29/02/16

CONVERSAS De CAFÉ II

(ver programa anterior)

Depois de várias dificuldades, e tentativas, finalmente conseguimos editar a segunda transmissão do Conversas de Café. Contudo, porque os temas estão a ser muito importantes, e porque o entrevistado tem que falar de improviso, está em estudo a criação de outro tipo de programa unicamente para estes temas, e deixar o Conversas de Café apenas para temas e abordagens mais gerais.

As Conversas de Café II, têm como tema de fundo: D. João V, e Portugal do seu tempo. Eis alguns assuntos abordados:

1 - O Problema do conceito "absolutismo" - a sua origem histórica e os usos desta palavra; (00:00)
2 - Portugal, o último Reino Católico a cair; (10:25)
3 - Portugal, o Reino dos Fidelíssimos; (12:51)
4 - Dificuldades justificáveis nos tradicionalistas da "hispanidad" - convite à abertura; (26:05)
5 - Menéndez Pidal - o caso da identidade de Cristóvão Colon, e a estranha ocultação na investigação; (31:03)
6 - Os prémios e reconhecimentos alcançados por Portugal no séc. XVIII são verdadeiros e justos; (36:17)
7 - D. João V: honrando a Deus e ao Reino; (39:37)
8 - D. João V procurava modelos de perfeição para executá-los; (41:00)


Segunda parte (com alguns problemas técnicos, aqui):

9 - O caso do velho padre apóstata; (02:00)
10 - O Chá da Rainha; (03:28)
11 - Forte lei interior, e tolerância exterior - o português distingue; (5:28)
12 - A "palavra de honra" em Portugal, mais forte que um documento; (6:12)
13 - A aldeia tradicional: as diferenças e a falsa ideologia da igualdade; (9:39)
14 - Salazar: o "Portugal profundo" que ministrou o Reino; (13:50)
15 - Povo do interior: como humildes senhores até ao final do séc. XX. (16:00)


(continuação: Conversas de Café III)

NOTÍCIA - MAÇONARIA-EM-PORTUGAL INFILTRADA POR MAÇONARIA-EM-FRANÇA

Daniel Keller, Grão-mestre do Grande Oriente "de" França
Ontem, dia 28 de Fevereiro de 2016, o "Casa das Aranha" denunciou um significativo caso maçónico, do qual acabo de tomar conhecimento. Pela natureza, abrangência e significado (é este caso modelo de outros tantos), resolvi trazer aos leitores tal notícia:

(Casa das Aranhas) "Nota da Casa das Aranhas : Este texto foi submetido por um leitor da Casa das Aranhas, o qual é aqui reproduzido na integralidade. Existem vários elementos de interesse- para além de nos apercebermos de algumas das dinâmicas de competição e de conflito entre lojas e aglomerações maçónicas, existem sobretudo fortes provas de subserviência, pela parte de importantes estruturas maçónicas Portuguesas, a estruturas maçónicas Francesas. São aqui também divulgados documentos internos altamente sensíveis da maçonaria Francesa (os links para os documentos encontram-se no final do texto, sublinhados a azul). Uma breve análise dos documentos é suficiente para chegar à conclusão que a autenticidade dos mesmos é inquestionável, dando-nos uma valiosíssima oportunidade para espreitarmos para dentro do mundo secreto e altamente influente da Maçonaria." (continuar a ler, aqui)

28/02/16

D. TOMÁS DE ALMEIDA, I CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA (27 de Fevereiro de 1754)

Túmulo de D. Tomás de Almeida (igreja de S. Roque - Lisboa)
"Há 262 anos, a 27 de Fevereiro de 1754, morreu D. Tomás de Almeida, primeiro Cardeal-Patriarca de Lisboa.
Para além deste importante cargo, D. Tomás de Almeida foi igualmente deputado do Santo Ofício, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, chanceler-mor, secretário de Estado, Bispo de Lamego, escrivão da puridade e Bispo do Porto.
Devido à proximidade que manteve ao longo da vida com a Companhia de Jesus, em testamento deixou escrita a sua vontade de ser sepultado junto da ordem. Foi sepultado na Igreja de São Roque, em lugar de destaque, frente ao altar-mor." (Museu de S. Roque)

ESTADO DO PARÁ E A PROMOÇÃO DA ESCRAVATURA, POR D. JOÃO VI - Documento


"Tendo em mui particular consideração animar, e promover a introdução da Escravatura na Capitania, e Estado do Gram Pará, que sendo mui vasto, é ainda mui falto de Povoação: Hei por bem determinar, que de todos os Escravos que se exportarem para aquela Capitania, não só se não paguem Direitos alguns da saída em Angola, e da entrada no Pará; mas também que das Fazendas, que se exportarem do Pará com o valor, ou produto da venda dos Escravos, trazendo a competente Guia da Junta da Fazenda da mesma Capitania, que verifique isto mesmo, se não pague Direito algum de entrada, ou saída nesta Capital, ficando esse valor isento de todo o Direito. o Conselho da Fazenda o tenha assim entendido, e faça executar. Palácio de Queluz em 19 de Outubro de 1798.

Com a rública do Príncipe N. Senhor" [D. João VI]

27/02/16

ASCENDENS AOS CATÓLICOS ASSARAPANTADOS

Conhecidos e amigos, que andais aflitos e mui assarapantados com as representações do Senhor Presidente da República em Portugal, repito, EM, em Portugal, tenho a perguntar-vos: desde quando a república em Portugal passou a ser legítima, e deixou de ser ofensa a Portugal!? [o Estado Novo não conta]

É lamentável, sem dúvida, que o Presidente da República EM Portugal se diga católico, e vá a "celebrações ecuménicas" em mesquitas. Não será menos lamentável haver católicos que tenham a República em Portugal como República de Portugal ou, pior, considerá-la como Portugal mesmo.

Aos católicos que costumam usar a designação "falsa Igreja", ou "Igreja do Concílio", como se se tratasse efectivamente de outra igreja, não seria esperado ouvir-lhes dizer "falso Portugal", ou "Portugal da Constituição Republicana", como se de outro efectivo Portugal se tratasse? Não é que eu recomende tal, mas enfim ...

As câmaras municipais, embora tomadas de republicanismo, são elas mais legítimas que a república e seus representantes; para que vejais, ou vos lembreis. Elas existem entre nós há séculos! Tanto assim é que, um certo grupo de monárquicos portugueses, recente, o qual não apoiamos, tem como um dos pontos principais da sua campanha o municipalismo; e outro grupo, mais antigo, já fala em república coroada. Anda já tudo muito republicanizado, são contra a república mas pensar à republicana, e não admira já que se tome o adverso como nosso e próprio. Pobre gente, que geme pelos efeitos, e nem um "ai" dá pelas causas e falsos princípios que os originaram.

Sim...! Alguns de vós, em tempo de eleições, votou, para exercer o seu direito de voto (maçónico), votos como que legitimam o Prof. Marcelo Presidente. Agora, logo no primeiro dia, os frutos podres aparecem, e sem que estes estejam contra a Constituição Republicana (a tal que vos dá o direito de voto que dizeis ter). Insurgir-se agora, contra aquele a quem elegeste por legítimo superior, o Presidente, não será murmuração, contradição,  superficialidade, e tantas outras coisas!?

O assarapantamento em Portugal não foi pouco! Tenho visto até "modernistas" e ateus, indignarem-se com a actitude do Prof. Marcelo. As vozes que se levantam agora contra, evidentemente, têm alguma razão aparente, no caso dos que se julgam católicos-republicanos em Portugal; mas tem apenas completa razão, no caso dos que apenas toleram a República e repugnam a democracia. Outros assarapantados há, que vivem em constantes ajustes com a conveniência: há aqueles que a) acham que o direito de voto é maçónico e ilusório, mas depois das eleições consideram o Presidente da República um representante de Portugal; b) outros acham que a república não é legítima, mas é legítimo o voto e o representante republicano, e clamam mais democracia que qualquer republicano; c) outros dizem-se monárquicos e católicos à sexta, mas são republicanos e heterodoxos à segunda!

