soberania popular." (Programa do Partido Socialista Português, comentado por Manuel José da Silva, primeiro deputado socialista português. Lisboa,1928)
Isto tudo tem muito que se lhe diga, quanto mais o programa inteiro que conta de várias páginas.
Vale a pena saltarmos algumas páginas até à definição que estes socialistas dão a "ditadura", ficando talvez claro o motivo pelo qual hoje alguns ingénuos usam certos argumentos contra o que julgam ser o "absolutismo":
"Ditadura - Esta palavra exprime uma fórmula adversa ao "parlamentarismo", a aquela consiste num "acto" ou conjunto de "actos de força", de que um homem público, civil ou militar, cercado por outros, toma a iniciativa dissolvendo o parlamento e decretando leis e medidas a seu arbítrio. Esta fórmula torna-se tão repugnante quanto mais os povos vão progredindo mentalmente e nega por completo o princípio da soberania popular." (Programa do Partido Socialista Português, comentado por Manuel José da Silva, primeiro deputado socialista português. Lisboa,1928)
Isto tudo tem muito que se lhe diga, quanto mais o programa inteiro que conta de várias páginas.
D. MARCEL LEFEBVRE: COMO PORTUGAL, REEDIFIQUEMOS A CRISTANDADE
Em 1969, a revista portuguesa anti-católica (mas anunciada como católica), de nome GEDOC, publicou este artigo, intitulado "Mrg. MARCEL LEFEBVRE":
""a exemplo de Portugal, é preciso reedificar a cristandade" [Mrg. M. Lefebvre]
O boletim do "Cercle dínformation civique et sociale" (51, Rue de la Pompe, Paris - 16) publica o texto de uma conferência de monsenhor Marcel Lefebvre, antigo geral dos Padres Espiritanos, pronunciada em Paris no decurso de um jantar organizado pela Union des intellectuels indépendants, a que preside M. François Cathala.
Depois de ter falado da crise moral contemporânea e da situação relativamente florescente do catolicismo sob o pontificado de Pio XII, "papa excepcional", - o prelado traçou a história do Concílio que "desde os primeiros dias foi invadido pelas forças progressistas" e falou da maneira "escandalosa" como foi atacada a Cúria.
Fazendo notar que Vaticano II não foi, como os concílios precedentes, de carácter "dogmático", monsenhor Lefebvre foca a profissão de fé de Paulo VI: "É um acto que, sob o ponto de vista dogmático é mais importante que todo o Concílio (...). Empenha a fé da Igreja (...). É sobre a fé católica e romana reafirmada pelo sucessor de Pedro, que se impõe, reconstruir a cristandade... com os princípios que serviram para a sua construção".
Depois de ter pronunciado o elogio de Salazar, homem "excepcional", "admirável", "profundamente cristão" - o orador acrescentou entre outras coisas:
"O que Portugal fez, não há razão alguma para que nós o não possamos fazer também. Não há razão que impeça reconstruir a sociedade cristã, a família cristã, a escola cristã, a corporação cristã, a profissão cristã e o Estado cristão. Seria duvidar da nossa fé. Só os nossos sucessores tirarão proveito disto, talvez: pouco importa!""
Evidentemente, D. Marcel Lefebvre referia-se à sociedade, a vida das pessoas, a moral, recta intenção, não apenas aos sacramentos e doutrina (estas últimas são ordinariamente de primeira linha, quanto à Fé e à salvação da alma; usadas em contradição às outras levariam ao degredo acabando em idolatria). O elogio feito a Salazar não significou o elogio à república; nem o Estado Novo (de Salazar) foi realmente republicano: o Estado Novo foi a nossa monarquia em espera do seu rei ausente (ao Cardeal Patriarca de Lisboa, António Cerejeira, Salazar, certa vez confessou que "sempre me senti vocacionado para ser Ministro de um Rei absoluto" - eis um Marquês de Pombal bom). Salienta-se, mais que tudo, a referência de Mrg. Lefebvre a Portugal e à Cristandade.
Fr. BENTO DOMINGUES, ASSINANTE DO GEDOC
Mesmo depois do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, ter censurado como inimiga da fé a revista GEDOC, Fr. Bento Domingues constava na lista de aderentes da revista.
A revista GEDOC, orientada pelo plano internacional de infiltração na Igreja (destruição desde dentro), em maio de 1969, num dos seus números, publicou a "lista dos aderentes aos GEDOC", na qual consta o nome de Fr. Bento Domingues:
QUANDO PUBLICARAM LUTERO NA ESPANHA?
Nas minhas investigações, dei agora mesmo com um artigo publicado numa revolucionária revista portuguesa (ano de 1969):
"O conhecido escritor católico leigo, Miret Magdalena, escreve "Triunfo", de Madrid:
"Pela primeira vez, desde o séc. XVI, foram publicadas as obras de Martinho Lutero em Espanha...
A antologia das obras de Lutero, que é publicada num pequeno volume, abre com um prólogo meu, que desagradará, sem dúvida, aos ultraconservadores religiosos do nosso país.... [esta gente taxa sempre a ortodoxia de "ultraconservadorismo"] O que talvez muitos não sabiam é que não existe nenhum juízo oficial sobre Lutero ao qual um católico esteja necessariamente obrigado, segundo afirma o teólogo católico Karl Rahner, S. J. ...
Hoje, que tanto abominamos o triunfalismo religioso e que queremos reduzir as duas expressões à pobreza que existia no Evangelho, podemos inspirar-nos neste reformador religioso que nos previne contra todo o triunfalismo... A condenação mais expressa de Lutero que existiu foi feita pelo Papa Leão X na sua Bula Exsurge Domine, lançando um anátema sobre as 95 teses inconformistas de Lutero... No entanto o próprio Rahner diz expressamente que muitas das afirmações de Lutero condenadas nesta Bula foram superadas e aceites pela Igreja Católica... muitos católicos nunca compreenderam a maneira como nos foi explicada esta espécie de truque religioso, aparentemente pouco limpo (as indulgências)... Por isso se termos Lutero como serenidade e sentido crítico, percebemos a necessidade destes homens inconformistas, em qualquer momento da história humana, que nos obrigam a sair do nosso torpor e rotina religiosos.""
