19/06/15

O DESENGANO - ÍNDICE

O DESENGANO,

PERIÓDICO POLÍTICO, E MORAL:

POR
JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO
________*________

Salus Popli suprema Lex esto



LISBOA
NA IMPRESSÃO RÉGIA
1830
-///-
POR ORDEM SUPERIOR

ÍNDICE

I - Introdução;
II - Que coisa é a Revolução?;
III - Pretextos das Revoluções:
IV - Os Revolucionários mentem sempre;
V - Consequências da Revolução;
VI - Doutrinas da Revolução;
VII - Qual é o fim da Revolução;
VIII - Salvo-conducto das Revoluções (As Amnistias, e Carta a respeito destas por J. J. P. L.)
IX - Pés de lã da Revolução;
X - Insolência da Revolução;
XI - A Escada voltada na Revolução;
XII - A Casa dos Orates na Revolução;
XIII - Os Cães ladradores, e os Cães derramados na Revolução;
XIV - O Frasquinho de Bálsamo, ou os Charlatães na Revolução;
XV - Ensaio Filosófico sobre as Malhas;
XVI - Confusão de sentimentos políticos, ou o que querem os homens?
XVII - Quem são os Arquitectos das Revoluções?
XVIII - Teima invencível;
XIX - A Desgraça universal;
XX - O Maçonismo com outra cara;
XXI - Continuação do maçonismo com outra cara;
XXII - "                          "                "                    ";
XXIII - Que coisa é um Malhado?;
XXIV - A Força unida obra prodígios;
XXV - Não foi desta, nem vai d'outra;
XXVI - Origem do Mal;
XXVII - A Cegueira pertinaz.

A VERDADE - PENSAMETOS - OBJECTOS DA RELIGIÃO E ESTADO - Índice

A VERDADE, 
ou

PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
Sobre os objectos mais importantes
à Religião, e ao Estado

POR

Pe. JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO



ÍNDICE

I - Qual seja a primeira indagação de um Filósofo;
II - O Ignorante avilta o homem, porque o não sabe definir;
III - Reclamação do natural sentimento contra os que definem o homem pura máquina;
IV - O ser espiritual no homem foi sempre conhecido por todos os homens;
V - O homem é livre;
VI - O Materialista destrói a ideia do vício, e da virtude; faz considerar a lei como tirania, que insulta a condição do homem;
VII - O homem é livre, e deste princípio se derivam os argumentos das verdades naturais;
VIII - O Materialismo é prejudicial à Sociedade;
IX - O pensamento da imortalidade é o conforto da virtude: a Sociedade interessa que a imortalidade seja crida;
X - O governo político deve temer sua ruína se prevalecerem as máximas do materialismo;
XI - O dogma da imortalidade não é uma invenção dos Católicos;
XII - O metafísico que quiser discorrer de boa fé, conhece a espiritualidade, e imortalidade da alma;
XIII - Se se quisesse introduzir o Ateísmo com afronta da razão, nesta empresa teria parte o interesse, e não o juízo;
XIV - O ateu instruído pelos Filósofos, e pela natureza se deve envergonhar de seu erro;
XV - Contradições de Helvécio, e de Rousseau sobre a existência de Deus;
XVI - A ideia de Deus não pode ser o resultado das preocupações da educação;
XVII - Se se tirasse a ideia de Deus, o homem ficaria sem estímulo para a virtude, e a Sociedade se encheria de desgraçados, e inundada de desordens;
XVIII - Confessa o Filosofismo a existência de Deus, mas nega-lhe a providência, para permanecer livre em suas desordens;
XIX - A conservação da ordem física é o grande argumento da Providência;
XX - Se Deus conserva a ordem física, é indubitável que vigie sobre a ordem moral;
XXI - Todas as Nações conheceram uma Providência Divina, e daqui nasceram todas as primeiras ideias de Religião que ligaram os povos;
XXII - Muitos concedem a existência de Deus, mas desprezam a Religião com que se adora o mesmo Deus, julgando-a ideada pela política, e não inspirada pela Natureza;
XXIII - O ditame da natureza inspira a Religião, é inumano aquele que o rejeita;
XXIV - Se a Religião fosse um invento da Política, como querem os Enciclopedistas, ainda nesta hipótese seriam inimigos da Sociedade;
XXV - É um pensamento louco crer que a Religião nasce do temor;
XXVI - Se admitíssemos que a malícia dos Reinantes promovera o espírito de Religião, isto bastaria para acusar de imoralidade os seus inimigos;
XXVII - Senão a Religião um instinto da Natureza, é necessário torná-lo externo com sinais sensíveis;
XXVIII - Diderot condena a inutilidade, e despreza a exterioridade do culto: e diz que a oração é um ignorante insulto à imutabilidade de Deus;
XXIX - Não se pode condenar o culto externo sem despojar o homem da liberdade da Natureza, e sem defraudar a sociedade da maior vantagem;
XXX - O costume universal dos Governos oferece a prova de uma necessária exterioridade, que dê a conhecer a adesão dos súbditos;
XXXI - Se a exterioridade do Culto ocasionou divisões na sociedade, é culpa da superstição ateada pelas paixões dos homens;
XXXII - Há um Culto revelado que tem em si os sinais de uma constante imutabilidade;
XXXIII - Um culto que não é revelado por Deus, nem obriga, nem liga os homens;
XXXIV - A Moral não pode ser o ditame da razão só; deve ser uma emanação divina de princípios imutáveis;
XXXV - Expoem-se os erros em que cairam os mestres da Moral, que não conheceram os ditames eternos, e revelados;
XXXVI - Existe um único Códice conhecido do Mundo, que contém os princípios inspirados da Religião, e moral dos homens;
XXXVII - É conhecida a divindade, e identidade do Códice da Revelação. Seus oráculos se devem escutar, e seguir.
XXXVIII - Os inimigos da revelação devem confessar que tudo o que se tem escrito mais assisado se aprenderá no seio da Religião;
XXXIX - Projectos de Helvécio em reduzir a Moral a sistema, e descobrir verdades que os homens nunca conheceram;
XL - A lei tem um poder Divino em sua origem, e é uma emanação de princípios eternos.

18/06/15

REFUTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DOS PEDREIROS ILUMINADOS - Índice

REFUTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS METAFÍSICOS,
E MORAIS DOS PEDREIROS ILUMINADOS
Autor
Pe. José Agostinho de Macedo




ÍNDICE

- Prefacção
- Cap. I - A Filosofia dos Iluminados não é Original, é Cópia;
- Cap. II - Paralelo da Religião de Epicuro com a dos Iluminados;
- Cap. III - São ilusórias as desculpas dos Iluminados;
- Cap. IV - A Religião conduz mais para a felicidade humana que a Filosofia dos Iluminados;
- Cap. V - Se a pública felicidade contribua mais a Filosofia dos Iluminados, se a Religião;
- Cap. VI - De qual das partes esteja a razão a respeito da proposta felicidades?;
- Cap. VII - Se para a verdadeira felicidade seja bastante a humana política sem a Religião;
- Cap. VIII - Sobre deixar a Religião ao povo, e deixar para os outros a Filosofia, e filosóficos motivos;
- Cap. IX - Sobre a felicidade prometida pelo Iluminismo;
- Cap. X - Sobre a Religião Natural, e Cristã;
- Cap. XI - Sobre as oposições dos Iluminados contra a Religião;
- Cap. XII - Se seja mais conducente para a privada felicidade a Filosofia dos Iluminados ou a Religião, especialmente a Religião Cristã;
- Cap. XIII - Sobre o prazer que a Filosofia dos Iluminados nos promete;
- Cap. XIV - Sobre os deveres que a Religião impõe, e a liberdade que a Filosofia promete;
- Cap. XV - Sobre terrores da Religião confrontados com a tranquilidade Filosófica;
- Cap. XVI - Sbre os dois atendíveis tempos a respeito da tranquilidade ou contentamento anunciado;
- Apendix - Extrato de um projecto de Revolução, composto pelo Conde Mirabeau, apanhado em casa de Madame Gai, por Le Grande seu doméstico, e vendido a Mr. Houle, Oficial no Regimento de Dragões da Rainha, impresso depois com os outros escritos do mesmo género com o título "Mistérios da Conspiração".

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 13 (II)

(continuação da I parte)


APPENDIX

Extrato de um projecto da Revolução, composto pelo Conde de Mirabeau, apanhado em casa de Madame Grai, por Le Grande seu doméstico, e vendido a Mr. Houle, Oficial no regimento de Dragões da Rainha, impressos depois com os outros escritos do mesmo género com o título Mistérios da Conspiração.

