27/11/15

CAPELA MÓR DA SÉ DE ÉVORA (III)

(continuação da II parte)

DIMENSÕES

A Figura da Capela Mor é uma Parábola, ou a de um sino deitado ao comprido fora da acção de se tocar. Tem de altura na boca ou entrada do sino 84 palmos craveiros, 86 palmos [craveiros] de cumprimento ou fundo, tem de largura na boca ou entrada 40 [palmos craveiros], a abóbada cujo raio da volta é de 20 [palmos craveiros].

Divido as Paredes laterais em cinco Corpos que assim classifico. Primeiro, o Soco com 13 palmos, 3 polegadas e 8 linhas de altura, é formado de Mármores azuis escuros mesclados em Painéis mais ou menos largos com molduras de Mármore branco, e este branco espalhado pelo azul faz um todo pálido de muitas vistas e mui pouca animação. Nos Mármores azuis como em Campo de Batalha aparecem Membros troncados, cabeças, pernas, braços figuras umas naturais, outras exóticas, e extravagantes.

Na capela-mor a porta sobre a qual está o busto de S. Paulo

A cada Ângulo do Altar há uma Porta com umbrais de Pedra cor de azeviche; tão polidas, e vistosas como se foram envernizadas. Coroam as Bandeiras destas Portas duas Estátuas de S. Pedro, e S. Paulo em meio Corpo de Jaspe com mais venerabilidade do que expressão e entusiasmo: o lugar sobranceiro, em que estão a 14 palmos acima do pavimento, o sério do seu olhar, olhos, feições do rosto tudo fundamente aberto; indica a tenção que ali prestam, e as demora, e fazem lembrar dois anciões venerandos, que todos os dias saem de casa a ouvir a Leitura dos Livros Santos, um o Evangelho, outro a Epístola.

Corpo "das colunas", o qual é elevado sobre a linha do altar
O Segundo Corpo a que chamo das Colunas, 9 polegadas e 4 linhas de altura.De cada lado de um palmo uma polegada e quatro linhas.
De Coluna  . . . 26 palmos e 1 polegada
Se Capitel . . . . 3 ditos [palmos] e 7 ditas [polegadas]


Destas Colunas 3 elevadas e postas junto ao Altar são como Gigantes que servem de Esteio ao Santuário. Duas no meio de braços abertos, e estendidos tomam à sua conta; carregam sobre si com o resto do peso, e dão ao Edifício a ideia de firmeza, e segurança, que inculca a sua corpulência. Há também 8 colunas de superfície plana cortadas de alto a baixo como auxiliares das colunas redondas características da Obra invenção, ou Introdução do Arquitecto que classificam a Capela Mor "um Sacelo Romano mais áulico do que Pontifício". Há cinco Painéis um da frente do Altar, e dois de cada lado que representam os Mistérios da Senhora. A Conceição, a Natividade, a Coroação, a Assunção, e o Natal ou o Nascimento do Filho de Deus, vindos de Roma onde foram encomendados, e feitos pelos melhores Mestres de então, e custaram todos . . .  . . .  1:789$000. O Maior, ou o do Retábulo da Assunção 700$000; Cada um dos outros a . . . . .  270$000. Correspondentes aos Cornos ou ângulos do Altar há duas Janelas de 15 palmos e meio de altura e 8 e meio de largura cada uma, que são como Portos francos à luz por onde entra a claridade precisa, a quem serve no Altar. Dois Coretos na altura de 32 palmos com 13 de frente saem fora em sacadas, e varandas de Madeira dourada, que são como umas Bandeiras permanentes de festividade, que anunciam sempre o culto festivo. O Coreto do Norte tem Órgão, que acompanha o Coro, o do Sul tem Realejo, que serve na Música com o Instrumental. O Terceiro Corpo, a que chamo de cimalha tem 7 palmos de altura, cintado em toda a extensão com faixa de Mármore cor de rosa que lhe dá toda a graça.