21/07/16
URGENTE - PROTESTO E ASSINATURA PARA IMPEDIR CONSTRUÇÃO DE MESQUITA EM LISBOA
Assine este protesto dirigido ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa para ficarmos livres de tentativas de construção "mesquiteira" em Lisboa. (AQUI)
![]() |
| (desculpem... isto ficou ao contrário) |
19/07/16
O MASTIGÓFORO - N ("Natureza")
Natureza - Houve tempo, e não vai muito longe de nós, em que esta palavra foi inocente como significativa da força das causas segundas, que lhes era comunicada pelo seu Autor, e faltava-se sem receio nas obras da natureza como excelentes, e admiráveis; hoje a natureza é mais um capote em que se embrulha o Ateísmo; a natureza faz tudo, porque chega a fazer os homens bons ou maus, visto que hoje em dia os temperamentos, e os climas resolvem os mais difíceis problemas sobre o físico, e moral do homem!! Natureza é hoje o móvel supremo dos astros, dos elementos, dos mares, e dos animais. O nome de Deus vem como por cerimónias, e aparato na frente de alguns livros Filosóficos para nunca mais aparecer, e uns que lhe furtam o corpo, ou a língua quanto podem são os Mações, que não há que pinhar-lhes outro nome, que não seja o de Natureza que muito lhes agrada, e quando se vêem apertados recorrem ao Supremo Arquitecto, ou ao Ente Supremo, que são estes uns novos disfarces para enganarem os simples e os ignorantes, como ainda veremos debaixo da primeira destas palavras, e já o deixámos apontado na segunda.
(Índice da obra)
(Índice da obra)
O MASTIGÓFORO - N ("Nação")
Letra
N
Nação - Está definida e exactamente pelo Corso Bonaparte, que alguma coisa havia de dizer, que tivesse jeito Quando a Canalha ficou de cima, chama-se nação, e é o que se viu neste reino, como se prova do seguinte:
Nação (vontade da) É a escora do Maçonismo para capear as suas rebeliões. Um só indivíduo chama-se vontade do Clero, outro chama-se vontade da Nobreza, outro vontade da Magistratura, outro vontade do Exército, e com estas vontadinhas bem somadas, que apenas constituem uma pequeníssima fracção da vontade geral, aí os temos a darem as cartas, e a definirem com toda a impavidês, que Rebelião é a obediência ao Governo Legítimo, que nos deixará ElRei Nosso Senhor!! Quando foi ouvida a Magistratura para escolher o grão Tomaz, a Igreja Lusitana para ser representada pelo Deão Brederode? Onde estava pois nesses dias de mais vulto para a criação do Sistema aquela vontade que se dizia o fundamento de quanto se decidisse e Legislasse? Existia na cabeça de Fernandes Tomás, e Companhia, e é quanto basta segundo a jurisprudência alumiada das rutilantes Luzes do Século, para se dar como existente a parte Rei à vontade Nacional!! Na cena penúltima do último acto da Tragicomédia intitulada "As Cortes extraordinárias de 1823" quando o imortal, o augusto, o Soberano Congresso já entrava em agonias da morte, rompeu um dos mais ilustres preopinantes numa distinção Peripatética de vontades nacionais, que deve ficar em Lembrança para escarmento dos presentes, e ensino dos futuros: "Ó Género humano, Senhor Presidente, governa-se há muitos séculos por duas qualidades de direitos; um ilegítimo, que é a força; outro legítimo que é a vontade geral ou expressa ou tácita". Por era vontade geral estávamos nós aqui etc. (Diário de 2 de Junho de 1823). Distinguiu pois, em maravilhosamente, o que era tácito ou calado das trevas, em que se urdia a Constituição, que rebentou a 24 de Agosto, do que era expresso e notório, e se porventura não se pusesse a salvo nessa tabuinha furada, e podre da vontade tácita não sei como seria possível conciliar com a vontade Nacional, o que se passava a essa mesma hora no distrito de Vila Franca, onde ninguém havia de dizer, senão que a vontade nacional era que logo, logo se desfizesse a caranguejola das Côrtes, para que nunca mais aparecessem vestígios de semelhante diabrura.
(Índice da obra)
(Índice da obra)
O MASTIGÓFORO - J ("Juramento")
Juramento - Só o nome faz tremer a quem é Cristão pela graça de Deus, e não foi pequena misericórdia deste Senhor, o consentir, que o chamem para testemunha "em juízo, em justiça, e em verdade", porém no Dicionário Maçónico é simplesmente uma certa armadilha aos fiéis Cristãos para os desassossegar, inquietar, ou reduzir a ponto de mudarem de pátria, e deixarem lugares vagos para os Mações. Logo na primeira redada se viu claramente para que se mandaram fazer tais juramentos, não só confirmatórios de uma rebelião manifesta, porém o que é mais, promissórios de se observar à risca tudo quanto nos despejassem os Luzentíssimos cacos Thomazianos, e Mouriscos, que já se sabia há muito ser o Catolicismo o seu forte!! Não tardava muito a Constituição chamada Civil do Clero, ainda mais liberal que a Francesa, e o pior seria, que a Igreja Lusitana talvez desse mais exemplos de Fauchets, Gobels, e Gregoires, que de Dulaus, Rochsfocaulds, e Hercés! Juramento de guardar, e fazer guardar a Constituição!! Moralizemos o nosso bocado. Quem foram os primeiros que a deitaram a perder? Os Mações. Que forma os primeiros que a deram a conhecer por desprezível de facto e direito? Os Mações. Quem foram os que violaram descaradamente todos os seus artigos, reformando-os, alternando-os, e derrogando-os a seu sabor, contra o que se estipulava desde o começo da obrinha? Os Mações. E os mais insolentes perjuros, que nunca teve este Reino, a estranharem seriamente o perjúrio dos desafectos à Constituição!! Há muito que nós sabemos como eles representam as suas comédias "os Juramentos". Lembro-me de que imediatamente à criação do Instituto Nacional de França, o primeiro acto a que procedeu este Corpo Científico, foi o Juramento de ódio à Realeza, a 21 de Janeiro de 1796; e é para notar que nos Juradores aparecia um Lalande, o ímpio, o Deão dos Ateus!!! Já de antes haviam declarado qual fosse o verdadeiro espírito das requisições de Juramentos. Um Padre Católico havia de jurar ou morrer, porém um Quaker, um Anabaptista não só era dispensado de jurar, mas até de pegar em armas para defesa da pátria!!! Antes que me esqueça, e o juramento dos Mações, diametralmente oposto ao bem da Sociedade; e em perpétua contradição com os deveres do Cristianismo, que impõe aos seus filhos a necessidade de declararem ao Juiz o que souberem!!! Ai! mas esse pertencerá lá para o fim às virtudes Maçónicas, que fazem mártires da Laia dos do Campo de Santa Ana [Lisboa]!