As vozes da razão e da lucidez católica não servem apenas para dizer a verdade a quem a conhece e pratica, mas sim, e principalmente, para corrigir quem anda enganado. E é isto bem necessário, pois o que não falta é confusão e cumplicidade. Veja-se pois, que nestas matérias temos no blogue ASCENDENS publicado artigos e obras relativas à democracia e à república (contra a fome: pão).

Não confundir SER, e ESTAR (ou parecer, ou ter, ou fazer, etc...):

- Portugal É uma monarquia tradicional;
- A República é ocupante, e temos obrigação de correr com ela (enquanto tal, temos que nos ir sujeitando, tolerando no necessário, sempre que não se entre em contradição com o que Deus manda etc..).

Mas que dizer a esses que votaram e se queixam agora?! E que dizer aos que se calaram em criticar maus princípios, mas que apenas bradam para criticar os efeitos dos mesmos princípios?!

A quem É português, e não tem ANDADO português, ponha-se em linha!

19/02/16

CONVERSAS DE CAFÉ (I)



1 - Apresentação do programa, introdução; (00:00)
2 - Vagas memórias da "revelação" do Segredo de Fátima no ano 2000, em Portugal; (06:30)
3 - Aqueles que dizem que as aparições marianas são OVNIS e extraterrestres; (15:30)
4 - A origem do nome de Fátima; a Europa e o Islão; (26:30)
5 - As más investigações dos teóricos da "Irmã Lúcia falsa"; a carta da falsa revelação do 3º Segredo e a análise da letra. (31:00)

(continuação: Conversas de Café II)

NOVO PROGRAMA: CONVERSAS DE CAFÉ estreia hoje.

Pedi a um amigo tradicionalista que alinhasse num novo projecto, e o dirigisse: "Conversas de Café, com Pedro Oliveira". 

Trata-se de um projecto lúdico, didáctico, informativo, dos múltiplos assuntos quem os tradicionalistas trocam entre eles em conversa.

Para quem não sabe, "conversa de café" é uma expressão portuguesa que significa aquele tipo de conversa que os portugueses costumam ter no seu acostumado "tomar café" com os amigos: assuntos variados, discutidos com seriedade, mas por alto.

Este programa será transmitido em directo, mas não é acessível a todos, por agora. Contudo, será disponibilizado em vídeo, conforme a necessidade.

Aqui está o misto de lúdico, seriedade, e convívio; uma experiência para amigos:


15/02/16

SERMÃO DA III Sexta-Feira da QUARESMA (Venerável Pe. Bartolomeu de Quental) I

A levitação do Venerável Padre Bartolomeu do Quental
(autor português do séc. XVIII)

 

SERMÃO

DA TERCEIRA SEXTA FEIRA DA QUARESMA
Na Capela Real
(Lisboa)

[Venerável] Padre Bartolomeu de Quental
Ano 1664

"Auferetur a vobis Regnum Dei" (Mat. 21)

182. Praza a Deus não vejamos cumprido em Portugal (Muito alto, e poderoso Rei, e Senhores nossos). Praza a Deus não vejamos cumprido em Portugal, o que Cristo S. N. profetizou, e se cumpriu no Reino de Israel: num Reino tão basto de profecias, não será fora de propósito prégar de uma, e mais sendo de Cristo a profecia da ruína de Israel: Auferetur a vobis Regnum Dei (Mat. 21. 43). E se esta profecia se pode entender de Portugal, há de o dizer a causa dela: a causa em que Cristo Senhor nosso a fundou, eram os pecados daquele povo, e se no nosso houver os mesmos, podemos temer que se entenda do nosso Reino a profecia de Cristo. Eram os pecados, não a acudirem com os frutos ao senhor da vinha, matarem os servos que os arrecadavam, e ultimamente o filho; e sendo estes pecados tão graves pelo que eram em si, ainda o eram mais pelas circunstâncias que tinham. Cinco circunstâncias muito agravantes tinham estes pecados, que assim provocaram a ira de Deus; eram pecados dos lavradores, eram pecados de reincidência com teima, e obstinação, eram pecados sem pejo, eram pecados de indução, e conspiração, eram pecados públicos. Eram pecados dos lavradores; os lavradores foram os que não pagaram, os que feriram, e mais mataram: Agricolae, apprehemsis servis ejus, alium ceciderunt, alium occiderunt, alium vero lapidaverunt (ibi 35). Eram pecados de reincidência com teima, e obstinação; o mesmo que fizeram aos primeiros servos, fizeram aos segundos, que eram mais: Iterum misit alios servos plures prioribus, et fecerunt illis similiter (Ibi. 36), e ultimamente ao filho. Eram pecados sem pejo; pejar-se-hão de meu filho, disse  senhor da vinha: Verebuntur filium meum (Ibi. 37), e eles não se pejaram. Eram pecados de indução, e conspiração; induziram-se todos, e conspiráram-se para o pecado. Dixerunt intra se, Hic est baeres, venite, occidamus eum (Ibi 38). Eram pecados públicos; puderam matar o filho dentro da vinha, o lançaram primeiro fora, para fazerem público o seu pecado: Et apprehensum eum ejecerunt extra vineam, et occiderunt (Ibi 39). E foram estas circunstâncias tão agravantes do seu pecado, que provocaram a justiça de Deus tirar-lhes a vinha, e logo Cristo lho profetizou tanto que as viu: Auferetur a vobis Regnum Dei. Estas circunstâncias do pecado em que Cristo fundou a profecia da ruína de Israel, serão o assunto do Sermão para se prevenir Portugal. O Pai de família, que não vai menos interessado nesta vinha de Portugal, do que o era na de Israel, encaminhe o sucesso de maneira, que lhe deu hoje a vinha melhor fruto.

183. A primeira circunstância dos pecados que arruinaram aquela vinha (segundo a profecia de Cristo) foi serem pecados dos lavradores; os lavradores foram os que não pagaram os frutos, os que feriram: Agricolae, apprehensis servis ejus, alium ceciderunt, alium acciderunt, alium vero lapidaverunt, e serem pecados dos lavradores provocou mais a justiça divina. Plantou o pai de famílias esta sua vinha: Plantavit vineam, cercou-a com seve: Sepem circumdedit ei, isto é, pôs-lhe lei: Sepes lex est, dizem Eutímio, e Teofilato; fez-lhe lagar: Fodit in ea torcular, isto é, levantou-lhe altar, como querem muitos [como muitos defendem ter sido]: edificou-lhe torre: Aedificavit turrim, isto é, edificou-lhe templo, e religião, como é mais comum; e entregou-a aos lavradores: Et, locavit eam agricolis: e que aqueles a quem o Senhor entregou a vinha lhe faltem com os frutos que os que deviam evitar os roubos, não paguem a dívida que os que deviam castigar os crimes, façam os ferimentos, e mais os homicídios! que os que deviam fazer respeitar a torre, pervertam a religião! que os que deviam usar do lagar para pisar as uvas, pisem os servos e finalmente, que os que deviam conservar a seve, a romperam! os que haviam fazer guarda a lei, a quebraram! isto provocou mais a justiça divina; que fizeram estas extorsões os servos, que quebrassem as leis os jornaleiros! não há de passar sem castigo, diz Cristo: Auferetur a vobis Regnum Dei.