O Quarto Corpo, a que chamo Pedestal, em que se firmam as Impostas, ou Cornijas dos Arcos de Abóbada tem 12 palmos, e 7 polegadas de altura: De cada lado há 4 janelas desiguais entre si, mas correspondentes umas a outras. As Primeiras duas à entrada têm 14 palmos de altura, e 7 de largura, a que se segue, e fica sobre o arco da Cortadura da Cimalha tem 14palmos de altura, e 3 e meio de largura, a quarta Janela última, a quem entra tem 15 palmos e meio de altura e 7 de largura. Nesta divisão à frente lá fica a imagem de um grande Crucifixo feito de pedaços de Cedro por não haver então madeiro inteiriço donde se pudesse tirar deram-se para ele . . . . . .  . 240$000. De guarda, e veneração ao Santo Crucifixo ficam dois Anjos de Pedra um deles já havia e serviu de modelo ao segundo feito pelo Estauário António de Pádua Belino, por 260$000. As quatro Estátuas, que cercam esta divisão designam, e são as imagens da Fé, da Religião, da Esperança, e da Caridade todas feitas em Évora de Pedra de Estremoz por empreitada, que tomou a si António de Pádua Bellino sendo primeiro desbastadas, e dando-se ao Escultos Sustento e Comedorias precisas custaram:
A da Fé . . . . . .  .  .  .  . 224$000
A da Religião . . . .  . .  224$000
A da Esperança . . . . .  300$000
A da Caridade . . . . .  . 320$000
O Quinto Corpo é o da Abóbada, que firmada em Arcos de diferentes direcções representam as bases da Coroa real que tem o Tecto suspenso, e o sustentam.

TRANSPORTES

Todo o sujeito visto, ou tocado seja qual for além da representação, que nos imprime que vem a ser a Pintura forçada da sua própria imagem obriga-nos a confrontações diferentes segundo mais bem nos agrada, ou desgosta. Da nossa parte são estas confrontações sinais de amizade ou aborrecimento que lhe temos, e porque às vezes não bastam as sensíveis, valemo-nos das Morais ou da imaginação por serem mais amplas, e grandiosa, O Espectador inénuo ao entrar na Capela Mor da Catedral de Évora concentrado em si mesmo, e como se estivera em Campo de floridas Papoilas, que a variedade de cores não permite distinguir, pára um pouco; porque a vista lhe não descobre coisa que deslize, ou saia fora do seu lugar e venha mostrar-se-lhe. Passado este primeiro momento começa logo a procurar um ponto, donde marque as partes do Edifício, cujo todo o teve suspenso, e a primeira qualidade externa, que aparece, o que ele nota sem auxílio de estranha advertência, é a uniformidade das Paredes paralelas, que são ambas verdadeiros espelhos de si mesmo, isto é o que em feitos, e dimensões representa uma, representa a outra exactamente. Da mútua transparência das Paredes entende o Espectador dos lados o que mais lhe agrada; fixa nele a atenção corre o d'alto a baixo, corre-o em linhas horizontais, e tudo quanto encontra é preceptível, simétrico, e ordenado, nada garrido, nada postiço, nada fingido, nada que haja reputação alheia, nada que não seja proprietário da cor, ou da figura que tem na posição, que ocupa. Quanto mais de perto se chega, quantos mais pontos de prespectiva examina, mais se lhe patenteia, e manifesta a realidade do que vê, mais bem reluz o matiz das Pedras arrancadas do centro da Terra, e por mão invisível já pintadas de ouro, de prata, ou de fogo. Não há ali número arábico nem romano, que indique Período, ou Era, não há símbolos de perícia, ou sabedoria, não há Brasão de armas, com que a vaidade genealógica tanto se nutre, e glória com tudo não altam decorações cariadas; as ramagens, as parrreiras, os Castelo, as Caveiras, as Cabeças de gato, as lutas, e contendas, pernas, e braços estorpiados e outras figuras que nos Mármores azuis, e epulmados pinta a luz com o Pincel das sombras.

(continuação, IV parte)

25/11/15

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCLXXIV


COMENTÁRIO ao "PRÓS E CONTRAS - NÓS OU ELES?" (I)

Programa Prós e Contras, da Rádio Televisão Portuguesa (RTP1), programa XXIII, cujo tema foi "Nós ou Eles" (relativamente à situação do Islão na Europa e Estado Islâmico, em directo transmitido a 23/11/2015, o qual transcrevo aqui com comentários meus:

[Intervenientes: José Van Der Kellen (Director Adjunto Nacional do SEF) - (id. J.Kellen), António Costa e Silva (especialista em petróleo e energia) - (id. A.Silva), Filipe Pathé Duarte (Vice-Presidente OSCOT) - (id. F.Duarte), Helena Matos (Jornalista/Historiadora) - (id. Helena.M), Paulo Dentinho (Jornalista) - (id. P.Dentinho), Sheik David Munir (Imã da Mesquita em Lisboa) - (id. Imã.SM), Fátima Campos Ferreira (a apresentadora) - (id. RTP1)]