(Índice da obra)
(Índice da obra)
O MASTIGÓFORO - J ("Jejum")
Jejum - É um acto especial de uma virtude Cristã sumamente recomendado, e autorizado com as instruções, e exemplo de Nosso Senhor JESUS CRISTO, e pela Sagrada Quaresma, de que é impossível assinar-se outro princípio, que não seja a Tradição Apostólica. Viram-se até nesse crescido número de jejuns expiatórios, que fazem uma espécie de voz da natureza, e ainda que os gentios erravam crassamente no que pertencia ao objecto, e aos fins destas obras de mortificação, nem por isso o Apóstolo São Paulo deixou de lançar em rosto aos Cristãos melindrosos, e delicados, essas privações a que se condenavam os Atletas para ganharem uma coroa corruptível. Por tudo isto é o jejum aborrecido mortalmente dos Pedreiros, que bem sabem, que derribado primeiramente o Jejum da Quaresma, e depois tirada a consideração ao Sacerdócio, ou pelos diminutos, rendimentos, que se lhe assinam, ou pelas gages, ou jornais, ou jornais, que se lhes prometem do Tesouro Nacional, chegava-se dentro em poucos anos à meta desejada, à extinção do Catolicismo em Portugal!!! Coitados saiu-lhes tudo às avessas do que premeditavam, e o seu ódio ao jejum, como parte de uma virtude Cristã, voltou-se contra os próprios, que o nutriam, e fomentavam. O povo de Nosso Senhor, nessa parte melhor Teólogo, que os Teólogos seus Conselheiros, não abraçou a doutrina pedreiral do jejum contrário à natureza, e deitado, ou estendido no rol das Superstições, jejuou como jejuaram os seus avós, não quis uma graça, que sempre lhe pareceu coisa mais de graça que de veras, e marcou os espiões das Famílias, que nunca estiveram pela graça, como outros tantos Solicitadores de Causas Maçónicas, e dignos de censura, e opróbrio geral... E o mais é, que a gracinha ia dando na cabeça a quem desejava meter as almas no caminho do Céu!! Houve queixas dos Confessores, que nunca reputaram legítimas as Causas expendidas na Bula, e por bem pouco não veio por aí alguma lista de Confessores deportados, por ensinarem a verdade aos seus penitentes!! Mas dispensar a abstinência não é dispensar o jejum, e pode não haver abstinência, e existir o jejum!! Forte novidade!! Porém o caso é outro, e a asa da galinha, física, e moralmente o mesmo, que um bocado de bacalhau, não é coisa que eu possa levar, que tenho más engolideiras.... E os Mações a misturarem lampreia com vaca, e galinha, e a fazerem outras habilidades, em que se mostraram sobranceiros às decisões Pontifícias!! E o que tarda (menos no Patriarcado de Lisboa) o curativo dessa tinha ou peste Carnívora, que se tem apossado de várias gentes de gravata ao pescoço, ou apedreiradas!! Já agora como lhe fez seu jeitinho hão de ir comendo carne em todas as Quaresmas, até chegar, não uma quarentena de dias, de anos ou de séculos, porém uma eternidade de castigos! Esses mal aventurados seguidores da nova Religião Política (que a seu tempo definirei) só depois de mortos, é que serão completamente desenganados, que a sua vida foi toda pagã, e toda repreensível aos olhos de Deus!!
(Índice da obra)
(Índice da obra)
O MASTIGÓFORO - J ("Jacobino")
letra
J
![]() |
| Reunião dos jacobinos |
Jacobino - Quer dizer (actualmente nos Dicionários de todas as Nações cultas da Europa, onde se inseriu esta palavra, algum dia a mais inocente) o non plus ultra, ou a quinta essência da perversidade humana. Sendo assim, para que fui eu chamado "Constitucional" sinónimo de Jacobino? Porque meus amigos, quem não quer ser Lobo não lhe vista a pele, e é coisa bem sabida por todo o Reino, que o desaforado inculcador da raça de Alter, que o valente caudilho da nossa degeneração disse a todos que o quiseram ouvir "Ninguém pode ser bom Constitucional, sem ter sido bom Jacobino". Olhem que não seja eu tolo, que o vá agora contradizer?
(Índice da obra)
(Índice da obra)
O MASTIGÓFORO - CARTA DE AGOSTINHO DE MACEDO
Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor.
li, e examinei com a possível atenção o manuscrito, intitulado "O Mastigófoto" nº3 contém vinte e dois artigos, notas, e alguns fragmentos da Pastoral do Bispo de Tregnier. A Erudição, as rectas intenções, o conhecido, e fervoroso zelo de seu autor pelo bem da Religião, noutras, e nesta produção, os assinalados, e conspícuos serviços que faz ao Trono, e ao Altar, trazem em si a mais bem merecida aprovação. Continua neste Nº a dar genuína, e verdadeira inteligência a tantas palavras, ou termos enfáticos de que se compõe a nova Ciência, que atormenta o Século em que existimos, e desterra as funestas ilusões, que de tantos males tem inundado o Mundo: Ciência tenebrosa, que tanto tem abusado da ignorância, irreflexão, ou malícia dos homens, iludindo incautos, e multiplicando perversos. O amor da verdade o arrebata, e uma sólida piedade faz seu estilo impetuoso, e as suas mesmas incorrecções em algumas partes, são como exalações de um coração inflamado no amor da virtude, e no ódio do vício. Os seus argumentos são vigorosos, e caminham sempre com passo seguro à demonstração. Julgo pois o presente escrito muito capaz de destruir o indiferentismo Literário, que é dos males da época actual o mais funesto; e já que estamos livres do dilúvio de inépcias, e impiedades, que nos inundaram por três anos, justo é que se substitua ao Jorgão revolucionário, uma Leitura Religiosa, sensata, e verdadeiramente filosófica, porque verdadeiramente Cristã, cuja publicação pela Imprensa é do maior interesse. Este é o meu parecer, mas Vossa Excelência mandará o que quiser, e for servido. Lisboa 17 de Abril de 1824.
José Agostinho de Macedo.
___________________ooooooooo_____________________
LISBOA
NA TIPOGRAFIA MAYGRENSE
ANO 1824
Com licença da Mesa do Desembargo do Paço
_______________________
Rua de Santo António dos Capuchos, Nº 87
O MASTIGÓFORO - ÍNDICE
INTRODUÇÃO
ao
MASTIGOFORO,
ou EXAME DO DISCURSO SOBRE AMNISTIAS,
EMBUTIDO NA GAZETA DE LISBOA
(N.º 25)
por
O Autor do MAÇO FERREO ANTI-MAÇÓNICO [Fr. Fortunato de S. Boaventura]
LISBOA
(1824)
MASTIGOFORO,
ou EXAME DO DISCURSO SOBRE AMNISTIAS,
EMBUTIDO NA GAZETA DE LISBOA
(N.º 25)
por
O Autor do MAÇO FERREO ANTI-MAÇÓNICO [Fr. Fortunato de S. Boaventura]
LISBOA
(1824)
--- /// ---
ÍNDICE
ÍNDICE
![]() |
| D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, Arcebispo de Évora - Portugal |
- Introdução
- Apêndice
- Satisfação prévia aos Realistas, aos Mações, e aos atravessados de púrpura, e trolha
- Projecto de Um Dicionário das Palavras, e Frases Maçónicas
- A
"Absoluto e Absolutismo"
"Anarquistas"
"Artes"
- B
"Bem público"
"Bens Nacionais"
"Benefícios Eclesiásticos"
- C
"Cargos públicos"
"Causa da Nação"
"Casas de educação"
"Celibato"
"Clero"
"Cónegos"
"Confissão e Confessores"
"Conspirador"
"Constituição"
"Constitucional"
"Corcunda"
"Corporações"
"Côrtes"
"Culto Divino"
- D
"Despotismo"
"Direitos do homem e Direitos do Cidadão"
- E
"Energia"
"Ente Supremo"
"Espiões"
"Exército"
- F
"Fanatismo"
"Festas Nacionais"
"Fidalgos"
"FILHOS DA LUZ!!!"