"Uma nação junta não se muda; só tem em vista o interesse comum para o estabelecer. Deve destruir toda a resistência: e atendei bem para isto. Nada pode ofender a justiça quando se trata do bem geral. Eis aqui o princípio. Trata-se agora de saber qual seja o caminho que é preciso tomar para chegar à restauração geral. É preciso destruir toda a ordem, suprimir todas as leis, anular o poder, e deixar o povo em anarquia. As leis que fizermos não terão logo todo o vigor, não o terão talvez depois; mas é preciso restituir a força ao povo: ele resistirá por sua liberdade, persuadido que a pode conservar. É preciso lisonjear seu amor próprio, e sua esperança, e prometer-lha a felicidade depois dos nossos trabalhos. É preciso iludir seus caprichos, e os sistemas que ele tem feito à sua vontade, porque o povo legislador é muito perigoso, só estabelece leis que coalisam com suas paixões. E como não haja mais que uma alavanca, que os legisladores movem à sua vontade, é preciso que nos sirvamos dele, fazendo-lhe odioso tudo o que quisermos destruir. É preciso semear a ilusão em todos os seus passos; comprar todas as penas mercenárias, que propagarão os nossos meios, e lhe farão ver que nós não atacamos mais que os seus inimigos.
O Clero, sendo o mais poderoso na opinião, não pode ser destruído, senão metendo-se a ridículo a Religião, tornados odiosos seus Ministros, e dando-os a conhecer como outros tantos monstros hipócritas; porque Mafoma, para estabelecer a sua Religião, começou por infamar o Paganismo, que os Árabes, os Sarmatas, e os Seytas professavam. É preciso que a todos os instantes os Libelos abram um novo caminho ao ódio contra o Clero: é preciso exagerar suas riquezas, tornar gerais os crimes, e os erros dos particulares, atribuir-lhe todos os vícios, a calúnia, o assassínio, a irreligião, e o sacrilégio. Nada de delicadeza, tudo é permitido nas Revoluções.
Venhamos à Nobreza. É preciso evitá-la, e dar-lhe uma origem odiosa. É preciso estabelecer um gérmen de igualdade, que não pode existir; mas que lisonjeará o povo.É preciso sacrificar os mais preocupados, incendiar, e destruir suas propriedades, para intimidar os outros. Senão pudermos destruir inteiramente a preocupação da Nobreza, no menos a enfraquecermos, e o povo vingará seu amor próprio, e seu ciume, com todos os excessos, que obrigam os Nobres a fazer o que nós quizermos.
Enquanto à Côrte, é preciso eclipsá-la aos olhos do povo, anulando todas as leis, que a protegem. O Duque de Orleães não omitirá causa alguma para dar explosão à sua vingança. É preciso degradar a Corte até tal ponto, e com tanto excesso, que em lugar de veneração, o povo não tenha mais que ódio, e aversão a seus Soberanos. É preciso que os considere como seus inimigos, e que esteja pronto a se vingar. É preciso lisonjear o soldado, levantá-lo contra a autoridade legítima, fazer-lhe odiosos seus Oficiais, e os Ministros: aumentar seu soldo, fazendo-o o homem da Nação, e não do Rei: enviar-lhe emissários, que o instruam nos nossos projectos, e fazê-lo patriota. E não vedes vós que sem isso nossos inimigos iludiriam todas as nossas vistas, todas as nossas combinações, todos os nossos meios, pela força das armas? Passemos aos Parlamentos.
É preciso representar ao povo sua venalidade, que recaiu sempre sobre o mesmo povo. É preciso mostrar-lhe os Magistrados como déspotas altivos, que vendem até os seus mesmos crimes. O povo ignorante e bruto só vê o mal, e não o bem das coisas. Não digo nada dos Financeiros. Será infinitamente fácil convencer o povo que tudo são abusos na administração da fazenda, e que só merecem indignação os que a ela presidem. Notai bem que o Rei, e os Grandes procurarão frustrar a nossa Revolução com guerras intestinas, ou com as Estrangeiras. É preciso pois para que isto tenha um completo êxito levar o espírito de independência a todos os povos circunvizinhos. Isto não será coisa muito difícultosa. O Espanhol é muito inflamável, e geme há muito tempo debaixo do jugo tirânico do Despotismo, e da Inquisição. Os Italianos são tão arrebatados como os Franceses, e depois que começou a lavrar entre eles o espírito Filosófico, desprezam a Tirania. O Alemão é mais difícil de se mover; porém sua escravidão o indigna contra seus déspotas. É preciso espalhar ouro em Alemanha. Todos os que se deixarem corromper, propagarão a insurreição. O Brabante se inflamará com o mais leve assopro. A Holanda é toda nossa. A Inglaterra nutrirá, e sustentará nossas desordens. Seu ódio natural contra os Franceses não lhe deixará tomar um partido generoso para defender nossos direitos, se neste partido não divisar seu próprio interesse. Quando o Gabinete de S. Jaime nos queira fazer guerra, opor-se-hão os Comuns, porque nós lhes diremos que o que pretendemos é destruir o Despotismo, e a Hidra feudal, e fazermô-nos livres, como eles são. A Prússia tem vistas, que poderão  prejudicar; este Reino não nos deve meter medo; não é uma Potência, que possa afrontar um grande povo ardente, e impetuoso como são os Franceses. É preciso aguerrir este povo. É preciso mais que tudo fixa-lo na defesa das fronteiras, e para isto cumpre nutrir e acender seu furor, alentar suas esperanças com a supressão dos impostos: intimar-lhe surdamente a matança, e extermínio dos inimigos da Revolução, como um dever útil ao Estado. Nós devemos exigir o juramento a todos aqueles, que se juntarem a nossos projectos, e formar diversas sociedades, que em suas sessões tratem o mesmo assunto, discordando (para disfarçar) de opinião.
Enfim importa admitir o povo nos estabelecimento, que devemos criar, concedendo-lhe a voz deliberativa nas Assembleias gerais; isto lhe dará um veículo de honra, que lhe fará andar a cabeça a roda. Mas é preciso não deixar às Cameras mais do que um poder limitado. Se lhes deixarmos muita força, seu Despotismo será muito perigoso. Lisonjeemos o povo com uma justiça gratuita; prometa-mos-lhe uma diminuição de impostos, e uma repartição mais igual. Estas vertigens o hão de fanatizar, e removerão toda a resistência.
Ah! Que importam as vítimas e seus números, as espoliações, as destruições, os incêndios, e todos os efeitos necessários de uma Revolução? nada nos deve ser sagrado!" (Tirado da Refutação dos Princípios Metafysicos, pág. 222).

Este Documento original e autêntico contêm em si todos os princípios de irreligião, e imoralidade: os Pedreiros Livres o pertenderão negar; mas o que eles praticaram na França, na Itália, em Espanha, e em Portugal, manifesta bem a sua autenticidade, e que este é o seu Cresto, ou Cartilha, por onde se governam, e querem deste modo arrancar de entre os homens a Religião, e os bons costumes, e precipitá-los no abismo de todos os males: são portanto os maiores inimigos do género humano. Só poderemos ser felizes pela Religião, e pelos bons costumes; e como esta infernal seita trabalha por destruir estes dois princípios, somente com o extermínio dela poderemos aspirar à nossa felicidade.

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823
Com licença da Real Comissão de Censura.

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 13 (I)

O PUNHAL DOS CORCUNDAS

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Nº. 13
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Ostendam gentibus nuditatem tuam

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CATECISMO DE VOLNEY

Donde veio aos Regeneradores do Porto a sobremaneira estulta presunção de que fariam quanto quisessem dos bons Portugueses? É de admirar que sujeitos da mais atilada sabença, e Donatários das formosas regiões da Luz, não conhecessem o próprio terreno em que se deviam fazer as suas evoluções Maçonico-Jacobinas. Tem-se observado que o amor dos Povos aos Reis está sempre na razão directa do cumprimento dos deveres religiosos. Nunca um país verdadeiramente Cristão deixará de ser um país cordialmente sujeito aos seus Príncipes, o que é tão certo, que a lealdade em países Católicos é sempre mais crescida que em países Protestantes. Ora que à vista da estranha relaxação de costumes, que há trinta anos a esta parte se nota e deve lastimar em todas as classes de cidadãos, eles pensassem que chegariam a salvo com seus disfarces republicanos, e que à sombra de ilegais usurpações feitas aos Grandes e aos Mosteiros, contentariam aos pequenos e os lavradores, nem se admira, nem se deve ter por estranho do que sucede nas mudanças de governo, especialmente urdidas para levantarem uns sobre a ruína e a desgraça dos outros... mas que houvesse constitucionais escandecidos a ponto de julgarem os seus concidadãos já maduros para ouvirem, abraçarem, e seguirem de bom grado as lições do Deísmo, que na frase do Grande Bossuet não é mais que um ateísmo disfarçado, parecera incrível se desde o começo da nossa infausta Regeneração não vissemos impresso com licença da Mesa da Comissão de Censura na Tipografia Rollandiana 1820 a Exposição da lei natural ou Catecismo do Cidadão!!! Obrinha é esta do famigerado Ateu Volney, que só este nome do autor é sobeja recomendação para ser o pasto das chamadas, onde quer que apareça tão infernal e desatinada produção.

Foi este um dos maiores atentados contra a Fé, qual nunca se viu em seicentos para setecentos anos de existência, que vai contra a nossa Monarquia... nem todos esses séculos, que precederam o nosso, poderiam ver a sangue frio tão debocada e horrorosa violação do que há de mais sagrado e respeitável entre os Portugueses... Há certos livros manhosos, traçados com arte, onde o veneno se encobre de tal maneira, que chega a iludir os ais experimentados; porém neste reina desde o começo até ao fim a maior clareza e descobrimento de princípios, que assusta e faz tremer a própria ignorância.
Começando logo pela definição da lei natural se mostra, e bem às claras, todo o veneno que hão de propinar todos os capítulos da obrinha,que todavia se apura e sobe de ponto na explanação dos caracteres da lei natural, como se irá vendo das formais palavras do infame Catequista "Pergunta   Mas nenhuma outra lei é universal?; R. - Porque nenhuma convém, ou é aplicável a todos os povos da terra: todas são locais e acidentais, filhas das circunstãncias de lugares e de pessoas, de maneira que se tal homem ou tal acontecimento não tivessem existido, tal lei não existiria." (Cap. 2º).

Aqui vemos solenemente desmentido o - Prégai a toda a Criatura - e postos em cena os princípios filosóficos modernos, a que o adepto Montesquieu deu tanta voga quando sustentou que a admissão do Cristianismo era impraticável na China em razão dos costumes, hábitos, e climas, etc. etc. . Ora qualquer simples Cristão, ainda sem estudar Lógica e Teologia, e apenas escudado pelo seu Catecismo, tapará facilmente a boca a estes Filósofastros com uma só palavra. A este legislador, que manda prégar o Evangelho a toda a Criatura, não é nada impossível, pois ele é sempre infinitamente maior que todos estes obstáculos sejam da natureza, sejam dos hábitos, sejam dos climas.

Sobre o quarto caracter - "P. - Logo nenhuma outra lei é uniforme, e invariável?; R. - Não...".

E assim depõem a Lei Evangélica de ser universal, e de ser invariável; mas que brecha lhe podem fazer homens até quase depostos do ser humano, e cujo primor científico se reduz a nivelarem a espécie humana com os próprios jumentos, e com os próprios mus que carecem de inteligência!!!

Sobre o quinto carater - "P. - E as outras leis não são evidentes?; R. - Não; porque se fundam em factos passados e duvidosos, em testemunhos equívocos e suspeitos, e em provas inacessíveis aos sentidos.".

Aqui temos proclamado o Cepticismo, expostas à desconfiança as histórias mais autênticas do Universo, e compreendidos nesta sentença de morte os próprios milagres de Nosso Senhor Jesus Cristo!!!

"P. - E outra qualquer lei não é sempre racionável?; R. - Não, porque as outras contradizem algumas vezes a razão e o entendimento humano, e lhe impõem com tirania uma crença cega e impraticável.".

Eis que surde a razão humana, esta pobre, miserável, e acanhada em tudo que é sujeito ao seu alcance, já feita Soberana, e desde o alto da sua trípode, intimando em ar de Oráculo a destruição dos Mistérios, e de tudo o que pertence à Fé Católica. E saiu impressa tal obrinha neste Reino, e com licença dos Ilustríssimos Delegados de Manuel Fernandes Tomás!!!