184. Com pena de morte quis Deus castigar a Moisés: Volebat occidere eum, por não circuncidar um filho seu no tempo em que o mandava a lei. Diz Abulense: Quia non circumciderat filium suum Elieser tempore debito. E mais tinha uma escusa bem relevante, que lhe aponta o mesmo Abulense: nascera-lhe o filho ao tempo em que estava de partida para o Egipto por mando de Deus a libertar o seu povo, e viu-se em talas sobre o cumprimento da lei, porque se o circuncidava tão perto da jornada, punha em perigo a vida do inocente, e se o circuncidava, e esperava por ele algum tempo, dilatava a liberdade do povo, e por não dilatar a liberdade do povo, nem arriscar a vida do inocente, dilatou a circuncisão: há escusa mais relevante? e não lhe vale? Sim valerá para outros, mas não para Moisés, porque havia ser Legislador, e já era Núncio, diz Abulense: Quia ipse erat futurus Legislator Hebraeorum, et unc mittebatur ut Nuntius: e porque era Núncio, e Legislador, não houve razão que o desculpasse da transfressão da lei: que aquele que deve fazer guardar a lei, a quebrante, diz Deus, e que dirão os outros se lha virem quebrar a ele? Moisés que há de fazer guardar a lei, a quebranta? Ele corta pela lei, por não cortar pelo filho? Logo também nós por não cortarmos pelos filhos, cortaremos pela lei? pois por atalhar estes inconvenientes, uma de duas, ou ele há de cortar pelo filho, ou eu hei de cortar por ele: Valebat occidere eum.

185. Tão rigoroso se há Deus com os transgessores da lei, que tem obrigação de a fazer guardar, que ainda quando há razões para dissimular com os mais, não dissimula com eles, porque corre diversa razão neles, que nos mais: se os que estão obrigados a guardar, a quebram, quebram-na eles, e quebram-na os mais; porque tanto que eles a quebram, é muito certo quebrarem-na todos. Parou o Sol às vozes de Josué para apadrinhar a sua victoria; e retrocedeu dez linhas às diligências do Profeta, para certificar a Eséquias da sua vida. Pergunta Abulense, se parando, e retrocedendo o Sol, pararam, e retrocederam os mais Planetas também. E responde, que sim; e isso porque? Pare, e retroceda o Sol, mas os outros Planetas? Nem Josué mandou parar mais que o Sol, nem o Profeta Isaías fez retroceder mais que o Sol; logo, porque pararam, e retrocederam os mais Planetas? porque parou, e retrocedeu o Sol; parar, e retroceder o Sol, foi perverter as leis da natureza, e como era o luminar maior: Luminare maius, o presidente do dia: Ut praesset diei, tanto que quebrou as leis, logo as quebraram os mais Planetas também: O Sol quebrou as leis por amor dos homens, os mais quebraram as leis com o exemplo do Sol: o Sol quebra as leis por seus respeitos! (diriam os mais Planetas) pára por obedecer a Josué! retrocede por condescender com Isaías, e deferir a Ezequias! pois saiba Josué que também os mais Planetas paramos; saibam Isaías, e Ezequias que também retrocedemos; e veja o mundo, que tanto que o Sol quebrou as leis, as quebraram os mais Planetas também. Advirtam os Luminares grandes que presidem nas Repúblicas pelo Eclesiástico, e pelo secular, quanto mais carrega sobre eles a observância das leis, pois de eles as quebrarem, se segue quebrarem-nas todos. E advirta o Sol, que em quebrando as leis, já não é Sol, porque já não é só.

(a continuar)

DESTRUINDO MITOS CONTRARIOS À INQUISIÇÃO ESPANHOLA

Tomás de Torquemada
É pena que este documentário apenas trate da inquisição espanhola, e não de outras católicas iqnuisições! É um documentário da BBC que tem alguns erros preservados pelos adeptos da hispanidad... mas enfim, siga o documentário, porque do resto já estamos acostumados.



O REI E O PAI (IV)

Monsanto - Portugal
(continuação da III parte)

& 33

Feliz a Nação, que não ignorando os seus direitos tão autorizados, jura obediência aos seu Rei, e o alivia do peso enorme dum governo absoluto, como acontece ao Pai, que tem filhos discretos, e bem governados. Feliz a Nação, que jura obediência a uma Religião Santa, e às Leis fundadas em justiça e caridade; recompilação perfeita de todos os preceitos da Lei escrita, e da Lei da graça: obra imortal, de que só um Deus podia ser o Autor, a quem só pertence a regeneração dos homens, que ele criou para si, como centro da imortalidade.

& 34

É mais visível o merecimento humano nos conflitos da desgraça, que nos afagos da Fortuna. Uma Nação sobressaltada, que por impulsos da intriga mais dextra, e mais capciosa, e iníqua vai abismar-se, e que por movimentos de honra, e heroísmo espontâneo retrocede, e se salva do precipício, ombreia com as mais poderosas Nações do mundo; resistir às paixões, é o maior triunfo; esmagar a cabeça do Dragão, é a maior proeza.

& 35

Procedimento tão exemplar resolve dúvidas, e sufoca temores: com menos façanhas se fundaram Impérios, e com menos títulos se erigiram Padrões à Lealdade. Trabalho assíduo, sofrimentos pasmoso, privações incríveis para guardar um Reino à competente Dinastia, é um esforço de amor, que talvez não tenha exemplo na história; embainharam-se as espadas por preceito do Soberano até contra os inimigos: mas acrescentou-se a defesa com a fidelidade dos ânimos, que ainda preservaram com uma constância inimitável.

& 36

Não é um feudo violento: não é uma herança absoluta, e viciosa: não é um património ilimitado; e extorquido, que os Pais de famílias reservam para o seu chefe; é um donativo mais precioso: é um depósito mais sagrado, um penhor mais seguro, para firmar os direitos da Soberania, abalados, e ofendidos pela ausência, pela distância; e pela desconfiança, que reciprocamente suscita ciumes, entre os mesmos Irmãos: mas sem inversão dos direitos da Natureza, radicados no coração dos bons Súbditos.

& 37

Quando uma Nação [Pátria] se disputa maiores rasgos de patriotismo, ilesa será sempre a Pátria, e se não acrescentar terreno, levantará muralhas indestrutível, e inconquistável, com melhor sorte, que as Repúblicas antigas, corrompidas pela ambição, pelo luxo, pela sensualidade, e por aquela força destrutiva, que caracteriza melhor, que tudo, as coisas humanas.

& 38

Renovam-se os tempos dos milagres; uma Nação aflita, e perturbada por opiniões vagas, empobrecida por acontecimento, imprevisto, magoada pelos gemidos da pobreza, e pelos suspiros da orfandade, cai em convulsão; e nos transportes de sua agitação violenta, três ou quatro homens invocam o Deus dos Exércitos, clamam, oh Rei! oh Pátria!Retumba em todos os horizontes esta voz sagrada, e se repetem iguais clamores, que se ouvirão no Céu; desce portanto a Paz, que tudo cura, e tudo reanima.

& 39

Se isto não é milagre, invente-se outra palavra para explicar um acontecimento tão extraordinário, que não pode ter outra origem, que o poder de Deus. O segundo ainda parece mais transcendente da compreensão humana; porque o mesmo Entre, que se precipita, é o mesmo que se levanta, depois de abismado nos horrores da Anarquia.

& 40

Que outra palavra, além de milagre, compete à deposição dos Depositários Nacionais do poder supremo! E que admirável resultado! Aparecessem restituídos, quase no mesmo instante, em que foram depostos: é verdade, que se viu o Povo levá-los em triunfo ao Capitólio; mas quem incitou aquele Povo? Ainda se ignora, a não ser a nova graça, com que Deus ilustrou uma Nação [Pátria] privilegiada.

& 41

Não será milagre; mas qualquer outra palavra, com que se explique o motivo de tão extraordinário acontecimento, sempre há-de indicar, que os princípios motores são Divinos; está portanto meio caminho andado para uma regeneração política, advertindo-se porém, que ela é inseparável da regeneração moral. Imoralidade é a causa principal de todos os males Nacionais [Pátrios].