"Filosofia"
"Finanças"
"Faróis"
"Frades"
"Freira"
"Franc Maçon, ou Pedreiro Livre"
- G
"Gastos Patrióticos"
"Governo Feudal"
"Governo representativo"
"Grandes medidas"
"Guardas Nacionais, ou Guardas Cívicas"
"Guerra Civil"
- H
"Habeas Corpus"
"Homem"
"Humanidade"
- I
"Ideias Liberais"
"Igualdade"
"Inconstitucional"
"Indústria"
"Inquisição, e seus Cárceres"
"Instrução pública"
"Inventários"
- Petição
- J
"Jacobino"
"Jejum"
"Juramento"
- L
"Lei, Legislação"
"Liberal"
"Liberdade"
"Liberdade de Consciência"
"Liberdade de Imprensa"
"Liberdade de pensar"
"Livros"
"Luzes do Século"
- M
"Matrimónio"
"Médico"
"Melhoramentos"
"Merecimento"
"Milagre"
"Moderado"
"Moral pública"
"Morgados"
- N
"Nação"
"Natureza"
- O
"Opinião pública"
"Ordem"
"Ordem Episcopal"
"Fragmentos da Pastoral do Bispo de Trgnier"
"Ordem de Malta"
- P
"Papa"
- Que é o Papa na Igreja Católica - Quid est Papa?
- Que é o Papa no Sentir dos Mações?
- INFALIBILIDADE DO PAPA
- Carta do Pe. José Agostinho de Macedo a D. Fr. Fortunato de S. Boaventura
"Pátria"
"Patriota"
- S
"Sciências"
"Segurança Pública"
"Servis, Servilismo"
"Soberania do Povo"
MASTIGÓFORO - INTRODUÇÃO (V)
(continuação da IV parte)
E quem a introduziu na Europa, quem a fomentou por artes, e manhas que parecem ter escapado à mesmíssima perspicácia de Satanás, excedido nesta parte pelos Mações, seus principais agentes neste mundo? Quem desencaminhou o mais pacífico, e leal de todos os povos para deslizar dos caminhos da honra e do apego aos seus Reis naturais, que lhes abriram os seus maiores, e que ele próprio havia trilhado com esse lustre, que reflectiu nas margens do Niemen e do vístula e de lá mesmo foi atrair novos defensores da melhor de todas as causas? Quem iludiu os Portugueses com fantásticas promessas, abusando sacrilegamente do próprio amor, que eles têm do fundo da alma ao Senhor D. João VI para os fazer instrumentos do vilipêndio, ou antes mudas e lastimosas testemunhas do aviltamento das Sagradas Pessoas dos nosso Reis? Quem tratou uma Soberana digna dos respeitos e homenagens do mundo inteiro pela sua heróica oposição aos sistemas ímpios e revolucionários, de um modo com que não ousariam tratá-la os déspotas de Argel de Marrocos, pois já um destes mandou tratar como pessoa Real o Duque de Barcelos, que caia em seu poder depois da calamitosa jornada de Alcácer? Quem se atreveu a despedaçar o vínculo sagrado que prendia o Eminentíssimo Cardeal Patriarca à Santa Igreja de Lisboa sua Esposa que ele abrilhantou com a sua resistência aos mandados das insolentes pestíferas e facciosas Côrtes? Quem excitou à força de maus tratamentos, e de estúpidas ameaças os nossos Irmãos do Brasil para se desligarem da Mãe Pátria, e quem brindou aqueles remotos climas com o presente da Liberdade sempre funesto aos povos, e mormente aos que mal acabam de sair da infância do estado social, e que se uma especial providência não atentar pela conservação da integridade dos domínios da Coroa de Portugal, em ambos os hemisférios, não tardará a oferecer as lastimosas cenas de furor, e de carnagem, que um igual presente da revolução Francesa produziu na Ilha de São Domingos? Quem fez assoalhar as más doutrinas que há cinquenta anos a esta parte começaram de espalhar-se neste Reino ainda em subterrâneas, e com a capa das trevas, mas que em todo aquele período não fizeram tantos, e tão graves danos, como fez desgraçadamente o primeiro Semestre do regime constitucional? Quem concedeu uma inteira liberdade de pensar, de escrever, e de imprimir, que inadmissíveis num Reino Católico, devem trazer necessariamente consigo a irrisão das coisas sagradas, o menoscabo do sacerdócio, e a maior devassidão de costumes? Quem protegeu abertamente a publicação do Catecismo de Volney, as superstições descobertas, o Retrato de Vénus, o Compadre Matheos, a Vénus Maçona, as cartas de José Anastácio, o Cidadão Lusitano e cópia de mais escritos licenciosos, ímpios, e tendentes à corrupção geral da mocidade Portuguesa? Quem fez ensinar pelos Mestres de primeiras letras, que a nossa alma deve morrer com o corpo; que não há outra vida depois desta, que Nosso Senhor Jesus Cristo era apenas um herói, um homem grande, como foram Zoroastro, Confússio, Mafoma [Maomé]? Quem foi causa de se meterem à bulha todos os preceitos da Igreja, de se ir quase abolindo em muitas partes do Reino, a Confissão Sacramental, e de se escarnecer o Mistério do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, por modos e palavras, que fazem arrepiar os cabelos, e gelar o sangue? Quem aplaudiu, e folgou de ver impressas as Ladainhas Constitucionais, em que os seus autores devassos e estragados substituíam outros como eles, aos Santos do Paraíso, rematando-as com uma oração talvez a mais insultadora que se pode fazer à Majestade Divina, e que só ficaria bem nas sacrílegas penas de um Voltaire, de um Parny, ou de um Pigault de Brun?