Ainda não caiu uma nódoa semelhante sobre os nossos prelos, e sobre o conceito que as nações entrangeiras faziam da nossa Catolicidade! Não podemos jactar-nos de que perdemos tudo excepto a honra...

Se um dos interlocutores conclui em ar de pergunta no Capítulo 7.º "Logo o prazer não é um mal, um pecado, como pretendem os Casuístas?; R. - Não, o prazer só é um mal quando tende a destruir a vida e a saúde, que nos vêm do mesmo Deus, como concordam até os mesmos Casuístas."

Não será isto uma espécie de carta em branco para se atropelarem de contínuo as Leis Divinas e Humanas? Que porta mais franca se pode abrir ao Materialismo do que estabelecer a saúde como regra e norma dos prazeres, como se não houvesse uma substância que eles principalmente ofendem e arruínam? E para nos tirar as dúvidas sobre a legítima e verdadeira acepção daquelas palavras, não tarda o Perguntador em abrir caminho a outra resposta ainda mais decisiva e abominável... "P. - Mas a virtude e o vício não têm um objecto puramente espiritual, e abstracto dos sentidos?; R. - Não, é sempre a um objecto físico, que se refere em última análise, e este fim ou objecto é sempre destruir ou conservar o corpo.".

Que tal se prometia a Liberdade de Imprensa, quando nos seu cativeiro à constitucional era tão descomedia, e ousava romper nestes execráveis delírios?... E os bons Católicos deviam alegrar-se com a prometida Regeneração! E o Eminentíssimo Cardeal patriarca devia dormir a sono solto em cima da coberta do navio, cuja direcção lhe fôra confiada, ao mesmo tempo que uma recua de piratas lhe deitava fogo por todos os lados!!!

Voltemos ao Catecismo internal, que no artigo das virtudes é curioso, e como se excede a si próprio.

"P. - E devemos considerar a abstinência e o jejum como acções virtuosas?; R. - Sim, quando se cometu demasiadamente, porque então a abstinência e o jejum são remédios simplices e eficazes, mas quando o corpo tem necessidade de alimento, negar-lhe, e deixá-lo sofrer fomr ou sede, isto é delírio, e um verdadeiro pecado contra a lei natural."

Ora aqui temos a mortificação dos Penitentes da Nitria e da Tebaida olhada como se fosse um delírio! E o próprio Legislador dos Fiéis, e de todos os homens, incurso na mesma censura por ter chegado a experimentar fome no dilatado jejum de quarenta dias e quarenta noite!! Que sorte devia esperar o jejum da Quaresma depois de se lerem tais blasfémias!! Sim, tudo isto era aplanar caminho para a famosa Bula da Carne, em que brevemente falarei com extensão; porém os estouvadíssimos Pedreiros não escolheram boas posições, e enredaram-se de tal maneira, que na sua campanha aberta neste Reino para entronizarem o maçonisimo saíram uns perfeitos e acabados Joães de Las Vinhas...

Quando o Catequista se vê obrigado a falar (Cap. 5.º) nas abstinências ordenadas por vários legisladores, nem por isso há de mostrar-se mais propenso a admitir os fins da instituição do jejum. "Longas experiências (diz ele) tinham ensinado aos antigos que a Ciência Dietética fazia grande parte da Ciência Moral...".
Campa do Conde Volney
Nesta parte já tínhamos visto a Medicina Teológica, que de certo bebo na mesma fonte, de que se valeu o Catequista, ou em outras igualmente corrompidas, se bem que a tal doutrina já é muito velha, e eu a tenho lido em A A. que escreveram há duzentos anos, mas torna a aparecer mais bela e remoçada por ser grande fautora do Materialismo... isto é do erro mais dominante no séc. XIX. Por mais que vivêssemos neste Reino, é certo que ainda não tínhamos visto uma definição de Fé e de Esperança, qual se encontra no Capítulo 12: "P. - A lei natural considera como virtudes a Fé e a Esperança que se juntam à Caridade?; R. - Não, porque isto são ideias sem realidade, porque se delas resulta algum efeito é mais em proveito daquele que não tem estas ideias, do que daqueles que as têm; de maneira que a Fé e a Esperança podem chamar-se virtudes dos tolos em proveito dos velhacos.".

Basta. Que mais era necessário para sabermos que Constituição e regeneração eram os votos da impiedade em proveito dos Mações? Quem ensina tais princípios a um Reino Católico, por qual altte se poderá lavar da nódoa de Prégador do Altíssimo? Vendo-se o Catecismo alguns dias.... porque a Lisboa do Século 19 não é a Lisboa do Século 16.

Mas que culpa tem o Governo então Supremo de que saísse o Catecismo? Como há de refluir no Sistema Constitucional o defeito de um homem perdido, ou alienado?

Assim é; porém o tribunal da Censura por quem foi instituído? E não sabia ele que seus amos lhe não estranhariam a publicidade do Livrinho? E não vogaria ele por todo o Reino e suas Conquistas? Não faria ele todo o mal para que era destinado, se o Eminentíssimo Cardeal patriarca não se pusesse em campo, e não se afadigasse pela supressão do endiabrado Catecismo? E não foi este um dos crimes daquele impávido Atleta; que ficou em aberto para ser punido em melhores tempos? E não viram estes melhores tempos as Superstições descobertas, o Cidadão Lusitano, e o Retrato de Vénus? E para me retingir por ora ao meu assunto; não se imprimiram em Lisboa, e não se afixaram nas portas das Igrejas os anúncios de estarem à venda as Ruínas de Volney, cujo nome posto em letras maiúsculas para sinal de exultação, e de triunfo, consternou sobre maneira a piedade Cristã, reduzida então ao silêncio, e aos gemidos a furto na presença dos altares?

Serei claro; e se alguém é capaz de me desmentir, que me desminta. Foi a decantada Tese do Abade de Prades o primeiro botafogo da incredulidade na França, e o Catecismo de Volney o mesmo papel na chamada Regeneração Portuguesa. Deve soar esta verdade nos púlpitos, nas cadeiras, nas praças e até em cima dos telhados, para que os nossos concidadãos aprendam, e se desenganem, e por outra parte os cúmplices do maior dos atentados se confundam, se mordam de raiva, e percam de uma vez a sacrílega esperança de fazerem deste Reino uma sociedade de Ateus, ao que se endereçava a maior parte das suas medidas em assuntos religiosos, como irei mostrando nos números seguintes.

(continuação, II parte)

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 16 (III)

(continuação da II parte)

Os Mestres

Ninguém suspeita que a nossa Religião favorece a ignorância como sua aliada. A nossa Religião que desde o seu berço sustentou os mais renhidos combates com a sabedoria humana, e cantou a vitória sobre os Celsos, Porfírios, e Julianos, como há de temer o bando de petimetres, e de ignorantes, que têm querido mais insultá-la, e vilipendiá-la, que combatê-la nestes últimos tempos? Quer, e deseja ardentemente a nossa Religião, que seus filhos sejam, ainda mais que nas ciências humanas, instruídos na ciência dos Santos; nem a que acompanhou os Justinos, os Atenágoras, os Crisóstomos, e os Agostinhos, foi jamais exclusiva de toda a variedade de conhecimentos humanos, que fazem parte das coisas que Deus entregou à livre discussão dos Sábios. Tudo o mais que se divulga sobre esta matéria, como se a Religião Cristã fosse inimiga do crescimento das luzes, quando ela só é inimiga das trevas, e do que se gera e inculca no seio das trevas, procede ou de ignorância, ou de malícia, e importa que este aleive se desminta por todos os modos, que estiverem ao alcance dos sinceros amigos da sua Pátria, e se declare à face dos Ceus e da terra o que são os Mestres devassos de costumes, e seguidores de perversas doutrinas. E como se há de haver com seus discípulos um mestre que só considera nas tenras plantas, que lhe foram entregues, uma coisa bem pouco acima dos vegetais, que nasceu para viver e morrer, e que não deve ter esperanças de uma vida futura? E desgraçadamente há cópia de dais mestres no Reino de Portugal!!! Daqui vem, que no ensino da Filosofia racional e moral se omite por muitos Professores, como desnecessária, e supérflua a terceira parte da Metafísica, que trata de Deus, e nem uma só palavra se estuda dos últimos capítulos da Ética de Heinécio, que são os mais importantes, visto que se trata neles dos meios para se conseguir a felicidade. Tenho presenciado muitas vezes a decadência dos estudos, sem lhe poder acudir, nem dar remédio!!! Não pára aqui o arrojo de tais Mestres, que demais a mais inábeis e incipientes, nem os seus pecados são meramente de omissão, sobem de ponto os de comissão por certo mais agravantes, e mais escandalosos! Que há de fazer um pobre Discípulo, que escuta o seu mestre, como se fosse um oráculo, se este oráculo anuncia nas aulas menores os princípios de um refinado materialismo (é inizivel a astúcia com que os próprios mestres de Latim podem insinuar a seus ouvintes os mais errados e perversos documentos. Queixa-se um sábio escritor Francês (Mennais) de que os sobredictos Mestres são traduzirem a passagem de Virgílio Auri sacra fames, o faziam deste modo: Sacra fames, a fome Sacerdotal auri do ouro, e assim começavam de acender as primeiras faiscas do incêndio com que eles queriam abrasar a Igreja de Deus), e nas maiores, que é desnecessária a revelação, que o Catolicismo tem sido sempre o mantenedor, e a capa do despotismo, e que o Concílio Tridentino apertou as cadeias, que os Reis tinham lançado ao género humano; que este Concílio não foi ecuménico, que os Sacerdotes não carecem de jurisdição para confessarem, e absolverem validamente, que a doutrina vulgar das Indulgências é um tecido de erros, e de superstições, etc. etc.? Pois que diremos dos Sapientíssimos Lentes, e Professores infectos do maçonismo? E dos aspirantes ao Magistério, seduzidos com a esperança de suplantarem, e fazerem depor seus mestres, cujo maior erro tinha sido habilitar para o magistério estas crianças na ciência, e nos anos? Estamos para ver se ainda continuam a ensinar os Mestres conhecidamente Pedreiros Livres, que será este o final extremo... e se as providências tomadas sobre o exame do liberalismo dos mestres se reduzem a simples formulário, e temos justiça de compadres, sairá brevemente do exercício das aulas uma nova geração, quase toda Maçónica, e por conseguinte desafeiçoadíssima ao Trono, e inimiga do Altar...