RTP1 - Boa noite. "A França está em guerra", anunciou o presidente François Holland logo após os atentados; e a resposta toma agora forma: os caças franceses descolaram hoje dos porta-aviões Charles de Gaulle, no Mediterrâneo oriental, e começaram a bombardear as posições do exército do auto proclamado Estado Islâmico. O "presidente francês" afirma que foram escolhidos os alvos, de forma a causar os maiores danos possíveis a este exército. Ao mesmo tempo, no coração da Europa, a Bélgica prepara-se para o pior: Bruxelas é hoje uma cidade fantasma. Há muito que na Bélgica há uma roda giratória do jihadismo, um centro de doutrinamento e de recrutamento de jihadistas. A Rússia, o Reino Unido e a Europa em geral têm-se solidarizado com os franceses, e respondem favoravelmente ao apelo de coligação alargada, ainda que pouco se conheça em que termos vai ser constituida! Aliás, o muito que se sabe publicamente é provavelmente muito pouco do que está realmente à acontecer. Há por isso perguntas que devem ser colocadas e informações que têm que ser debatidas: como caracterizar este inimigo que está a mobilizar a Europa para uma guerra global? quais os enquadramento territoriais, marítimos e aéreos em que actua? o que pretende? qual a melhor estratégia para os defendermos? até que ponto estão articulados os serviços de informações na Europa? com interesses tão distintos, como vai ser formada a coligação alargada que Holland pede? que implicações vai ter esta guerra na União Europeia e na sua política de defesa, nos seus orçamentos? até que ponto Portugal está implicado, ou quais as suas funções?
Muito boa noite Senhor director nacional do SEF (que é também um elo de ligação dos serviços de informações em Portugal). Um acto de guerra hoje, como eu disse (a França já está a bombardear as posições do exército do auto-proclamado Estado Islâmico, na Síria e no Iraque), aqui na Europa depois dos atentados [a guerra] parece desenrolar-se mais no ámbito dos serviços de informações; a Bélgica está paralisada. E pergunto-lhe: que tipo de informação os serviços possuem na Bélgica que leva a que as autoridades imobilizem o país?

J.Kellen - Boa noite. Muito obrigado pelo convite.
Antes de mais, direi uma palavra para tranquilizar as pessoas. Tendo em conta o que é a base do trabalho dos serviços, hoje em dia, porque a ideia que graça de uma hipotética falta de controlo poderá estar na base de tudo isto. Não é bem assim; a base de trabalho que as polícias belgas, ou francesas, ou europeias estão a ter neste momento tem uma sustentação informática bastante grande. Posso dizer-lhe que, no último ano, deram origem para a criminalidade em geral houve mais de 60 milhões de alertas, só na Europa (essencialmente a nível de estados membros e associados da União Europeia). Isto é uma base de trabalho que permite que com estes 60 milhões de alertas haja capacidade de operacional interna, independentemente daquilo que se faz na fronteiras externas, ou não, da própria UE. É com esta lógica de trabalho, que em princípio polícias francesas e belgas estão a trabalhar, tendo este espaço também digital e ... [Comentário: em Portugal ninguém anda nervoso com a possibilidade de algum atentado para que haja necessidade de tranquilizar quem quer que seja a este respeito. A preocupação MANIFESTA dos portugueses FOI e é relativamente ao avanço do Islão na Europa com a entrada dos "refugiados". Portanto: a islamização da Europa. A outra grande preocupação tem sido para com o bizarro facto de boa parte dos europeus, principalmente os dirigentes, e contra tantas e tantas queixas e avisos, não usaram de medidas de SEGURANÇA prévias relativamente a quem entrou na Europa (com ou sem documentação), situação agravada com pressões e revoltas contra todos os europeus que se estavam a preocupar realmente com o fenómeno e faziam avisos e manifestos de desagrado e certeza de grande perigo futuro.

RTP1 - Ó Senhor Director Nacional, mas quando se paralisa um país é porque há receiros, que obviamente não podem ser ditos por completo às populações. Eles terão que ser datados num período de tempo? porque de facto vemos que está a ser conduzido o estado de alerta, até ao final da semana.