Quem tomou a peito obstar por todos os modos a que se imprimissem os escritos, onde se declaravam as manobras da Seita, e fez perseguir os autores dos já impressos, como réus de sedição, por chamarem os povos à doutrina dos seus maiores? Quem animou com elogios, e com promessas de honrar, dignidades e mitras, essas nódoas do Sacerdócio, que se prostituíram, e desonraram a ponto de chamarem Santa, Divina e caída do Céu, uma obra que desde 1791 fôra denunciada como pestilente e vomitada dos Infernos? Quem expulsou dos seus Mosteiros os pacíficos Cenobitas, quem arrancou as virgens, dedicadas ao Senhor, dos próprios asilos, que tinham escapado à invasão Francesa? Quem inventariou as pratas, e alfaias das Casas de Deus, sem exceptuar os próprios cálices já tidos, e havidos como bens nacionais, e que se trocariam cedo em moeda, que pagasse aos novos Heliodoros o trabalho de desmantelarem e saquearem as nossas Igrejas? Quem se abalançou a sondar os arcanos do Tribunal da Penitência requerendo dos fiéis que se erigissem em denunciantes dos seus Confessores? Ah! que a minha pena desfalece não por cansada, mas porque tantos desvarios, impiedades, e balsfêmias não cabem no estreito âmbito da refutação a que me propus! Ora quem fez tudo isto e espera ainda hoje fazer mais, quem não terá sossego, em quanto não se verificarem os intentos de converter por exemplo a Igreja de S. Domingos em Templo da razão, onde alguma prostituta ocupando os altares do Deus vivo seja adorada como foi outra que tal no melhor templo da Cidade de Paris, quem afronta os raios do Céu, que ditosamente hão fulminado a obra das trevas, e se lisonjeia ainda como o cego, e obstinado Lúcifer, de colocar sobre os astros o seu trono, e de esmagar todos os adversários do Sistema Constitucional? Que merece? E confundido agora com as turbas, quer fazer como nacional o crime dos Pedreiros, lamentando o necessário efeito da corrupção dos nossos costumes! Nunca os Portugueses teriam acedido à Liga Maçónica, se lhe penetrassem logo os seus intentos, quando ela se jactava de curar as feridas da pátria, de melhorar a educação, e remediar todos os nossos males.... e agora que nos deixam a pátria nos últimos paroxismos, a educação viciada até às raízes, os nossos males agravados a um ponto, que assusta, e horroriza, vem muito fagueiros em tom de Demónios feitos prégadores, e calmando "Foram os nossos pecados, que fizeram tudo isto, haja virtudes (já se sabe as republicanas como as dos Manlios, e Regulos, e outras que tais citadas no Discurso, pois Santo que esteja no Céu, nem a pão o tiram, ou da língua, ou da boca dos Pedreiros) ... e por fim amnistia, e mais amnistia, perdões, e mais perdões, e não se olhe para o passado" como se do passado não se tirassem as melhores lições para acertar no futuro!!
E que dirão os Pedreiros a tudo isto? O que costumam dizer os seus irmãos em toda a parte do mundo. Espírito de intolerância, e de perseguição, ou como se exprime o Discursador, espírito ambicioso de quem deseja pescar em águas turvas!!! Alto lá meu amigo, que nessa parte há muito que dizer, e insta-me a obrigação de uma justa defesa, a que eu justifique a minha vocação para tratar estes assuntos, e me livre da nódoa que se lança gratuitamente no meu proceder.
Faço viagem embarcado nesta grande nau do Estado, e como tenho direito para acautelar, e evitar quanto em mim for, os seus riscos, e naufrágios, estou vendo ao pé de mim uns loucos, e desatinados, que forcejam por arrombar a nau, e levarem-na a pique. Ora nestes lances deverei eu ficar muito sossegado sobre a coberta da nau, e por mais que ouça trabucar os Pedreiros, e arrombadores, fazer que não ouço, e deitar-me a dormir? Eis aí o que eu não posso conseguir de mim, hei de falar sempre, hei de gritar contra os Pedreiros, que tentam arrombar a nau... e suceda o que suceder. Não digo, nem disse nunca, que os tolinhos serventes de pedreiro, sejam incluídos nas penas que os Mestres, como acinte desafiam, porém não levo à paciência, que os réus dos maiores crimes, que o Céu tem sofrido escapem à vara da Justiça, e andem por aí muito inchados, e senhores do seu nariz, insultando os Realistas, e porventura pedindo remuneração dos serviços feitos à nau, que eles só tratavam de escangalhar, e de arruinar, e que por milagre de Deus, e de Nossa Senhora da Rocha, não se afundiu no pélago constitucional. Expuz-me como todos sabem ao peso das vinganças constitucionais, porque o meu grito foi sempre: Antes morte do que tal constituição...... Não desconheço a estrada que levou Fernão de Magalhães à Côrte dos Reis Católicos, e tenho para mim, que não é vedado a qualquer Português o expatriar-se, e desnaturalizar-se.... Entretanto eu sempre quisera fazer alguma diferença nos motivos que impeliram aquele nosso conterrâneo a um passo tão violento, e desesperado. Pediu ele mercês ao seu Soberano, e indisposto de uma negativa, ou repulsa, que julgava não merecer, levou a sua espada, e os seus talentos a um Soberano estrangeiro... Eu não peço nada senão o meu repouso, depois de tantas lidas, e peregrinações, a que me condenou o infausto, e execrado Sistema Constitucional. Desafio a todos os Portugueses, incluso o Ministério d'ElRei Nosso Senhor, que mostrem algum papel em que eu requeresse mercês, ou galardões.... Nem o fiz, nem o espero fazer, e se a minha desgraça subir a tal ponto, que ainda eu chegue a contrair a manha dos pedreiros, que não querem outra coisa senão mandar, e governar, para terem mais ocasião de irem solapando as instituições políticas, e religiosas, já peço com instância aos Ministérios d'ElRei, que desprezem, e rasguem sem dó o meu requerimento, e me tratem de louco, e de insensato. Poucos haverá, (deixem-me ter uma pequena vaidade) que conheçam os pedreiros melhor do que eu, e ninguém receia menos doque eu as suas vinganças, pois não temo os que matam os corpos, só temo os que podem matar a alma.... Quem professar como eu a Divina Religião de Jesus Cristo, necessariamente há de pedir o castigo destas víboras, e pestes das suas Sociedades Religiosas, e Civil. Quem for tolerante com eles deixa-os trilhar à sua vontade o caminho da perdição, e cortar-lhe pela raiz todos os meios de se conhecerem, e emendarem, sem o que vivem e morrerm impenitentes, e não sei que isto seja querer-lhes bem, e desejar-lhes grandes venturas. Outro fora eu que desde o princípio das minhas investigações, e Lucubrações Anti-Maçónicas, tivesse seguido diferente rumo. Outro fora eu, que cingindo-me ao conselho de um Frade Bento, que perguntando por certo Monarca Aragonês sobre o que devia fazer a uns rebeldes, como estudioso que era do silêncio, levou o emissário a uma outra, e puxando de sua face, cortou o que não estava ao nível das outras plantas, arbítrio este, que segundo nos conta Aristóteles (Politic. L. 3 cap. 9), já fôra dado a Trasíbulo, num caso semelhante! Outra fôra eu, que expendendo bem os casos em que as penas se devem, ou temperar, ou executar, ou ainda agravar, mostrasse com evidência, que os Pedreiros Livres, em matéria de crimes, levam as alampadas aos incendiários, aos ladrões de estrada, aos fabricantes de moeda falsa, e a outros com quem nunca se deve usar de condescendência, ou piedade; mas que tenho eu feito?