Para que os meus Leitores não fiquem assentando que eu sou exagerado nos meus receios, devem saber que em algumas casas de educação já se ia abolindo de facto o Sacramento da Penitência, e que era necessário aos alunos, que ainda professavam o Catolicismo, saírem como a furto, ou darem outros pretextos da saída; e eu mesmo encontrei alguns nestas louváveis empresas, durante os poucos dias de Junho, que residi na Capital do Reino; e era voz constante que nesta última Quaresma, e já na antecedente ficaram por desobrigar muitos alunos, porque não só os não mandavam, mas até os arguiam de que se quisessem confessar. Notei igualmente que o Método de Lencaster, ou Ensino mútuo, que se plantou modernamente em Lisboa, ainda prossegue, e com aplauso; o que me fez pensar que talvez ainda se ignore neste Reino que ele já foi proibido em muitos lugares, onde reina o Catolicismo, e tem contra si alguns dos mais abalisados, e religiosos escritores do nosso tempo. Oxalá que os Portugueses, e nomeadamente os Pais de Família se resolvam de uma vez a abrir os olhos, e se convençam de que uma barquinha lançada a um mar tormentoso, sem direcção, e sem leme, forçosamente há de padecer naufrágio. Que importa que seus filhos sejam umas águias, que adornem os seu espírito de muitos e variados conhecimentos, se é quase inevitável perderem as almas!!! Que tesouros, e dignidades podem ressarcir os mancebos de tão lastimosa perda!!! Carecemos de uma inteira reforma de estudos em Mestres, e em Livros, e já é tempo de seguirmos o exemplo da Áustria, e Nápoles, e do Piemonte; e se estes reinos se antolharem a certos Leitores, como possuídos de fanatismo, dignem-se ao menos de imitarem Frederico II Rei da Prússia, e Catarina II da Rússia, que sendo o primeiro Ateu, e a segunda Cismática, não temeram confiar a Frades Católicos a direcção dos estudos da mocidade de seus reinos. 

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823

Com licença da Real Comissão de Censura

17/06/15

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 16 (II)

(continuação da I parte)

Livros

Ainda terei ocasião de patentear as equivocações e paralogismos das Côrtes Lusitanas sobre o artigo da censura dos livros, matéria esta em que os factos são mais poderosos que os raciocínios; e por agora satisfaço-me de ponderar que apenas os egrégios canonistas furtaram à Igreja todo o exame dos livros, nunca mais de pôde ter mão neles, para que não inundassem e pervertessem os reinos onde a autoridade civil se apossou daquela censura. Descansem por uma vez os engenhosos fabricantes de novas máquinas regeneradoras, que cedo ou tarde se voltará tudo contra eles, e uma desgraçada experiência os convencerá de que há certos interesses ligados intimamente à Fé, os quais só ficam bem nas mãos de uma Depositária fidelíssima, qual é a Igreja de Deus.

Um dos primeiros cuidados da nossa regeneração foi soltar os diques à torrente de maus livros, que até esse tempo se vendiam às ocultas e debaixo do capote, e dar amplíssima faculdade aos livreiros para terem sobre os mostradores A religiosa de Diderot, as obras mais ímpias de Voltaire e Freret; que as de Rousseau, não obstante o serem proibidas há muitos anos pela Real Mesa Censória, já se vendiam antes de 1820 sem rebuço, o que não admira, quando em Julho deste ano de 1823 se imprimia na Tipografia da Universidade o Contrato Social, porventura a fim de se radicar mais e mais a adesão e fidelidade ao Trono Português. Quase não havia neste Reino uma loja de livros, que não se tivesse mudado em em uma botica a mais bem sórdida de venenos, para se matar com eles quem se desgostasse de viver segundo os preceitos do Cristianismo. Para direcção dos novos costumes liberais tinha acudido um enxame de exemplares das Cartas do Lente de Matemática José Anastácio, onde se metem à bulha os dogmas do pecado original, da predestinação, das penas eternas (freio este que os Liberais tratam logo despedaçar a todo o custo), e a imortalidade da alma, e sua liberdade, etc. etc.. Guardarão a simples decência de lhe assinarem a cidade de Paris, como o lugar em que tinham sido impressas, quando por todos os exames e combinações se depreende claramente que tinha sido em Coimbra... Pois que impulso não deram à veneração das coisas santas, e à observância dos preceitos da Igreja um Cidadão Lusitano, e as Superstições descobertas?

Que nuvem de Santos de pau carunchoso não ameaçou procriar o licencioso retrato de Vénus? Que virtuosas donzelas, que boas mães de família não devia formar a piedosa leitura do Toucador das Senhoras, onde se lhes propinou desaforada e periodicamente o que há de mais venenoso em todos os escritos modernamente dedicados à obscenidade? Se algum destes livros, como notoriamente incurso nos abusos da liberdade de imprensa, era denunciado ao Júri, lá estavam os incorruptos e venerandos Jurados de Lisboa, que deixavam passar carros e carretas, e que, ouvindo a convicção íntima de suas melindrosas consciências, achavam que a licença franca de seguir os prazeres carnais, como outras tantas virtudes, e o escárnio das obras inspiradas e canónicas era um simples jogo de crianças!!! Pois um certo periódico mensal chamado Compilador, que meteu a salvo nessa farragem de inépcias quanto lhe veio à cabeça para mofar de tudo que é sagrado, e especialmente dos milagres, a que a devoção dos Portugueses tem dado há séculos inteiro crédito!! Pois o tom dictatório com que o Diário do Governo, ou das parvoíces, metia a sua colherada nos assuntos religiosos, confundindo e enxovalhando tudo!!! Os periódicos e mais impressos constitucionais seguiram a doutrina e sistema anti-religioso da Assembleia Francesa. Esta Assembleia extinguiu as ordens religiosas, e proibiu que os regulares trouxessem o hábito das ordens extintas. O Teólogo regular que escreveu as Memórias para as Côrtes Lusitanas decretou o mesmo: "Enfim (diz) o nome de Frade nunca mais deve lembrar, nem vestuário que o indique", e as Freiras são incluídas nesta extinção. O mesmo decretou o Dr. Apóstata; nas suas advertências úteis à pág. 30 n.º5, falando das Freiras, diz: "dispondo as coisas de modo, que com andar dos tempos se venham a extinguir" etc., palavras que declaram bem a sentença de morte contra os regulares. Mas outro ex-Frade e vagabundo Teólogo decreta a sua extinção com mais infâmia nas suas reflexões sobre um e outro Clero. Ele repete contra estas ordens respeitáveis os impropérios e calúnias dos hereges, e professa contra estas instituições religiosas o mesmo desprezo, ódio e rancor dos ímpios.

Este mesmo como o Teólogo Frade estabelecem todas as máximas da Assembleia Francesa, e justificam e autorizam o Congresso Português para as decretar. Ele quer a tolerância até ao ponto de se unir o Teólogo com o Filósofo: quer a extinção do Santo ofício: declara o Congresso autorizado para as reformas eclesiásticas: quer a extinção das imunidades, e o saque dos bens eclesiásticos, que declara nacionais e pertencentes à Nação. O ex-Frade zomba e escarnece de toda a Teologia; afirma que a Polémica tem feito hereges, a Mística doidos, e a Exegética até ateus. Ele quer que se desterre essa ciência, e que a Religião seja ensinada só por um Catecismo. Mas quem deverá fazer este Catecismo? Será um Teólogo e Mestre da lei? Isso não quer o ex-Frade. Chama questões de insignificância às que se suscitaram no séc. IV entre os Arianos e Católicos, e fala com desprezo delas, tendo em nenhuma monta a defesa de um dogma fundamental da Religião, como é o da Santíssima Trindade; nem é menos notável quando fala nos debates teológicos a favor da doutrina da Graça desde Santo Agostinho até nós.

D. Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, deu ordem de extinção de todas as Ordens religiosas em Portugal.

Para justificar a autoridade, que dá ao Congresso para as reformas eclesiásticas, não só calúnia os Concílios, e até os gerais, mas também afirma que sente mal destas Assembleias gerais. Ele as tem, como os Protestantes, por meramente humanas, isto é, não vê nelas senão homens, e as paixões dos homens, o que é injurioso ao Espírito Santo que as dirige, e às promessas de J. C. à sua Igreja, que tão positivamente nega. Este Teólogo confirma com a sua doutrina o que o Reformador da Itália dizia em 1769: que a Seita Teológica estava já adiantada em Portugal.

Item decretam contra os celibatários, e que ao Papa se peça licença para que os Frades e Freiras de pouca idade se casem. Podia-se-lhe repetir aquela sentença de Erasmo a Lutero: "A vossa reforma acaba, como as comédias, em casamentos, e provar com Bergier que é mais prejudicial à república civil e moral o celibatário da libertinagem do que o eclesiástico e religioso. Decreta mais a reforma das rendas dos arcebispos, Bispos, e Cónegos etc., e com poder mais que pontifício os põe a pão e laranja, e extingue os dízimos com fundamento de que não são de direito divino. Em consequência desta abolição manda sustentar o Clero secular pelos seus fregueses. Que política1 lançar uma nova contribuição ao povo para lhe tirar os dízimos a que estava acostumado: e que doutrina! J. C. ordenou que os que servem o Altar vivam do Altar, e proibindo-lhe o implicarem-se em negócios seculares, não lhe especificou e realizou esta côngrua e quota, e não pertencia à sua Igreja o realizá-la, quando isto se fez necessário? Pode haver autoridade mais legítima do que a Comissária de J. C. para todos os assuntos religiosos? E como estes dízimos não foram taxados por J. C., mas sim pela sua Igreja, decide que sejam abolidos, e até o seu nome. E quem não vê que pretendem nisto reformar mais o poder da Igreja que os Eclesiásticos? Nem um Concílio geral faria tanto. mas se por não serem os dízimos de direito divino devem ser abolidos, que outra coisa se lhes poderá substituir que não fique sujeita á mesma sentença de abolição dada pelo mesmo direito, e pelos mesmos juízes? Sustentem-se de pensões dadas ou pelos povos, ou pelo Estado; e afinal que teremos, senão decretos de direito humano para a sustentação do Clero? e por mais que se decrete para se substituir os dízimos, ficará sujeito à abolição pelo mesmo fundamento de que não é de direito divino. O fim destas reformas era, à imitação da revolução da França, tirar aos Eclesiásticos a sua côngrua sustentação, para que diminuísse e acabasse o Clero, e com ele a Igreja, porque esta não subsiste sem Ministros. e se a côngrua sustentação deles é de direito divino, não será contra direito divino tirar-lha? Veja-se Bergier sobre este ponto.