J.Kellen - Eu já iria aí [ao assunto]. Mas eu dizia-lhe que, como consequência disso, para além do trabalho específico de que lhe falei, o que pode estar a acontecer também é uma espécie de guerra psicológica, guerra da propaganda à que eventualmente possamos não estar a dar o devido valor ou possamos não estar a acompanhar. Nisto, do outro lado, diga-se, há especialistas muito bons na matéria, e estão desde logo a levar-nos para um tipo de semântica,  acho importante dizer: ao estarmos a falar de um "estado" é a pior coisa que podemos estar a fazer, pois à partida significa que é algo que tem uma estrutura própria igual àquilo que somos nós os estados de bem (os quais estão a ter esta luta civilizacional).

RTP1 - Por isso eu disse "auto-procalmado". Mas como devemos chamar, em sua opinião?

J.Kellen - Outra coisa qualquer que não "estado". Isso é que eu acho que é o pior erro, porque estamos a ir na linha de propaganda deste fenómeno, e com isso estamos a permitir que não tenhamos argumentos para combater esse tipo de propaganda. Com isso o que é que está a acontecer!? Estão eles a tentar, dentro daquilo que é a lógica do tecido social dos estados membros da UE, a ter angariação de elementos que aderem à sua causa. Mas isto depois leva-nos a outras questões conceptuais. Entretanto em questões de trabalho, especificamente, diria que há uma base de trabalho, que depois tem essas metodologias de investigação que estão a fazer com que as autoridades na Europa esteja a trabalhar, e que depois têm de ser complementadas. Para lá desta base de trabalho que tem depois uma lógica judicial que permite dar origem a ... [Comentário: nada mais certo, pois o uso das palavras induz-nos aos respectivos conceitos. A nova esquerda é no séc. XX a promotora deste tipo de manipulação como revolução das palavras (às quais haveriam que fazer deturpar na população os respetcivos conceitos até que ficasse impossível ou difícil representar ou pensar em certas realidades para eles indesejáveis). O que é hoje a repetição exaustiva de "democracia", "valores democráticos", "valores da Europa", os "valores da liberdade", que em quase 90% da população não há quem sequer consiga definir "democracia", e o conceito de "direitos" não é mais que fantasia? O efeito deste aglomerado de mini-propagandas é um facto. A esquerda actual indigna-se que certos muçulmanos creiam existir "Estado Islâmico", contudo propagam ferozmente que temos que acatar que o João passou a chamar-se "Andreia". O que dizer do nome dos nossos documentos de identidade que nos dão discretamente como nacionalidade uma tal de "República Portuguesa", tanto no Bilhete de Identidade como no passaporte!!!?]

RTP1 - Deixe-me perceber... Os serviços de informações, através de redes informáticas, têm acesso a informações vitais que permitem concluir a eminência de um atentado de contornos muito gravosos? Este estado de alerta vai permitir às autoridades belgas uma intensa busca nos próximos dias? É isso?

J.Kellen - Vai... Permite isso com certeza. Porque tendo em conta aquilo que é a análise de informação feita, a disponibilidade, e a capacidade de previsão que obriga a ter, obviamente que poderão tender a presumir quando é que podem vir a ocorrer determinado tipo de ataques. Esta lógica tem que ser assim concebida como um todo e permitirá alguma capacidade de reacção. Isto para lá de algo muito importante: além dos dados que apontei, que são os de vida processual, a própria capacidade informática e as redes sociais que nós temos de análise, há uma componente que os serviços têm que é a informação que vem das suas fontes de informação vivas. Isto é: temos que trabalhar redes de informadores dentro da própria Europa, para poder dar com algum grau de certeza aquilo que as estructuras policiais europeias e os serviços de informação estão a fazer neste momento no terreno.

RTP1 - E é a isso que estamos a dar tempo nesse momento. É que as redes de informadores atuem e se articulem e contrastem as suas informações ...

J.Kellen - Tudo isso se articula com as estruturas estatais, de forma a obtermos capacidade de reacção que permita dar qualidade às pessoas. Esta é uma nota muito importante: para além de muitas das coisas que se verificam o que é preciso ...

RTP1 - Mas neste momento não se está a dar tranquilidade à população!