& 42

A desobediência à primeira Lei, despiu o homem das ricas vestes da graça, e mal coberto para esconder sua vergonha, e seu crime, apesar de seu arrependimento, contagiou sua decência, vindo a ser tão imortal, que se Deus fosse susceptível de pezares, ele se arrependeria de ter feito o homem livre.

& 43

Regenerou-se o homem, não pelas águas, em que foi submergido, mas pelas virtudes dos poucos justos, que escaparam ao naufrágio, autenticados pelos preceitos Noá[?]hicos, supostos por Grossio, e que são a mesma Lei natural, eterna, e imutável imposta a Adão, como parece muito racionávelmente ao imortal Coccei.

& 44

A imoralidade frustrou esta regeneração, e se Deus não prometesse, que nunca mais afogaria os homens, seriam tantos os dilúvios, como as tempestades; porque a Liberdade de que tanto se vangloria o ser humano, só lhe serve de pasto, e de estímulo para aniquilar-se.

& 45

É portanto muito dificultosa uma regeneração política, não sendo precedida de uma regeneração MORAL [o negrito é meu], sustentada pela força, que é o que significa o auxílio de braço secular prometido à Igreja: não se ofende a liberdade, quando se obriga o homem a fazer o que deve: este direito é o de Pai de famílias no estado primitivo, e bem se sabe, que os sacrifícios eram os mesmo em quanto ao objecto ou fossem bons, ou fossem maus os sacrificadores, donde se infere o poder paterno na direcção do culto ao Autor da natureza.

& 46

A liberdade tem um vasto campos, em que se exercita, e em que se empregou para recreio, e conservação do homem; tudo quanto se lhe proíbe em proveito seu, é tão precioso, e ainda mais que a mesma liberdade: o pomo proibido de Adão era nocivo à sua saúde, como se mostrou pela sua doença contagiosa, que ainda hoje se propaga por todos os seus descendentes.

& 47

O prazer mais lisonjeiro, e aprazível ao homem o deleita, e entristece; a posse de qualquer objecto, que lhe agrada o enfastia: geralmente se diz, que isto é uma desgraça, quando é a melhor fortuna. um ser limitado, rodando sempre em molas frágeis, há-de consumir-se: um espírito agrilhoado por impulsos, e cegos movimento da matéria, há de romper tão duro, e tão medonho cárcere, sublimando-se à força, ou à inércia da matéria.

N.B. No nº seguinte se darão as notícias políticas com a exposição dos sucessos presentes.

(a continuar)

RELICÁRIO DE S. VALENTIM - da Capela de S. João Baptista (Lisboa)

Craneo de S. Valentim - na Basílica de Sta. Maria in Csmedin (Ripa - Itália)
Hoje, dia do Mártir S. Valentim, mostramos onde estão guardadas as suas mais famosas relíquias em Lisboa (na igreja jesuíta de S. Roque, num dos relicários pertencentes à capela de S. João Baptista mandada fazer pod D. João V). A Relíquia costuma estar exposta, em relicário, no Museu de S. Roque (que tem entrada pela própria igreja de S. Roque, e não sei se é colocada na capela neste dia [e se não é, deveria]).

A respeito da vida e martírio de S. Valentim, a "Flos Sanctorum" (Lisboa, 1869) diz-nos: (aqui)

Aproveite para ver também o que já publicámos a respeito das relíquias e relicários em questão (aqui)

Bolsa com os ossos de S. Valentim (ossos):


Relicário de S. Valentim:

Este relicário de S. Valentim, tem um par igual com as relíquias de S. Próspero
Conjunto de relicários da capela de S. João Baptista:

Os dois pares de relicários da Capela do Divino Espírito Santo e S. João Baptista, da igreja de S. Roque. Na frente
temos o par: S. Félix e Sto. Urbano
A quem quiser conhecer boa parte da história de tantas e tantas relíquias da Igreja de S. Roque, tem aqui o livro "Memória do Descobrimento e Achado das Sagradas Relíquias do Antigo Santuário da Igreja de S. Roque, com a Notícia Histórica da Fundação da Mesma Igreja e Santuário ..." (Lisboa, 1843).

14/02/16

ESPECIAIS ASCENDENS (VI)

(continuação da V parte)

DO LIBERALISMO À APOSTASIA - PREFÁCIO (com comentários)
Trata-se do prefácio escrito por Mons. Lefebvre, no seu livro "Destronaram-No, Do Liberalismo à Apostasia", que por ter um condensado tão rico quisemos desdobrá-lo com alguns comentários necessários a católicos distraidos.

EXORCISMO CONTRA PERIÓDICOS E OUTROS MALEFÍCIOS
Pequena obra satírica escrita pelo Pe. José Agostinho de Macedo contra os abusos da comunicação escrita, do séc. XIX. Obra muito actual, porque as verdade nela contidas, duráveis, são muito verdadeiras. Além disso, esta leitura dá-nos também um belo complemento à cultura Europeia.

PEDIDO AOS LEITORES - PESQUISA SOBRE EXCOMUNHÃO DE D. JOÃO IV
D. João IV foi excomungado, ao que parece injustamente, ou invalidamente, ou não; a "excomunhão" foi-lhe levantada depois de morto, segundo um ritual de desenterramento. Sobre esta matéria, interessante, sobretudo para nós, tradicionalistas, haveria que fazer um bom levantamento. Como foi? Fom mesmo verdade? A excomunhão foi justa? ... Quem souber que conte!


EM FRANÇA, 1906 (Igreja/ "estado")
Notícia breve da luta dos bons franceses contra a lei de separação do "estado". Também da mesma fonte, e do mesmo ano, a notícia publicada por nós como "JUDEUS E MAÇÕES".

EM VÍDEO - Novo Vocabulário Filosófico-Democrático I
Já foi lançado o primeiro áudio da obra "Novo Vocabulário Filosófico-Democrático" (obra do expólio anti-liberal português)... mas... para comemorar tal lançamento, fizemos uma versão em vídeo do primeiro áudio. E que tal ficou!? ...

 15 de AGOSTO - NÓS CERTA VEZ NA ÁSIA
Pequeno texto retirado da "Década da Ásia" no qual podemos ver como os nossos antepassados eram e faziam em terras de além-mar relativamente à piedade religiosa e devoção.

CULTO A SANTO ANTÓNIO DE LISBOA
De tudo um pouco. É este um artigo antigo de revista religiosa, resgatado pelo blog Ascendens.

SACRILÉGIO DE COIMBRA (ano de 1362)
Artigo que contem várias fontes antigas sobre um sacriégio ocorrido em Coimbra.

(continuação, VII parte)

PEDIDO AOS LEITORES - PESQUISA SOBRE EXCOMUNHÃO DE D. JOÃO IV

Caros leitores,

em circunstâncias, veio à conversa a questão da "excomunhão" de D. João IV (de Portugal). Este tema esquecido dos bons portugueses tem sido deixado ao trato da imaginação dos inimigos da Igreja, fingidos amigos deste Rei. É hora de recolher fontes e tratar mais demoradamente o assunto da "excomunhão". Posto isto, solicito aos interessados em ajudar que nos enviem fontes (da época, se possível) através do nosso correio electrónico ( ascendensblog@gmail.com ) - quer a respeito da excomunhão quer a respeito do seu levantamento.

Depois da devolução do legítimo ao Trono, D. João IV foi excomungado (Maio de 1647). Provavelmente nula, ou realmente inexistente (visto não haver matéria), a injusta excomunhão foi levantada (ou aparentemente levantada!) depois de morto e enterrado; o ritual foi executado pela Santa Inquisição, segundo os dados que temos.

Este assunto é também interessante e importante do ponto de vista teológico, e canónico.
 
Que haja então por aí  algum leitor que conheça melhor o assunto, que honrar este legítimo superior nosso, e que nos faculte informação.

Desde já, o nosso bem hajam.