Item extinguiram estes dois Mações a Ordem de mala, e das Comendatarias, e até as músicas das Catedrais, e tão republicanos como os da Assembleia de França, queriam dar cabo dos vínculos, e nos eclesiásticos de toda a representação civil. Abolindo assim pelo primeiro decreto a Nobreza ou aquilo que a sustentava, e pelo segundo o que constitui o Clero um dos estados da Monarquia, reduzindo por estes dois decretos a Monarquia a um estado popular. Ambos decretam a tolerância universal, que é o mesmo que religião nenhuma.

O Reformador regular exclui, como a assembleia Francesa, o Papa da eleição e confirmação dos Bispos, cometendo-a a um Concílio nacional; e o Apóstata acrescenta que toda a dignidade eclesiástica será dada pelo Rei e pela Nação, e que nunca mais se torne a recorrer a Roma para a sagração de Arcebispos, Bispos, e Párocos (sagração de Parcos!!), porque (diz este fauto) não consta que J. C. desse mais poder ao Bispo de Roma que aos mais Bispos; seguiu o erro condenado de Mersilio de Pádua, e é Protestante, porque nega o primado de autoridade ao Sumo Pontífice, e é réu do Alvará de 30 de Julho de 1795, por igualar os Bispos ao papa seu Primaz. Uns tais Bispos não teriam Missão divina, e uma tal doutrina nasceu do espírito de insubordinação com que sacudiram o jugo das leis da Igreja, e lhe negaram o influxo do Espírito Santo. Fiquemos por aqui.

Eis aqui muito em grosso uma noção sucinta do que nós aproveitámos durante o Sistema Constitucional, que, se por nossos pecados, chega a ter mais um ano de duração, creio firmemente que seriam irreparáveis os seus danos. Entretanto será coisa bem lastimosa que não seque de todo a fonte que ainda corre dos países estrangeiros, e que o Império civil não desembainhe quanto antes a espada da lei para castigar os seus infractores; visto que será inútil qualquer outro remédio enquanto a nossa mocidade se imbuir das perversas doutrinas de tais mestres, que seriam os únicos autores de nossas maiores desgraças, se os mestres vivos, e existentes não fossem ainda mais para temer.

(continuação, III parte)

16/06/15

PORTUGAL CATIVO, E A RESISTÊNCIA TIMORENSE


Enquanto Portugal se encontra no cativeiro dos republicanos, por vezes aparecem-nos "retratos familiares" inesperados desde os lugares onde nem mesmo a anti-civilização destes tempos consegue chegar com força.



Em Timor guardamos algumas bandeiras de Portugal desde o séc. XVIII, trajes de autoridade militar, e documentação régia. Tudo leva a crer que se trata da guarda da autoridade conferida pela Coroa Portuguesa às autoridades de Timor, ou seja, às monarquias de Timor unidas sobe a Coroa Portuguesa. Aos chefes destas monarquias lhes chamam Liurai.


O Liurai Mao Pelo é um destes chefes que guarda honradamente a bandeira, uniforme, e documentação (incluindo alvará régio), elementos de grande prestígio que vão sendo transmitidos de geração em geração ao mais velho dos filhos que não abandone a aldeia.


O uniforme, do séc. XVIII é azul escuro, pouco gasto para o que se poderia exigir, com galões de ouro, e duas faixas carmesim cruzadas no peito (estas são iguais às que colocam na Imagem de S. António de Lisboa como chefe das nossas tropas). Há ainda dois bastões com cabo em ouro muito bem trabalhado. Os botões têm as armas portuguesas.


"Mas é quase um milagre que algo do século XVIII, que já esteve escondido em buracos em vários pontos de Timor-Leste, ainda esteja neste estado. Ou que sequer exista. Como é ainda mais milagroso que tenha sobrevivido, apesar do mau estado em que já se encontra, o que chama aqui os mais curiosos: uma bandeira de D. Maria I, enviada para Timor-Leste e que tem sido guardada, ao lado de vários documentos, esses ainda em pior estado, incluindo um alvará real." (Agência Lusa)

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A maçonaria, à qual pertence Ramos Horta, está a trabalhar para que tudo isto fique confundido com um mero "culto à bandeira de Portugal", no qual inserem situações diferentes que permitam fazer a ponte com a bandeira republicana.

JOSÉ ALBERTO CARVALHO, DEFENDEU O CRIME.

O jornalista José Alberto Carvalho defendeu o crime, publicamente e em actividade profissional. Que se retrate publicamente, ou seja apartado definitivamente da actividade jornalística.

Por ocasião da transmissão da inauguração do novo espaço onde está guardada a colecção dos coches da Casa Real Portuguesa,  o jornalista da TVI, José Alberto Carvalho, tratou como legítimo o assassinato de D. Carlos e D. Luís Filipe (regicídio de 1908), e fez do crime em geral um mal de quem o reconheça como tal: "uma data considerada funesta pelos monárquicos".

José Alberto Carvalho agravou a sua posição chegando ao ponto de colocar no pedestal o criminoso Manuel Buiça. Manipulando a ocasião, leu aos expectadores da referida cerimónia o testamento do regicida, e fez apologia dos ideais anti-católicos e anti-portugueses que têm dizimado a nossa Civilização: os maçónicos na sua forma de republicanismo.

o jornalista em questão
Como a República [maçonaria] impediu até hoje o processo do regicida Buiça, como a República [maçonaria] colocou no Panteão Nacional a Aquilino Ribeiro (no meio de protestos, porque este escritor foi cúmplice no regicídio), como a República [maçonaria] detém oficialmente o controle da RTP2, como José Alberto Carvalho dirige a TVI e nela faz reforçada propaganda Republicana [maçónica], como a ocasião da transmissão afinal mais se prestava ao espaço e a coches que nada têm a ver com República, é caso para dizer:

1 - Julgue-se o caso Buiça à luz da lei de então (evitando assim de sujeitarmos os portugueses a julgamentos levianos manipulados por jornalistas que bombardeiam os próprios esperadores);
2 - José alberto Carvalho seja afastado da actividade jornalística;
3 - Se a República moderna diz ser laica, já é hora de admitir que ela é uma estrutura que só não impede a expansão da ideologia maçónica, com a qual se identifica totalmente José Alberto Carvalho;
4 - Que finalmente seja aclarado que o novo espaço para os Coches são uma estratégia da maçonaria para cortar as viaturas do seu contexto grandioso e monárquico, e fazer parecer que há Portugal na República (mostrando uma falsa continuidade entre os coches da Casa Real e os do Partido Republicano).

Este artigo vem alguns depois do acontecimento, porque faz anos que retirei de casa a minha TV (recomendo o mesmo a todos). Mais louco que os loucos, é quem lhes dá ouvidos.

15/06/15

NOVO CONCEITO DE "SANTO" (I)

Os procedimentos pelos quais a Santa Igreja apura as beatificações e Canonizações sempre foram alvo do maior critério e rigor. Contudo, hoje surge um diferente estilo de santos, à medida de um recente conceito de “santidade” . Na Igreja, os rigores e cuidados de sempre estão hoje relaxados. O rigor que havia, não o há mais; a segurança que havia nestas matérias será a mesma então?

Na segunda metade do séc. XX os rigores e critérios até então usados nas canonizações sofreram repentinamente alteração. O argumento foi o da celeridade nos processos (tal se deve à quantidade de processos iniciados, os quais poderiam ter sido evitados se respeitados os primeiros critérios e cuidados - Basta que que estivesse acostumado apenas a ler a vida de santos por edições antigas, seus escritos, leia depois uma biografia e escritos de um canonizado recente, para se dar conta de que umas e outras não vão na mesma linha. Dirão alguns “os santos são os mesmos, mas os épocas mudam”… mas não: se as “épocas mudam” e os santos são os mesmos, porque motivo os critérios se mantiveram durante séculos até há bem pouco tempo, e, de repente, “os tempos” começaram a ser argumento para o câmbio? E mais… há contradição entre o modelo tradicional e os feitos dos novos canonizados, sendo alguns destes feitos tradicionalmente impedimentos!

Entre os fiéis, onde antes havia apenas um, há hoje três formas de ver a “santidades”: o modelo tradicional (milenar); o novo critério (portado por aqueles que não conhecem realmente o modelo tradicional); os que tinham conhecimento do modelo tradicional e que foram assimilando o novo, acabando por relativizar o tradicional, tentando não achar contradição no novo que se lhes foi impondo. Na verdade, catolicamente, só o tradicional se pode chamar “modelo de santidade”, pois sem este a Igreja estaria sem pedra de assento para avaliar o que viesse em diante; talvez por se saber isto se faça tanta questão em lançar o novo modelo dizendo que é também o tradicional, ou que é uma evolução do tradicional, por mais contraditório que isso seja.

A par disto, e tomando como referência os anteriores processos, os processos para beatificação e canonização de hoje carecem de seriedade. Os dados que antes eram suficientes para impedir um processo de beatificação, hoje não são levados em conta. O prazo de 50 anos de espera, padrão que só em casos especiais podia ser superado, é hoje desrespeitado como se todos os casos fossem especiais (S. Teotónio e Sto. António, foram dois santos portugueses canonizados pouco tempo depois da sua morte, não tinham passado ainda dois anos – mas são estes dois casos especiais). S. Pio X, por exemplo, por ser de universal conhecimento de não haver matéria de oposição, foi uma dessas excepções; mas… João Paulo II, com tanta oposição, tanta matéria oposta, passar a beato em 6 anos, e ser canonizado poucos anos depois é evidentemente estranho… a não ser que os critérios e as regras tenham entretanto mudado significativamente e ficado como que assentes com a beatificação e canonização de Mons. Escrivá de Balaguer (o qual chegou a ter contestações ao processo que não foram sequer consideradas).

Nestes casos recentes, houve testemunhos e outros manifestos feitos chegar à Santa Sé, antes e depois das beatificações e canonizações. Além destes testemunhos voluntários, conveio sempre à própria Igreja quem sondar as opiniões contrárias nos ditos processos. Havia, sim havia, o “advogado do diabo”, o qual procurava fazer objecções à canonização (elemento importante que dificultava a defesa, fazendo com que ela unicamente se pudesse guiar argumentos irrefutáveis), e juntava os testemunhos contrários, fazendo uso das objecções que tinham sido entregues pelos fiéis à Santa Sé. O advogado do diabo hoje “anda de férias”, e parece que ninguém está mais interessado em “contratá-lo”.

O Padre José-Maria Escrivá de Balaguer
João XXIII, Edith Stein, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II, Mons. Escrivá de Balaguer, etc., tiveram os processos sempre contestados. Ou seja, além de processos impeditivos, os processos foram contestados e seguiram um diferente modelo de “santidade”. Se sempre a Santa Igreja foi interessada em receber os testemunhos contrários, agora eles são afastados se “conveniente”, e não chegam sequer a ser analisados.