J.Kellen - ... não ... Mas há alguma tranquilidade porque há capacidade de reacção. Não há risco zero, não tenhamos dúvidas. Nisso já tive a oportunidade de dizer que o risco das sociedades livres é este. Nós não temos a possibilidade de ter um polícia atrás de cada pessoa. E portanto, nessa preservativa, o que é possível fazer está a ser feito, e as pessoas têm que acreditar nos serviços que têm; e eu penso que há uma capacidade de reposta positiva nesse sentido.

(a continuar)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCLXXIII


04/11/15

CARTAS DO Pe. ANTÓNIO DA CONCEIÇÃO (I)

Da biografia, dada na "Saphia Veneziana e Jacinto Portuguez - Vida e Morte, Heroycas Virtudes, & Maravilhas Raras do Gloriosíssimo Protopatriarcha S. Lourenço Justiniano, e do Venerável Padre António da Conceiçam ..." (Lisboa, 1677), transcrevo as cartas do Pe. António da Conceição:


Carta ao Arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança; na qual o exorta à paciência, e lhe aconselha que não renuncie ao Arcebispado.

PAX CHRISTI

Diz S. Bernardo, que a lição boa e santa reforma o espírito pelo fruto e doutrina que dela se recebe. Lembra-me, que disse o Senhor a Sta. Teresa, não estar a perfeição em gozar, senão em obrar, padecer, e amar: e como V. S. Ilustríssima se aproveitou deste conselho nas muitas obras de caridade que fez, e faz pelo seu amor, quis ele, que para maior perfeição de V.S. Ilustríssima, padecesse esta enfermidade, que lhe deu; para com ela crescer nos prémios da glória no Céu: mas confio na sua grande misericórdia, não durará muito, e lhe dará perfeita saúde, com que o sirva, e acuda às necessidades dos seus pobres. A terceira condição de amar se manifesta claro nas obras de amor, que V. S. Ilustríssima tão de contínuo faz: e assim se fica aproveitando de toda esta doutrina de Cristo: ao qual cá nas minhas pobres orações peço sempre a saúde, e vida de V. S. Ilustríssima, para crescer sempre em merecimentos diante Dele. À Senhora Dona Maria sua parenta mandei mostrar a carta de V. S. Ilustríssima, para nela ver as suas encomendas. Respondeu, que lhe beijava as mãos pela lembrança que dela tinha nas suas orações: a quem não escrevia por lhe não ocupar o tempo, que V. S. Ilustríssima tão bem emprega. Ela procede muito bem na obrigação de seu estado com muita edificação, e bom exemplo, que dá a todas. Cá se diz, que V. S. Ilustríssima quer renunciar ao Arcebispado: e não se recebe bem, por todos afirmarem que ninguém lhe sucederá no lugar que mostre a sua caridade; e assim padecerão grande detrimento suas ovelhas, e os pobres de Cristo. Com o qual se aconselhe muitas vezes postrado de joelhos, não sem muitas lágrimas, porque dele há de nascer o acertado. Pois não acerta ouvimos, que confessava o Arcebispo de Braga D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, em renunciar ao Arcebispado, pelas necessidades, que ouvia, e via, que padecia a gente pobre. Deste de merecimentos faz V. S. Ilustríssima grande caridade em se lembrar em suas orações; porque por elas espero que me fará nosso Senhor muitas mercês. Ele enriqueça a V. S. Ilustríssima com os dons de sua graça, para em tudo fazer sua santa vontade neste desterro, e merecer coroa de grande glória no seu Reino. Ámen, Ámen. Na santa bênção de V. S. Ilustríssima me encomendo, e todos estes Padres nossos. De S. Bento de Xabregas de Fevereiro 15 de 1601.

Servo, e Orador de V. S. Ilustríssima
António da Conceição

(a continuar)

03/11/15

CRISE DA EUROPA AGRAVADA PELA ENTRADA DOS MOUROS - CARTA DESESPERADA DA ALEMANHA

Trago uma carta cujo destinatário colocou em circulação ocultando-lhe o nome da remetente (médica checa a trabalhar num hospital de Munique).

Digo no título do artigo "Crise da Europa Agravada Pela Entrada de Mouros", porque aqui é proibido fazer terrorismo verbal: "Crise dos Refugiados na Europa".