07/02/16

NOVAS EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS A RESPEITO DE D. SEBASTIÃO

ElRei D. Sebastião
Nós, portugueses, guardamos a lenda do Rei D. Sebastião: o qual voltará, montado em seu cavalo, numa manhã de nevoeiro. Em criança, mesmo antes de eu saber quem ele foi, já conhecia este dito; assim todos nós, suponho.

Não vemos motivos para apoiar o grupo sebastianista, contudo, há que dar valor a alguns estudos pertinentes realizados por membros seus. É o caso dos levantamentos, investigações, e descobertas a respeito do elmo de D. Sebastião, com o qual terá morrido na batalha de Alcaçer Quibir. Este estudo deve-se a anos de investigação e trabalho do investigador português, especialista em armas (Presidente da Sociedade Portuguesa de Armas Antigas), Rainer Daehnhardt (com o qual não se pode concordar com todas as teses e opiniões). O estudo do elmo revela aspectos importantes da história de D. Sebastião, relativamente à famigerada batalha (que ao tempo seria a última da Cristandade contra o Islão - mas perdida), e dá-nos alguma orientação a respeito da forma como o Trono de Portugal possa ter sido usurpado por Filipe II de Espanha.


Segundo a cronologia indica, a história de D. Sebastião e Alcácer Quibir, tal como a conhecemos, sofreu manipulação posterior, não lhe coincidindo totalmente os dados da época nem a teimosa tradição oral  popular portuguesa.

Rainer Daehnhardt com peças da armadura do Rei D. Sebastião. Ao lado, o Tenente Coronel Brandão Ferreira
Caro leitor, se desde criança guardou esta "lenda" (mais dito, que lenda), pense lá: não é verdade que, vez alguma, pensou aquele matinal retorno de forma fantasmagórica ou ressuscitada!? Pois não... sem especulações feitas podemos dar-nos conta que este dito de 500 anos se manteve connosco em referência a um homem vivo e nunca morto!


Algumas das marcas das muitíssimas marcas de golpes no elmo. Um número assustador.

Temos então três fontes distintas:
1 - a clássica, história retocada e posterior, a qual fixou D. Sebastião como morto em Alcácer Quibir;
2 - um conjunto de dados da época, coincidentes entre si, mas desfavoráveis à versão clássica. D. Sebastião não terá morrido em Alcácer Quibir, mas muito depois;
3 - a tradição oral, insuspeita, que nos faz guardar o regresso deste Rei em vida, e não após a morte. Evidentemente, não se trata aqui de messianismo português, embora este fenómeno tenha sido também interpretado como tal, mas nunca foi essa a intenção de quem tem transportado o dito.


São fontes da época e outros dados arqueológicas que se juntam; tudo entre nós ficou sossegado (ao bom estilo português: como rica casa fechada, esquecida por séculos, a qual, sobe denso manto de pó, guardou brilhante a frescura do último dia... até que a porta volte a abrir - um quadro a meio, um terço sobre a mesinha de cabeceira, ali um brinquedo de criança, mesa posta para o almoço que ainda não chegou, um cesto de lenha que acabou de ser colocado perto da lareira, aquela carta recém chegada que ficou por atender... - qual máquina do tempo - se assim descobrimos intacto, foi porque outros não mexeram antes). Mas que fontes são essas?

Filipe II de Espanha
Fontes da época acham D. Sebastião na Itália, no ano 1598, preso, ora em Veneza, ora em Florença, ora em Nápoles, com cumplicidade de Espanha. A versão clássica foi gradualmente promovida durante a ocupação dos Filipes (certamente por motivos políticos).

Alguns dos relatos pessoais sobre a batalha de Alcácer Quibir, dão o Rei D. Sebastião com sobrevivente, pelo menos. D. Sebastião Figueira, conta como ele e o Rei se retiraram de campo, e que, mais tarde, em Veneza, o reconheceu como o "Cavaleiro da Cruz". Finalmente, no séc. XIX, em Limoges (França), no convento dos Agostinhos, na capela de S. Sebastião, foi aberto um túmulo que continha uma medalha de ouro, na qual se lia "Sebastianus Primus Portugaliae Rex" (anteriormente à descoberta, ali sempre se tinha guardado o costume de dizer que ali estava sepultado um rei do mesmo nome que o de S. Sebastião).

A batalha de Alcácer Quibir foi talvez a última Cruzada da Cristandade da Península Ibérica (agora e terras de África), caso não contemos com a batalha de Matapã com o seu simbolismo. Dos relatos da batalha, propriamente dita, não há convergência na parte final, sobretudo depois dela. Veja-se, por exemplo, como termina este relato: "Neste tempo, vendo ElRei que na sua vanguarda estava o campo desbaratado, foi recolher-se pela banda do Duque de Aveiro, e foi seguido por alguma gente a cavalo e a pé, julgando que ia fazendo uma ponta para volver sobre os mouros, viu o campo já tão desbaratado que se retirou. Durou a batalha quatro horas sem se declarar a vitória."

D. Afonso VI conta que certo dia seu pai beijou a mão a um velho desconhecido, ao qual tratou por Rei.

Pois bem... e o dito fica: "... voltará montado em seu cavalo,numa manhã de nevoerio."

03/02/16

ÁUDIO - NOVO VOCABULÁRIO FILOSÓFICO-DEMOCRÁTICO (I)

Aqui está o nosso primeiro trabalho do género. Ainda esta semana sairá a versão "vídeo" (bem interessante). Os trabalhos seguintes, Deus queira, irão gradualmente melhorando.

O fundo musical: Carlos Seixas, sinfonia em Si b (allegro e adagio).





(continuação, áudio I - versão do áudio I em vídeo)

VOCABULÁRIO DEMOCRÁTICO Nº6 (I)

(anteriormente, o Vocabulário Democrático Nº5)

NOVO VOCABULÁRIO
FILOSÓFICO-DEMOCRÁTICO


==============
N.° 6
==============

Cum desolationem faciunt, Pacem appellant.
(Tacito)

*É tão fera a perfídia
De um cruel, e vil Mação,
Que a paz nos apregoa
Quando faz a desolação. D. Tr
 __________

Vocábulos, que mudaram de sentido, de significação, e de ideia.

CARIDADE CRISTÃ – Não estão menos em uso entre os ímpios e ateus estes Vocábulos que a palavra humanidade, e coincidem muitíssimo com ela. Os ateus a adoptam de tanto melhor vontade, quando levam eles a vantagem, de que se reclamam algumas vezes dos Cristãos, estes não são tão tolos, que a reclamem deles. Entre os Republicanos não tem mais uso, nem outro destino, que servir de escudo, apoio, e defesa de quantas iniquidades Democráticas possam imaginar-se. Por exemplo: Quando os Democráticos estão de cima, devem os Cristãos, por Caridade, ver com humilde paciência, resignação, e respeito abater a Religião, destruir os Templos, desterrar os seus Bispos, roubar, e fuzilar seus Sacerdotes. Se mudam as Cenas, e os Democráticos aparecem de rastos como as cobras, é, segundo eles, um estreitíssimo dever da Caridade Cristã deixar impunes todos os seus execráveis delitos: e a doce e amável Caridade acusada de fanática, atroz, e sanguinária, se não ata as mãos à Justiça, e faz liga com os ladrões, ímpios, e assassinos para exterminar a inocência. E deste modo os homicidas, e traidores podem acusar com razão a Caridade, porque não impede que lhes apertem o gasganete. Oh! quanto tempo faz, que pudéramos estar gritando: por Caridade Cristã levantai forcas! 