(a continuar)
![]() |
| O que tinha começado como plano implementado pela Maçonaria foi concretizado por mão papal a partir da segunda metade do séc. XX |
E que dirão os Pedreiros a tudo isto? O que costumam dizer os seus irmãos em toda a parte do mundo. Espírito de intolerância, e de perseguição, ou como se exprime o Discursador, espírito ambicioso de quem deseja pescar em águas turvas!!! Alto lá meu amigo, que nessa parte há muito que dizer, e insta-me a obrigação de uma justa defesa, a que eu justifique a minha vocação para tratar estes assuntos, e me livre da nódoa que se lança gratuitamente no meu proceder.
Faço viagem embarcado nesta grande nau do Estado, e como tenho direito para acautelar, e evitar quanto em mim for, os seus riscos, e naufrágios, estou vendo ao pé de mim uns loucos, e desatinados, que forcejam por arrombar a nau, e levarem-na a pique. Ora nestes lances deverei eu ficar muito sossegado sobre a coberta da nau, e por mais que ouça trabucar os Pedreiros, e arrombadores, fazer que não ouço, e deitar-me a dormir? Eis aí o que eu não posso conseguir de mim, hei de falar sempre, hei de gritar contra os Pedreiros, que tentam arrombar a nau... e suceda o que suceder. Não digo, nem disse nunca, que os tolinhos serventes de pedreiro, sejam incluídos nas penas que os Mestres, como acinte desafiam, porém não levo à paciência, que os réus dos maiores crimes, que o Céu tem sofrido escapem à vara da Justiça, e andem por aí muito inchados, e senhores do seu nariz, insultando os Realistas, e porventura pedindo remuneração dos serviços feitos à nau, que eles só tratavam de escangalhar, e de arruinar, e que por milagre de Deus, e de Nossa Senhora da Rocha, não se afundiu no pélago constitucional. Expuz-me como todos sabem ao peso das vinganças constitucionais, porque o meu grito foi sempre: Antes morte do que tal constituição...... Não desconheço a estrada que levou Fernão de Magalhães à Côrte dos Reis Católicos, e tenho para mim, que não é vedado a qualquer Português o expatriar-se, e desnaturalizar-se.... Entretanto eu sempre quisera fazer alguma diferença nos motivos que impeliram aquele nosso conterrâneo a um passo tão violento, e desesperado. Pediu ele mercês ao seu Soberano, e indisposto de uma negativa, ou repulsa, que julgava não merecer, levou a sua espada, e os seus talentos a um Soberano estrangeiro... Eu não peço nada senão o meu repouso, depois de tantas lidas, e peregrinações, a que me condenou o infausto, e execrado Sistema Constitucional. Desafio a todos os Portugueses, incluso o Ministério d'ElRei Nosso Senhor, que mostrem algum papel em que eu requeresse mercês, ou galardões.... Nem o fiz, nem o espero fazer, e se a minha desgraça subir a tal ponto, que ainda eu chegue a contrair a manha dos pedreiros, que não querem outra coisa senão mandar, e governar, para terem mais ocasião de irem solapando as instituições políticas, e religiosas, já peço com instância aos Ministérios d'ElRei, que desprezem, e rasguem sem dó o meu requerimento, e me tratem de louco, e de insensato. Poucos haverá, (deixem-me ter uma pequena vaidade) que conheçam os pedreiros melhor do que eu, e ninguém receia menos doque eu as suas vinganças, pois não temo os que matam os corpos, só temo os que podem matar a alma.... Quem professar como eu a Divina Religião de Jesus Cristo, necessariamente há de pedir o castigo destas víboras, e pestes das suas Sociedades Religiosas, e Civil. Quem for tolerante com eles deixa-os trilhar à sua vontade o caminho da perdição, e cortar-lhe pela raiz todos os meios de se conhecerem, e emendarem, sem o que vivem e morrerm impenitentes, e não sei que isto seja querer-lhes bem, e desejar-lhes grandes venturas. Outro fora eu que desde o princípio das minhas investigações, e Lucubrações Anti-Maçónicas, tivesse seguido diferente rumo. Outro fora eu, que cingindo-me ao conselho de um Frade Bento, que perguntando por certo Monarca Aragonês sobre o que devia fazer a uns rebeldes, como estudioso que era do silêncio, levou o emissário a uma outra, e puxando de sua face, cortou o que não estava ao nível das outras plantas, arbítrio este, que segundo nos conta Aristóteles (Politic. L. 3 cap. 9), já fôra dado a Trasíbulo, num caso semelhante! Outra fôra eu, que expendendo bem os casos em que as penas se devem, ou temperar, ou executar, ou ainda agravar, mostrasse com evidência, que os Pedreiros Livres, em matéria de crimes, levam as alampadas aos incendiários, aos ladrões de estrada, aos fabricantes de moeda falsa, e a outros com quem nunca se deve usar de condescendência, ou piedade; mas que tenho eu feito?
(a continuar)
18/07/16
ORAÇÃO DE FÁTIMA; o INFERNO e o PURGATÓRIO (I)
Em Portugal, alguns tradicionais católicos (... ou, tradicionais portugueses, tanto dá) procuram conclusão a respeito da autenticidade de uma das duas versões da oração "ó meu Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno ... etc...". As versões em questão:
versão a) "Ó meu Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno e aliviai as almas do purgatório especialmente as mais abandonadas."
versão b) "Ó meu Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, e levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem."
Neste contexto, chegou-me um belíssimo texto, com a defesa da versão a (como ainda não tenho certezas necessárias a respeito do assunto, abstenho-me de tomar posição definitiva).
Em diante seguirei o texto enviado.
Uma das exposições deste defensor da versão a é inquestionável, e devemos já assumi-la: a versão a está em conformidade com a doutrina da Igreja, e digo eu que, por isso, e apenas por si não haverá qualquer dano em rezá-la, antes pelo contrário; é também verdade que as doutrinas contidas, tanto a do Inferno como a do Purgatório, estão hoje muito ausentes das vidas dos católicos (ou são quase ignoradas, chegando até a ser rejeitadas), ou andam muito deturpadas, e faz sentido a insistência na sua reposição.
Mostra-nos texto um breve historial, de suma importância, esclarecendo: a versão a "...rezou(se) no fim dos mistérios do terço durante dezenas de anos desde as Aparições de Fátima em 1917, e de modo verdadeiramente insólito, por volta de 1960, sofreu uma modificação verdadeiramente absurda ...". Explica depois que a versão a "... foi assim divulgada pelo Dr. Manuel Nunes Formigão, doutorado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana, após o inquérito realizado em 17 de Setembro de 1917, aos três videntes. Esse inquérito consta do livro do mesmo Dr. Formigão sob o pseudónimo Visconde de Montelo - As Grandes Maravilhas de Fátima, Edição da União Gráfica, datado de 1927, na pág. 77, conforme o documento anexo." Contudo, como veremos, o mesmo Dr. Formigão, em Abril de 1955 confessa ter feito uma reformulação, ou alteração: "... declara num Inquérito Oficial que a fórmula inicial (...) era diferente."