O Santo é um modelo que a Santa Igreja coloca para imitação de todos, e é um intercessor nosso perante Deus. E para que a Santa Igreja o coloque como “cânon”, têm que estar provadas as virtudes em grau heróico. Como veremos, as virtudes hoje são tocadas por supostas virtudes, como se isto fosse coisa de inovar o conteúdo ao mesmo tempo que se lhe conserva o rótulo (isto é tipicamente e fundamentalmente “modernismo”).

Há uma novidade legítima, se assim se pode dizer, que é a recente descoberta da santidade em crianças. Pois, ao longo da história da Igreja, nunca aconteceu considerar que as crianças pudessem praticar as virtudes em grau heroico (tirando o caso do martírio). Os pastorinhos de Fátima são os primeiros neste aspecto (não quer isto dizer que fica assim provada a matéria necessária para uma beatificação ou canonização; refiro-me apenas à pratica de virtudes em grau heróico por crianças, e nada mais). Os santos mais jovens que nos acostumámos a ter eram adolescentes e jovens, mas nunca crianças: isto não constitui uma obrigatoriedade futura, porque nunca se declarou que as crianças eram inaptas para tal, apenas nunca se proporcionou e é difícil constatar. No caso das crianças de Fátima o caso está muito contextualizado e autorizado pelo contexto das aparições.

A prática das virtudes em grau heróico, portanto, sempre teve de ser provada, coisa que requereu sempre exame minucioso e com provas INCONTESTÁVEIS (por meio de processos que proporcionasse francamente a manifestação da vontade de Deus).

Dois são os critérios pelos quais se sabe se algo foi revelado por Deus: profecias e milagres. No caso da prova das virtudes praticadas em grau heróico, Deus dá garantia por meio de milagres.

(a continuar)

12/06/15

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 16 (I)

O PUNHAL DOS CORCUNDAS

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Nº. 16
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Ostendam gentibus nuditatem tuam

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EDUCAÇÃO PÚBLICA

Assunto é este que desde a chamada reforma de Lutero há merecido os cuidados e atenções de toda a espécie de sectários. Julgaram eles, e mui sensatamente, que se chegassem a dominar o coração e o espírito da sempre incauta mocidade, poderiam contar de certo que seus erros teriam voga, e mui dificultosamente chegariam a desarraigar-se. Já no séc. XVI foram as línguas mortas uma das capas com que se cobriram os malévolos intentos das novas seitas, para melhor propagarem as suas doutrinas; e foi um rasgo visível da Providência que ao mesmo passo em que a heresia lançava mão deste fatal expediente, começassem a existir os filhos de Santo Inácio, cujo principal intento era a direcção dos estudos da mocidade, para que saísse das escolas preparada com o auxílio das sãs doutrinas, a fim de se precaver das seduções que tão frequentes eram naquele desgraçado século. Por mais que se tenha clamado entre nós contra o Senhor D. João III, que removeu do ensino as aulas menores os Buchanans, os Grouchys, os Vinetos, e outros abalizados cultores das letras humanas, nem por isso ajudarei essas pouco reflectidas e mui desassisadas invectivas. Um Rei Católico antes quer que uma dúzia de seus vassalos fiquem menos instruídos em Grego ou Hebraico, do que, sob o pretexto de se adiantarem neste estudos, beba toda a mocidade do seu Reino pelas taças envenenadas da heresia e da incredulidade; além de que para se condenar, com alguma justiça, aquele Soberano, era necessário que me convencessem de que os Jesuítas Padres - João Baptista Perpinhão, Manuel Alvares, e Cipriano Soares eram inábeis para ensinarem Latim, Retórica, e Grego à mocidade destes Reinos.

Manifestou-se pois, desde o berço da Companhia de Jesus, uma figadal aversão aos novos Mestres destinados para a educação da mocidade, e não foram as decantadas máximas sobre o regicídio, e as sonhadas associações com os Chatels, e outros inimigos dos Reis; mas principalmente a sua preponderância no Reino de França (por assumirem os cuidados da instrução pública), que suscitaram contra eles a perseguição que lhes foi movida pelos Hugonotes, em extremo aflitos e desesperados de se lhes contrariarem as suas ideias e os seus projectos. Grande número de provas tiradas dos escritos do fim do séc. XVI, e de todo o século XVII poderia eu trazer em confirmação destas verdades, se o meu intento não fosse deliberar apenas esta matéria, a fim de chegar, o mais cedo possível, à desastrosa influência daqueles princípios neste Reino.

É sabido que os Pseudo-Filósofos do séc. XVIII, já para se fazerem senhores da educação pública, intrigaram e minaram tudo para conseguirem a extinção dos Frades da Companhia, cujo maior delito era certamente o de lesa-filosofia; porque obstavam denodada e valorosamente aos seus progressos de tal maneira, que nunca o estandarte da irreligião se arvoraria na capital da França, nem se chegaria a perpetrar o regicídio de Luís XVI, se a Côrte de França, por extremo corrompida, não desse as mãos aos Filósofos para se conseguir aquela extinção. Sobejas vezes o tenho ponderado, e não me cansarei de o repetir, que é bem digno de lástima esse indiferentismo ou desleixo, com que depois da extinção dos Jesuítas foi tratada a educação religiosa pelos Soberanos, que, desconhecendo os seus verdadeiros interesses, coadjuvaram pela maior parte, e sem o advertirem, a causa da impiedade. A conservação da Fé, no meio das tormentas que têm ameaçado por vezes submergir a barca de S. Pedro, é sem dúvida um milagre fixo e permanente, e para mim tão admirável como se eu visse a passagem do mar vermelho ou a ressurreição de Lázaro. Era impossível que forças humanas guardassem puro e ilibado o sacrossanto depósito das verdades católicas, sem que ele tivesse o menor perigo durante a guerra, ora encoberta ora descoberta, que lhe têm feito os ímpios há cem anos a esta parte. E o que me robora ainda mais nesta persuasão é o ver a suma diligência e actividade com que os Filósofos se meteram a seu salvo na direcção dos primeiros estudos da mocidade, fazendo imprimir livros recheados de heresias e obscenidades para serem o primeiro objecto das leituras da infância. Mete dó considerar-se que a impiedade tivesse sobejas forças para imprimir tais livros, e para os disseminar por todo um reino tão vasto e populoso como a França, e os distribuir gradualmente, a fim de segurar melhor as suas infernais conquistas, e que não prevalecesse ao mesmo tempo o contrário sistema de fazer imprimir e espalhar gratuitamente os bons livros, ainda que estes desejos de alguns Pastores talvez desmaiassem perante os esforços da autoridade civil, que, pouco ou nada escrupulosa na eleição dos Mestres, fechava de todo as portas à esperança de que homens indignos e imortais quisessem servir-se dos bons livros em pró dos seus ouvintes.

Desta perseguição ao Cristianismo se deriva o malfadado sistema de remover os Frades a todo o custo de educação da mocidade, e por isso neste últimos tempos em que mais de uma vez se têm renovado essas odiosas contestações, só o nome de Frades tem consternado, e feito mudar de côr alguns Ministros, secretos agentes da maçonaria, como se viu há pouco tempo na França, quando se tratou de admitir ao ensino público os Padres das escolas cristãs, que só este nome é uma declaração de guerra aos ímpios do século, que não receiam coisa alguma tanto como a propagação do Cristianismo.

Futuro D. José I
Da mesma envenenada fonte procederam as instruções dadas neste Reino, em tempos do Senhor D. José I, para que os Frades se excluíssem do magistério, visto que apenas sabiam ler o seu breviário, e já modernamente, nos anúncios de oposição às cadeiras menores, se afixou nas portas da Universidade, e nos outros lugares onde convinha, a famosa excepção dos Frades, que por mais que soubessem, e acompanhassem de excelente morigeração os seus bons estudos, acharam um veto absoluto, que tantas vezes escandalizou os homens probos e assisados.

Apenas se instalaram as Côrtes Lusitanas começou de manifestar-se algum cuidado pela instrução pública, e logo se viu que a maçonaria tratava de ser fiel aos princípios e doutrinas de seus Mestres Franceses, e não desperdiçava este meio de fazer prosélitos; e como até para ser Bispo se recomendou uma virtude exótica, peregrina e de novo cunho, que não tinha lembrado ao Apóstolo S. Paulo, a saber, adesão ao sistema, ainda mais se exigia nos cultivadores das tenras plantas, que se as fizessem crescer no espírito maçónico teriam ainda mais valor para os Pedreirões, do que se fossem Bispos, que nunca foram nem hão de ser pessoas de grande monta no conceito dos Pedreiros, que só os querem lá, ou para espantalhos ou para agentes da propagação da seita, e preenchido que fosse o seu fim os indemnizaria depois com dinheiro, ou empregos civis, do que tivessem perdido em honras e privilégios... Devem tratar-se com alguma extensão estes dois artigos, Livros e Mestres, em que apareceram factos mui curiosos, e mui dignos de chegarem à notícia do público, e de fixarem toda a atenção do Governo sobre um dos assuntos de maior consideração, em que o simples descuido, não digo somente de meses, mais de dias e horas, acarretará males gravíssimos sobre este Reino. Comecemos.

(continuação, II parte)

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 2 (II)

(continuação da I parte)

OS TRANSMONTANOS

Desde tempo imemorial que este nome passa em todo o Reinos, e Domínios Portugueses, por sinónimo de probo, honrado, e veleroso. "Seria infinito quem se propusesse coligir as provas da justiça com que lhes são concedidos estes nobres, e gloriosos epítetos, ou se quer nomear os varões assinalados que saíram da Província de Traz-os-Montes para encherem os lugares mais honoríficos da Igreja, e do Estado.

No tocante aos exercícios da guerra, e ao valor e coragem, que alu se demandam, creio que ninguém apresentará maior cópia de títulos autênticos para uma inquestionável primazia, e se algum dos nossos Conterrâneos, ou por mal informado, eu por invejoso, me quisesse disputar o que ousadamente afirmo, bastaria lembrar-lhe os memoráveis campos da Godinha onde os Transmontanos Dragões de Chaves, quiseram antes ser cortados, e feitos em postas desde o Chefe até ao último Soldado, que renderem-se ao inimigo, acção esta que os Escritores Portugueses censuram, e taxam de indiscreta, mas que os Estrangeiros têm querido chamar, e reivindicar para os seus concidadãos.