(* Que não terá a esta hora gritado a alta Sucia quando viu passados pelas armas na Hespanha 54 mártires da Pátria, e entre estes um célebre Golfin, que foi Ministro da Guerra no tempo das Côrtes: o grande Calderon, que era o Borges Carneiro de lá: um Lopes Pinto também Deputado, e o seu digníssimo Chefe "Torrijos"! Que desumanidade! Que falta de Caridade Cristã! Não parece ser isto feito num Reino Católico por excelência! Senhores pranteadores, Senhores Jeremias Políticos, vejam-se naquele espelho; e olhem que a Caridade bem ordenada principia por nós: Vossas mercês sem dúvida não seguem a doutrina de Santo Tomás, que diz nos devemos deixar matar o injusto agressor sem lhe resistir, disto não percam nada, mas se seguissem algum partido seria o contrário, e muito provável, que sustenta, que o homem tem direito a defender-se de um agressor injusto, ainda à custa da sua morte: ora então vejam que aquele procedimento é conforme ao Direito Natural, das Gentes, e Supremos Árbitro das Nações; e para ser justo, e saudável basta que seja reprovado por Vossas mercês.
A pena, que nos resta, é não haver já entre nós um Decreto de prevenção, como é aquele de Fernando VII, lavrado em Outubro de 1830, em que manda que sejam passados pelas armas todos, que se acharem com elas na mão contra a sua Pátria, e não quer que lhe deem parte senão depois do milagre feito. Grande Política é a daquele Governo! Deve ser a Mestra para todos os Soberanos. Nada de justificações em tais casos; porque em havendo um pequeno descuido, logo aparece, absolvido por falta de prova. 
Lembra-nos agora, o que a este respeito ouvimos a um Escrivão desta Côrte, (a quem Deus perdoe, porque já é defunto) que falando das habilidades do seu ofício, fez esta pergunta aos circunstantes "porque razão não está o Diabo no Céu, apesar de se rebelar contra Deus?". Ninguém soube responder: pois saibam os Senhores, disse ele mesmo "É porque Deus não admitiu a justificação". Por isso dizemos que a verdadeira justificação é a forca, e, para abreviar mais, os arcabuzes à Fernanda. Esta receita prova admiravelmente.) D. Tr. 


PREVENIR – Os Democráticos servem-se deste termo em um sentido inteiramente contrário, ao que dantes tinha. O que não pode acontecer, é o que eles previnem. Porém aconteça que algum tenha o arrojo de prevenir em sentido verdadeiro os iníquos, e horríveis planos dos Democráticos! Oh! boca que tal disseste: logo aparecem furiosos, endiabrados, e todos gritam, sedição! plano combinado! conspiração contra o Governo! traição! desobediência! etc. É por este modo, que se ataca um Povo, que vive sossegado; e assim o roubam, saqueiam, e fazem escravo: oh! isto é prevenir. Como se nem o Diabo houvera pensado em prevenir o nada! Vamos agora pelo contrário.

Se um povo ameaçado real, e verdadeiramente do extermínio invasor abre os olhos, e vê o insondável abismo de males, que os ameaça, e começa a mexer-se, e a querer preveni-lo, poder de Deus! Furibundos, e lançando espuma pelas malvadas bocas, se apresentam os Revolucionários; e o prevenir já não é já prevenir, mas sim desejo de sangue, anarquia, perfídia, e traição. E os que choram por sangue humano, quando se trata de fazer o mundo ateísta, e se pelam por chuchar juntamente com o sangue os cabedais de todos os povos; põe as mãos na cabeça, elevam clamores até às nuvens, e se tornam mais loucos do que são; e berrando como touros, pranteiam como estes o sangue, que ainda se não há derramado, não fazendo caso algum do que já foi derramado pelos povos, que não querem aguentar os ímpios, os assassinos, e os ladrões. Basta ver como tratam em seus Escritos ao homem mais respeitável da Europa, somente porque se opõe com vigor à impetuosa torrente do latrocínio Democrático. Ele é um sanguinário, um Canibal, um pérfido, e quanto pode vomitar a pérfida boca Democrática. E porque? Porque não consente que os Demónio-cráticos destruam sem oposição a paz, a tranquilidade, as santas máximas, a Religião, as Leis, e a substância dos povos; porque não lhes permite que escravizem os homens, que arruínem os Tronos, e que tiranizem a seu bel-prazer o globo inteiro; porque, vamos.... é boa frescura não querer que os homens recebam com satisfação, e com palmadas da alegria a seus tiranos, e bárbaros opressores. Ah! Santo Céu! Quanto te cansarás de tanta iniquidade? 

(* O homem respeitável, de que aqui se fala, julgamos ser naquele tempo o Imperador Alexandre; mas se este nos faltou, resta o grande Nicolau, a quem chamamos o Cyro de nossos dias: ele é que há de libertar a Europa do jugo Maçónico.) D. Tr.

(a continuar) 

Receitas de Portugal - JARDINEIRA

Eis um prato que comia bastante em criança, e já me tinha esquecido dele. Cá vai a bela JARDINEIRA... bom proveito:



01/02/16

1 de JANEIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO - COMENTÁRIOS (IV)

(continuação da III parte)

f) Vive ainda a memória no convento de Mosteiró do servo de Deus Fr. Álvaro que faleceu no ano 1476 quando este convento era dos frades Menores da Província de Portugal, e hoje dos principais da de Sto. António, ao qual deram princípio no ano 1392 três varões de grande espírito, e zeladores da perfeição religiosa, filhos da Província de Santiago, cujos nomes são Fr. Diogo Asturiano, Fr. Gonçalo Marinho, e Fr. Pedro Dias. Consta do breve que para a nova função passou o Papa Bonifácio IX no 3 ano de seu Pontificado o qual traz Wadingo (tomo 4) dos anais (nº 4).

Esta casa dista pouco mais de uma légua de Tui, e outra de Valença, e fica do Rio Minho para o meio dia. Foi edificada sobre uma ermida de N. Senhora que já ali estava de tempos antiquíssimos, a qual com admirável culto frequentava o povo pelo notável princípio de sua fundação, da qual havemos de falar (Deus crendo) no nosso Tratado dos Santuários de Portugal. E como esta casa foi a primeira que da Observância que houve neste Reino, era bem que o fosse também na santidade, e como tal nela viveram, e saíram religiosos que no exercício das virtudes foram admiração ao mundo, e no exemplo, e pregação evangélica dignos semeadores da divina palavra, como veremos em diversos lugares desta obra. Deram-nos notícias de Fr. Álvaro umas adições que se mandaram fazer pela Província a Crónica Seráfica de Gonzaga.

g) Foi o Pe. Fr. António Pereira filho da Província dos Algarves, defenidor três, ou quatro vezes, e Guardião dos principais conventos dela. Faleceu no de S. Francisco de Beja no ano 1599. Gonzaga quando trata dele, não se delibera em que ano teve princípio. O livro das memórias desta província, que ano 1615 mandou fazer o Vigário geral da Ordem, Fr. António de Trejo, refere sua fundição no ano de 1324 e fiz que é Padroeiro dele ElRei nosso Senhor. Deste Religioso faz menção o mesmo livro que não tem pequena autoridade na Província.

Igreja do Convento do Carmo mandado construir pelo Santo Condestável de Portugal
h) Floresceu Fr. Jerónimo de Brito no ano 1593 como afirma Fr. Luís de Mértola na vida do Venerável Fr. Estêvão  da Purificação (c. 27) e na sua m. s. onde se lê, que é natural de Lisboa, e filho do convento do Carmo dela. De que foi fundador o S. Condestável D. Nuno Alvares Pereira no ano 1386 como mais largamente diremos no seu dia 13 de Maio.