Confiando nas palavras do Dr. Formigão:
- O Dr. Formigão difundiu a versão a, depois do inquérito de Setembro de 1917;
- Em 1955, o Dr. Formigão revela que a versão difundida era uma reformulação sua daquilo que tinha ouvido à pastorinha Lúcia;
- Em suma: a versão a é uma reformulação do Dr. Formigão, e foi a única divulgada desde 1917, até 1955 (38 anos).
Nesta confissão do Dr. Formigão revela-nos a versão original, que tinha ouvido em 1917: "Ó meu Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, e levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem". Ora, esta é a versão b, com a diferença da palavra "alminhas", coisa que também difere da versão a.
O autor defensor da versão a explica o significado que em Portugal damos a "alminhas", transcrevo: "Consultem os melhores dicionários e verão que "alminhas" em português significam os pequenos quadros em que se vêem as almas a padecer no Purgatório. Uma delas bem interessante até, no início do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís da parte do Porto, para lembrar e sufragar as centenas de pessoas mortas nos alçapões, destinados aos franceses, durante as invasões napoleónicas, mas onde desgraçadamente caíram grande número de portugueses". Belíssima ilustração dos tempos idos, à qual quero juntar outra explicação também antiga, embora pouco erudita: aqui, no interior de Portugal, onde as décadas e os séculos correram muito devagar, as caixas das esmolas para as Missas das almas tem escrito "alminhas". Agora limito-me a construir frases que traduzam os usos quanto à palavra em questão, os quais presenciei, ou recebi, em criança, e adolescência, juventude, tanto dos meus avós como outras pessoas antigas:
- "O meu Manuel era tão bom homem; uma alminha santa..."
- "Rezo todos os dias pela alminha do meu pai."
Por "alminhas" também se entende o pequeno monumento religioso, com uma cruz pelo menos, que assinala o local onde algum cristão morreu, e que ao passar por ele rezam as pessoas a essa alma, ou almas (aqui no interior, pelos caminhos antigos, há vários casos destes, e são algumas destas "alminhas" muito antigas, com séculos, e sempre rezamos algo ao passarmos em frente). Mas, não convém ficar por aqui, pois ecoa-me cá por dentro a voz de certo amigo que talvez me tenha dito um dia "isso de colocar "alminhas" na oração de Fátima é diabólico, porque as alminhas não são as almas, e são objectos"...! Se o meu testemunho serve de pouco, pois não sou anterior a 1955, rematemos este ponto com documentação:
1 - "Alminhas boas, que andam entre nós!
Que do dinheiro são sempre um cadoz.
Eu rio, quando vejo estes beatos,
Sanguessuga, e esponjas de contratos;
De olhos meios fechados a falarem,
Até os seus interesses ultimarem;
Mas depois dos ajustes serem feitos,
Abrem os olhos tortos, ou direitos,
Ora pondo-os no chão, ora no Céu,
Que este é da hipocrisia o grande véu;
Té que lhes chega às vezes neste estudo
Revez, em que o diabo leva tudo." (José Daniel Rodrigues da Costa, Portugal enfermo de vícios e abusos de ambos os seros, Vol. I, pág. 30. Lisboa, 1819)
2 - "Alminhas do purgatório,
Que estais na beira do rio,
Virai-vos da outra banda
etc..." (Francisco Adolfo Varnhagen - Visconde de Porto Seguro, Florilégios da poesia brazileira..., Vol. I, pág. 589. Lisboa, 1850)
3 - "...aí temos tantas alminhas perdidas (e mais perdidas do que aquelas, às quais ele aplica este epiteto!) sem os meios da salvação, que a Igreja, em tão penosas, e tristes circunstâncias lhes deixava!" (Fr. Francisco Xavier Gomes de Sepulveda, exame crítico de um folheto do padre Fr. Sebastião de Santa Clara ... pág. 39. Lisboa, 1837)
4 - "Vejam lá os nosso Leitores como estas duas alminhas, o Correio e o Correspondente, arrancam à má língua! e com que sem cerimónia ! bem se vê que andam cá de largo, e por onde a gente se não confessa: que se não fosse isso, outro galo lhes cantára". (Periódico Mensal - o padre amaro, ou sovéla, política, histórica, e literária, dedicado a todos os portugueses de ambos os mundos. Tomo II, pág. 347. Londres, 1820)
5 - "- Olha que mulher, que amizade tinha ao caixeiro, que nem manda procurar-lhe o corpo, para lhe fazer sufrágios pela sua alminha, que Deus tenha na sua divina presença, Padre nosso que estais no céus..." (Camilo Castelo-Branco, mistérios de Lisboa, Vol. I, pág. 242. Porto, 1861)
6 - "Lá vai aquela alminha e vai gemendo!" (Guilherme Augusto de Santa Rita, Gomes Leal, o poema dum morto, pág. 183. ano 1897)
7 - "O que V. R. quis foi salvar esta alminha: foi o amor, não o ódio, quem lhe guiou a pena." (Carta de Alexandre Herculano, datada de 8 de Outubro de 1850)
8 - "Aqui estou já com o peso às costas: até agora uma pobre alminha me custava tanto livrar dos perigos que a cercam, para a entregar ao meu Criador, que hei de fazer daqui em diante, tendo de lhe dar conta de um tão grande número delas?" (transcição de uma carta de D. Fr. Caetano Brandão, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, no primeiro tomo de "Memórias" - Braga, 1867)
9 - "Lá do servo nada sei; sei do amo, em que mil bens observo.
Detestam-no; podera! a causa está bem clara;
é porque ele pespaga a cada um na cara,
o que tem de dizer-lhe. A bemaventurança
é que enche de fel aquela alminha mansa." (Feliciano de Castilho, Tartufo. Lisboa, 1870)
"Alminhas", entre várias coisas, é uma forma carinhosa, sentida, dedicada, de tratar as almas, tanto dos que partiram como as dos que estão. Na literatura apresentada, algum leitor terá confundido "alminhas" com "pequenos quadros em que se vêm as almas a padecer no Purgatório", tal como no-lo apresentam alguns eruditos dicionários!? Todos sabemos a reposta: não! claro que nunca nenhum leitor português fez tal confusão!
Na versão b, tanto adiantaria dizer "almas" como "alminhas"? Uma e outra não confundem, acabam por significar o mesmo, contudo esta forma dos portugueses usarem o diminutivo acaba por valorizar, emprestando um carácter mais amável, profundo, dedicado, e até mimoso (lembra esse "neologismo" empregue por Jesus ao chamar o Pai ("Ab") por Paizinho ("Ába" אבא).