Quando este grande exemplo por ser único deixasse de o abalar então lhe faria ver em nossos Historiadores, quando tratam da portentosa victoria de Montes Claros decisiva da sorte de Portugal, onde os Terços e Esquadrões Transmontanos fizeram a principal figura, mais outro irrefragável monumento daquela bem fundada primazia. "Estas (explica-se deste modo uma Relação Castelhana impressa em Lisboa, poucos dias depois daquela gloriosíssima victória)... Estas bravas gientes de Tras los Montes parece que em todos lugares se reproduziam para vencer."

Concedido porém que faltasse a nuvem de argumentos do valor Transmontano, que enche, e enobrece todas as páginas da nossa História, que é  que nós temos visto, e admirado, senão uma pleníssima demonstração, do ingénio valor, que não cede ao que nesta parte, ou referem os Historiadores, ou cantam as antigas Musas?

Reparemos na Continência desses animosos Soldados que não pôde ser minguada, ou escurecida por uma série de privações, e de trabalhos, que porventura custariam a própria vida a quem não fosse transmontano.

Admiremos a invencível firmeza com que depois de reprovada a sua causa pelos que se reputavam Deuses da terra,e depois de se verem abandonados de uma grande parte dos seus Chefes, (pois houve Regimento fiel ao grande Silveira, ou à causa da razão, e da justiça em que somente dois Oficiais, quizeram participar dos trabalhos, que se antolham sempre no caminho da honra, e da virtude!!) assim mesmo foram Catães preferindo os desastres que pareciam amontoados sobre a boa causa, às aliciações, recompensadas, e vantagens de que se ataviava a má causa para os fascinar, e iludir.

Quem morre nas Thermópylas, ainda consegue mais frondosos Louros do que haviam de ser os conseguidos nas planícies de Mantineia...... A retirada dos dez mil é o feito de armas por certo o mais brilhante, e assinalado da História antiga, e que leva a palma aos triunfos do Granico, e de Arbeles...... E que é a penosa marcha dos Transmontanos ao través da Espanha sobre modo inquieta, e agitada senão numa viva imagem da famosa retirada dos dez mil? Que suave e gostosa é para mim, e para os bons Portugueses, que só os maus pensaram de outro modo, a lembrança das alturas de Santa Bárbara, e dos ilustres Generais, Vaía, Teixeira, e Correia de Morais, inseparáveis da sorte, e destinos do novo Xenofonte!! A povoação da Trindade é outra Numância e Sagunto...... As Mães, e as Esposas Transmontanas, são as heroínas de Lacedemonia, e também excitam os seus filhos, e os seus Esposos com o decantado Aut cum hoc, aut in hoc...... Ou morrer combatendo sob as ordens do Conde de Amarante, ou voltar com ele já venceor, e triunfante....... Ah! Estas heroínas ainda fizeram mais, querendo expulsar de suas casas, os prefugos que desertaram das bandeiras da honra, e da Fé!!!

Que mais falta para a glória dos heróis Transmontanos, cujos nomes deveriam abrir-se em laminar de ouro, como se decretou relativamente aos heróis das Thermópylas? Que sejam remunerados...... e que nunca se chegue a dizer que o seu Rei, que a sua Pátria, e que os seus Concidadãos lhe foram ingratos.


(Lisboa: na Officina da horrorosa conspiração, Ria Rormoza N.º 42 - Com licença da Real Commissão da Censura)

ARQUIPÉLAGO DAS BERLENGAS - Portugal



A ocupação humana da Berlenga Grande (única habitável) remonta à Antiguidade, sendo assinalada como, Λονδοβρίς, Londobris ou Landobrix. Mais tarde foi chamada de ilha de Saturno pelos geógrafos Romanos.


Em 1513, com o apoio da Rainha Rainha D. Leonor, monges da Ordem de São Jerónimo aí se estabeleceram com o propósito de oferecer auxílio à navegação e às vítimas dos frequentes naufrágios naquela costa atlântica, assolada por corsários, fundando o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga, (local onde está hoje o restaurante). A escassez de alimentos, as doenças e os constantes assaltos de piratas e corsários marroquinos, argelinos, ingleses e franceses, tornaram impossível a vida de retiro dos frades, muitas vezes incomunicáveis devido à inclemência do mar.

09/06/15

CONVERSAS "BONITAS" - O PADRE E O LEIGO

Nuns comentários duma publicação de rede social, houve reveladora conversa entre um sacerdote e um leigo, os quais comentaram as fotos da publicação. Transcrevo a conversa, usando nomes fictícios, e transposto as fotos:


Eduardo Pereira - Igreja e estado não precisam ser inimigos, afinal, os dois querem o bem das pessoas.

José Cerejeira - Está mal, é sacrilégio [referência às fotos]. O que poderia ter feito: colocar a mão em concha aberta sobre a Hóstia, com os dedos no chão, para protege-la do vento e evitar tocar-lhe.

Em tempo em que os sacr
ilégios e profanação das Sagradas Formas são até recomendados no Clero, acontece disto. Cabe fazer a pergunta: a Hóstia que acabou por cair não teria sido largada com a intenção de colocá-La na mãozinha de alguém!?

Francamente...  hoje o Clero promover sacrilégios e indiferenças para com Nosso Senhor, e nem sem dá conta disso, por ideologia entranhada, que receberam ,e contrária ao que sempre a Igreja acreditou e praticou!

Eduardo Pereira - Bem, José Cerejeira, vc. estava nessa celebração? Viu se a hóstia caiu das mãos dele? Pelas imagens, isso não é possível perceber. Minha postagem foi: 1) acompanhei meu amigo [Padre] João Coelho e [Padre] Marcelista Finalino; 2) tenho liberdade para promover esse ou aquele sem lhe pedir licença; 3) essa não é a primeira nem será a última que o vento leva uma hóstia consagrada, mesmo no interior de nossas igrejas isso ocorre; 4) é muito feio julgar os sacerdotes porque acolhem políticos nas celebrações que têm direito de celebrar nosso senhor tanto quanto vc. ou eu. Assim, seja mais tolerante com os erros dos outros. Atire a primeira pedra não. Bom dia e que Deus te abençoe.


[Padre] João Coelho - Bravo!

Andrzej Duda, presidente da Polónia, esteve presente na Missa do dia de Acção de Graças celebrada pelo Cardeal Kazimierz Nycz, arcebispo de Varsóvia. Num dado momento, já depois da consagração, o vento forte fez com que uma Hóstia consagrada voa
sse do altar e fosse parar ao chão. Nesse momento, o presidente polaco levantou-se, genuflectiu e apanhou a Hóstia.
De todas as autoridades presentes nos primeiros bancos, o presidente polaco foi o único a reagir. Os seus guarda-costas, que no princípio não entenderam o que se passava, aproximaram-se para ver o que fazia o presidente.
Além de apanhar a Hóstia do chão, tapou-a com as mãos e entregou-a ao Cardeal Nycz, que A recebeu com a reverência devida a Jesus sacramentado.
Aos 42 anos de idade, Andrzej Duda acabou de ganhar as eleições na Polónia, defendendo uma política de apoio à família e à natalidade, através de medidas sociais. Isto enquanto declara guerra aos contraceptivos, ao aborto e à fecundação in vitro.
in infocatolica

Eduardo Pereira - Obrigado pelo esclarecimento. Eu não estava na celebração e não conheço o presidente polonês, porém imaginei que jamais ele deixaria Jesus consagrado cair ao chão.

José Cerejeira 1 - As mão profanas não devem tocar em Nosso Senhor;
2 - Existem o meios próprios para retirar a Hóstia do chão;
3 - A profanação cometida pela dita pessoa, certamente é de pecado não culpável;

4 - O que o profanador deveria ter feito era AVISAR RAPIDAMENTE o Sacerdote para que ele procedesse à remoção devida da Hóstia. No caso de haver vento, como parece ter sido o caso, podia o presidente tê-la protegido, e VELÁ-LA (de joelhos), cobrir com algum lenço limpo, ou até colocar a mão sem tocar e da forma que eu já indiquei, etc... Assim, sim.

João Coelho, já que não ensinaste aqui como se trata nestes casos da queda das Sagradas Formas, pelo menos que me colocasses um "gosto". Como não colocaste, até gostaria de saber o motivo!

Alzira Rocha Varela Diogo - Mas que polémica!

Eduardo Pereira - Desnecessária, não é?! Cada um olha de um ponto e vê de uma forma diferente. A questão é: tolerância com o ponto de vista do outro.

José Cerejeira -
Ou seja... por séculos o Sacerdote mantém o polegar e indicador juntos depois de tocarem na Hóstia consagrada, para que não caia nenhuma Partícula. Agora os Senhores padres nada disto sabem, ou porque lhes dá na veneta e abandonam isso com indiferença sacrílega. Como se não fosse pouco, incentivam a comunhão na mão e ficam assustadíssimos se conhecerem alguém que  comungue de joelhos! ... É, ou não é assim!? Vamos lá saber afinal.

"... SACRILÉGIOS E INDIFERENÇAS COM QUE ELE HOJE É OFENDIDO..."

Senhor Padre Eduardo, a doutrina é "ponto de vista" na Igreja!? Para os sacrilégios e profanações deve haver "tolerância"!? O erro não tem direitos, recordo-lhe, nem há liberdade no erro; parece que o Senhor Padre quer dar direitos onde a Igreja os proíbe, e tolerância para o que tem de ser condenado.

A VERDADE existe, todos os católicos estamos sujeitos a ela. Fora dela nenhum poder lhe foi dado para ensinar ou agir, muito menos em nome de Deus. Relativismos não, Senhor Padre. Não pode tolerar o erro ... Não?

Já agora, qual é o seu Bispo, e em que Seminário foi formado? Agradecido.

Eduardo Pereira - Olha, senhor José Cerejeira, não o conheço o suficiente, mas arrisco um palpite: o senhor tem uma cabecinha de ervilha! Acho que o senhor está muito equivocado com a Igreja que está despontando nesse novo horizonte com o pastoreio do Papa Francisco. Saia de Trento e venha para o Vaticano II; 

Puebla; Aparecida... por sermos uma Igreja mais aberta aqui no Brasil, não quer dizer que temos menos amor ou respeito a Deus ou às Suas coisas.