Igreja do Convento do Carmo
i) O mosteiro de S. Mónica de Lisboa da Ordem de S. Agostinho fundou uma ilustre Senhora (como fica dito) chamada D. Maria de Abranches, filha de D. Álvaro de Abranches, Capitão mór de Azamor, e de D. Joana de Mello, numas casas suas, no sítio em que hoje se vê, não longe do convento de N. S. da Graça da própria Ordem. Cuja primeira pedra ela levada de devoção, e fervor de espírito com suas próprias mãos lançou no I de Janeiro de 1586, e II de Outubro do dito ano, com procissão, e solene festa, foi nele colocado o santíssimo Sacramento, e neste dia professaram 12 noviças nas mãos do Provincial da Ordem, que nomeou a D. Isabel de Noronha Prioresa, a D. Jerónimo de Meneses Subprioresa, e a D. Margarida da Silva Mestra de Noviças, que todas três vieram do convento do menino Jesus de Évora, para darem princípio a esta nova fundação. Nela a serva de Deus foi a primeira, que vestiu o hábito, mas vendo os temerários juízos, das que julgavam que o fizera para se habilitar para o cargo de Prioresa, se foi com grande desconsolação sua, para mais assegurar de tão errados juízos. Viveu depois no século (como temos escrito) frequentando, e assistindo sempre no dito convento de N. S. da Graça, até que adoeceu, chegada ao artigo da morte, e perguntada da parte das religiosas, como fundadora do convento e que lugar queria ser nele sepultada, respondeu (com sumissão) "que se não se atrevia estar em morte, onde em vida a rejeitaram; mas que iria mui consolada se estivesse seu corpo na Igreja, e lugar em que sua alma fora alumiada com a santa doutrina do Pe. Mestre Fr. Sebastião Toscano autor de sua conversão para que seus ossos fossem pousados dos pés dos religiosos de S. Agostinho de que sempre fora discípula, e assim faleceu no ano de 1600, foi enterrada no meio do cruzeiro na sepultura de sua mãe, em cuja campa se vê esse epitáfio:

Aqui espera a D. Joana de Mello a ressurreição dos mortos, e vida bem-aventurada com os que forem seus descendentes.

E posto que este epitáfio não fale nela, consta de memórias de um, e outro convento estar ela sepultada ali, e tudo o mais que de sua vida sumariamente referimos.

l) Faleceu Sór Mecia de Paiva no ano 1614, depois de ser Mestra de Noviças, e duas vezes Prioresa do mosteiro das Agostinhas de Évora, que hoje pelos muitos milagres, que nele obra uma santa imagem do menino Jesus, tomou sua invocação, por cujo título é mui conhecido, e nomeado neste Reino. Sua fundação se verá a 30 de Maio em que se celebra no dito convento a memória de suas fundadoras Maria, e Constança de vida pobres. O que da serva de Deus Sór Mecia, deixamos dito, devemos às relações m. f. que deste convento se nos comunicaram.

m) Olivença principal vila do Bispado de Élvas, fundada duas léguas além do Guadiana, numa planície da Bética, cujo fundador se ignora, foi muito tempo de Castela, até que ElRei D. Dinis a houve com outras para esta coroa. O Castelo não é obra de Mouros (como alguns disseram) mas do tempo do próprio Rei. Vê-se isto claramente de um escudo de pedra que está na porta, que chama da Graça, o qual tem esculpido uma figura de mulher (que se entende ser a Rainha santa) sentada em cadeira com coroa, e ceptro, à parte direita as armas de Aragão, e as de Portugal, à esquerda há uma Oliveira com letras que dizem.

A primeira pedra deste Castelo foi posta em dia de S. Miguel, e a pôs aqui Pedro Lourenço do Rego, em tempo DelRei D. Dinis era 1344 que é ano 1306.

A vila antiga era cercada de muro, e tinha cinco portas. ElRei D. Manuel por ir em aumento a povoação a mandou cercar, cuja obra com sua morte parou. Tem ao presente mais de 1800 vizinhos, por se haver recolhido a ela (por causa da guerra) a gente do campo, e aldeias circunvizinhas. Abunda de trigo, azeite, carnes, palhos, e frutas, e não menos de casas ricas, e nobres famílias.

A todas estas excelências excede, a de haver procriado a grande serva de Deus Maria da Cruz, filha de pais humildes, mas mui virtuosos. Faleceu pronunciando estas devotas, e formais palavras: Doce Jesus de minha alma, doce Jesus de minha vida; quando chegará a hora, de minha doce partida. Na capela de Sta. Isabel do mosteiro de S. Francisco (como fica dito) jaz sepultada, a qual ela muitos anos antes profetizou se havia de fazer, e que seria a primeira que nela se sepultasse. Na campa da sepultura contém escudo formado de cordão da Ordem, e dentro uma coroa de flores com palma, e em cerco esta letra de S. Paulo "non coronabitur nisi qui letitime certaverit". Pendem dele à parte direita um cilício, à esquerda umas disciplinas, com a letra: Arma militia nostra, e por baixo:

Aqui está sepultada Maria da Cruz filha de Bento Alvares, e de Isabel da Paixão, todos terceiros da Ordem da penitência de N. Seráfico P. S. Francisco. Faleceu no I dia de Janeiro da era de 1635 sendo de idade de 50 anos, e Ministra da dista Ordem.

E ao pé de tudo uma lançadeira esculpida, em figura do ofício de Tecedeira, que exercitava. Sua vida anda manuscrita por seu Confessor Fr. Miguel dos Anjos religioso Arrábido, da qual nós aproveitamos; e de umas informações, que (por mandado de D. Sebastião de Matos, sendo Bispo de Elvas) se fizeram; e de outras memórias, e relações autênticas, que se conservam entre os religiosos da província dos Algarves, aos quais o dito convento pertence, como se verá em mais próprio lugar.

A RESPEITO DE PARÓQUIAS - CONTRIBUTO HISTÓRICO

1 - Em tempos de D. Maria, resoluções territoriais para solucionar os casos das paróquias atingidas pelo terramoto.

D. Maria
a) "EU A RAINHA, Faço saber aos que este Alvará virem: Que sendo-me presente o Plano da Divisão, e Translação das Paróquias da Cidade de Lisboa, a que procedeu o Ilustríssimo, e Reverendíssimo em Cristo Padre Cardeal Patriarca, meu como Irmão muito prezado, em execução das Letras Apostólicas do Santo Padre Bento XIV, que começam "estis Ecclesiarum" expedidas à Real Instância de ElRei Meu Senhor, e Pai em 19 de Agosto de 1756; e pelas quais se lhe concedeu toda a necessária Jurisdição, para que aquelas Paróquias, Colegiadas, e outras quaisquer Igrejas Seculares, que se achassem arruinadas, ou situadas em lugares, que servissem de detrimento aos seus Paroquianos, se transferissem para outros lugares mais cómodos, próprios, e mais descentes: E havendo-me constado por seguras Informações, que o sobredito Plano se acha distribuído de maneira, que cada um dos Párocos pode conhecer distintamente as suas Ovelhas, nutri-las com o Pasto Espiritual, e acudir-lhes com o frequente socorro, e pronta administração dos Sacramentos, que são os objectos substanciais, e indispensáveis das Fundações, e Translações das Igrejas Paroquiais, e Moradores da Cidade de Lisboa, pelo que me pertence, como Soberana, como Protectora, que sou da Igreja, e Defensora dos Sagrados Cânones: Hei por bem, e me apraz aprovar, e confirmar, como aprovo, e confirmo, o referido Plano em todas as suas partes, cláusulas, e expressões, da maneira que nele se contem, e como se de cada uma delas fizesse expressa, especial, e específica menção: E Mando a todas as Pessoas, às quais o conhecimento, e execução do mesmo Plano, e o cumprimento deste Alvará houver de pertencer, que o cumpram, guardem, façam cumprir, e guardar inteira, e inviolavelmente: E quero que ele venha como Carta feita no Meu Real Nome, e como se passasse pela Chancelaria, posto que por ela não haja de passar, e o efeito dele deva de durar mais de um, e muito anos, sem embargo das Ordenações, que o contrário determinam. Dado no Palácio de Nossa Senhora da Ajuda em 19 de Abril de 1780. Com assinatura da Rainha, e do Ministro."

b)
Plano de Divisão e Trasladação das paróquias a que se refere o Alvará antecedente.