(a continuar)
![]() |
| Bilhete de Identidade do Dr. Formigão |
- O Dr. Formigão difundiu a versão a, depois do inquérito de Setembro de 1917;
- Em 1955, o Dr. Formigão revela que a versão difundida era uma reformulação sua daquilo que tinha ouvido à pastorinha Lúcia;
- Em suma: a versão a é uma reformulação do Dr. Formigão, e foi a única divulgada desde 1917, até 1955 (38 anos).
Nesta confissão do Dr. Formigão revela-nos a versão original, que tinha ouvido em 1917: "Ó meu Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, e levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem". Ora, esta é a versão b, com a diferença da palavra "alminhas", coisa que também difere da versão a.
O autor defensor da versão a explica o significado que em Portugal damos a "alminhas", transcrevo: "Consultem os melhores dicionários e verão que "alminhas" em português significam os pequenos quadros em que se vêem as almas a padecer no Purgatório. Uma delas bem interessante até, no início do tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís da parte do Porto, para lembrar e sufragar as centenas de pessoas mortas nos alçapões, destinados aos franceses, durante as invasões napoleónicas, mas onde desgraçadamente caíram grande número de portugueses". Belíssima ilustração dos tempos idos, à qual quero juntar outra explicação também antiga, embora pouco erudita: aqui, no interior de Portugal, onde as décadas e os séculos correram muito devagar, as caixas das esmolas para as Missas das almas tem escrito "alminhas". Agora limito-me a construir frases que traduzam os usos quanto à palavra em questão, os quais presenciei, ou recebi, em criança, e adolescência, juventude, tanto dos meus avós como outras pessoas antigas:
- "O meu Manuel era tão bom homem; uma alminha santa..."
- "Rezo todos os dias pela alminha do meu pai."
Por "alminhas" também se entende o pequeno monumento religioso, com uma cruz pelo menos, que assinala o local onde algum cristão morreu, e que ao passar por ele rezam as pessoas a essa alma, ou almas (aqui no interior, pelos caminhos antigos, há vários casos destes, e são algumas destas "alminhas" muito antigas, com séculos, e sempre rezamos algo ao passarmos em frente). Mas, não convém ficar por aqui, pois ecoa-me cá por dentro a voz de certo amigo que talvez me tenha dito um dia "isso de colocar "alminhas" na oração de Fátima é diabólico, porque as alminhas não são as almas, e são objectos"...! Se o meu testemunho serve de pouco, pois não sou anterior a 1955, rematemos este ponto com documentação:
1 - "Alminhas boas, que andam entre nós!
Que do dinheiro são sempre um cadoz.
Eu rio, quando vejo estes beatos,
Sanguessuga, e esponjas de contratos;
De olhos meios fechados a falarem,
Até os seus interesses ultimarem;
Mas depois dos ajustes serem feitos,
Abrem os olhos tortos, ou direitos,
Ora pondo-os no chão, ora no Céu,
Que este é da hipocrisia o grande véu;
Té que lhes chega às vezes neste estudo
Revez, em que o diabo leva tudo." (José Daniel Rodrigues da Costa, Portugal enfermo de vícios e abusos de ambos os seros, Vol. I, pág. 30. Lisboa, 1819)
2 - "Alminhas do purgatório,
Que estais na beira do rio,
Virai-vos da outra banda
etc..." (Francisco Adolfo Varnhagen - Visconde de Porto Seguro, Florilégios da poesia brazileira..., Vol. I, pág. 589. Lisboa, 1850)
3 - "...aí temos tantas alminhas perdidas (e mais perdidas do que aquelas, às quais ele aplica este epiteto!) sem os meios da salvação, que a Igreja, em tão penosas, e tristes circunstâncias lhes deixava!" (Fr. Francisco Xavier Gomes de Sepulveda, exame crítico de um folheto do padre Fr. Sebastião de Santa Clara ... pág. 39. Lisboa, 1837)
4 - "Vejam lá os nosso Leitores como estas duas alminhas, o Correio e o Correspondente, arrancam à má língua! e com que sem cerimónia ! bem se vê que andam cá de largo, e por onde a gente se não confessa: que se não fosse isso, outro galo lhes cantára". (Periódico Mensal - o padre amaro, ou sovéla, política, histórica, e literária, dedicado a todos os portugueses de ambos os mundos. Tomo II, pág. 347. Londres, 1820)
5 - "- Olha que mulher, que amizade tinha ao caixeiro, que nem manda procurar-lhe o corpo, para lhe fazer sufrágios pela sua alminha, que Deus tenha na sua divina presença, Padre nosso que estais no céus..." (Camilo Castelo-Branco, mistérios de Lisboa, Vol. I, pág. 242. Porto, 1861)
6 - "Lá vai aquela alminha e vai gemendo!" (Guilherme Augusto de Santa Rita, Gomes Leal, o poema dum morto, pág. 183. ano 1897)
7 - "O que V. R. quis foi salvar esta alminha: foi o amor, não o ódio, quem lhe guiou a pena." (Carta de Alexandre Herculano, datada de 8 de Outubro de 1850)
8 - "Aqui estou já com o peso às costas: até agora uma pobre alminha me custava tanto livrar dos perigos que a cercam, para a entregar ao meu Criador, que hei de fazer daqui em diante, tendo de lhe dar conta de um tão grande número delas?" (transcição de uma carta de D. Fr. Caetano Brandão, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, no primeiro tomo de "Memórias" - Braga, 1867)
9 - "Lá do servo nada sei; sei do amo, em que mil bens observo.
Detestam-no; podera! a causa está bem clara;
é porque ele pespaga a cada um na cara,
o que tem de dizer-lhe. A bemaventurança
é que enche de fel aquela alminha mansa." (Feliciano de Castilho, Tartufo. Lisboa, 1870)
"Alminhas", entre várias coisas, é uma forma carinhosa, sentida, dedicada, de tratar as almas, tanto dos que partiram como as dos que estão. Na literatura apresentada, algum leitor terá confundido "alminhas" com "pequenos quadros em que se vêm as almas a padecer no Purgatório", tal como no-lo apresentam alguns eruditos dicionários!? Todos sabemos a reposta: não! claro que nunca nenhum leitor português fez tal confusão!
Na versão b, tanto adiantaria dizer "almas" como "alminhas"? Uma e outra não confundem, acabam por significar o mesmo, contudo esta forma dos portugueses usarem o diminutivo acaba por valorizar, emprestando um carácter mais amável, profundo, dedicado, e até mimoso (lembra esse "neologismo" empregue por Jesus ao chamar o Pai ("Ab") por Paizinho ("Ába" אבא).
(a continuar)
Subscrever:
Mensagens (Atom)







