José Cerejeira - Senhor Padre Eduardo Pereira, espero que não esteja assim tão inovado que tenha mudado de moral. Sabe que estão aqui em causa as crenças, doutrinas, e não as pessoas com cabeça de ervilha, ou com penteado bonito. [referência ao muito aprumado penteado do Pe. Pereira]

O Senhor Padre diz: "A
cho q o senhor está muito equivocado com a Igreja que está despontando nesse novo horizonte com o pastoreio do papa Francisco." O que quer dizer realmente? Quer dizer que a doutrina de sempre não é mais ou não será mais a mesma!? Que os dogmas não são mais os mesmos e com o mesmo entendimento!? Que a moral não é mais a mesma!? Que a filosofia não é mais a mesma!? Que o Pensamento da Igreja não está mais sintetizado em S. Tomás de Aquino!? Quer dizer que os Papas têm poder para inovar em Fé, Moral e Costumes, afinal!? Quer dizer que, por exemplo, os rigorosos critérios para as beatificações e canonizações não têm de ser os mesmos!? Quer dizer que o conceito de santidade não tem de ser o de sempre!? Que coisa o Senhor Padre quer dizer exactamente com essa "abertura" e "novos pastoreios" relativamente a pontos que na Igreja ensinou IMUTÁVEIS? .... Pode explicar, por favor?

"Saia de Trento e venha pra Vaticano II". Não sabia que podemos ignorar um ou outro, visto um e outro trataram das questões importantes com os graus de autoridade com que cada qual se quis pronunciar: o Ecuménico Concílio de Trento não pode ser desobedecido, porque está promulgado com Infalibilidade nas coisas que manda. Quanto ao Concílio Vaticano II, tendo tido poder para se pronunciar infalivelmente, e definir dogmas, apenas se quis pronunciar a um nível mais modesto, pastoral, e nada nele há que seja NOVO OBRIGATÓRIO; o que neste é novo, portanto, não obriga, nem da Tradição! O que Vossa Reverência propõe, é novidade: desobedecer a Deus, por desautorização da Sua Santa Igreja (contrariando os pronunciamentos infalíveis de um concílio), ao mesmo tempo que parece estar a querer DOGMATIZADO um concílio que apenas se pronunciou pastoralmente, e não definiu nada de novo. É isto que está propondo realmente!?

"por sermos uma Igreja mais aberta aqui no Brasil, não quer dizer que temos menos amor ou respeito a Deus ou às Suas coisas." O Senhor acabou de mandar os Concílios anteriores ao Vaticano II "para o lixo"! Ou é impressão minha!? E lá adiante, pelo que me pareceu, rejeitou o dogma da Infalibilidade Papal, promulgado por um Concílio anterior ao "meramente pastoral" Vaticano II, o Vaticano I, o qual, na dita definição explica que: ao Papa foi dada a assistência do Espírito Santo para nas matérias da Fé (doutrina), Moral, e Costumes, CONSERVAR, DEFENDER, e TRANSMITIR; e diz ainda, veja bem: NENHUM PODER lhe foi prometido para nestas matérias (doutrina e costumes) INOVAR. Ora, o Senhor Padre apoia o Papa Francisco PELAS INOVAÇÕES, e manda "para o lixo" os CONCÍLIOS TODOS (incluindo o Vaticano II TAL COMO foi promulgado, embora faça dele um DOGMA como ele não ousou fazer de si mesmo). Acha que a VONTADE DE DEUS está apenas nas excepções, e não na ORDINARIEDADE e na VERDADE IMUTÁVEL, que a Igreja sempre transmitiu sem contradição? É isso!? Como se ama a Deus seguindo o que Deus não ensinou pela boca da Igreja, e rejeitando o que Deus ensinou como verdade, pela boca da Igreja!?

Senhor Padre.... ou eu não tenho entendido muito bem suas palavras, ou devo concluir: o senhor parece não tem fé, porque para ter fé há que professar a mesma doutrina ,tal como a Igreja sempre a ensinou (e não de outra forma)... Parece-me pelo que diz, não ter fé!

Queira desculpar, mas é isto que parece tomando em conta o que a Igreja sempre ensinou.

Eduardo Pereira -
Obrigado pelo penteado bonito. Gosto também da beleza exterior... hehehe. Qeu o Deus que eu professo, te abençoe. Pensei que vc. fosse um padre ou um bispo, embora um pensamento tão arcaico e conservador... Não é comum leigos serem tão intolerantes com a doutrina engessada da Igreja. Que pena! Não se assuste, mas o tempo da cristandade já passou! O Vaticano II está sendo posto em prática aqui no Brasil. E aí em Portugal, está? 

José Cerejeira - Pe. Eduardo, mais vale a correcção de um leigo, que o silêncio de um Bispo!

"um pensamento tão arcaico e conservador." ... Não diria pensamento arcaico, mas sim intemporal: o que era, o que é, e o que há-de vir. O pensamento de V. Rev., pelo que aqui escreve, era erro, é erro (nunca está aprovado verdadeiramente), e será erro no futuro, porque não tem apoio no passado e o contradiz, porque é um pensamento não encontrado na Sagrada Escritura, nem do Magistério Infalível da Santa Igreja etc.. . O meu é um pensamento conservador!? Eu não diria conservador... diria  tradicional. O conservador tenta manter o passado; o tradicionalista mais que tudo é aquele que se orienta pela Verdade Católica, e segundo ela transmite o que herdou, segundo ela aplica no presente, e transmite para o futuro. O conservador, conserva; o tradicionalista conserva apenas o que não fere a Verdade, e transmite tal e os frutos disso. O Papa Pio XII disse que o católico é obrigatoriamente um tradicionalista! Mas, o que sugere afinal  V. Rev. ?! Sugere que sejamos o contrário, que deitaremos fora o passado!? O Concílio Vaticano II já passou, e o Senhor Padre insiste com ele, embora não segundo a modesta autoridade com que ele se quis pronunciar (essa parte já não quer)! Qual é o critério, afinal?! Afinal o critério é o de sermos conservadores do último dos concílios!? Qual o motivo para que isso fosse assim!? Onde estão inscritas essa regra ou crença que nos levariam a ter de fazer assim!? ...


V. Reverência tenha coragem de dizer perante todos, respondendo: Aceita realmente o Magistério Ordinário da Igreja e todos os Concílios!? É verdade que não está em cisma com a Santa Igreja quem cortado com o Magistério Ordinário Papal e com todos os Concílios anteriores!?

"Não é comum leigo tão intolerante com a doutrina engessada da Igreja." Eu que aceito todos os concílios com os graus de autoridade com que os mesmos se pronunciaram, sou "intolerante com a doutrina", e o Senhor que não aceita nenhum concílio, se acha tolerante!? ... Repare: se um ladrão rouba, estará a ser tolerante com a lei que proíbe o roubo!?... É tolerância arrasar com todos os concílios, e com todo o Magistério Ordinário, inclusivamente o Magistério Extraordinário Infalível (o caso do Dogma da Infalibilidade Papal).!? Como podemos ser tolerantes para as obrigações que temos? Isso não é tolerância, isso é indiferença ou desobediência, ou até cisma! Portanto, achará também intolerante o contrário: a ortodoxia com que a Santa Igreja agiu tão cuidadosamente por cumprimento da Vontade de Deus!

" Não se assuste, mas o tempo da cristandade já passou! " Passou sim; eis que em 1834 caiu o último Reino Católico às mãos do Liberalismo, o que prova que a Cristandade não pode existir estando todos nós governados pelos ilegítimos, em regimes impróprios, por leis anti-católicas que não foram talhadas à imagem do Magistério da Igreja nem da Lei divina. O Senhor Padre também aplaude a queda da Cristandade, em vez de lamentar a sua queda e a dá-la como modelo.  Implicitamente, nega assim a doutrina do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a qual nos mostra como devemos lutar para que Cristo Reine nas nações! V. Reverência tem então muito por onde festejar: veja os estados antes católicos, hoje desfeitos e ocupados aprovando hoje leis do aborto, leis do "putimónio", concubinatos e divórcio, veja quanta "alegria" lhe poderão proporcionar assim os ocupantes actuais dos nossos Reinos Católicos! Se assim é, se não é ilusão aquilo que vi nas suas palavras, todos os que pensam igual então activa ou passivamente a trabalhar para edificação do Reinado Social do Anticristo; faça-o às claras, para que saibamos quem é quem!


Pai "venha a nós o vosso REINO"... Mas... o Senhor Padre regozija-se porque a Cristandade terminou! ... Vinde Senhor Jesus!

"O Vaticano II está sendo posto em prática aqui no Brasil e aí em Portugal, está?" Para saber aplicar um concílio que não definiu nada doutrinalmente, e tudo de novo o que tem não obriga, portanto, requer que a referência sejam todos os outros concílios, a Doutrina imutável, a Tradição! A PASTORAL, ferramenta falível, tem que ser uma serva fiel da Doutrina, caso contrário não seria católico aplicar uma ferramenta que ferisse, diminuísse, ou contrariasse a coisa veiculada, a Doutrina, moral, costumes, Liturgia, a Tradição... Logo, os senhores estão muito mal, porque invertem a autoridade documental: fazem do Concílio Pastoral um Concílio Dogmático, e fazem da Doutrina imutável um pormenor histórico que passou, ou que serve hoje para decoração. Para que serve tal concílio!? Boa pergunta ... É caso para dizer que não foi Deus que o quis, mas sim PERMITIU.

O que diria S. Tomás de Aquino!... Ele que reconheceu verdade em algum do pensamento clássico (que coisa antiquada...), como é o caso do "argumento ad hominem". Este tipo de argumento falso, por exemplo, também não ficando esquecido no tempo de S. Tomás, atravessou todos os tempos até hoje, e é ensinado, nos Seminários e formação do Direito. Não porque seja moda, não porque seja novidade, nem porque seja antiguidade, mas sim porque é uma constatação verdadeira e transversal a todos os tempos. Por acaso, também o argumento ad hominem é aquilo que V. Reverência tem usado até ao momento: em vês de considerar a coisa disputada, considera a pessoa que considera, como se isso fizesse desaparecer tudo e refutasse o oponente! A verdade aguenta cosméticos por muito tempo. Padre, repare na sua falta de argumentos, repare no desconhecimento destas matérias que são obrigatórias na formação de um Sacerdote; e é por isso que só lhe resta mal apostar no ad homeniem! Eis os frutos do "pos-concílio"!

Rogo a Deus que o converta. 



Eduardo Pereira - Vc acha mesmo que vou ler esses textos longos, enfadonhos, chatos..? Tenho mais o que fazer. Passar bem, sr. cabeça de ervilha. 


José Cerejeira - Senhor Padre, os meus comentários são também para quem os ler. As coisas de Deus e da Igreja são-lhe enfadonhas; aqui as poucas linhas, e muito resumidas, lhe parecem pesadas, enquanto que, para outros, até a versão descompactada é leve e saborosa.

"Onde está o teu pensamento aí está o teu coração; onde está o teu coração, aí está o teu tesouro." ... quem será o divino Autor?! [o Senhor Padre Eduardo bloqueou José Cerejeira antes desta última resposta]

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