Vamos à carta:

Muitos muçulmanos estão recusando ser tratados por funcionários do sexo feminino e, nós, as mulheres, estamos nos recusando a trabalhar, pior do que fossem entre animais selvagens. As relações entre a equipe e os migrantes está indo de mal a pior. Desde o último fim de semana, migrantes que vão a hospitais têm que ser acompanhados por policiais.
“Ontem tivemos uma reunião sobre como a situação aqui e em outros hospitais de Munique ficou insustentável. As clínicas não conseguem lidar com emergências e assim começam a enviar tudo para os hospitais.
Muitos migrantes têm SIDA [AIDS], sífilis, tuberculose aberta e muitas doenças exóticas que, aqui na Europa, nem sabemos como tratar. Se recebem uma receita, aprendem na farmácia que têm que pagar em dinheiro. Isto leva à explosão de insultos inacreditáveis, especialmente quando se trata de remédios para crianças. Eles abandonam as crianças com o pessoal da farmácia e dizem: Então, curem-nas vocês! Portanto, a polícia não tem que proteger apenas clínicas e hospitais, mas também grandes farmácias.
Só podemos perguntar: Onde estão todos aqueles que, nas estações de trem e na frente das câmeras de TV, mostram cartazes de boas-vindas?
Sim, por enquanto as fronteiras foram fechadas, mas um milhão deles já está aqui e, definitivamente, não seremos capazes de nos livrar deles.
Até agora, o número de desempregados, na Alemanha, era de 2,2 milhões. Agora vai ser 3,5 milhões. A maioria destas pessoas é completamente não-empregável. Um mínimo deles tem alguma educação.
E mais: suas mulheres não fazem coisa alguma. Estimo que uma em dez está grávida. Centenas de milhares trouxeram consigo lactentes e crianças menores de seis anos desnutridas e negligenciadas. Se isto continuar, e a Alemanha reabrir suas fronteiras, eu voltarei para casa, na República Tcheca. Ninguém vai poder segurar-me aqui, nem com o dobro do salário. Eu vim para a Alemanha e não para África ou Oriente Médio.
Mesmo o professor que dirige o nosso departamento falou da tristeza em ver a mulher da limpeza fazendo seu serviço há anos por 800 Euros, e depois encontrar homens jovens estendendo a mão, querendo tudo de graça e, quando não conseguem, alteram-se.
Eu realmente não preciso disso! Mas estou com medo de, se voltar, encontrar o mesmo na República Tcheca. Se os alemães, com os seus recursos, não conseguem lidar com isto, lá seria o caos total. Ninguém que não tenha tido contacto com eles pode ter uma ideia de que espécie de "animais" são, e como os muçulmanos agem com soberba sobre a nossa equipe.
Por ora, nosso pessoal ainda não foi reduzido, em consequência das doenças trazidas para cá, mas, com centenas de pacientes todos os dias, isso será apenas uma questão de tempo.
Num hospital perto do Rheno, os migrantes atacaram a equipe à facadas, depois de trazerem um recém-nascido de 8 meses, que estava à beira da morte, arrastado através de meia Europa, durante três meses. A criança morreu, depois de dois dias, apesar de ter recebido os melhores cuidados, numa das melhores clínicas pediátricas da Alemanha. O médico teve que passar por cirurgia e duas enfermeiras foram para a UTI. Ninguém foi punido. A imprensa local é proibida de noticiar. Nós soubemos por e-mail.
O que teria acontecido a um alemão que esfaqueasse um médico e duas enfermeiras? Ou se ele tivesse jogado sua própria urina, infectada de sífilis, no rosto da enfermeira depois da ameaçar de contaminação? No mínimo, seria preso imediatamente e depois processado. Com esse povo, até agora, nada aconteceu.
Então, pergunto: onde estão todos aqueles que saudaram sua vinda e os recepcionaram, nas estações ferroviárias? Sentados, bonitos em casa, desfrutando nas suas organizações não-lucrativas, aguardando ansiosamente os próximos comboios [trens] e o próximo lote de dinheiro em pagamento dos seus préstimos como recepcionistas???!!!
Por mim, arrebanharia todos esses recepcionistas, trazia-os primeiro aqui à ala de emergência do hospital, para agirem então como atendentes, depois levava-os a um alojamento de migrantes, para que cuidarem deles lá mesmo, sem políciais armados, sem cães policiais, que hoje podem ser encontrados em todos os hospitais da Baviera, e sem ajuda médica.”

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