"Ferdinandus I Miseratione Divina Cardinalis Patriarcha Lisbonensis: A todas as Pessoas Eclesiásticas, e Seculares, que estas nossas Letras virem, saúde, e bênção. Fazemos saber, que sendo presente à RAINHA Minha Senhora, que a divisão, e mudança de limites das Paróquias da Côrte, e Cidade de Lisboa, a que se procedeu no ano de 1770, em virtude da Carta Régia de 18 de Dezembro de 1769, se achava incompleta, oferecendo-se por essa razão um decente, e proporcionado meio para se remediarem alguns inconvenientes, que a prática, e a experiência mostrava haverem na sobredita: Querendo a mesma SENHORA concorrer pela sua parte, para que se concluísse, e fizesse uma nova divisão das Paróquias de Lisboa, por se terem arruinado, e confundido os distritos de umas com o Terremoto dos primeiro de Novembro de 1755, e crescido a povoação de outras em grande número de Almas: Foi a mesma SENHORA servida significar-nos, que sendo este negócio da Nossa competência, e Jurisdição, a podíamos pôr em exercício, para que regulando-se com justa, e possível proporção os limites das referidas Paróquias, crescessem os inconvenientes, que se encontravam: E desejando Nós conformar-nos em tudo com as Piíssimas Intenções da RAINHA Minha Senhora: Houvemos por bem nomear ao Cónego Manuel Joaquim da Silva, Juiz Apostólico, e Comissário Delegado da Bula "Esti Ecclesiarum" expedida pelo Santo Padre Bento XIV sobre a reedificação, e colocação das Paróquias, e Igrejas desta Cidade, com o Régio Beneplácito da mesma SENHORA, para assistir a esta divisão, que Mandamos fazer, delegando nele todos os poderes necessários: E depois de serem vistos, e confontados os terrenos, ouvidos os Párocos, que prestaram os seus consentimentos, excepto os Priores de S. Julião, de S. José, e alguns mais, que duvidaram assinar as respectivas divisões das suas Paróquias, com fundamento menos sólido, e razões inatendíveis, por não se lhes tirarem, ou desmembrarem frutos alguns reais, nem dízimos prediais; mas tão somente os pessoais, e sacramentos em tão pouca quantidade, que sendo umas Paróquias tão cheias de Fogos, e Pessoas, fica menos ponderável o prejuízo, que alegam; por isso usando da Autoridade, que nos compete em caso tal, sem embargo das impugnações, e dúvidas insignificantes dos referidos Párocos, assinamos para distrito de cada uma das Paróquias de Lisboa o seguinte.

[uma das muitas paróquias:]

Freguesia de S. Bartolomeu

O Distrito desta Paróquia, que foi transmutada para o sítio da Igreja de S. bento de Xabregas dos Cónegos Seculares da S. São Evangelista, começará no largo do Poço do Bispo da parte Ocidental: retrocederá à mesma Igreja, donde irá buscar a Cruz das Veigas, e daí por uma, e outra parte seguirá a Estrada, pela qual agora vai sair à Fonte do Loiro, e daqui ao largo do Poço dos Mouros; e discorrendo pela Estrada, (da parte do Norte) que passa junto à Quanta, que foi dos Padres Jesuítas, e hoje é de José Leitgeb, sairá pelo lado setentrional da Travessa, que está junto ao Arco da Cuz da Pedra na Rua da Madre de Deus, Xabregas, Grilas, a finalizar no dito largo da Igreja, onde começou; pertencendo-lhe juntamente tudo o mais, que se compreende no Vale de Chelas, Fonte do Loiro até à Cruz do Almada, e quando fica dentro dessa demarcação - Com a Rública do Cardeal Patriarca.
Concelho neste mapa: O Pároco Luís Miguel Coelho de Albernaz.
Desta Paróquia se restituiu à de Santa Maria dos Olivais a Rua direita de Marvila, ficando com o mais distrito, que se lhe deu no ano de 1770.
Conta 380 Fogos, e 1$500 Pessoas, com pouca diferença.

c) Sendo-Me presente, que em algumas das Paróquias do Arcebispado de Braga, e do Bispado do Porto, tinha intentado uma parte dos Paroquianos eximir-se das prestações, com que os seus Antecessores, e eles mesmos por antigo uso e costume socorriam aos seus Párocos, e tais como as chamadas Obradas, ou Oblatas, as espotulas dos Baptizados, Funerais, e bens de alma, e outras desta natureza: Fui Servida mandar-Me informar individualmente sobre a justiça, e equidade destas prestações, para as mandar considerar, e resolver sobre elas o mais justo, em benefício comum, e recíproco das Igrejas, dos Párocos, e Paroquianos; e em quanto sobre estes princípios não dou a decisiva providência: Dou outro sim Servida ordenar provisionalmente, que as ditas prestações se continuem como até agora, sem que em Juízo, nem fora dele se admitam questões possessórias, ou plenárias, dirigidas à inspecção ou modificação das ditas prestações, por todas dependentes da dita providência decisiva, que me proponho dar com conhecimento de causa; e sem que haja atenção a despachos, ou sentenças, que a respeito do referido se tenham proferido no possessório. A Mesa do Desembargo do paço o tenha assim entendido, e faça observar, expedindo os despachos necessários às Justiças a que tocar. palácio de Lisboa em 30 de Julho de 1790. (Com a Rúbrica de Sua Majestade)"

2 - Sessão de 4 de Setembro das "Côrtes Constitucionais", 1822:

"[...] Os bispos despojados da sua autoridade reclamaram quase todos a sua jurisdição, e aqueles que o não fizeram suportaram em silêncio este golpe fatal, com uma restrição que se lhe pulha no seu episcopado. A disciplina da Igreja perdeu desde então a sua pureza e unidade; os fiéis fugiram para os templos dos religiosos deixando de frequentar as suas paróquias; os párocos não puderam mais conhecer as suas ovelhas; a administração dos sacramentos foi partilhada com os religiosos dos diversos institutos, e principalmente dos mendicantes que tomaram por timbre coadjuvar os párocos; porém isto deu lugar à incúria e ignorância dos párocos que deixaram de se habituar para poderem administrar os sacramentos, e a palavra divina com o devido conhecimento da doutrina cristã, e do moral; e os povos, debaixo da aparência de muitos coadjutores de párocos, sofreram a cada passo a falta do pasto espiritual, porque estes coadjutores voluntários lho não prestavam na ocorrência das suas precisões, e quando lho administravam se ressentiam sempre da mão estranha porque o recebiam. Os varões mais virtuosos e esclarecidos levantaram a voz contra estes males. S. Francisco ordenou expressamente aos filhos da sua regra, que nunca pedissem isenções da Sé Apostólica, e que praticassem sempre os deveres de seu instituto debaixo da obediência e jurisdição das autoridades competentes eclesiásticas e civis. [...] O episcopado é obra divina, e não humana; a sua jurisdição é divina; a disciplina da Igreja com justa razão a circunscreveu a territórios marcados dentro dos quais houvesse um rebanho suficiente para um Bispo; mas eximir da jurisdição do Bispo parte do rebanho existente na sua diocese, é uma operação ofensiva dos direitos do episcopado, que nunca jamais pode ser legítima com quantas bulas a queiram cobrir. O bispo deve dar contra de todo o seu rebanho, e todo o seu rebanho é obrigado a obedecer ao seu pastor: o bispo não pode eximir-se daquela sua obrigação, e também não há poder na terra que lha possa restringir, ou diminuir o direito preciso para ele a preencher. Vieram finalmente os padres de Trento, conheceram os abusos, e os males que resultavam do estado em que se achavam as corporações regulares, que era com pouca diferença o mesmo em que agora se acham."

TEXTOS ANTERIORES